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Em uma madrugada escura de novembro de 1984, Lisa McVey, uma jovem de 17 anos, estava voltando do trabalho bem tarde da noite, pedalando em uma rua vazia… e pensando acabar com a própria vida quando chegasse em casa. Só que, no caminho, algo aconteceu. Algo que impediu Lisa de colocar seu plano em prática e transformou aquela noite em algo totalmente diferente do que ela imaginava.

O que aconteceu com Lisa naquela madrugada? O que acontece quando alguém que já não via saída, do nada, se vê lutando para sobreviver? Qual era o perigo, maior e mais terrível do que se pensava a princípio, por trás daquele homem? E até onde uma jovem consegue ir quando percebe que pode não sair viva daquela noite?

CASO

Lisa McVey nasceu em março de 1967, em Tampa, na Flórida. E infelizmente ela teve uma infância bem complicada.

Quando ainda era bem pequena, o pai largou a família. E a mãe, que tinha problemas sérios com álcool e com drogas, não conseguia cuidar bem da filha. Então, ao longo da infância, Lisa acabou entrando e saindo de vários lares adotivos — ficava um pouco numa casa, um pouco em outra…

Ou seja, a menina não tinha estabilidade, nem segurança. Estava sempre tentando se adaptar a um lugar novo e a pessoas novas.

LISA MCVEY QUANDO CRIANÇA:

Fonte: https://www.thesun.co.uk/news/19151313/serial-killer-kidnap-victim-lisa-mcvey-torture/ 

Quando a Lisa tinha 14 anos, a mãe dela decidiu acabar com isso e colocar ela para morar com a avó. Mas, na prática, essa mudança não trouxe nem um pouco de estabilidade pra vida da garota.

Primeiro, porque, no fim das contas, não era a avó que cuidava da menina. Era o contrário: era a Lisa que tinha que cuidar da avó e de tudo na casa. 

E, segundo, porque foi nesse cenário que Lisa passou a viver um verdadeiro pesadelo dentro de casa. Deixa eu te contar:

Essa avó da Lisa tinha um namorado, que frequentava muito a casa. Então, ele sempre estava lá, assistindo a televisão, jantando, dormindo no sofá da sala… E, quando Lisa tinha 14 anos, esse cara passou a abusar sexualmente dela.

Isso era constante, gente. Ou seja, todos os dias, ela acordava pela manhã com medo, sabendo que, naquele dia, ela poderia ser abusada e agredida mais uma vez dentro da própria casa.

E, para piorar, esse cara ainda andava armado. Ou seja, se Lisa se negava a fazer alguma coisa, o namorado da avó simplesmente colocava a arma na cabeça dela. E, aí, Lisa fazia o que ele queria, né… por medo. Obrigada.

A avó não fazia nada em relação a isso e parece que ainda passava pano pra situação, sabe? Então, era um lar abusivo e Lisa não tinha ninguém pra proteger ela — que era uma criança ainda… Quase uma adolescente, mas uma criança ainda, né.

Lisa viveu esses abusos por anos. 

Em 1984, quando Lisa tinha 17 anos, ela era uma garota triste, que adorava assistir programas de true crime na TV e que não conseguia mais ver uma saída pra situação que ele estava vivendo ali na casa da avó. 

Pra ela, a única saída, infelizmente, parecia ser… tirar a própria vida.

E, em novembro, ela já tinha tudo planejado: a Lisa escreveu um bilhete de despedida, aí deixou tudo preparado e saiu para trabalhar, como se fosse um dia qualquer. Quando voltasse pra casa, ia pegar uma arma, encostar na cabeça… e atirar.

Mas, nesse dia, aconteceu uma coisa que virou tudo de cabeça pra baixo. E não pra melhor.

Lisa trabalhava em uma loja de Donuts e, nesse dia em específico, dia 2 de novembro de 1984, ela ia fazer um turno dobrado. Ela queria juntar dinheiro suficiente para fugir daquele lugar e viver em paz, só que o dinheiro nunca era o bastante. 

Aí, nesse dia, Lisa trabalhou o dia inteiro. E, como ficou dois turnos seguidos, acabou saindo bem tarde do trabalho, já de madrugada.

Já eram duas da manhã quando a Lisa bateu o ponto, pegou sua bicicleta e saiu sozinha, pedalando. A rua estava escura e deserta — devia ter só um poste aqui ou outro ali, mas nada que realmente iluminasse o caminho.

Foi quando… de repente, Lisa sentiu um puxão nas costas. Ela foi puxada da bicicleta com muita força e caiu. Na hora, com medo e sem entender nada do que estava acontecendo, Lisa começou a gritar. Mas, então… ela sentiu uma coisa encostar na cabeça dela. Metálico. Frio. Era uma arma.

Ela não conseguia ver a pessoa. Ela só conseguiu ouvir uma voz masculina dizendo pra ela ficar quieta. Que, se ela gritasse de novo, ele ia atirar. 

Gente, Lisa já estava acostumada com aquele tipo de situação, por causa do namorado da avó. Então, ela sabia que se fizesse alguma coisa (algum movimento brusco ou se ela falasse alguma coisa que deixasse o homem com raiva… sei lá), o cara realmente poderia matar ela.

Então, Lisa tentou manter a calma: ela rezou baixinho para si mesma, falou pro cara que faria tudo o que ele mandasse e pediu pra ele não matar ela.

Aí, rapidamente, o cara amarrou a Lisa, colocou uma venda nos olhos dela, jogou a garota dentro de um carro… e saiu dirigindo.

Já dentro do carro, o homem obrigou Lisa a tirar a roupa… e, então, a fazer sexo oral nele. E ela teve que obedecer. Assim… bem horrível.

E, gente, a Lisa conta que, nesse momento, uma coisa mudou nela: aquela vontade que ela tinha de tirar a própria vida…  sumiu. Naquele instante, ela não conseguia pensar em outra coisa que não fosse sobreviver. Surgiu um instinto de sobrevivência muito forte nela, para sair dessa situação. E a Lisa prometeu para si mesma que, se saísse dessa, não ia deixar ninguém fazer nada parecido com ela de novo. Nunca mais.

Mesmo apavorada, Lisa foi muito esperta:

Enquanto tudo isso estava acontecendo, a Lisa, que era viciada em assistir true crime, decidiu usar tudo o que ela tinha aprendido nesses programas de televisão e ficar de olho em todos os detalhes que ela pudesse notar no carro — para, depois, ajudar a polícia.

Então, ela fez igual detetive mesmo, gente.

Por exemplo: Lisa estava vendada, só que, ali no carro, ela conseguia sentir o vento batendo rápido no rosto dela. Por conta disso, a Lisa deduziu que o carro devia estar indo rápido — rápido demais pra estar numa rua comum da cidade. Numa rua residencial, por exemplo. Ou seja, o carro devia estar em uma área que permitia velocidades maiores, tipo uma rodovia.

Ou seja, pela velocidade do vento, ela deduziu mais ou menos o caminho que o cara estava fazendo. Parecia que ele estava indo pra norte.

Além disso, como o carro estava em movimento, tinham momentos que a venda não ficava totalmente firme no rosto da Lisa. Então, tinha hora que a venda ficava frouxa; um pouquinho mais pra cima ou um pouquinho mais pra baixo… Por conta disso, a Lisa conseguia ver uns relances do ambiente ao redor dela, de vez em quando.

Então, ela foi notando vários detalhes: Lisa notou, por exemplo, que o carro tinha bancos brancos e um carpete vermelho. Além disso, percebeu que o carro chacoalhava muito, o que indicava que o veículo precisava trocar de óleo. E teve uma hora que o cara, inclusive, estacionou rapidinho pra sacar dinheiro em um caixa eletrônico, então ela notou todos os sons ao redor.

Além disso, uma fonte ainda afirma que Lisa estava menstruada e que ela deixou sangue cair de propósito no banco, pra que a polícia pudesse usar isso como evidência depois, eventualmente.

No final das contas, o homem dirigiu pelo que pareceu horas. Até que… em certo momento, estacionou o carro. Mandou Lisa se vestir de novo e descer do carro. 

Lisa obedeceu.

Nessa hora, como a venda estava um pouco frouxa, ela conseguiu ver um relance do chão e percebeu que tinha várias folhas no local. Parece que a Lisa tinha sido levada pra um lugar perto de algum mato… 

Aí, o homem foi guiando Lisa, que andou, imagino que tropeçando, até um prédio. Os dois entraram e subiram. E ela, claro, anotou tudo mentalmente: subiu exatamente 19 degraus, virou pra esquerda e depois pra direita. 

Por fim, entraram em um apartamento:

Lá dentro, o cara obrigou ela a tirar a roupa de novo, mandou ela entrar no chuveiro e fez Lisa tomar um banho. Quando ela terminou, o homem jogou a garota no chão… 

E, depois disso, o que se seguiu foi um pesadelo: foram 26 horas de abusos – foram várias vezes e de vários jeitos diferentes, muitas vezes batendo na Lisa. E parece que sempre xingando ela de coisas misóginas também.

Era bem horrível.

Durante todo o tempo, o cara ficava falando que era para Lisa não gritar, não tentar fugir e nunca tirar a venda. Que era para a Lisa não espiar nada.

Só que, claro, ela ficava reparando em tudo, sim.

Lisa tentou ter relances de qualquer característica do apartamento, notou que o lugar era limpo… 

Teve um momento, por exemplo, que, enquanto o homem abusava da Lisa, ele pegou a mão dela e passou no rosto dele. Aí, a Lisa pensou “que idiota!” e ficou prestando MUITA atenção. Com o tato, a jovem conseguiu descobrir diversas características físicas dele: o cara tinha um bigodinho, algumas marcas no rosto e nariz arrebitado.

Lisa também percebeu que ele tinha oscilações de humor: tinha hora que ele era mais violento. Abusava, batia, xingava… E tinha outras horas em que ele era mais “carinhoso” (entre aspas). Que ele dava banho nela, lavava o cabelo… Ele até fez um sanduíche e deu um refrigerante pra ela.

E, nesse momento, que ele deu o sanduíche pra Lisa, aconteceu uma coisa que mudaria completamente o rumo daquele dia:

No ambiente, a TV estava ligada. Lisa estava vendada, mas ela conseguia ouvir o que estava passando… E Lisa identificou que estava passando uma série famosa na época chamada Airwolf (que é uma série sobre um piloto do exército que usa um super helicóptero pra combater o crime).

Até que…

De repente, a série foi interrompida e entrou um noticiário — tipo o plantão da Globo, sabe? Apareceu um jornalista. E ele falou que uma adolescente de 17 anos tinha sido dada como desaparecida. A jovem se chamava… Lisa McVey.

Era ela.

Foi aí que a ficha caiu de verdade pra Lisa! Ela tinha sido sequestrada, e só Deus sabia se ela sairia viva dessa. Lisa entrou em desespero, começou a chorar, gritar… 

Então, o sequestrador colocou de novo a arma na cabeça dela e falou que, se ela não calasse a boca, ele seria forçado a (abre aspas) “meter uma bala na cabeça dela”.

Com medo, Lisa juntou todas as forças que tinha pra manter calma. Nessa hora, eu imagino que algo mudou. Parece, pelo que contam as fontes, que Lisa percebeu que tinha que fazer mais do que já estava fazendo: ela tinha que estudar o cara, entender a cabeça dele, para achar uma maneira de sair dali.

E foi o que ela fez… Gente, Lisa teve muita força e coragem para conseguir racionalizar isso enquanto estava passando por essa situação terrível, né?!

O que ela fez?

Quando Lisa foi no banheiro, por exemplo, ela fez questão de passar a mão em tudo! - no box, no espelho, na maçaneta, no vaso sanitário… Porque, se ele matasse a Lisa, a polícia podia encontrar as digitais e descobrir que ela tinha estado ali.

Além disso, com o tempo, Lisa e o homem começaram a conversar:

Por exemplo, ele perguntou o nome dela. E Lisa mentiu: disse que chamava Carol e que tinha 19 anos. Aí, ela questionou porque o cara estava fazendo aquilo… e, com as horas, ele foi se abrindo. 

Ele contou que queria se vingar de todas as mulheres, em geral, porque ele tinha acabado de passar por um término complicado de relacionamento. 

Quando contou isso, a Lisa se assustou: no fundo da cabeça dela, alguma coisa dizia que, se o cara queria se vingar de todas as mulheres, talvez ele já tivesse feito aquilo com outras garotas antes.

Lisa ficou com medo. Mas foi entrando no jogo dele:

Assim, Lisa começou a dar atenção para ele nos intervalos das agressões, dava trela pras coisas que ele contava, fazia perguntas, ouvia as respostas e até perguntou se ele não queria ser o namorado secreto dela.

Ela foi tentando conquistar a confiança dele, sabe?

Lisa, inclusive, inventou uma história para gerar uma identificação: afirmou que tinha um pai doente e que, se acontecesse alguma coisa com ela, não ia ter ninguém para tomar conta do pai. 

Com o passar das horas, o homem foi criando uma empatia com Lisa. Foi ficando calmo. Até que… 

Levou Lisa de volta pro carro, ainda vendada, e começou a dirigir. Ela devia estar com muito medo, sem saber o que o cara ia fazer agora… Se ia levar ela pra algum lugar mais afastado pra tirar a vida dela, por exemplo.

Por fim, ele parou uma estrada isolada. Só que, para surpresa da Lisa… ele pediu desculpas. E disse (abre aspas): “fala pro seu pai que ele foi a única razão que eu não te matei”. 

Então, mandou Lisa sair do carro, esperar cinco minutos e, só então, tirar a venda dos olhos. 

Ela obedeceu.

Quando o homem foi embora, Lisa esperou os cinco minutos. Só então ela tirou a venda. E, naquele instante, ela percebeu: finalmente, estava livre.

Depois de 26 horas, aquilo tinha acabado. E, muito provavelmente, graças à própria inteligência dela.

Lisa saiu correndo pelas ruas, em direção à casa. Eram mais ou menos 4 e meia da manhã e, toda vez que um carro passava, ela achava que seria o sequestrador, que tinha mudado de ideia e estava voltando atrás dela, os faróis perseguindo ela no escuro.

Lisa conseguiu chegar em casa. Em tese, em segurança. Só que, chegando lá, descobriu que o pesadelo… ainda não tinha terminado:

Assim que chegou em casa, ela bateu na porta. E quem abriu? Sim, gente… o namorado da avó. Com raiva.

Ele puxou Lisa pelo cabelo, jogou a garota no chão e começou a bater. Ele queria saber onde a Lisa tinha estado por mais de um dia e com quem ela estava saindo… com quem estava traindo ele.

Como se existisse qualquer tipo de relacionamento entre eles, né, gente? O namorado da avó tinha violentado a garota nos últimos três anos e, ainda assim, queria saber com quem ela estava “traindo” ele (entre aspas).

No final das contas, Lisa foi interrogada por mais de cinco horas.

Ou seja, depois de escapar de um sequestro, depois de passar por abusos e depois de usar toda a força e a coragem que tinha para escapar, guiada por um instinto de sobrevivência gigantesco… Lisa ainda teve que enfrentar mais isso. Dentro da própria casa.

Ela contou tudo — disse que tinha sido sequestrada e explicou o que tinha acontecido. Mas ninguém acreditou nela.

Depois de cinco horas de interrogatório, a avó da Lisa finalmente ligou pra polícia: ela falou que eles não precisavam mais procurar a garota, porque ela já tinha voltado pra casa. E disse ainda que Lisa estava mentindo sobre o que tinha rolado, inventando que tinha sido sequestrada.

Só que, por sorte, os policiais resolveram investigar do mesmo jeito:

Na delegacia, Lisa contou tudo que tinha rolado. Ela deu todos os detalhes que tinha juntado: descreveu o carro, falou do apartamento, tentou indicar uma possível localização do lugar… 

E contou detalhes do homem: características físicas, os comportamentos, pequenas coisas que Lisa tinha captado, mesmo passando a maior parte do tempo com os olhos vendados.

Foi então que algo chamou a atenção dos investigadores.

E, por mais estranho que possa parecer, parece que eles acionaram o FBI  — que é tipo uma polícia especializada, responsável por investigar crimes mais complexos e ameaças maiores à segurança nacional dos Estados Unidos.

Mas… por que chamar o FBI para um caso como esse? Por que não deixar tudo com a polícia local? Tinha alguma coisa a mais nesse caso?

A princípio, parecia que não. Mas, para eu te explicar o que estava rolando, eu preciso voltar um pouquinho no tempo pra te contar outra parte dessa história toda. Uma parte sombria.

Em 1984, na região de Tampa, o FBI e a polícia local estavam investigando uma série de crimes. Um mais brutal que o outro.

Em maio de 1984, seis meses antes do sequestro da Lisa, os investigadores tinham encontrado o corpo de uma jovem, de cerca de 20 anos. Ela estava com o rosto para baixo, as mãos amarradas nas costas, as pernas abertas de uma forma totalmente estranha — pouco natural. Quando os detetives foram medir a distância entre os calcanhares dela, tinha um metro e meio de distância entre um calcanhar e o outro.

Ela tinha sido abusada e sufocada. E os policiais não faziam ideia de quem poderia ter cometido o crime.

Pouco tempo depois… mais um corpo apareceu. 

Os detetives encontraram o corpo perto de uma estrada rural. Era de uma trabalhadora do sexo, também com cerca de 20 e poucos anos. Ela tinha sido espancada, violentada… e sua garganta, golpeada com faca.

Depois, encontraram mais um corpo. E mais outro. E mais outro.

Durante um período de somente oito meses, oito mulheres foram achadas nas mesmas condições. Corpos em estado avançado de decomposição e encontrados sempre perto de estradas rurais ou arrastados para áreas de mata.

Na maioria das vezes, eram dançarinas ou trabalhadoras do sexo — jovens que, na época, a própria polícia considerava como mais vulneráveis. 

Algumas delas tinham sido baleadas.

Em geral, elas tinham apanhado, sido abusadas e, em alguns casos, como eu disse, os corpos estavam em posições pouco naturais. Pernas abertas e coisas assim… Eu achei fontes falando até que algumas tiveram as partes íntimas mutiladas.

Com o passar dos meses, os detetives começaram a notar que aquilo não era uma sequência de crimes aleatórios. Tinha um padrão. E, investigando, eles descobriram uma coisa que virou o caso de cabeça para baixo:

Uma fibra de nylon vermelha. 

A mesma fibra tinha sido achada em mais de um corpo. E era exatamente igual. O que só podia significar uma coisa: não eram crimes isolados. Era o mesmo autor.

Eles não estavam lidando com um criminoso qualquer. Eles estavam atrás de… um serial killer.

Toda a cidade entrou em pânico. Os investigadores ficaram desesperados, tentando achar esse cara antes que ele fizesse mais vítimas. 

E volta e meia, surgia na televisão a notícia de que outro corpo tinha sido encontrado… Outra mulher que tinha perdido a vida.

Certo dia, Lisa assistiu a um desses noticiários:

Ela estava em casa, imagino que tentando se recuperar de tudo o que ela tinha acabado de sobreviver. Até que… uma reportagem começou na TV. O jornalista estava falando sobre mais um crime do serial killer. E mostraram um retrato falado do possível suspeito.

Na hora, segundo a própria Lisa, os pelinhos da nuca dela arrepiaram.

Ela começou a chorar: o cara na retrato falado… ela tinha certeza que era o abusador dela. Ela não tinha visto o rosto dele no dia em que tudo rolou, só que, num misto de intuição e de todos os detalhes que ela tinha guardado na memória, ela sabia que era o mesmo cara.

Gente, Lisa não tinha apenas escapado de um sequestrador e abusador. A inteligência da Lisa tinha feito ela escapar… de um serial killer

E, não fosse a sagacidade dela, ela provavelmente teria perdido a vida.

Assim que percebeu isso, Lisa voltou imediatamente à delegacia para falar com os policiais e dar mais detalhes. Lá, os detetives mostraram para Lisa várias fotos de suspeitos. Rostos diferentes, homens diferentes. 

Imediatamente, a Lisa apontou para uma das fotos. Aquele era o rosto que ela tinha sentido com as próprias mãos no dia em que tudo aconteceu. Ela reconheceu o cara.

Mas… quem era ele?

Os detetives começaram a investigar ainda mais a fundo: refizeram a rota que o cara tinha feito com Lisa naquele dia, cruzaram horários, buscaram por carros parecidos com a descrição que ela tinha dado. Coisas assim.

Foi nesse processo que, finalmente, eles chegaram a um nome: o autor de todos aqueles crimes era um homem chamado… Bobby Joe Long.

Quem era esse cara?

Mais uma vez, vou fazer uma pausa pequena na cronologia do caso, pra te contar quem era o Bobby. Porque entender a história dele ajuda a gente a  entender tudo o que vem depois… Vamos lá:

ROBERT JOSEPH LONG:

Fonte: https://www.thesun.co.uk/news/19151313/serial-killer-kidnap-victim-lisa-mcvey-torture/ 

Robert Joseph Long nasceu em 14 de outubro de 1953, em Kenova, em West Virginia. Quando o Robert ainda era criança, os pais dele se separaram e, a partir de então, ele, que era mais conhecido pelo apelido Bobby, passou a morar apenas com a mãe, na Flórida.

A mãe dele, a Louella, trabalhava em um bar. Então, ela costumava chegar sempre muito tarde em casa. Quando chegava, Louella deitava na mesma cama que o Bobby… e dormia com o filho. 

Ou seja, Bobby dormia todos os dias com a mãe. E, gente, parece que isso rolou por muitos anos, até mesmo quando ele já era grande - com 12 ou 13 anos. 

Até aqui, isso não era uma coisa necessariamente fora do normal…  

Mas a Louella fazia uma coisa que não era legal: como ela estava solteira, ela costumava trazer vários homens para casa, pra ter relações sexuais. Só que, ao invés de fazer isso em outro quarto, com mais privacidade, Louella tinha relações sexuais com Bobby deitado do lado dela, na mesma cama. 

Eu não tenho certeza se ele dormia durante os atos ou se fingia que estava dormindo, ou alguma coisa assim. Mas, ao que tudo indica, ele presenciou a coisa acontecendo algumas vezes. 

E parece que isso marcou bastante o Bobby. 

Além de tudo isso, durante a infância, ele sofreu vários acidentes, batendo a cabeça diversas vezes. 

E o Bobby também nasceu com uma condição que fez com que, quando o corpo dele começou a desenvolver, na adolescência, surgissem algumas características femininas nele, como o crescimento de seios. 

Por causa disso, Bobby sofreu muito bullying dos colegas.

Quando Bobby tinha 13 anos e morava em Miami, na Flórida, ele conheceu uma garota chamada Cynthia. E parece que foi amor à primeira vista!

Ainda adolescentes, eles começaram a namorar (sabe aquele namorinho de escola? Exatamente isso!). Com o tempo, eles foram crescendo juntos e, em 1974, quando o Bobby tinha 21 anos, os dois se casaram. 

Logo depois, tiveram dois filhos.

De acordo com os relatos, no começo, o Bobby era um marido carinhoso, e ele e Cynthia tinham uma vida normal. 

BOBBY E CYNTHIA SE CASANDO:

Fonte: https://www.modusoperandipodcast.com/episodios/ep141-lisa-bobby 

Mas, com o tempo, e principalmente depois de um acidente de moto que Bobby sofreu e que fez ele bater a cabeça muito forte, ele mudou bastante:

Antes, ele tinha um pavio curto, era mais estressadão… Mas parece que era um nível normal, sabe? Só que, agora, ele passou a ficar MUITO impaciente com as crianças. E agressivo com a Cynthia, chegando a bater nela várias vezes.

Bobby também começou a ter compulsão por sexo. Parece que ele tinha o costume de se masturbar várias vezes por dia e, ainda assim, ele queria ter mais duas, três, quatro relações sexuais por dia.

Com os anos, Cynthia passou a gostar cada vez menos de Bobby… e então a última gota:

Certa vez, por algum motivo, Bobby ficou irritado com a Cynthia. E aí bateu nela. Só que não era suficiente pra ele: Bobby colocou as mãos no pescoço da Cynthia e começou a enforcar a esposa. Até que… 

Em seguida, Bobby bateu a cabeça dela na quina de uma televisão antiga — daquelas antigas… grandonas e pesadas, sabe? A pancada foi tão forte que Cynthia caiu, inconsciente.

Quando Cynthia acordou, ela estava deitada no sofá. 

Bobby também estava lá… e ele estava chorando: ele se desculpou e disse que nunca mais faria algo assim de novo. Só que, alguns minutos depois, o Bobby mudou completamente: ele virou pra a esposa e disse que, quando ela fosse para o hospital, pra levar pontos, era pra ela não contar nada do que tinha rolado. 

Se ela abrisse a boca… ele mataria ela quando voltasse pra casa.

A partir desse dia, Cynthia começou a temer pela própria vida.

Depois desse episódio, ela chegou a carregar uma arma: Bobby estava na cama, dormindo, e Cynthia apontou a arma para a cabeça dele… mas ela não conseguiu atirar.

Ela decidiu seguir por outro caminho: em 1980, Cynthia não aguentou mais toda essa situação terrível que ela estava vivendo e pediu divórcio. Depois disso, o Bobby ficou sozinho, e passou a morar com uma amiga dele, uma mulher chamada Sharon Richards.

Sozinho, Bobby começou a dar vazão pra seus impulsos sexuais, que foram considerados como perversos, e passou a cometer uma série de crimes:

Todos os dias, ele pegava um jornal e ia direto pra seção de classificados, procurando anúncios de mulheres vendendo algum móvel ou algum item… qualquer coisa. Às vezes, ele simplesmente dirigia por Tampa, procurando por casas que tivesse com plaquinhas na porta, anunciando alguma coisa à venda.

Quando Bobby encontrava esse alvo, ele batia na porta, fingindo interesse em comprar o que quer que fosse. A mulher atendia. Bobby devia inventar alguma história sobre ele e, no fim das contas, ganhava a confiança da mulher. 

Parece que elas não desconfiavam dele, sabe? Porque, segundo os relatos, Bobby tinha uma aparência bem comum, então ele não necessariamente passava uma vibe estranha…  

Aí, ele dava um jeito de entrar na casa e, se a mulher estivesse sozinha, ele atacava… e abusava sexualmente dela.

Os investigadores acreditam que, entre 1980 e 1983, Bobby tenha cometido cerca de 50 abusos desse tipo. Dessa forma, Bobby acabou ganhando um

um apelido: “o estuprador dos classificados”

Parece que, nessa época, Bobby teria abusado até mesmo daquela amiga com quem ele começou a morar junto depois de se separar — a Sharon.

E ele até chegou a ter problemas com a justiça por conta dos crimes, mas, no final das contas, não deu em nada. Bobby continuou livre. 

Infelizmente, isso abriu espaço para algo pior:

Em março de 1984, ele estava dirigindo por Tampa. Como em tantas outras vezes, ele estava procurando satisfazer seus impulsos sexuais. Foi quando ele reparou numa jovem trabalhadora do sexo, de 20 anos, chamada Artis Wick.

Bobby atacou e violentou Artis. Só que, dessa vez, não parou por aí: Bobby começou a enforcar Artis. E apertou o pescoço dela até ela perder todo ar… e morrer.

Cerca de dois meses depois, em maio de 1984, Bobby estava dirigindo pela avenida Nebraska, em Tampa. Segundo as fontes, ele reparou numa jovem andando. O nome dela era Lana Long. 

Bobby desacelerou o carro, parou do lado dela… e aí ofereceu carona. Lana aceitou. Entrou no carro, e os dois começaram a conversar. Só que, poucos minutos depois, Bobby estacionou o carro, imagino que em um local mais isolado. 

E tirou uma faca.

Com medo, Lana tentou gritar e lutar, só que ele era fisicamente mais forte que ela, e conseguiu amarrar a Lana. Aí, Bobby abusou, e enforcou a jovem até a morte. Ela tinha 20 anos. 

O corpo dela foi encontrado pelos policiais dias depois.

Depois disso, ainda em maio, Bobby conseguiu atrair uma trabalhadora do sexo de 22 anos, Michelle Simms, para o carro dele. Como das outras vezes, ele seguiu o mesmo modus operandi, mas dessa vez ele não se contentou em “apenas” (entre aspas) estrangular Michelle. 

Bobby golpeou a garganta com uma faca. Várias vezes.

Gente, no final das contas, Bobby fez dez vítimas conhecidas. Oito antes de ele raptar a Lisa, e duas depois. As vítimas eram:

  • Artis Wick, de 20 anos;
  • Ngeun “Lana” Thi Long, de 20 anos;
  • Michelle Denise Simms, de 22 anos;
  • Elizabeth B. Loudenback, de 22 anos;
  • Chanel Devon Williams, de 18 anos;
  • Karen Beth Dinsfriend, de 28 anos;
  • Kimberly Kyle Hopps, de 22 anos;
  • Virginia Lee Johnson, de 18 anos;
  • Kim Marie Swann, de 21 anos;
  • E Vicky Elliot, de 21 anos.

Como vocês sabem, a Lisa teria sido mais uma vítima, mas ela conseguiu escapar do Bobby.

Agora, a gente vai voltar para a cronologia do caso: 

Em novembro de 1984, Lisa tinha contado tudo que ela sabia pros policiais. E eles tinham fechado o quebra-cabeça e identificado Bobby Joe Long.

Inclusive, a mesma fibra de nylon vermelho, que tinha sido encontrada nos corpos de algumas das meninas mortas, também foi encontrada no corpo da Lisa. E, além disso, a fibra batia exatamente com o carpete vermelho do carro do Bobby. Então, era certeza que era ele!

Em 16 de novembro de 1984, doze dias depois do sequestro da Lisa, Bobby foi capturado enquanto saía de um cinema. Preso, ele confessou os crimes contra Lisa e, com o tempo, confessou também os assassinatos.

No final das contas, em 1985, Bobby se declarou culpado e pegou 26 penas de prisão perpétua sem condicional e mais 7 perpétuas com possibilidade de condicional depois de 25 anos preso.

E, em 1986, veio outra condenação: pena de morte.

Bobby passou décadas no corredor da morte. Foram 33 anos aguardando a execução. Até que, no dia 23 de maio de 2019, o Bobby foi executado por injeção letal. Lisa McVey, já com 52 anos, fez questão de estar na fileira da frente para assistir Bobby morrer.

E, por mais contraditório que possa parecer, a Lisa agradeceu por tudo que ela passou. Ela afirmou que foi o melhor Bobby ter raptado ela. Isso porque ela teve a coragem e a força para passar por tudo aquilo e ainda ajudar a capturar ele. Outra garota talvez não tivesse a mesma força. Talvez, outra garota tivesse perdido a vida.

Em 2004, Lisa decidiu se tornar uma policial. E não em qualquer lugar: Lisa entrou no mesmo departamento que prendeu Bobby anos antes. Ou seja, a Lisa continuou no caminho de prender criminosos.

Depois, com o tempo, Lisa passou a trabalhar como policial numa escola, protegendo crianças do ensino fundamental.

LISA MCVEY ATUALMENTE:

Fonte: https://www.thesun.co.uk/news/19151313/serial-killer-kidnap-victim-lisa-mcvey-torture/ 

Atualmente, em 2025, ela também dá palestras e conta a própria história, para ensinar crianças a se protegerem em situações de perigo. Lisa é vista como uma mulher MUITO inteligente, como uma sobrevivente, como uma heroína que ajudou a colocar um serial killer atrás das grades… e também como uma inspiração para muitas pessoas.

ROTEIRISTA:  Lucas Andries

FONTES:  

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