Edmond Safra era o tipo de homem que parecia intocável: bilionário, banqueiro influente, cercado por poder, prestígio e um império espalhado por vários países. Um nome que atravessava fronteiras — e que, justamente por isso, vivia cercado por camadas e mais camadas de proteção.
Em 1999, ele estava em Mônaco, num dos lugares mais vigiados e seguros do planeta. E morava numa cobertura que funcionava como uma fortaleza: portas reforçadas, câmeras, janelas blindadas, quartos de pânico, controle rígido de acesso. Tudo pensado para manter qualquer ameaça do lado de fora.
Só que, naquela noite, nada disso adiantou.
Um incêndio. Um homem morto dentro de um quarto protegido. Um cenário que não fazia sentido. E uma pergunta que, até hoje, não quer calar: o que realmente aconteceu na cobertura de Edmond Safra?
CASO
Edmond Jacob Safra nasceu em 6 de agosto de 1932, em Beirute, no Líbano – um país que fica no Oriente Médio.
EDMOND JACOB SAFRA:

Fonte: https://www.ejsny.org/our-patrons/edmond-j-safra/
Os Safra, na verdade, eram de Aleppo, na Síria, e tinham origem judaica. Só que, em algum momento, depois do fim da Primeira Guerra Mundial, eles acabaram se mudando para Beirute — onde o Edmond e os irmãos dele nasceram.
A família era grande — ele tinha oito irmãos. E, pelo que tudo indica, eles viviam bem, com uma boa condição financeira.
Em 1920, doze anos antes do nascimento de Edmond, o pai dele, Jacob Safra, tinha fundado um banco. Era um banco pequeno, mas, pelo que parece, ele foi crescendo e acabou sendo o sustento da família por muitos anos.
E o Edmond cresceu nesse contexto. Desde muito novo, ele andava colado no pai: acompanhava-o em visitas a clientes e ficava por perto enquanto Jacob trabalhava. No final das contas, parece que o Edmond pegou o jeito: ele aprendeu na prática como aquele mundo funcionava. Como se faziam negócios.
Jacob também devia enxergar um talento no filho, um tino pros negócios, sabe? Porque, em 1947, quando o Edmond tinha 15 anos, Jacob mandou ele pra Milão, na Itália, pra expandir os negócios da família.
Na Itália, de acordo com o jornal Globo, o Edmond fez questão de manter a sua tradição judaica e criar laços com os judeus sefarditas do país (gente, um parênteses: os judeus sefarditas são os descendentes dos judeus que viveram em Portugal e na Espanha até o século 15, até serem expulsos de lá. Enfim…).
O que as fontes dão a entender é que Edmond passou a assumir algumas responsabilidades dos negócios da família.
Só que, apesar de os Safra serem ricos e prósperos, as coisas não estavam indo às mil maravilhas: pelo que fontes contam, eles não estavam seguros em Beirute.
Eu vi uma fonte afirmando que, ao que tudo indica, teria sido por conta de uma pressão anti-judaica que rolou na região depois da criação do Estado de Israel.
As fontes não especificam exatamente o que rolou, só que, como eu disse, o povo judeu sofreu diversas perseguições ao longo da história. Então, dá para gente ter uma ideia do porquê, talvez, os Safra não estavam seguros em Beirute. E parece até que o apartamento deles foi saqueado em algum momento, de acordo com o Brazil Journal.
Além disso, o contexto na Europa também não estava ajudando: os países estavam tentando se reconstruir depois da Segunda Guerra Mundial e não estavam de braços abertos para receber os Safra.
Não dava muito pra eles se mudarem pra Europa. Só que tinha um país no mundo que estava de braços abertos… Qual, gente?! O Brasil.
Parecia ser um lugar mais seguro, mais hospitaleiro… Um lugar onde, segundo o Brazil Journal, eles teriam acreditado que poderiam viver sem o medo de alguma coisa acontecer com a família.
Gente, no final das contas, os Safra fizeram as malas e se mudaram para o Brasil em 1954. Edmond tinha 22 anos e não falava NADA de português!
Mesmo com essa dificuldade de não falar o idioma – e apesar de todas as dificuldades de ser estrangeiro num país diferente – os Safra conseguiram prosperar. E MUITO.
Em pouco tempo, os Safra teriam conseguido obter a cidadania brasileira e começaram a fazer negócios, enriquecer e circular na alta sociedade.
Em 1955, cerca de um ano depois, Edmond e os irmãos dele fundaram uma empresa… que se tornaria gigantesca e se tornaria famosa no mundo inteiro: o Banco Safra.
Pra quem não conhece São Paulo, o Safra tem um prédio bem grande ali na Avenida Paulista. É até um ponto de referência famoso na cidade.
PRÉDIO DO BANCO SAFRA NA AVENIDA PAULISTA:

Fonte: https://www.suno.com.br/noticias/safra-predio-btg-r-1-05-bi-via-fundo-imobiliario/
Com os anos, o império cresceu e Edmond fundou e passou a gerenciar mais três grandes instituições bancárias, além do Safra. Elas eram:
- o Republic Bank, em Nova York;
- o Trade Development Bank, em Genebra;
- e o Safra Republic Holdings, em Luxemburgo.
Ou seja, Edmond não ficou só no Brasil. Ele expandiu os negócios pra várias partes do mundo, com operações em cinco continentes. Dessa forma, ele se tornou um dos banqueiros mais respeitados (e ricos) do mundo!
Ele viajava constantemente, conhecia sistemas bancários de vários países e milhares de clientes pessoalmente.
Além disso, o Edmond falava 7 idiomas, gostava de andar com ternos bem bonitos e apreciava obras de arte (ele tinha esculturas, pinturas, livros…).
Segundo o Globo, por exemplo, uma das maiores preocupações dele eram os clientes. Pelo que relatam, ele baseava os bancos dele em um princípio que aprendeu com a família: a confiança. Ou seja, parece que Edmond queria que os clientes sempre tivessem a certeza de que o dinheiro que eles depositassem no banco estaria seguro.
Não importava a situação. Se tivesse uma crise, se estourasse uma guerra, se a pessoa precisasse fugir do país… Não importava. O dinheiro estaria lá quando a pessoa precisasse.
Pelo que eu entendi da pesquisa, os bancos dele não faziam investimentos que pudessem arriscar a perda do dinheiro das pessoas.
E é claro que o Edmond não era só trabalho. Enquanto morava no Brasil, ele também deu espaço pro amor: no final dos anos 60, Edmond conheceu uma mulher chamada Lily Watkins Monteverde.
Lily nasceu em 1934, no Rio Grande do Sul. Quando Lily conheceu Edmond, ela já era uma socialite bem rica! E, fora dos negócios, fontes contam que o Edmond e a Lily eram pessoas muito caridosas.
Ela já tinha se casado outras vezes. E um desses casamentos foi com Alfredo Monteverde — o fundador da Ponto Frio, uma das maiores redes de móveis, eletrônicos e eletrodomésticos do país.
Então, Lily já devia ser bem conhecida, muito bem relacionada… uma figura de destaque mesmo. E ela e Edmond se apaixonaram.
Em 1976, os dois se casaram. Lily Monteverde se tornou Lily Safra.
EDMOND E LILY SAFRA:

Fonte: https://www.crimeandinvestigation.co.uk/articles/murder-billionaire-banker-who-killed-edmond-safra
Resumindo. Os anos se passaram e…
No final da década de 90, tinha uma fortuna avaliada em 2 bilhões e meio de dólares (segundo afirma o Aventuras na História) e era considerado pela revista Forbes um dos homens mais ricos do mundo.
Só que essa fortuna não era páreo diante de uma coisa: a saúde. Nessa época, Edmond descobriu que tinha Parkinson – uma condição neurológica que afeta o controle dos movimentos. Ou seja, a doença causa tremores, desequilíbrio, rigidez muscular e outros sintomas.
Desse jeito, Edmond passou a não conseguir mais administrar os negócios como antes. E, em 1999, passou a negociar uma parte do império dele com o HSBC, por bilhões de dólares.
Ele não abandonou completamente os negócios, claro, mas, ao que tudo indica, se afastou bastante. Ele teria começado a fazer uma saída estratégica dos negócios como um todo para reduzir a rotina dele (que devia ser bem puxada) e focar na saúde.
Nesse mesmo ano, no final de 1999, Edmond morava em Mônaco. Em Monte Carlo.
MÔNACO:

Fonte: https://turismo.ig.com.br/destinos-internacionais/2021-07-15/o-que-fazer-em-monaco.html
Mônaco é um país bem pequeno (é um principado, na verdade, porque o sistema de governo é monárquico, governado por um príncipe).
O país tem menos de dois quilômetros quadrados e fica entre a França e a Itália. Só que, apesar de pequeno, em Mônaco só vive gente rica ou famosa: celebridades, bilionários, chefes de Estado…
(Lá também é um paraíso fiscal, só pra vocês saberem kkkk).
Justamente por atrair tanta gente rica e poderosa, Mônaco também virou um dos lugares mais seguros da Europa. Tem segurança para todo lado! É um dos países com o maior número de policiais armados por área.
Edmond Safra morava, mais especificamente, em uma cobertura de um edifício chamado Belle Époque. Segundo o documentário da Netflix, o apartamento do Edmond era cercado de luxo: tinha vários quartos, academia, central de enfermeiros, objetos de luxo, um monte de banheiros…
E também tinha um forte esquema de segurança: por exemplo, homens armados, câmeras de segurança e quartos de pânico (aqueles ambientes feitos pra você se fechar dentro e se esconder em situações extremas, pra se proteger, sabe?).
As janelas também tinham persianas reforçadas e vidros à prova de bala, segundo a revista People.
Na prática, a cobertura era quase uma fortaleza. E, alguns andares abaixo, tinha até uma agência do Banco do Edmond, com todo o esquema de segurança que um banco precisa ter.
Só que nada disso foi suficiente para impedir o que viria em seguida:
Na noite de 3 de dezembro de 1999, Edmond colocou o pijama dele e foi deitar para dormir. Tranquilo, igual ele sempre fazia.
Nessa época, ele se sentia tão seguro ali em Mônaco que ele chegava até a dispensar os seguranças. Não tinha segurança com ele.
Mas tinha uma equipe que ficava 100% do lado dele: os enfermeiros. Como Edmond tinha Parkinson, sempre ficavam dois enfermeiros com ele à noite, do lado da cama, pra dar remédios ou apoio em qualquer necessidade.
Nessa noite em específico, estavam lá os enfermeiros Vivian Torrent e… Ted Maher.
Segundo o que o Ted Maher contou, teria acontecido o seguinte:
Ted tinha acabado o turno dele. Então, a Vivian foi ficar do lado do Edmond enquanto o Ted foi descansar na salinha da enfermaria (eu vi umas fontes também dizendo que ele tinha ido, na verdade, para a academia do lugar, num outro cômodo ali. Não sei exatamente).
Enquanto isso, duas pessoas mascaradas, vestidas de preto, entraram e os dois carregavam facas. E eles estavam ali atrás de uma pessoa: Edmond Safra.
Então, de repente, o Ted levou uma pancada na cabeça. Ele não deve nem ter visto o golpe chegando. Por um segundo, Ted teria ficado confuso. Com dor.
Foi quando ele teria visto os invasores.
Então, o instinto falou mais alto: Ted tinha foi militar; ele era treinado para agir. De acordo com a versão dele, Ted teria pegado um halter de 10 quilos e atacado um dos invasores, tentando se defender. Ele acertou em cheio e o homem caiu.
Só que, na confusão, um dos invasores teria pegado a faca e atacado Ted. Ele foi golpeado três vezes, duas vezes na perna e uma no abdômen.
Aí… a visão do Ted foi ficando preta. E ele teria desmaiado.
Alguns minutos depois, ele acordou, confuso e sangrando. Os caras tinham desaparecido, então Ted teria corrido para encontrar Edmond e Vivian, pra alertá-los do perigo.
De acordo com essa versão, quando ele encontrou os dois, Ted assumiu o controle da situação:
Ted falou para eles correrem pro banheiro (que parece que era um quarto do pânico também) e deu um telefone na mão da Vivian para ela chamar ajuda.
E foi o que eles fizeram: Edmond e Vivian teriam corrido pra esse quarto de pânico e se trancado lá. Em teoria, em segurança. Um ambiente fechado e blindado.
Mas então… Um cheiro de queimado começou a subir. Depois, fumaça. A cobertura estava pegando fogo!
E aí, o fogo começou a se espalhar e a fumaça começou a entrar devagar por baixo da porta do quarto de pânico do Edmond. Segundo as fontes, de dentro do quarto, Vivian teria ligado para várias pessoas, desesperada, pedindo socorro.
Enquanto isso, Ted entrou no elevador para descer até o lobby do prédio e supostamente pedir ajuda pro Edmond e pra ele mesmo. Afinal, o cara tinha sido golpeado com uma faca.
Mas, segundo o documentário, Ted teria desmaiado no elevador.
Aí, o elevador desceu e, no lobby, o concierge — o profissional do hotel responsável por facilitar a vida dos hóspedes — viu as portas do elevador se abrirem. E, então, o coração dele deve ter parado por um segundo.
Ele viu Ted todo ferido, ensanguentado, segurando o abdômen.
Gente, o que eu acabei de contar para vocês foi a versão que o Ted Maher contou, tá?!
E é importante dizer que tudo o que eu estou falando é baseado em depoimentos que aparecem naquele documentário que eu mencionei da Netflix. E, inclusive, fica a dica para vocês assistirem depois!
Na hora, o concierge achou que Ted tinha sido baleado. E correu para ligar para a polícia.
Então, pelo que eu entendi do documentário, como o concierge achou que Ted tinha sido baleado, parece que ele ligou pros policiais meio que dando a entender que tinha um atirador no lugar, sabe?
E também estava tudo muito confuso. Era um cenário de emergência.
Aí, segundo versões de gente envolvida no caso, parece que a polícia teria chegado lá preparada pra talvez lidar com invasores armados. E por conta disso, quis vasculhar o lugar INTEIRO antes de deixar os bombeiros subirem, pra segurança de todo mundo.
E, pelo que o documentário conta em certo momento, os detetives teriam vasculhado quase o prédio inteiro. E, gente, ele tinha 23 andares só de estacionamento (kkk). Então, dá pra imaginar a escala do lugar!
Isso era por volta das 4h50 da manhã.
Todo mundo estava desesperado para entrar logo e ajudar o Edmond e a Vivian. Mas só às 6h15 da manhã, mais de uma hora depois, os bombeiros teriam conseguido COMEÇAR a tentar controlar o incêndio, que se espalhava rápido.
Também havia o fato de que Edmond tinha um aparato de segurança bem robusto, com portas reforçadas e janelas blindadas. Parece que isso também atrasou os bombeiros.
E, mais do que isso, o calor intenso, a fumaça, os obstáculos estruturais… Na verdade, deve ter sido uma série de fatores.
O chefe de segurança do Edmond Safra, quando descobriu o que estava acontecendo, foi correndo de onde quer que ele estivesse pro prédio, para ajudar. Ele tentou entrar no prédio e a polícia o prendeu, achando que ele podia ser uma das pessoas que queriam fazer mal a Edmond.
Aí, às 7h45, quase 3 horas depois do incêndio começar, quando finalmente os bombeiros chegaram ao Edmond e à Vivian, eles, infelizmente… foram encontrados sem vida.
A causa da morte foi asfixia, devido à fumaça. Edmond tinha 67 anos e estava sentado em uma poltrona vermelha. Vivian, a enfermeira, estava deitada no chão aos pés dele.
Eu também vi em alguns lugares que o Edmond também teria se recusado a abrir a porta do cômodo, supostamente porque ele achava que não era seguro sair… Mesmo com várias pessoas ligando pra celular e falando pra ele que já era de boa sair. Tem relatos disso.
COBERTURA PEGANDO FOGO:

Fonte: https://people.com/inside-the-story-of-murder-in-monaco-11870545
Depois do incêndio, os detetives começaram a investigar e a se perguntar: o que, de fato, tinha acontecido? Como um bilionário morreu assim em um dos países mais seguros da Europa?
Quem tinha entrado no apartamento? Como o fogo começou? Além disso, nada tinha sido roubado e não havia sinais de arrombamento… então, qual teria sido a motivação?
E se os bombeiros tiveram dificuldades pra entrar na cobertura, como os invasores tinham burlado todo o esquema de segurança?
A coisa parecia muito esquisita. Organizada. E talvez… até profissional.
Os jornais da Europa não perderam tempo e, logo, começaram a criar teorias que quem podia estar envolvido era algo… perigoso: a máfia russa.
Isso porque, nos anos 90, Edmond tinha reduzido em 40% os negócios dele na Rússia. E aí, segundo algumas especulações, isso pode ter sido o motivo pra algumas pessoas poderosas quererem prejudicar o Edmond, ou então dar um susto nele.
Ou seja, na época, havia muita especulação de que a máfia tinha motivos suficientes pra fazer algum mal pro Edmond. Era tudo muito suspeito.
TEORIAS
Por outro lado, muitas pessoas também chegaram a especular que Lily, a esposa do Edmond, pudesse estar envolvida. Talvez para ficar com a herança ou algo assim. Sabemos que a principal linha de investigação muitas vezes começa pelos parceiros/maridos né…
Não tinham evidências ou provas que apontassem pra isso.
Ela estava na cobertura na noite em que o fogo aconteceu, mas num outro cômodo e, logo no comecinho, conseguiu sair do prédio em segurança. E Lily sobreviveu ao incêndio.
Em 2008, Lily Safra colocou a Villa La Léopolda à venda. O comprador anunciado pela imprensa internacional foi um bilionário russo, um dos homens mais ricos da Rússia na época.
O valor negociado era astronômico — estimado em centenas de milhões de euros — e, como é comum nesse tipo de transação, houve o pagamento de uma entrada de cerca de 10% do valor total, milhões de euros.
Só que a venda nunca chegou a acontecer. O comprador desistiu do negócio. E aí a Justiça decidiu que o depósito não seria devolvido. Ou seja… aquele dinheiro ficou com a Lily. Milhões de euros.
O documentário insinua que essa entrada milionária poderia ter sido uma forma indireta de repasse de dinheiro. Como se o negócio da mansão tivesse sido usado, na prática, pra transferir dinheiro.
Só que é importante dizer que o documentário não apresenta nenhuma prova concreta disso.
O documentário também resgata a morte de um dos maridos anteriores da Lily, Alfredo Monteverde, fundador da rede Ponto Frio. Segundo o documentário, o Alfredo teria tirado a própria vida com dois tiros no peito — algo que o próprio documentário considera muito estranho, quase impossível imaginar que alguém conseguiria atirar mais de uma vez contra si mesmo.
E, no fim das contas, tanto o episódio da mansão quanto a morte de Alfredo Monteverde acabaram alimentando teorias da conspiração em torno da Lily Safra. Mas, até hoje, não existe nenhum fato concreto nem decisão judicial que sustente essas suspeitas.
E sabe o que mais tinha quase nenhuma evidência? Os tais invasores. Porque, no fim das contas, qual era a prova de que alguém tinha entrado na cobertura?
Ao que tudo indica, fora o relato do próprio Ted, não havia nada que comprovasse a presença de homens armados no apartamento.
A polícia até chegou a pegar as imagens das câmeras de segurança para analisar, mas, parece que não deu em nada.
Será que esses invasores existiam mesmo? Se não… como o fogo começou então? Até que… de acordo com o documentário, houve uma reviravolta. Algo que viraria o caso de cabeça para baixo:
Os detetives encontraram um suspeito. E não era ninguém que eles tinham suspeitado de cara. O suspeito era… o enfermeiro, Ted Maher.
Quem era esse cara?
Ted nasceu em 1958 e, como conta a revista People, ele teria passado boa parte da adolescência dele vivendo em Nova York. Quando chegou a hora de entrar numa faculdade, a família dele não tinha dinheiro pra bancar os estudos, então ele teria decidido se alistar no exército.
Ted teria passado um tempo no exército… e, depois de anos, ele finalmente conseguiu entrar na faculdade. Ted virou enfermeiro.
Nessa época, ele também se casou com uma mulher chamada Heidi, teve dois filhos e construiu uma vida em Nova York, trabalhando na unidade de neonatal do Hospital Columbia-Presbyterian.
TED MAHER:

Fonte: https://people.com/inside-the-story-of-murder-in-monaco-11870545
Mas, segundo os relatos dele, em 1998, o hospital em que o Ted trabalhava entrou em greve. E parecia haver risco de o Ted perder o emprego. Foi quando, por meio de conhecidos, o Ted ficou sabendo de uma pessoa doente que precisava de cuidados constantes: Edmond Safra.
Assim, Ted conseguiu emprego de enfermeiro do Edmond e logo se mudou para a Europa. Primeiro ele foi pra França e depois para Mônaco.
Apesar de estar longe da família, nesse período, o Ted conta que ganhava bem. MUITO bem.
Ted ganhava 600 dólares por dia trabalhado e ainda ganhava mais 10 mil dólares por mês pra arcar com todas as despesas dele na Europa. Aluguel, comida, contas…
Depois de um tempo, Ted começou a se sentir sozinho em Mônaco e pediu para algum chefe de equipe do Edmond se ele poderia trazer a família dele pra mais perto também – pra esposa e os filhos ficarem mais perto dele.
E o chefe lá teria aceitado. Então, em 1999, Heidi e os filhos do Ted estavam para se mudar pra Europa também. Em uma cidade bem perto de Monaco.
Basicamente, o Ted tinha o emprego dos sonhos dele!
Ele não podia perder esse emprego. E é aí que entra a versão da polícia: de acordo com os detetives, pra assegurar o emprego, Ted teria colocado em prática um plano arriscado.
Segundo os policiais… Ted quem teria começado o incêndio.
Supostamente, ele teria colocado fogo num lenço e jogado dentro de uma lixeira. A intenção seria criar uma situação de emergência. Aí, ele daria um jeito de salvar o Edmond dessa situação que ele mesmo criou e, então, Ted sairia como o herói da história. Viraria o enfermeiro favorito do Edmond.
Só que, segundo essa versão, na madrugada de 3 de dezembro de 1999, as coisas teriam saído do controle do Ted. O fogo se espalhou rápido demais. Tomou o apartamento.
Então, Ted teria se esfaqueado de propósito, na perna e no abdômen, para fingir que tinha sido atacado por invasores (que, segundo essa versão, não existiam) e sustentar a história de que não tinha nada a ver com o fogo.
Essa era a versão da polícia.
Era uma história doida, só que, de fato, as evidências mostravam que o fogo tinha começado numa lixeira. E, no final das contas… Ted confessou!
Em 7 de dezembro de 1999, ele assinou um papel confessando que era isso que realmente tinha acontecido: Ted era responsável pelo incêndio e tinha agido sozinho. Desse jeito, ele acabou preso em Mônaco. Ted tinha 41 anos.
Segundo uma matéria do New York Post publicada em 2002, os filhos da enfermeira Vivian Torrente — que morreu no incêndio junto com Edmond Safra — entraram com um processo de 100 milhões de dólares. Eles alegam que o próprio Safra teria contribuído para a morte da mãe, ao impedir que ela deixasse o banheiro onde os dois estavam refugiados durante o incêndio.
De acordo com essa ação, a autópsia e outras evidências indicariam que Vivian lutou para sair do local e acabou morrendo por asfixia.
Essa versão confronta diretamente a conclusão oficial da Justiça, que responsabilizou o enfermeiro Ted Maher pelo incêndio criminoso.
Apesar do processo e das acusações, essa tese nunca alterou a decisão judicial: para a Justiça, Ted Maher continuou sendo o responsável pelo fogo que matou Edmond Safra e Vivian Torrente.
Mas a história ainda está longe de acabar… Vamos lá:
Ele ficou por um tempo preso, aguardando o julgamento. Até que, em 2002, três anos depois, aconteceu o julgamento do Ted Maher:
Bem, a acusação argumentou isso que eu contei agora. Que Ted iniciou um incêndio criminoso para salvar o Edmond Safra e virar o favorito dele. E, na época, a chefe do time de enfermeiros do Edmond testemunhou contra o Ted:
Ela afirmou que, em 1999, Ted achava que ela, numa posição de liderança, não estava passando turnos o suficiente para ele. Ele não estava pegando plantões o suficiente por causa dela, sabe? E ele queria mais turnos e, com certeza, devia receber mais dinheiro pelos plantões.
Ela também falou que, na noite em que o caso aconteceu, Ted chegou pra trabalhar bem nervoso. Parecia que ele queria que as enfermeiras do turno anterior fossem embora rápido – dando a entender que o Ted queria ficar sozinho no local, só com Edmond e Vivian.
A defesa do Ted, por sua vez, foi por outro caminho:
O advogado do Ted, Michael Griffith, não negou que ele tivesse mentido sobre o ataque — nem que tivesse responsabilidade pelo que aconteceu. Mas a defesa bateu numa tecla: Ted nunca teria querido machucar o Edmond. Segundo essa versão, tudo teria sido um “terrível acidente” que saiu do controle.
Além disso, para os advogados de defesa, Ted não teria sido o responsável direto pelas mortes… A defesa pontuou que, na verdade, os bombeiros e a polícia que não tinham trabalhado direito, tendo demorado TRÊS horas pra entrar no apartamento e chegar ao Edmond.
Só que, no final das contas, saiu o veredito e Ted foi considerado… culpado.
Ele passou dez anos de cadeia pelo incêndio criminoso que causou a morte de Edmond Safra e de Vivian Torrent.
E, preso, Ted até tentou escapar, gente!
De acordo com o documentário: Na prisão, Ted tinha um colega de cela, um cara chamado Luigi Ciardelli. E os dois sabiam que, em Mônaco, eles estavam numa cadeia relativamente boa. Tinha até vista pro Mar Mediterrâneo!
Só que, em algum momento, os dois seriam enviados para uma prisão na França… que não seria tão boa.
Então, eles inventaram um plano: conseguiram contrabandear pra dentro da prisão umas serrinhas e, com elas, Ted e Luigi ficaram cinco semanas e meia serrando grades da prisão sem ninguém perceber. Até que, certo dia, quando os agentes penitenciários estavam ocupados demais assistindo a um jogo de futebol… os dois escaparam. Conseguiram sair da prisão.
Mas a felicidade durou pouco: logo em seguida, eles foram recapturados.
No final das contas, Ted ficou preso por anos… Só em 2007, quando a pena dele acabou, que Ted foi solto.
Livre, ele retirou a confissão que tinha feito lá atrás e deu uma nova versão dos fatos, que parece que é a versão que o Ted sustenta hoje. Eu não sei o quanto essa versão difere da história que ele contou lá no começo, antes da polícia suspeitar dele. Mas parece que tem detalhes a mais:
Segundo essa versão, em 1999, o Ted estava vivendo a vida dele. Tranquilo. Trabalhando em Mônaco. Até que, um dia antes do incêndio, ele estava andando pelas ruas da cidade quando, de repente… Ted percebeu que havia algo errado.
Sabe aquela sensação de alguém te observando? Então, era isso…
E aí, o Ted começou a reparar que, em todo lugar a que ia, havia uma van branca indo atrás. Ele estava sendo perseguido.
Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa para se proteger, essa van branca parou perto dele, abriu a porta e homens mascarados puxaram ele para dentro. E o Ted ficou com medo, claro.
Segundo ele, os caras estavam armados e tinham sotaque russo.
Aí, os caras teriam mostrado uma foto pro Ted: a da esposa e dos filhos dele. Ou seja, era uma mensagem: se Ted não obedecesse, a família dele estaria em perigo.
Ted, claro, ficou desesperado. E resolveu obedecer.
Mas… o que os sequestradores queriam?
Segundo o Ted, ele não estava escalado para trabalhar no dia 3 de dezembro, quando o crime ocorreu. Só que os sequestradores dariam um jeito… Ele seria escalado pra trabalhar naquele dia específico.
E tudo o que ele precisava fazer era, no dia, deixar as persianas da cobertura abertas.
Então, de acordo com essa versão, no dia 3 de dezembro, um dos gerentes do Edmond teria ligado de última hora pro Ted, pedindo que ele trabalhasse naquela noite.
De madrugada, como a gente sabe, Ted estava na cobertura, cuidando do Edmond. Parece que todas as persianas estavam fechadas… Menos as da sala de enfermagem. Ted sabia o porquê e teria deixado elas abertas.
Aí, durante a madrugada, teria acontecido toda aquela história: dois caras teriam invadido o apartamento de alguma forma, atacado Ted e ferido ele com uma faca. Depois, Ted teria conseguido avisar Edmond e Vivian para que se esconderem.
Então, querendo que um alarme soasse pra acionar a polícia e os bombeiros, Ted pegou um lenço. Colocou fogo. E jogou numa lixeira.
Ted teria começado o incêndio. Mas sem a intenção de machucar Edmond e Vivian.
Aí, como a gente sabe, as coisas saíram do controle…
Ted ainda acrescentou, de acordo com essa versão, que, quando acordou no hospital, um policial teria feito uma visita a ele:
Ted estava na cama, ferido, e aí esse policial entrou e contou que Edmond tinha morrido. Quando soube disso, Ted teria chorado. Ele ainda não sabia o que tinha acontecido com Edmond nesse momento.
Então, o policial teria mostrado um papel para Ted: ele teria olhado e visto um monte de palavras em francês. Segundo Ted, ele não entendia uma palavra de francês.
Então, o policial teria dado a entender que, se Ted não assinasse… algo de ruim aconteceria com a família dele.
Meio que deu a entender que o policial podia estar relacionado com quem tinha sequestrado ele antes, naquela caso da van, sabe?
Aí, segundo Ted… o que ele poderia fazer? Ele tinha que proteger a família.
Ted teria assinado o documento em francês. Ele não sabia ainda, mas ele estava assinando a confissão de que tinha ateado fogo no apartamento para salvar Edmond e sair como herói.
E foi por isso que ele teria confessado lá atrás – mesmo sendo inocente, segundo essa versão. Ele teria sido coagido.
E ainda questionou no documentário: por que ele começaria um incêndio? Por que ele arriscaria perder um salário ótimo e um emprego dos sonhos?
Ainda segundo essa versão, em 1999, apesar de ele se considerar inocente, Ted teria decidido não voltar atrás na confissão, pois os advogados teriam aconselhado que, se ele cooperasse, a pena de prisão seria menor.
Enfim… várias versões da história, né?! (kkkk).
Quando Ted saiu da prisão, ele voltou pros EUA e tentou limpar o seu nome. Com dificuldades, ele foi fazendo alguns trabalhos de enfermeiro, passou a contar essa versão dos fatos de que eu falei agora e mudou o nome dele pra John Green. Parece que pra não ficar mais ligado ao caso.
Isso já era 2007 pra frente. Porém… gente, a história ainda não acabou.
Alguns pontos dessa versão do Ted foram contestados:
As autoridades de Mônaco contaram que, na verdade, quando ele assinou a confissão, Ted teve acesso a um tradutor antes de assiná-la. Ou seja, o Ted supostamente sabia o que assinava. E, portanto, não teria sido coagido a assinar nada, como ele afirma.
Além disso, o pessoal que fez o documentário foi atrás de checar algumas informações: eles contrataram detetives especializados e, aparentemente, eles descobriram que Ted pode nunca ter sido militar de verdade.
Gente, essa informação (que o Ted foi militar antes de ser enfermeiro) está em tudo quanto é site de notícias. Era meio que um conhecimento comum sobre a vida do Ted.
Mas agora pode ser que isso seja mentira, segundo o documentário.
Além disso, segundo a chefe das enfermeiras do Edmond (lembra que eu falei dela antes?), Ted teria mentido em sua versão dos fatos: Ted teria dito que não estava escalado pra trabalhar na noite em que o Edmond morreu e que teria sido chamado de última hora. Mas pra chefe das enfermeiras, isso era mentira… Ela disse que ele estava escalado, sim.
Essa mulher não é exatamente a fonte mais confiável do mundo, porque o documentário mostra que ela e o Ted eram, meio que, inimigos.
Então, fica a dúvida: ela estaria dizendo a verdade… ou tentando prejudicar o Ted? Ainda tem boatos de que ela pode ter recebido um pagamento pra testemunhar contra Ted no julgamento.
E, quando parece que não dá pra piorar, enquanto o documentário estava sendo produzido, a situação do Ted ainda ganhou um novo capítulo:
Em 2022, Ted, que já tinha se separado da esposa dele da época em que o caso aconteceu, a Heidi, estava em um novo relacionamento com uma mulher chamada Kim. E o relacionamento devia ser ótimo, mas com o tempo, ele começou a agir de forma estranha, pelo que a Kim conta.
E, em determinado momento, as coisas escalaram: Ted chegou a invadir o escritório onde Kim trabalhava e roubou um iPad, 600 dólares e uma arma.
Depois, o Ted ainda tentou sacar 44 mil dólares (parece que de uma conta da Kim) numa agência bancária. A polícia desconfiou, chegou lá e tentou prender ele… mas o Ted conseguiu escapar.
Um tempo depois (e mais uns crimes para a conta), Ted acabou preso no Texas.
Preso, Ted ainda foi acusado pelos detetives de tentar pagar um matador de aluguel para matar a namorada. Pelas fontes, enquanto estava preso, o Ted teria tentado pagar um colega da prisão pra dar veneno a ela.
Ted foi julgado por isso… e considerado culpado. Em julho de 2025, o Ted foi sentenciado a nove anos de prisão. Considerando o tempo que ele ficou preso antes de ser julgado, ele deve sair da cadeia só em 2031.
Atualmente, ele está preso na Central New Mexico Correctional Facility, sob o nome de John Green. E parece que ele está lutando contra um câncer de garganta, pelo que diz a People.
TED MAHER RECENTEMENTE, NO DOCUMENTÁRIO DA NETFLIX:

Fonte: https://people.com/inside-the-story-of-murder-in-monaco-11870545
Gente, esse último episódio do Ted com a Kim serviu pra deixar uma coisa muito clara (se é que não tinha ficado claro antes): o Ted não é uma fonte confiável. Não dá pra confiar se o que ele diz é verdade ou não.
E, no final das contas, muito por conta disso, dele ficar mudando de versão, até hoje, o mistério permanece: o que de fato aconteceu com Edmond?
O documentário levanta várias hipóteses (algumas eu acho até forçadas) e possíveis suspeitos. Para a justiça, a conclusão foi que o Ted foi mesmo o responsável pelo incêndio que acabou matando o Edmond e a Vivian.
A verdade é que o caso tem muitas respostas, sim. Só que também há muitas dúvidas sobre como exatamente as coisas se desenrolaram, como aponta o documentário (algumas vezes, até de forma sensacionalista).
ROTEIRISTA: Lucas Andries
FONTES:
- https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/edmond-safra-morte-que-chocou-o-mundo.phtml
- https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/assassinato-em-monaco-conheca-a-misteriosa-morte-de-edmond-safra.phtml
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Sefarditas
- https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/08/19/edmond-safra-livro-conta-como-banqueiro-marcou-o-mundo-das-financas-no-seculo-xx.ghtml
- https://www.ejsny.org/our-patrons/edmond-j-safra/
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmond_Safra
- https://braziljournal.com/edmond-safra-chamava-seus-bancos-de-filhos-este-livro-decifra-a-esfinge/
- https://en.wikipedia.org/wiki/Lily_Safra
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Lily_Safra
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Pontofrio
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Safra
- https://www.netflix.com/watch/81767764?trackId=284616272&tctx=0%2C0%2C1cdb1c91-f687-48da-9223-2fa05bda46c0%2C1cdb1c91-f687-48da-9223-2fa05bda46c0%7C%3DeyJwYWdlSWQiOiIxNDFhNjZlZi1kYjk5LTRlYWYtOTE3NC1kYWQ3MDZiNThiY2QvMS8vbcO0bmFjby8wLzAiLCJsb2NhbFNlY3Rpb25JZCI6IjIifQ%3D%3D%2C%2C%2C%2CtitlesResults%2C%2CVideo%3A81767764%2CdetailsPagePlayButton
- https://www.leparisien.fr/faits-divers/l-incroyable-scenario-du-meurtrier-d-edmond-safra-23-11-2002-2003594850.php
- https://www.rtl.fr/actu/justice-faits-divers/meurtre-a-monaco-qui-a-tue-le-banquier-libanais-edmond-safra-7800638557
- https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%B3naco
- https://people.com/inside-the-story-of-murder-in-monaco-11870545
- https://www.youtube.com/watch?v=AbGA06pAGBg
- https://www.theguardian.com/news/1999/dec/04/guardianobituaries.alexbrummer
- https://www.foxnews.com/us/american-jailed-billionaires-monaco-death-plot-kill-wife-exposed-long-con-expert-says
- https://www.theguardian.com/theobserver/2000/oct/29/features.magazine47
- https://en.wikipedia.org/wiki/Ted_Maher
- https://miscelana.com/2025/12/18/assassinato-em-monaco-o-true-crime-que-troca-verdade-por-drama/#:~:text=Assassinato%20em%20M%C3%B4naco:%20o%20true%20crime%20que%20troca%20verdade%20por%20drama
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Safra
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Moise_Safra
- https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9dio_Oriente
- https://www.travelsafe-abroad.com/br/monaco/
- https://turismo.ig.com.br/destinos-internacionais/2021-07-15/o-que-fazer-em-monaco.html
- https://revista.istoe.com.br/28952_omisteriodesafra
- https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0312200201.htm
- https://www.theguardian.com/world/2002/nov/23/jonhenley
- https://www.biography.com/crime/a69676214/murder-in-monaco-netflix-true-story-edmond-safra
- https://www.crimeandinvestigation.co.uk/articles/murder-billionaire-banker-who-killed-edmond-safra
- https://www.terra.com.br/economia/1999/12/03/007.htm
- https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0307201002.htm













