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Esse caso foi muito pedido, especialmente pelos ouvintes de Portugal, pois chocou muito não só o país como toda a Europa. E, por incrível que pareça, muito pouco se sabe dele, principalmente porque junta vários elementos que compõem o tipo de crime que causa bastante curiosidade…

Diogo Gonçalves tinha vinte e um anos, vinha de família humilde e sempre foi conhecido como um aluno aplicado e batalhador. Ele trabalhava no restaurante de um hotel na região de Algarve, no litoral português, para juntar dinheiro. Como todo jovem, ele tinha sonhos na vida, e precisava da grana para conquistá-lo e tb queria ser financeiramente estável.  Quando tinha apenas dezessete anos, Diogo presenciou o acidente vascular cerebral que deixou seu pai em estado grave e permanentemente vegetativo. A partir de então, ele e sua mãe precisariam se dedicar para cuidar dele, já que as despesas médicas começaram a fazer parte da rotina da família.

Só que, então, viria a segunda grande tragédia da vida de Diogo: um ano depois do AVC do pai, sua mãe morre atropelada enquanto ia para o trabalho. O rapaz PRECISA, então, se esforçar ainda mais para ter dinheiro e, mesmo que sofrendo o luto pela mãe, resolve se candidatar à vaga no tal restaurante de hotel para se manter enquanto a indenização pelo acidente da mãe ainda não tinha sido liberada para a família.

Essas tragédias têm início ali por volta de dois mil e dezesseis. Como eu disse na introdução, a superstição conta que as coisas ruins chegam pra, só depois, vir a coisa boa. O problema era que a próxima coisa ruim de Diogo, segundo a lenda, não o liberaria para esperar os bons ventos da sorte. Afinal, a próxima tragédia ocorreria exatamente com ELE.

Maria Malveiro

Em dois mil e dezenove, andando por seu local de trabalho, Diogo conhece Maria Malveiro, uma jovem de dezenove anos que trabalhava como segurança naquele mesmo hotel. Ela também vinha de uma família humilde, tinha seus sonhos e estava ali no emprego com o mesmo objetivo de seu colega, que era fazer grana para alcançar desejos, viver a vida e a juventude tendo tudo do bom e do melhor.

Diogo ficou muito afim da Maria, mas preferiu se deixar notar por ela aos poucos. Começou a se aproximar, como amigo, mesmo. Quanto mais ficavam próximos, mais ele se abria com ela sobre as coisas da vida, e ela, aparentemente, fazia o mesmo. Nesses papos, contou que seu pai estava em estado vegetativo há dois anos e que a mãe tinha morrido logo depois, em um trágico acidente. E que, pelo menos, teria uma indenização a receber pela morte dela. Assim, conseguiria continuar cuidando do pai, cujas despesas médicas eram altas, continuar seus estudos e trabalhar para dar certa estabilidade à família.

Ele confiava em Maria, que, então, tinha dezenove anos, o suficiente para contar a ela o VALOR dessa indenização: cerca de setenta mil euros, que, na cotação de julho de dois mil e vinte e três, está dando por volta de trezentos e setenta e seis mil reais. Ou seja, para um rapaz de origem humilde, não seria como enriquecer do dia para a noite, às custas da morte da mãe, mas daria uma boa ajuda nas despesas recorrentes de sua casa. 

Entao os dois estavam muito próximos, conversavam bastante e a ideia que Maria passava era a de que aquela amizade poderia, sim, virar algo mais, quem sabe, já que Diogo não escondia que estava completamente apaixonado pela garota.

Mariana Fonseca

O que Diogo não fazia ideia é que sua amiga Maria já estava em um relacionamento amoroso. Maria namorava há cerca de dois anos com Mariana Fonseca, de vinte e dois, que trabalhava como enfermeira em um hospital da região. Até que, um dia, Maria volta para casa e conta pra Mariana sobre essa conversa da indenização que Diogo receberia.

Os olhos das duas brilham quando Maria repete a cifra de setenta mil euros e elas começam a planejar um roubo. Elas pesquisam na internet coisas como "jeitos de se desfazer de um corpo", e encontram em uma das referências a série Dexter.

Se você gosta de true crime, deve ter ouvido falar ou até assistiu Dexter, que conta a história de um serial killer com um código de conduta. Ele trabalha na polícia, como integrante da polícia científica, ou forense, analisando respingos de sangue nas cenas de crime, ao lado de sua irmã, Debra, também policial e com objetivo de se tornar a chefe do departamento.

Utilizando as habilidades do seu cargo, ele vai atrás de pessoas que a lei não conseguiu colocar atrás das grades, como assassinos, pedófilos, gente da pior qualidade, para matá-las. Seu modus operandi é cortar as vítimas, colocá-las em sacos de lixo e, pilotando seu barco até um ponto longe do mar, à noite, desovar ali os restos mortais. No fim, como lembrança, um souvenir, mesmo, ele coloca uma gota de sangue em uma placa de petri, daquelas de fazer análise de laboratório, e guarda como troféu em um lugar escondido da própria casa.

Como a maioria dos criminosos está em fuga ou não é de fato buscado pela sociedade, muitos assassinatos passam batido, enquanto outros podem colocar Dexter em maus lençóis.

Em dezoito de março de dois mil e vinte, Diogo pede para sair mais cedo do serviço, pois ele e Maria marcaram um encontro. A segurança estava de folga e eles passariam o dia juntos. Diogo tinha esperança de que aquele seria o dia em que ele e Maria finalmente se envolveriam romanticamente, como esperava há tempos.

Maria marcou de ir almoçar com Diogo, na casa dele. Ele faria o almoço e ela levaria a bebida. Eles comeram, beberam o suco trazido por Maria e, na sequência, em uma espécie de jogo erótico, para seduzi-lo, o amarrou a uma cadeira e começou a se despir, em um número de strip tease. 

O rapaz ficou meio zonzo, enquanto Maria tirava a roupa, e ela estava cada vez mais impaciente. A verdade é que, naquele suco, tinha despejado uma ampola de diazepam, cujo efeito anestésico pode levar alguém ao sono profundo. Mas algo na dose e na dissolução deu errado e, embora um pouco zonzo, Diogo não ficou, de fato, inconsciente. Essa substância tinha sido dada a ela por Mariana, que a furtou do hospital onde trabalhava. A ideia das duas era deixá-lo desmaiado, conseguir as senhas do banco, usar a digital dele para acessar os aplicativos e sei lá o que fazer depois.

Mas, como o cara não dormia de jeito nenhum, Maria, sem paciência, deu um mata-leão em Diogo. Isso sim o deixou desacordado. Mariana, que esperava em um carro na parte de fora da casa, para atuar como motorista de fuga de Maria, notou que ela estava demorando muito e foi até a sala, onde encontrou o homem desmaiado no chão. Só que o instinto da enfermeira falou mais alto e, ao invés de ajudar Maria a roubar digitais e tal, Mariana começou a tentar reanimá-lo, o que deixou a namorada bastante confusa. 

Com a reanimação, Diogo acordou, confuso. Seu ato de legítima defesa foi empurrar Mariana contra a parede, já que não a conhecia, tinha acabado de desmaiar e ela estava ali, dentro da sua casa, batendo em seu peito. Ele não fazia a menor ideia, estava desnorteado. Antes que pudesse exigir explicações de Mariana, Diogo foi novamente atingido por um mata-leão de Maria, que o asfixiou – dessa vez, até a morte.

Não fica claro como Maria conseguiu a informação, mas, ao cair morto, Diogo já tinha dado a ela a senha de seu cartão de banco. Acontece que o limite de saque diário em Portugal é de quatrocentos euros, e a dupla assassina não queria só isso. Elas o mataram por setenta mil. Prevendo que precisaria fazer retiradas diárias, e que a maioria dos bancos operava nas máquinas através de biometria, Maria corta o polegar e o indicador de Diogo para usar suas impressões digitais no caixa rápido.

Mas, antes, precisariam fazer o que aprenderam - MODO DE DIZER - em Dexter, que era colocar o corpo em um saco plástico, limpar toda a casa, para apagar evidências de que estiveram ali, e dar sumiço no cadáver. Elas utilizaram o carro da própria vítima para isso, colocando o saco com o corpo de Diogo no porta-malas e partindo para o local da desova.

Fazia parte do plano inventar uma história para justificar o sumiço dele, agora morto, e atrasar potenciais buscas por uma pessoa desaparecida. Então, levaram no carro também o telefone, que foi desbloqueado com a biometria do indicador cortado, e lá começaram a responder mensagens como se fossem o próprio Diogo. Em uma delas, Diogo, que na verdade era Maria ou Mariana, contava que não voltaria para o trabalho ou a rever seus amigos pois tinha conhecido alguém na França e estava de mudança para lá.

Isso não colou com NINGUÉM. Primeiro, não era um comportamento habitual dele tomar essas decisões de impulso. Segundo, os amigos sabiam que, mesmo se esse fosse o caso, ele tinha um pai para cuidar. Terceiro, eles também sabiam que Diogo estava interessado por Maria e que tinha ido se encontrar com ela, e Maria não era francesa, só pra início de conversa.

Em dado momento, um dos chefes de Diogo começa a fazer perguntas cada vez mais preocupantes para ele, já desconfiando da ocorrência de algo muito grave. E dá o ultimato: se não falasse com ele em áudio, naquele momento, ligaria para a polícia e denunciaria seu sumiço.

Elas simplesmente desligam o aplicativo de mensagens, nesse ponto, e a polícia é acionada. Enquanto isso, utilizam os dedos de Diogo, que tinham guardado em um envelope, para acessar o aplicativo bancário, onde estariam os setenta mil euros, e fazer inúmeras transferências para as próprias contas. Percebe como elas, ao contrário de Dexter, foram deixando todos os indícios de sua culpa? A única coisa que fizeram foi limpar o apartamento da vítima. De resto, tudo apontava para elas.

Os amigos de Diogo sabiam que ele iria se encontrar com Maria, que agora estava transferindo dinheiro de Diogo para ela mesma, e ainda espalhando a história de que ele teria conhecido alguém e se mudado para outro país. Ainda bem que aquelas duas não eram NADA igual o Dexter, porque foi graças ao amadorismo e falta de inteligência emocional que as autoridades chegaram até elas.

Então, na tentativa de se desfazer completamente do corpo, elas começam a cortar os membros de Diogo com um cutelo roubado por Maria horas antes em uma loja de departamento. O cutelo é aquela faca grande, parecida com a lâmina de uma guilhotina, muito usada em açougues para cortar carnes densas e com muitos ossos. Não é algo difícil nem inacessível. 

Os pedaços do jovem foram colocados em sacos de lixo e retornado ao porta-malas de seu próprio veículo, dirigido por Maria, que era seguida por Mariana, que dirigia o carro das duas. Foram em direção às praias de Sagres, na cidade da Vila do Bispo, famosa por ter penhascos. De lá, jogaram vários pedaços do corpo, em direção ao mar, e abandonaram o carro na região da fortaleza de Beliche. 

Junto ao tronco do rapaz, que foi jogado ao mar, elas também atiraram os dedos e o telefone celular no qual, horas antes, trocaram mensagens se passando por Diogo. Se elas tinham a intenção de fazer parecer um suicídio, errariam por dois detalhes. Primeiro que o mar geralmente devolve corpos, é muito difícil alguém sumir para sempre perto de um penhasco ou orla. Precisa estar em alto mar, o que não era o caso, obviamente. E quando isso ocorresse, os legistas veriam que o corpo não teria se partido da queda, mas que os membros tinham sido cortados antes.

E outro detalhezinho de nada é que elas viajaram até a cidade de Tavira, no carro delas, para jogar a cabeça, as mãos e os pés de Diogo em um lago. Ou seja, eliminaram completamente a hipótese de suicídio quando espalham pedaços do corpo por vários lugares…

Nessa altura do campeonato a polícia, que já tinha sido acionada, não teve dificuldades em concluir que o rapaz tinha sido assassinado dentro da própria casa, o que nos leva a crer que Maria e Mariana nem limparam direitinho a bagunça que fizeram ali. Afinal, se tivessem feito um trabalho digno de Dexter, a casa do jovem estaria impecável, sem nenhum rastro de violência de qualquer natureza.

O carro foi encontrado pouco tempo depois, denunciado como veículo abandonado por populares da região de Sagres. Em vinte e seis de março de dois mil e vinte, enquanto o mundo inteiro estava entrando em quarentena pela pandemia de Covid-Dezenove, a polícia portuguesa recebeu uma denúncia: turistas franceses tinham encontrado a cabeça de Diogo na cascata do Pico do Inferno, em Tavira.

Cem quilômetros distante dali seus restos mortais emergiram e a polícia acabou por encontrar seu tronco. Com o carro encontrado e as partes do corpo denunciando que Diogo estava realmente morto, a investigação de homicídio começou a interrogar pessoas de interesse e testemunhas. E, claro, começou por Maria, já que ela tinha um encontro marcado com a vítima e teria sido a última a ver Diogo com vida.

O que, no interrogatório, acabou se confirmando. A polícia juntou as pontas, especialmente os registros de transferência e câmeras de segurança que colocavam Maria e sua namorada no local do crime e efetuando operações bancárias quando, segundo as autoridades sabiam, Diogo já estaria morto.

Não fica claro se ela confessou por conta própria ou foi levada a confessar, mas uma parte se destacou já no primeiro depoimento: apesar de Mariana ser enfermeira e entender de anatomia, Maria foi a responsável por cortar Diogo com o cutelo. Ela disse, no interrogatório, que precisou parar várias vezes para vomitar. Essa é outra diferença básica entre ela e Dexter, sua grande inspiração, já que o personagem da ficção desmembraria um corpo tomando sorvete.

As penas

Em abril de dois mil e vinte e um, apenas um ano depois do assassinato, Maria Malveiro, então com vinte anos, foi condenada à pena máxima de Portugal, que é de vinte e cinco anos, por homicídio qualificado e pelos crimes de profanação de cadáver, furto, acesso ilegítimo de dispositivo, falsidade ideológica, uso de veículo furtado e detenção de arma proibida.

Além de sair da prisão apenas com quarenta e cinco anos, ela também teria que pagar uma indenização de duzentos e sessenta e cinco mil euros ao pai de Diogo, que estava em estado vegetativo desde seu AVC, lembra?

A acusação conseguiu provar que Maria participou do planejamento e da autoria do crime, mas não conseguiu estabelecer a mesma lógica por parte de Mariana. Nisso, ficou entendido que a enfermeira não participou da ideia ou do assassinato, já que Diogo morreu asfixiado por um segundo mata-leão de Maria, e foi condenada APENAS por profanação de cadáver, falsidade ideológica e peculato, que é quando alguém na condição de servidor público se apossa de bens ou meios materiais para benefício próprio.

No caso, o roubo do diazepam pela enfermeira para sedar Diogo. Por esses crimes ela pegou QUATRO ANOS de prisão que devem terminar por volta de dois mil e vinte e cinco ou até antes, caso o sistema penal de Portugal, assim como o brasileiro, tenha facilitadores por bom comportamento.

Existe uma superstição que diz que as más coisas ocorrem em trio, que as tragédias fazem esse tipo de curva. Só depois de três coisas horríveis é que os ventos da boa sorte voltam a soprar. Se eles não foram favoráveis a Diogo, que viveu, na própria morte, a terceira tragédia de sua curta existência, também não havia saídas para Maria Malveiro. Ela prova que a saída que parece a mais fácil passa bem longe de ser isso…

No dia do seu julgamento, Maria confessou a autoria do crime e disse que cometeu todas aquelas atrocidades porque Diogo a assediava e forçou contato físico, e que tudo o que fez foi para humilhá-lo da mesma forma que ele tinha feito com ela. Porém, pelo que mostravam as mensagens trocadas pelos dois, não só Diogo não tinha feito isso como, depois da data em que ela disse que ele teria tentado violentá-la, as mensagens se tornaram ainda mais frequentes e amigáveis. 

Para fortalecer sua tese de legítima defesa, afirmou, perante o juiz, que Mariana não sabia da razão pela qual ela utilizaria o diazepam, e que a namorada roubou o remédio acreditando que seria uma forma de ajudá-la a combater a insônia. Por isso Mariana teria tentado reanimá-lo, quando o viu desfalecido pelo primeiro mata-leão. Segundo Maria, ela foi para cima dele porque não queria que ele magoasse também sua amada.

Essas declarações podem ter ajudado Mariana a se livrar da pena máxima de prisão por homicídio, ainda que não explicassem porque Mariana estava no carro, esperando por ela, na porta da casa do jovem, ou como ela concordou tão facilmente em desmembrar a vítima e espalhar o corpo. Porém, não ajudaram Maria a se livrar da culpa que sentia por ter feito um absurdo desse. Além de ter que pagar com os anos de liberdade perdidos, tinha uma dívida imensa em dinheiro para pagar ao pai de Diogo.

Em vinte e nove de dezembro de dois mil e vinte e um, apenas oito meses depois de ser condenada pela morte daquele que queria apenas ser seu amigo, caso ela tivesse o dispensado como interesse romântico, Maria foi encontrada morta em sua cela, pouco antes da hora do almoço, enquanto os vigias da cadeia faziam uma das últimas rondas daquele ano. Morria ali Maria, sua sede por dinheiro e sua má interpretação da série Dexter.

Fontes

https://cnnportugal.iol.pt/geral/maria-malveiro-encontrada-sem-vida-na-prisao-de-tires-jovem-cumpria-pena-maxima-por-homicidio-no-algarve/20221229/61cc7d670cf2c7ea0f0fe7fc

https://www.novagente.pt/maria-malveiro-jovem-que-desmembrou-diogo-goncalves-foi-encontrada-morta

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