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Em 1991, ocorreu um dos crimes mais cruéis e misteriosos de Austin, capital do estado americano do Texas. Quatro adolescentes foram cruelmente assassinadas enquanto fechavam o caixa da loja de iogurtes onde duas delas trabalhavam. Quem cometeu esses assassinatos? Por quê? O caso continua cheio de perguntas sem respostas… 

Esse caso aconteceu em 1991, em Austin - que é a capital do Texas, um estado americano. Na época, a cidade de Austin tinha cerca de 450 mil habitantes, sendo um polo econômico e cultural importante. 

Além disso, Austin também é conhecida por ter muito clubes de música ao vivo e um estilo de vida progressista por parte da população. Na época, os policiais de Austin não estavam acostumados a lidar com crimes tão intrigantes e misteriosos. Mas isso mudou em 1991:

Elisa Thomas (de 17 anos) e Jennifer Harbison (também de 17 anos) trabalhavam numa loja de iogurtes, a I Can’t Believe It's Yogurt! Essa I Can’t Believe It's Yogurt! é uma franquia que vendia Frozen Yogurts nos EUA e que tinha sido fundada em 1977 em Dallas, no Texas.

LOJA DO “I CAN’T BELIEVE IT’S YOGURT”:

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/127015651967729786/ 

No dia 6 de dezembro de 1991, por volta das 10 e meia da noite, Elisa e Jennifer estavam trabalhando. Como o expediente já estava quase no fim, Jennifer estava limpando e arrumando as coisas para fechar a loja: passando um paninho com álcool nas mesas, repondo canudos e guardanapos, arrumando as cadeiras. Enquanto Jennifer fazia isso, a Elisa estava atrás do balcão, na caixa registradora, atendendo os poucos clientes que ainda entravam ali de vez em quando.

Além de Elisa e Jennifer, também estavam na loja: uma amiga das garotas, Amy Ayers (de 13 anos) e a irmã mais mais nova da Jennifer, Sarah Harbison (de 15 anos). Elas estavam na parte de trás da loja (onde tem os estoques, escritórios, etc) conversando e esperando Elisa e Jennifer terminar o que estavam fazendo. Muito provavelmente, as quatro amigas iriam embora juntas naquela noite… 

ELISA THOMAS, SARAH HARBISON, AMY AYERS E JENNIFER HARBISON (DA ESQUERDA PARA A DIREITA, DE CIMA PARA BAIXO):

Fonte: https://people.com/more-than-30-years-inside-unsolved-yogurt-shop-murders-4-teens-7693495 

Todas as quatro eram amigas e se tinham se conhecido porque amavam animais e faziam parte do Future Farmers of America na escola. Essa é uma organização que promove aulas de educação   agrícola.

Nesse horário, às 10 e meia da noite, o local já estava quase vazio. De vez em quando, alguns poucos clientes ainda entravam, compravam seu iogurte e, logo em seguida, saíam da loja. Alguns deles notaram algo esquisito: em uma mesa (a mais perto da caixa registradora) estavam dois homens (ou dois rapazes, talvez). Além desses dois, a loja estava vazia. Eles eram os únicos que estavam sentados.

Ninguém conseguiu identificar quem eram esses homens, nem distinguir os rostos deles. Mas os clientes, que entravam rapidinho e saíam, repararam que eles não estavam comendo iogurte e nem conversando muito entre si. Ou seja, eles estavam lá parados, sem comprar nada, sem comer nenhum iogurte, sem conversar entre eles… 

Além disso, um desses caras estava com a mão dentro de uma sacola, mexendo em alguma coisa ali dentro. E isso tudo era bem esquisito… 

O que aqueles caras estavam fazendo ali?

Um dos clientes (desses que entrou e saiu) chegou a perguntar pra Elisa, que estava no balcão, se estava tudo bem elas ficarem no local com aqueles caras. Elisa respondeu que “sim”. E o cliente que perguntou isso foi embora. Então, por volta das 10h50 da noite, só ficaram ali na loja de iogurte as quatro meninas e os dois caras  estranhos. 

Às 11 horas, a loja ia fechar. Como era costume, uma das garotas (provavelmente Jennifer) trancou a porta do local com chave. Ou seja, ela passou a chave pelo lado de dentro - o que fazia com                      que ninguém mais pudesse entrar, mas quem estava dentro podia sair.

Nesse horário, todas as mesas já estavam limpas e o local, todo arrumado. A única mesa que não tinha sido limpa era a mesa próxima à caixa registradora, onde estavam sentados os dois homens.

Às onze horas e três minutos, Elisa apertou um botão na caixa  registradora que fechava o dia (o expediente) e abria ali uma gaveta com dinheiro. Depois disso, ninguém sabe realmente o que aconteceu… 

Cerca de uma hora depois, isto é, por volta da meia noite, uma patrulha policial que estava passando ali pela região notou algo   estranho: tinha fumaça vindo da loja de iogurtes. Ter fumaça saindo de lojas assim não era exatamente algo incomum: vários estabelecimentos esqueciam o forno ligado de noite, o que gerava  incêndios acidentais. Era comum… Mas o estranho era: uma loja de iogurtes não tem fornos para deixar ligado assim, sem querer, de noite.

Essa patrulha policial acionou os bombeiros, que atenderam ao chamado. Quando chegaram à loja, não dava para ver nada lá dentro por meio das janelas, de tanto fumaça preta que tinha no estabelecimento.

Como, a princípio, eles achavam que o caso se tratava de um simples incêndio, os policiais e bombeiros entraram no local sem   cuidado. Sem muita atenção pra como estavam impactando a cena com a presença deles. E começaram, então, a apagar o fogo ali… 

Até que um dos bombeiros viu, no meio de toda a fumaça, um . E, logo depois, o corpo de uma garota… Esse bombeiro conta  que foi uma cena assustadora e terrível o que encontraram depois      disso:

O estabelecimento estava parcialmente queimado. Vários objetos, destruídos.

ESTANTE QUEIMADA NA LOJA:

Fonte: https://people.com/austin-yogurt-shop-murders-remain-unsolved-since-1991-despite-confessions-7644199 

Na parte de trás do local (perto da porta dos fundos), estava o corpo de Sarah. Em cima dela, amarrada nela, estava o corpo de Elisa.

Perto das duas, estava o corpo de Jennifer. E mais ao longe, em direção à entrada da loja, estava o corpo de Amy. As quatro estavam nuas e os corpos, queimados. Fontes dizem que o calor foi tanto que os corpos chegaram a derreter e se fundir com o chão.

O único deles que estava menos queimado era o de Amy. Talvez, porque ela estivesse mais longe das outras meninas. O corpo dela estava no chão, com as pernas abertas E, entre as pernas, estava            uma daquelas colheres de pegar sorvete (mais arredondada na ponta).

Isso indicava que ela (e talvez as outras meninas) provavelmente tinham sido abusadas sexualmente durante o crime (entre 23h e00h).

Além disso, foram encontradas hematomas debaixo do queixo de Amy, indicando que ela pode ter sido estrangulada antes de ser assassinada.

Os corpos das outras três garotas (Elisa, Jennifer e Sarah) estavam muito queimados para transparecer evidências assim, como essas que tinham sido encontradas em Amy. Confere uma foto do rosto delas:

AS QUATRO GAROTAS:

Fonte: https://www.wfaa.com/article/news/local/crime-reporters-notebook-wfaa-reporter-recalls-covering-horrifying-yogurt-shop-slayings-four-teen-girls/287-a055b892-37f3-44a5-9e09-32e0c755d9cd 

E confere também uma reprodução tridimensional de como os  corpos delas foram encontrados, para ficar mais claro como elas estavam:

REPRODUÇÃO DE COMO OS CORPOS FORAM ENCONTRADOS:

Fonte: https://www.statesman.com/story/news/2021/12/03/can-austin-yogurt-shop-murders-be-solved-dna-evidence-cold-case/8626237002/ 

Da caixa registradora, foram levados cerca de 500 dólares em dinheiro. Uma investigação policial teve início, tratando tudo como homicídio.

POLICIAIS EM FRENTE AO ESTABELECIMENTO:

Fonte: https://people.com/austin-yogurt-shop-murders-remain-unsolved-since-1991-despite-confessions-7644199 

BILLBOARDS DE “QUEM MATOU ESSAS GAROTAS?”:

Fonte: https://people.com/more-than-30-years-inside-unsolved-yogurt-shop-murders-4-teens-7693495 

Mas alguns erros foram cometidos durante as investigações. Por exemplo, ninguém coletou impressões digitais nos banheiros do estabelecimento, onde poderia ter alguma pista. E ninguém testou os corpos das meninas pra ver se tinha amostras de líquidos inflamáveis neles, que podem ter sido usados pra começar o incêndio.

Ninguém deu atenção para os possíveis líquidos inflamáveis por dois motivos: primeiro, porque porque ninguém sentiu o cheiro de  nenhum líquido do tipo na cena do crime. Segundo, porque as investigações detectaram que o incêndio começou, na verdade, em uma estante próxima aos corpos (não começou nos corpos em si).

Uma autópsia também confirmou que as meninas foram mortas com tiros na cabeça. Cada uma levou um tiro de arma calibre .22

Amy foi a única que levou dois tiros: um de calibre .22 e outro de .38. E a pergunta que ficava martelando a cabeça dos investigadore  era: quem cometeu esse crime? E qual teria sido a motivação por trás?

Tipo, se os criminosos queriam só o dinheiro, porque eles não só levaram o dinheiro que estava na caixa registradora e deixaram as meninas em paz? Pra que abusar e assassinar as garotas, causando sofrimento? E depois ainda incendiar a I Can’t Believe It’s Yougurt?

Durante as investigações, os policiais chegaram a ter cerca de 350 suspeitos. 

Por volta de uma semana depois do crime (ou seja, por volta do dia 13 ou 14 de dezembro), os policiais tiveram a primeira pista concreta:

Um adolescente de 16 anos, chamado Maurice Pierce, foi preso porque estava andando pela cidade com uma arma calibre .22 (mesmo calibre da arma usada no crime). A princípio, a prisão dele não tinha nenhuma relação com a loja de iogurtes. Mas, como ele estava com uma arma de mesmo calibre da arma usada no crime, os policiais desconfiaram e chamaram ele pra ser interrogado.

MAURICE PIERCE:

Fonte: https://www.statesman.com/story/news/2021/11/30/archives-officer-kills-maurice-pierce-after-knife-slash/6348414001/ 

Maurice abriu a boca e acabou envolvendo mais três garotos, que eram:

  • Robert Springsteen;
  • Michael Scott;
  • e Forrest Welborn.

Na época, eles tinham por volta de 16 e 17 anos e alegaram inocência. No fim das contas, não deu em nada: apesar de Maurice no início ter fornecido informações no interrogatório, os detetives na verdade entenderam que ele estava só tentando se livrar da acusação de porte de arma. Além disso, um teste balístico confirmou que a arma que tinha sido encontrada com ele não era a arma do crime.

Os garotos foram liberados e, então, o caso ficou parado por quase uma década: o caso ficou 8 anos, até 1999, sem novo desenvolvimento… 

Em 1999, um novo investigador assumiu o caso, chamado Hector Pelanca. Hector acreditava que esses quatro garotos de 1991 (Maurice Pierce, Forrest Welborn, Michael Scott e Robert Springsteen) eram sim os responsáveis pelo crime. E decidiu interrogar Michael e Robert de novo, 8 anos depois.

Durante os interrogatórios, Hector Pelanca supostamente teria usado técnicas de interrogatório muito pesadas. Aparentemente, ele usou técnicas de coerção, que podem ter levado os rapazes (que, em            1999, tinham seus 25 anos) a confessar algo que eles talvez não cometeram:

Eles foram interrogados separadamente e começaram de forma bem parecida, falando que não lembravam muito do que tinha acontecido.

Mas Hector parecia acreditar que era trabalho dele “ajudar” (entre aspas) os rapazes a se lembrar de tudo o que tinha acontecido. 

Michael, por exemplo, foi mudando seu depoimento durante o interrogatório: primeiro, ele falou que ficou do lado de fora da loja de iogurtes, de tocaia. Depois de algum tempo, ele falou que ficou dentro da loja, com arma na mão, ameaçando as quatro meninas.

No final, Michael confessou ter cometido os crimes sob ordens de Robert. Robert também confessou ter matado e abusado das garotas.

Para esse investigador, Hector Pelanca, a teoria era que Robert e Michael tinham cometido os crimes dentro da loja. Forrest tinha ficado de tocaia e Maurice tinha sido quem tinha planejado o crime… Mas a pergunta que ficou é: os caras confessaram porque tinham culpa? Ou porque foram coagidos a confessar crimes que não cometeram?

Em outubro de 1999, todos os quatro foram presos. Como Maurice e  Forrest não confessaram (e também não havia nenhuma evidência física que os ligasse ao crime), nada de muito relevante ocorreu com eles durante esse período em que eles ficaram presos na cadeia.

Mas, com Michael e Robert, a história foi diferente: apesar de também não haver nenhuma evidência física que ligasse eles ao crime, os dois tinham confessado. E eles foram levados a júri em 2001, dez anos depois dos assassinatos. Os dois indicaram que tinham sim confessado, mas que só tinham confessado porque estavam sob  coerção. E alegaram inocência, que não tinham feito nada com as garotas. 

Durante o julgamento, as gravações das confissões foram usadas contra eles. Essas confissões apresentavam algumas discrepâncias com o que realmente tinha sido visto na cena do crime: por              exemplo, Michael e Robert tinham falado que eles tinham jogado um líquido inflamável no corpo das meninas para começar o fogo. Mas a análise feita em 1991 tinha indicado que o fogo não tinha   começado no corpo delas, mas numa estante próximo a Sarah e Elisa.

No final das contas, em 1991, ninguém tinha feito testes para detectar o uso de materiais inflamáveis no corpo das garotas. E isso abria margem para Michael e Robert continuarem sendo acusados… 

Nessa época que o julgamento estava acontecendo, em 2001, a ideia de confissões falsas não era tão difundida na população e, talvez por isso, o júri considerou Michael e Robert culpados. Robert foi sentenciado à morte. Já o Michael foi condenado à prisão perpétua.

MICHAEL SCOTT:

Fonte: https://www.statesman.com/story/news/2020/02/04/second-man-convicted-of-shooting-13-year-old-girl-to-death-in-yogurt-shop/1772570007/ 

ROBERT SPRINGSTEEN:

Fonte: https://www.statesman.com/story/news/2021/11/30/archives-robert-springsteens-yogurt-shop-conviction-tossed/6348664001/ 

Os dois apelaram à decisão, porque não puderam confrontar os acusadores (o que parece ser contra a lei americana). Então, eles ficaram presos por anos até que fosse decidido se o caso seria julgado de novo ou não. No final das contas, Robert teve a sua sentença retirada em 2006 e Michael teve sua sentença retirada em 2007.

Em 2008, nove anos depois de serem presos, a defesa de Michael e Robert solicitou que as evidências do crime fossem testadas com as novas tecnologias de DNA disponíveis em 2008. Afinal, em 2008, já      tinham se passado 17 anos dos assassinatos, então a polícia tinha condições de testar melhor e com mais precisão as evidências de DNA... 

Nessa época, Michael e Robert já estavam com cerca de 33 a 34  anos.

Nos novos testes, nenhum dos DNA’s de Maurice, Forrest, Michael ou Robert foram encontrados. Mas foram encontrados dois DNA’s de pessoas desconhecidas. O que indicava que os quatro talvez fossem inocentes.

Enquanto isso estava acontecendo, Hector Pelanca, o investigador que tinha assumido o caso, foi acusado de coerção em outro caso não relacionado aos assassinatos da loja de iogurtes. Isso acabou prejudicando a credibilidade dele. Além disso, nenhuma nova teoria  sólida o suficiente, com provas concretas, foi elaborada para ligar esses dois DNA’s desconhecidos aos quatro rapazes que tinham sido presos.

Em 2009, as acusações foram retiradas contra Michael e Robert. O que não significa que eles foram inocentados, ok? Até 2009, Maurice, Michael, Robert e Forrest já tinham sido soltos da cadeia.

Em 2010, Maurice foi assassinado em um crime não relacionado ao assassinato das garotas da loja de iogurte. Até hoje, nenhum novo desenvolvimento relevante aconteceu no caso. Atualmente, em 2025, que é quando eu estou gravando esse episódio, a gente continua sem saber quem cometeu esses assassinatos. E nem por quê esse crime foi cometido.… 

Esse continua sendo um dos casos mais misteriosos, intrigantes e  cruéis de Austin, no Texas. Um caso cheio de perguntas ainda sem respostas… Mesmo depois de 34 anos, as famílias das vítimas não têm respostas ou um fechamento sobre o que aconteceu com as garotas (Elisa, Amy, Jennifer e Sarah).

Roteiro: Lucas Andries

FONTES: 

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