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Dana de Teffé tinha tudo pra ser lembrada por uma vida de luxo, viagens e glamour. Era bailarina clássica, poliglota, milionária… e chamava atenção por onde passava!
Ela tinha vivido em vários países, se casado com homens influentes — de políticos a diplomatas. E, no começo da década de 60, ela morava em um apartamento de frente pra Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Mas, em junho de 1961, ela… desapareceu.
Segundo o seu advogado, ela teria embarcado às pressas para a Europa, para resgatar a mãe de um asilo. Mas… isso era verdade?!
Por que esse mesmo advogado começou a vender os bens de Dana logo depois que Dana sumiu? Por que ele apareceu no Rio mancando, com um tiro na perna? E como explicar as cartas que ela supostamente escreveu, descrevendo seu paradeiro, com erros que Dana jamais cometeria?
O que aconteceu com Dana de Teffé? Ela estava viva na Europa? Ela fugiu? Morreu? Foi assassinada? E… onde está o corpo?
No episódio de hoje, a gente vai voltar pros anos 60 pra investigar um dos desaparecimentos mais misteriosos da história brasileira. Fica comigo!
CHAMADA
Eu sou a Érika Miranda e esse é o Casos Reais.
- Toda quarta-feira, eu trago um caso novo de true crime para vocês;
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Agora, vamos pro episódio! E esse é o caso da Dana de Teffé.
VINHETA DE INTRODUÇÃO
CASO
Gente, o caso de hoje começa no dia 4 de maio de 1921… Foi nesse dia que nasceu a personagem principal desse caso: Dana Edita Fischerova.
Eu vou colocar uma foto dela aí na tela agora, pra vocês conferirem, caso estejam assistindo ao episódio pelo Spotify, YouTube ou por alguma outra plataforma com vídeo.
DANA EDITA FISCHEROVA:
A Dana nasceu em um país que, naquela época, tinha sido recém-criado: a Tchecoslováquia.
Esse era um país da Europa que ficava pertinho da Alemanha e da Polônia, tinha cerca de 15 milhões de habitantes e sua capital era Praga.
Hoje, esse país não existe mais… Essa Tchecoslováquia foi desmembrada e deu origem a 2 países diferentes: a República Tcheca e a Eslováquia. Mas, quando a Dana nasceu, ainda era tudo uma coisa só.
A Dana veio de uma família judia e com boas condições financeiras. E, por isso, teve acesso a uma educação de alto nível: aprendeu vários idiomas (ela falava seis línguas, gente!) e fez aulas de balé. Inclusive, ela chegou a se tornar bailarina.
Quando a Dana estava ali com os seus 15 anos, mais ou menos, no final da década de 1930, o mundo estava entrando em ebulição: era o período que antecedia a Segunda Guerra Mundial, que começou em 1939 e durou até 1945.
Nessa época, os nazistas estavam no poder na Alemanha. E começavam a olhar para fora, querendo expandir seus territórios. E um dos alvos era… a Tchecoslováquia, país onde a Dana vivia com a família dela.
Algumas fontes sugerem que, ainda com 15 anos, a Dana já fazia parte de um movimento de resistência contra os nazistas. Ainda adolescente, ela já estaria se posicionando contra o regime de Hitler.
Durante a ocupação nazista na região, os pais da Dana, que eram judeus, foram capturados. Infelizmente, foram mortos… é possível que em campos de concentração.
Não se sabe como a Dana conseguiu escapar desse destino… Os registros não explicam como ela sobreviveu. Mas o fato é que… ela sobreviveu.
Em 1941, Dana conseguiu fugir pra Itália. Lá, ela se reinventou: virou artista e começou a se apresentar em várias cidades italianas. E Dana encantava por onde passava!
Ela era considerada uma mulher bonita, simpática, culta, inteligente… Sabe aquela pessoa que hipnotiza todo mundo ao redor? Então… era esse o tipo de presença que a Dana tinha.
Foi nesse contexto, vivendo como artista na Itália, que ela conheceu Ettore Mutti.
Ettore era um cara bem influente por lá: militar, aviador e político fascista. Ele era 20 anos mais velho que a Dana e já tinha ocupado cargos de alto escalão dentro do partido fascista italiano. Ele tinha um currículo cheio de medalhas e condecorações. E eles começaram um relacionamento…
Esse relacionamento até parece uma contradição, né, gente?!
Porque… como assim?! Dana tinha acabado de fugir do nazismo e, pouco tempo depois, estava se relacionando com um dos nomes importantes do fascismo na Itália?
Mas, sim, isso aconteceu… Os dois se apaixonaram e se casaram.
ETTORI MUTTI:
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/File:Ettore_Muti_divisa.jpg
Mas, em 1943, o Ettore Mutti morreu durante um tiroteio. E as circunstâncias dessa morte não foram totalmente esclarecidas até hoje…
Algumas fontes sugerem que Ettore pode ter sido assassinado por grupos antifascistas, após a queda do regime fascista na Itália…
E o que levanta ainda mais suspeitas é um detalhe estranho: no tiroteio, só o Ettore foi atingido. E o boné que ele usava na hora tinha dois buracos de bala — um na parte de trás da cabeça e outro na frente.
Logo depois desse episódio, a Dana precisou sair da Itália. E, com a ajuda de alguns amigos, ela conseguiu fugir do país. O destino? A Espanha. Mais precisamente, Madrid.
E foi na Espanha que a Dana conheceu um homem chamado Alberto Díaz de Lopes. Ele era dentista e dono de uma das clínicas odontológicas mais conceituadas da cidade. E tinha 15 anos a mais do que ela.
Os dois se casaram em 1944.
Algumas fontes descrevem a Dana como uma mulher muito bonita… mas também como alguém possivelmente interesseira.
Esse casamento com o dentista espanhol durou pouco: cerca de 4 anos. E, em 1948, Dana decidiu recomeçar de novo — dessa vez, mudando de país mais uma vez. O destino agora era o México.
Ela chegou no México levando com ela muitos bens de valor: joias, roupas elegantes… muito do que ela tinha acumulado até então.
E não demorou muito para que a Dana Fischerova se casasse de novo. No México, Dana se casou com o jornalista Carlos Denegri. Mas o casamento também foi curto. Dois anos depois, em 1950, os dois se separaram.
Essas várias mudanças de país, os relacionamentos com figuras influentes e o fato de Dana dominar vários idiomas — lembrando que ela falava seis idiomas — acabaram alimentando uma suspeita que nunca foi realmente comprovada: a de que Dana teria sido espiã. Talvez de um país. Talvez de mais de um, durante os anos turbulentos do pós- guerra (aqui, na década de 50, a Segunda Guerra já tinha acabado).
Mas isso da Dana ser espiã nunca foi confirmado oficialmente, OK?!
E aí, em 1951, Dana vem ao Brasil. No Brasil, em um jantar de gala, conhece uma figura de peso da elite brasileira… o Manuel de Teffé — um milionário, piloto automobilístico e também diplomata.
Confere uma foto do Manuel de Teffé que eu vou deixar na tela agora:
MANUEL DE TEFFÉ:
Fonte: http://www.bandeiraquadriculada.com.br/Manuel%20de%20Teffe.htm
O Manuel de Teffé vinha de uma família extremamente rica e tradicional no Brasil. E o romance entre eles avançou rápido: só seis meses depois de se conhecerem, os dois se casaram no México.
Foi a partir desse casamento com o Manuel que ela adotou o sobrenome “de Teffé”. Então, a Dana Fischerova passou a se chamar Dana de Teffé.
Esse foi o quarto casamento da Dana, e terminou em 1960, quando tinha 39 anos. Esse foi o relacionamento mais duradouro dela até então… Eles ficaram juntos por cerca de 10 anos — e, segundo relatos, a separação foi amigável. Eles não tiveram filhos (na verdade, a Dana não teve filhos com nenhum dos maridos dela).
Mesmo depois do divórcio, ela continuou usando o nome de casada: Dana de Teffé.
E, para cuidar da parte jurídica da separação, ela contratou um escritório de advocacia bem conhecido na época: o escritório de Oscar Stevenson.
Mas quem acabou ficando responsável por representar Dana no processo foi um dos sócios do escritório… O advogado Leopoldo Heitor de Andrade Mendes.
LEOPOLDO HEITOR DE ANDRADE MENDES:
E agora a gente vai precisar dar uma pausa na história da Dana… porque a partir daqui, é importante olhar com mais atenção pra quem era esse tal de Leopoldo:
O Leopoldo nasceu em Carangola, interior de Minas Gerais. Era filho de um juiz e de uma dona de casa. Ele estudou Direito na antiga Universidade do Brasil (que hoje a gente conhece como a Universidade Federal do Rio de Janeiro) e se formou em 1946.
Mas antes de seguir firme na carreira de advogado, o Leopoldo deu uma passada pelo jornalismo: trabalhou como repórter no O Jornal e também como diretor da Agência Meridional de Notícias — os dois veículos faziam parte dos Diários Associados, que foi um dos maiores conglomerados de mídia da época.
Depois disso, o Leopoldo começou sua trajetória no Direito no escritório de um professor dele: Oscar Stevenson – sim, o mesmo Oscar que era o dono do escritório contratado pela Dana para o processo de divórcio dela com o Manuel…
O Leopoldo era aquele tipo de pessoa que impressionava! Falava bem, era simpático, tinha uma presença marcante. Era uma pessoa eloquente, com voz firme e pensamento rápido. Convencia fácil as pessoas…
Mas, apesar desse charme todo, Leopoldo não era exatamente bem visto… A fama do Leopoldo no Rio de Janeiro não era das melhores:
Leopoldo já tinha sido acusado de estelionato, por exemplo, que é quando alguém engana outra pessoa pra tirar vantagem financeira. E também já tinha sido acusado de peculato, que é um crime contra a administração pública, geralmente por quem ocupa cargo público e desvia dinheiro ou bens.
Segundo uma reportagem da BBC, ele teria falsificado um cheque no valor de 18 milhões de cruzeiros. Leopoldo foi condenado, só que nunca chegou a ser preso porque fugiu com a esposa. Ele fugiu pra Argentina, onde ele ficou escondido até 1960, ano em que a sentença contra ele foi revogada.
Além disso, o nome do Leopoldo já tinha aparecido de forma negativa nos jornais bem antes dessa falsificação do cheque:
No ano de 1952, cerca de dez anos antes, ele virou destaque nos noticiários cariocas por causa do crime da Ladeira Sacopã, que aconteceu na zona sul do Rio e ficou muito famoso na época.
Gente, esse caso da Sacopã é tão cheio de reviravoltas e detalhes, que ele daria um episódio só pra ele… Então, eu não vou entrar fundo no assunto agora.
O que importa aqui é que Leopoldo teve participação nesse processo: ele apresentou uma testemunha duvidosa num julgamento. E aí, depois desse caso, ele passou a ser conhecido na cidade como o Advogado do Diabo.
Ou seja… o histórico dele era meio complicado!
O Leopoldo era especialista em Direito Penal. E tinha fama de ser um cara ambicioso — queria dinheiro e queria aparecer. Mas, curiosamente, apesar desse lado super vaidoso, parece que ele era querido pelos funcionários do escritório dele com o Oscar.
E, em 1961, justamente quando a Dana estava se separando do Manuel de Teffé, começaram a circular boatos na imprensa carioca: de que tinha um envolvimento amoroso entre a Dana e o Leopoldo. E que essa relação teria começado durante o processo de divórcio dela com o Manuel.
Mas esse relacionamento deles nunca foi comprovado. Até onde se sabe, é apenas boato…
O que algumas fontes afirmam é que Dana sabia bem quem era Leopoldo — conhecia os rolos, as acusações… Mesmo assim, fazia vista grossa.
Como eu disse, no início dos anos 60, era Leopoldo que estava conduzindo o divórcio da Dana com o Manuel de Teffé…
A Dana já tinha um bom patrimônio, porque vinha de família rica. E a Dana saiu do casamento com Manuel com ainda mais recursos: ela ficou com dinheiro, joias e um apartamento no edifício Massília, em Botafogo, no Rio de Janeiro.
O apartamento ficava no décimo andar e parece que tinha vista pro mar.
EDIFÍCIO MASSÍLIA:
Fonte: https://www.quintoandar.com.br/condominio/edificio-massilia-botafogo-rio-de-janeiro-4pxns4gwrd
[SUGESTÃO: EDIÇÃO PASSEAR PELA FACHADA DO APARTAMENTO NO GOOGLE MAPS]
Mas parece que, mesmo com um padrão de vida alto, com apartamento, joias e tudo mais, a verdade é que, sem o marido, a vida de Dana não era mais a mesma financeiramente. Foi aí que, certo dia, Leopoldo chegou pra ela com uma proposta interessante:
Disse que o diretor da Olivetti — uma empresa italiana famosa por fabricar máquinas de escrever — estava procurando alguém pra ser representante da marca na América Latina.
A vaga exigia um perfil bem específico: a pessoa precisava ser sofisticada, falar vários idiomas e ter disponibilidade pra viajar com frequência… E ela se encaixava perfeitamente nesse perfil.
Dana considerou esse ideia e acabou conseguindo o emprego!
Dana estava animada com essa nova fase — parecia que a vida ia tomar um novo rumo… E um dos primeiros trabalhos dela seria uma viagem pra São Paulo.
Logo depois dessa viagem a São Paulo, Dana iria direto pra Europa. Então, ela começou a se preparar: separou roupas, joias… pra levar tudo com ela.
Leopoldo, que estava a caminho de Brasília — capital recém-inaugurada na época —, se ofereceu pra levar a Dana até São Paulo de carro.
Na verdade… ele insistiu em levar ela.
Então, no dia 29 de junho de 1961, à noite, o Leopoldo foi buscar a Dana no apartamento dela. Eles entraram no carro juntos — e isso foi visto por uma amiga da Dana, a Maria Elisa Tuccimei, que estava lá no apartamento da Dana naquele dia.
Depois disso, Dana e Leopoldo seguiram viagem, rumo a São Paulo.
Mas… a Dana nunca chegou ao destino. Na verdade, ela nunca mais foi vista.
No dia seguinte, o Leopoldo voltou sozinho pro Rio. E quando reapareceu, sem a Dana, estava mancando e com um ferimento na perna. Usava uma bengala.
Para os amigos da Dana, ele deu uma explicação:
Leopoldo disse que, em algum momento da viagem — ou talvez já em São Paulo —, ele e a Dana estavam comendo em um estabelecimento quando um homem teria se aproximado deles…
Esse homem teria falado com a Dana em outro idioma e dito que era um ex-colega dela da época da ocupação nazista na Tchecoslováquia. Talvez até de campos de concentração… Ele ainda teria contado que a mãe da Dana estava viva, só que internada num asilo na Europa, passando por problemas sérios.
Segundo o Leopoldo, essa notícia teria abalado profundamente a Dana. E a Dana teria decidido, de última hora, embarcar para a Europa — largando tudo para trás. O Leopoldo teria tentado convencer ela a pensar melhor… A refletir mais antes de sair assim do Brasil às pressas. Mas a Dana teria ido mesmo assim para a Europa.
E, para ajudar a mãe na Europa, ela precisaria de dinheiro! Então, Leopoldo mostrou aos amigos da Dana uma carta, supostamente escrita por Dana, em que ela explicava que estava partindo para cuidar da mãe.
E Leopoldo também mostrou ali uma procuração, assinada por ela, dando plenos poderes pro Leopoldo vender os bens dela. Com o dinheiro, a Dana iria ajudar a tirar a mãe do tal asilo.
Na época, algumas pessoas até ficaram com a pulga atrás da orelha com essa história toda que o Leopoldo contou… Porque, pensa comigo: por que a Dana deixaria tudo para trás e sumiria do nada, sem avisar ninguém?
Só que o Leopoldo era advogado da Dana. E, por conta disso, muita gente confiou na palavra dele, acreditando no que ele tinha dito… E ele explicou o machucado na perna, falando que tinha sido atingido por uma espécie de fogo de artifício ou uma bombinha junina (não fica muito claro qual tipo seria).
Com a procuração em mãos, ele passou a vender bens da Dana… Fontes sugerem que certos objetos, como joias, teriam sido vendidas por valores bem abaixo do que realmente valiam. O Leopoldo alegava que era porque Dana precisava do dinheiro com urgência.
Só que, com o passar do tempo, as coisas começaram a ficar esquisitas: cerca de dois meses depois da suposta viagem da Dana para a Europa, o Leopoldo se mudou com a esposa e os filhos dele pro apartamento dela – o apartamento em Botafogo, no décimo andar do edifício Massília.
E não foi só isso: fontes dão a entender que o Leopoldo teria dado vestidos da Dana pra própria esposa, trocado de carro… e, cerca de 9 meses depois do desaparecimento, o Leopoldo já tinha embolsado cerca de 25 milhões de cruzeiros da Dana — o que daria mais ou menos 1 milhão de reais hoje.
Tudo isso enquanto ninguém sabia exatamente onde a Dana estava…
No mínimo, esquisito, né?!...
Foi aí que aquele Oscar Stevenson, dono do escritório de advocacia onde Leopoldo era sócio, percebeu que alguma coisa estava errada:
Oscar notou os sinais de enriquecimento rápido do Leopoldo e ficou ainda mais desconfiado quando Leopoldo tentou presentear ele com um objeto de prata da coleção da Dana… Além disso, a empresa Olivetti, aquela que supostamente tinha contratado Dana para ser representante da empresa na América Latina, declarou que o cargo, na realidade, nunca existiu… Ou seja, o tal emprego da Dana era uma mentira!
Com isso, a polícia entrou no caso e começou a investigar a fundo:
Encontraram, por exemplo, o passaporte de Dana no Brasil… É provável que ele estivesse nas coisas delas, no apartamento. E isso deixava a história do Leopoldo ainda mais esquisita, né?! Por que Dana deixaria seu passaporte pra trás?
Além disso, a polícia foi verificar com as companhias aéreas. E não existia nenhum registro dela saindo do país. Pelo menos, não por meios oficiais...
Ou seja, parecia que a viagem que justificava o sumiço de Dana não tinha acontecido!
Foi aí que o nome do Leopoldo passou a ser cogitado como o suspeito do desaparecimento — e possível assassinato — da Dana de Teffé.
O caso estampou a capa de quase todos os jornais do Rio de Janeiro e do Brasil durante semanas, em 1961.
Em 1962, Leopoldo foi pego na porta da própria casa pela polícia e levado para a delegacia para prestar depoimento. Só que ele foi levado de forma tão abrupta que a esposa dele chegou a achar que fosse um sequestro… E foi registrar uma queixa na delegacia, afirmando que o marido tinha sido raptado.
Quando a esposa do Leopoldo, a Verinha, apareceu lá na delegacia para prestar queixa, ela foi fotografada usando joias que pareciam muito com as joias da própria Dana de Teffé…
Em 1962, Leopoldo resolver dar outra versão, completamente diferente, do que tinha acontecido durante a viagem dele com Dana para São Paulo:
Dessa vez, o Leopoldo afirmou que, durante essa viagem, o carro teria tido um problema mecânico. Então, Leopoldo teria parado no acostamento da estrada, no quilômetro 69, na subida da Serra das Araras.
Segundo ele, foi nesse momento que ele e a Dana teriam sido abordados por um assaltante. Leopoldo sacou uma arma e reagiu. Então, teve ali uma troca de tiros. E Dana acabou sendo atingida…
Leopoldo disse que tentou socorrer Dana, que levou ela pro hospital... mas que ela acabou morrendo no caminho.
Por causa da má reputação que ele já tinha, Leopoldo achou que ninguém acreditaria na versão dele e ficou com medo de ser acusado de matar a Dana. Então, ele teria pedido ajuda a um amigo para enterrar o corpo.
Só esse amigo sabia onde estava a cova. E o Leopoldo foi bem categórico: ele não ia revelar quem era esse amigo!
Leopoldo ainda afirmou que não pagou nada a esse amigo pelo enterro e que, inclusive, pretendia usar o dinheiro da Dana para uma causa nobre – segundo ele, faria doações para uma escola agrícola que tomava conta de menores abandonados.
Leopoldo ainda alegou que Dana teria inventado a história do emprego na Olivetti e que a ida para São Paulo também tinha sido ideia dela.
Essa troca de versões era esquisita, mas a nova versão explicava melhor o machucado que Leopoldo tinha na perna. Lembra?! A ferida que ele tinha quando voltou da suposta viagem para São Paulo…
Leopoldo disse que foi atingido durante a troca de tiros e que, logo depois disso, voltou pro Rio, ferido. A bala teria sido retirada num hospital… O que de fato aconteceu: Leopoldo realmente passou em um hospital para tirar uma bala da perna. A esposa dele, a Verinha, ainda teria guardado a bala como lembrança, como um souvenir.
Enquanto o caso estava sendo investigado, Leopoldo ficou detido… Parece que em um quartel.
Enquanto as investigações continuavam, surgiu uma possível explicação nova pro que poderia ter acontecido com a Dana:
Dessa vez, quem apareceu foi um homem chamado Francisco da Silva.
Esse Francisco trabalhava como caseiro, como um servente, num sítio que o Leopoldo tinha na cidade de Rio Claro, no interior do Rio de Janeiro. E ele contou uma história chocante:
Francisco afirmou que a Dana teria sido morta no sítio e que um amigo do Leopoldo, Hélio Vinagre, teria ameaçado Francisco e o forçado a enterrar o corpo num cemitério local.
Os policiais foram até o local indicado pelo Francisco. E realmente… existia uma ossada enterrada ali.
Mas a perícia mostrou que esses restos mortais eram, na verdade, de uma mulher negra. E que o tempo de decomposição do corpo não batia com o período do desaparecimento da Dana.
Ou seja: o corpo encontrado… não era o da Dana de Teffé.
Depois, Francisco deu outras versões do que teria acontecido. Ele mudou algumas vezes de versão. E os policiais chegaram a escavar mais, só que, de novo, não era a Dana. Eram ossos de um cavalo.
Na época, o caso ficou conhecido como O Mistério dos Ossos… E as coisas chegaram a um ponto tão caótico, que várias pessoas passaram a forjar covas com ossos de animais só para chamar a atenção da imprensa.
Enquanto isso, a defesa do Leopoldo na justiça tentava desqualificar esse homem, o Francisco, afirmando que ele tinha problemas mentais, que era uma pessoa fantasiosa e que inventava histórias.
Em abril de 1962, mesmo sem os investigadores terem encontrado o corpo de Dana, Leopoldo e Hélio Vinagre foram denunciados pelo crime. Isso por causa da quantidade de inconsistências nos depoimentos ali do Leopoldo e de indícios levantados pela investigação.
Para vocês terem uma ideia, não tinham manchas de sangue no carro do Leopoldo, nem vestígios de tiros. Nada que comprovasse a versão que ele tinha dado de que Dana teria morrido numa troca de tiros na estrada.
Além disso, aquela procuração que Leopoldo usou para vender ali os bens da Dana foi questionada… Parece que tinha alguns sinais de fraude nessa procuração.
Nessa altura, a principal hipótese dos investigadores era que a Dana tinha sido levada ao sítio do Leopoldo e assassinada lá… Só que, como Leopoldo foi baleado na perna, precisou voltar ao Rio de improviso, com a perna ali machucada. Depois disso, o corpo da Dana teria sido enterrado em algum lugar, que ninguém sabia onde.
Leopoldo tentou de tudo pra se defender na justiça. E teve até um episódio curioso: em certo momento, Leopoldo fugiu do quartel onde estava detido!
Não se sabe exatamente como ele conseguiu fazer isso, mas o que teorias afirmam é que ele teria escapado usando uma farda militar. Leopoldo só foi capturado um tempo depois, na fronteira do Brasil com o Uruguai.
Em 1963, ele foi condenado a 35 anos de prisão. Mas rolou um grande vai e vem judicial… O Leopoldo recorreu dessa sentença. E, de fato, essa pena foi anulada.
Depois da anulação, o caso foi levado a júri popular em Rio Claro, cidade em que ele ficava o sítio, no interior do Rio de Janeiro. Leopoldo acreditava que as chances de ele ser absolvido ali eram maiores. Porque ele era bem visto na cidade e tinha ajudado muita gente lá… Dizem que, inclusive, ele tinha defendido várias pessoas da cidade na justiça de graça.
Enquanto isso, as buscas pelo corpo da Dana continuavam:
Em 1965, uma outra escavação foi feita. Desta vez, no chiqueiro do sítio do Leopoldo. Ali, os investigadores encontraram a ossada de uma mão… com as unhas pintadas de vermelho.
Na época, não existia exame de DNA. Então, os policiais nunca puderem comprovar se aquela mão pertencia, de fato, à Dana de Teffé. A hipótese dos policiais era que o corpo dela pode ter sido enterrado ali no sítio, mas depois retirado. E, nesse processo todo de enterrar e depois trocar o corpo de lugar, a mão teria sido esquecida ali na cova.
No ano seguinte, em 1966, o Leopoldo fez a própria defesa em um novo julgamento:
Ele falou por horas, alegou inocência… E disse que não tinha tido nenhuma participação no desaparecimento — ou possível assassinato — de Dana.
20 horas depois do início do julgamento veio o veredito: ele foi absolvido.
Mas o caso não parou por aí… Assim que o júri deu a decisão, a promotoria entrou com um recurso, pedindo que o julgamento fosse anulado, já que a imprensa tinha invadido a sala onde os jurados estavam votando e isso atrapalhava o voto a ser secreto.
E aí Leopoldo foi levado para detenção. Ele ficou num quartel, aguardando os próximos desdobramentos do caso.
Em 1966, o Hélio Vinagre — aquele amigo do Leopoldo que foi acusado ali também — foi julgado e acabou absolvido por unanimidade.
Já o Leopoldo continuava preso. Mas tinha algumas regalias…
Ele tinha, por exemplo, uma autorização do juiz de Rio Claro para sair duas vezes por semana da detenção pra ir ao dentista, no Rio de Janeiro.
Numa dessas saídas, na noite de 2 de setembro de 1966, o Leopoldo pediu pra dar uma passada no Teatro Recreio, onde sua esposa, Verinha, estava ensaiando uma peça de teatro.
Leopoldo estava sendo escoltado por um policial militar, que deixou ele ir ao teatro encontrar a esposa. Leopoldo tinha dito que queria ver a esposa e matar a saudade.
Leopoldo e o policial chegaram ao teatro. Então, o policial ficou do lado de fora… e Leopoldo entrou.
Foi a última vez que alguém viu o Leopoldo naquele dia... Ele fugiu por uma porta dos fundos. Uma saída que dava direto na Avenida Chile, bem perto da Rua do Lavradio, no centro do Rio de Janeiro.
A fuga virou manchete em tudo quanto é jornal. E o mais surreal: mesmo foragido, Leopoldo ligou pra imprensa e deu uma entrevista por telefone. Disse que achava um absurdo estar preso, porque já tinha sido absolvido por um júri popular.
Mas a fuga não durou muito. Um tempo depois, Leopoldo foi recapturado…
Em 1969 e em 1971, dez anos após o desaparecimento de Dana, o Leopoldo foi julgado novamente. E, nesse período de julgamentos, mudou de novo a versão dos fatos relacionados à viagem para São Paulo com Dana:
A terceira versão dele afirma que a Dana teria sido sequestrada por um grupo de nazistas ou de comunistas tchecos durante a viagem e levada pra fora do Brasil. Leopoldo ainda disse que, sem a existência de um corpo, a justiça não poderia acusar ele de crime algum.
E ele acabou sendo absolvido. Mesmo que todos os indícios apontem pro Leopoldo como o principal suspeito da morte de Dana, ele foi absolvido.
E, no final das contas, o crime prescreveu em 1981 – mais de 40 anos atrás.
Leopoldo escreveu dois livros: um deles se chama A cruz do Advogado do Diabo, onde apresentou sua versão sobre o caso. Leopoldo se casou mais duas vezes e teve dez filhos.
Ele morreu de infarto em 2001, aos 78 anos. E está enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro.
O corpo de Dana jamais foi encontrado. E até hoje não se sabe se a mão encontrada no chiqueiro do sítio dele, com as unhas pintas, pertence ou não a Dana de Teffé. Assim, o caso permanece até hoje sem solução! E a pergunta continua: o que aconteceu a Dana de Teffé?
A última notícia que se tem sobre o caso, que tem intrigado o país há mais de 60 anos, é que ele pode ganhar novos desdobramentos em um futuro recente, graças aos avanços da tecnologia forense.
Os fragmentos de ossos da mão encontrados no sítio estão preservados no processo judicial arquivado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Eles nunca foram submetidos a exames de DNA, mas esses restos mortais agora, com novas tecnologias, podem ser melhor analisados pra entender se eles pertencem mesmo à Dana de Teffé.
Quem sabe daqui a algum tempo eu não trago uma atualização desse caso?
ROTEIRISTA: Lucas Andries
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FONTES:
- https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63990042
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Dana_de_Teff%C3%A9
- https://oglobo.globo.com/blogs/segredos-do-crime/post/2025/06/enigma-dana-de-teffe-por-que-surgiu-a-desconfianca-de-que-a-milionaria-tcheca-era-espia.ghtml
- https://en.wikipedia.org/wiki/Ettore_Muti
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_de_Teff%C3%A9
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Leopoldo_Heitor
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Crime_do_Sacop%C3%A3
- https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/dana-de-teffe-o-desaparecimento-que-escandalizou-o-brasil.phtml
- https://www.youtube.com/watch?v=-VJekv7QCvU
- https://www.youtube.com/watch?v=-aw1QrE0Z6c
- https://www.youtube.com/watch?v=naUqIFvXFDg
- https://oglobo.globo.com/blogs/segredos-do-crime/post/2025/06/enigma-dana-de-teffe-ossos-de-mao-mantidos-em-processo-no-tj-do-rio-ainda-podem-passar-por-exame-de-dna.ghtml
- https://www.todoestudo.com.br/historia/dissolucao-da-tchecoslovaquia
- https://en.wikipedia.org/wiki/File:Ettore_Muti_divisa.jpg
- http://www.bandeiraquadriculada.com.br/Manuel%20de%20Teffe.htm
- https://www.quintoandar.com.br/condominio/edificio-massilia-botafogo-rio-de-janeiro-4pxns4gwrd
- https://www.google.com/maps/@-22.9409727,-43.1781213,3a,90y,347.08h,115.97t/data=!3m7!1e1!3m5!1s8piGN2WFb13NlygZM7P4SQ!2e0!6shttps:%2F%2Fstreetviewpixels-pa.googleapis.com%2Fv1%2Fthumbnail%3Fcb_client%3Dmaps_sv.tactile%26w%3D900%26h%3D600%26pitch%3D-25.968829143788824%26panoid%3D8piGN2WFb13NlygZM7P4SQ%26yaw%3D347.08181933137826!7i16384!8i8192?entry=ttu&g_ep=EgoyMDI1MDYxNi4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D
- https://glamurama.com.br/revistajp10anos/revista-j-p-a-misteriosa-morte-da-milionaria-dana-de-teffe-na-decada-de-1960/
- https://www.jusbrasil.com.br/artigos/o-advogado-do-diabo/3954438595













