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30 de dezembro de 2000.

Em Setagaya, Tóquio, a família Miyazawa estava se preparando para a noite de Ano Novo. O que deveria ser uma noite tranquila acabou se tornando um dos maiores mistérios do Japão.

Na manhã seguinte, a família inteira foi encontrada morta em sua própria casa. Mas o mais estranho? O assassino ficou dentro da casa por horas depois do crime, deixando muitos rastros. 

A polícia encontrou inúmeras evidências, mas nenhuma explicação. Quem era o assassino? E o que o levou a cometer um crime tão brutal e, ao mesmo tempo, tão inexplicável?

Era um final de ano tranquilo em Setagaya, uma região que faz parte da metrópole de Tóquio, capital do Japão. Na época, Setagaya tinha mais de 800 mil habitantes e ela é conhecida por ser onde Satoshi Tajiri, criador da franquia Pokémon, nasceu. 

HORIZONTE DE SETAGAYA:

Fonte: https://br.freepik.com/fotos-premium/horizonte-em-setagaya-toquio-japao_28541878.htm 

Nessa cidade, morava a família Miyazawa, que era composta por:

  • Mikio Miyazawa – o pai, de 44 anos;
  • Yasuko Miyazawa – a mãe, de 41 anos; 
  • Niina – a filha, de 8 anos;
  • e Rei - o filho, de 6 anos.

Yasuko, a mãe, era professora em um cursinho da vizinhança. Parece que esse cursinho era preparatório pra vestibulares, segundo o podcast Crime Junkie. Mikio, o pai, trabalhava em uma empresa de consultoria de marketing, a Interbrand

A família era muito querida por todos na vizinhança. Mikio e Yasuko eram considerados pelos colegas de trabalho, vizinhos e família como pessoas generosas, que sempre se davam bem com todo mundo. 

FAMÍLIA MIYAZAWA: 

Fonte: https://crimejunkiepodcast.com/infamous-setagaya-family-murders/ 

E eles estavam de mudança planejada. A família ia embora de Setagaya… 

O motivo? Do lado da casa deles tinha um parque, chamado Soshigaya, com pistas de skate e um monte de coisas pros moradores da região aproveitarem o tempo de lazer. E esse parque ficava literalmente do lado da casa. Algumas fontes dizem que a casa dos Miyazawa e o parque dividiam cerca… 

E esse parque ia ser expandido. Então, a família tinha vendido o terreno deles para a prefeitura, pra essa expansão acontecer. 

E, supostamente, eles receberam uma bolada nessa venda. Não existem informações exatas do quanto eles receberam para ir embora dali, mas, segundo o Crime Junkie, é possível que eles tenham recebido cerca de 100 milhões de yenes (que, hoje, dá quase 4 milhões de reais). 

A estimativa foi feita de acordo com o que outros vizinhos supostamente receberam na época.

Em dezembro de 2000, já era para eles terem se mudado. Porém, Yasuko decidiu atrasar a mudança, porque ela ficou preocupada com o impacto que a mudança teria nas crianças (principalmente em Rei, que, segundo algumas fontes, tinha uma deficiência de desenvolvimento). 

Então, ela decidiu fazer a mudança com mais calma, para não impactar muito os filhos… Então, em dezembro de 2000, eles ainda estavam na casa em Setagaya.

Nessa época, tinha apenas outras quatro casas com moradores  na vizinhanca. Em uma dessas casas, morava a mãe da Yasuko, a Haruko, ou seja a avo das criancas. Elas eram vizinhas de porta com porta. As casas ficavam bem juntinhas mesmo… 

AS CASAS JUNTAS:

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=AM-_C94jlsE&ab_channel=Unpredictable  

No dia 30 de dezembro de 2000, a família viveu a vida deles normal: Mikio, Yasuko, Rei e Niina tinham ido a um shopping e passaram a noite vendo TV. Por volta das 11 e meia da noite, com os Miyazawa já em casa, vizinhos ouviram um barulho alto vindo da casa deles… Mas isso passou batido na hora.

Na manhã do dia 31 de dezembro de 2000, véspera de Ano Novo, a Haruko (mãe de Yasuko, que morava na casa ao lado) ligou pro telefone da casa dos Miyazawa. Mas ninguém atendeu… 

Primeiro, Haruko pensou que ninguém tinha acordado ainda ou então que ninguém estava perto do telefone para atender. Beleza… Ela deixou passar um tempinho. Aí ligou de novo e, da mesma forma que antes, ninguém atendeu… Então, ela tentou mais uma vez. E ninguém atendeu… Enfim, com o tempo, ninguém atender o telefone na casa começou a ficar estranho.

Então, Haruko foi até a casa da filha e tocou a campainha. Mas ninguém atendeu também… 

Preocupada, por volta das 10 e 40 da manhã, Haruko usou a chave reserva que ela tinha e entrou na casa. Ela, provavelmente, esperava encontrar a família bem, dormindo até mais tarde. Mas não foi isso que ela viu… 

A primeira coisa que ela viu assim que entrou na casa foi o corpo do genro dela, Mikio, caído no pé da escada que levava pro segundo andar da casa. Ele estava coberto de sangue, com feridas de esfaqueamento. Ele estava morto… 

Haruko ficou aterrorizada! Ela começou a procurar pela filha e os netos. Ela subiu as escadas e, assim que chegou no segundo andar, ela encontrou no corredor, perto do banheiro, a filha, Yasuko, e a neta, Niina, caídas no chão. Mortas… 

Elas estavam em uma posição que parecia que elas morreram tentando proteger uma à outra e estavam cheias de cortes pelo corpo. Na região do rosto e do pescoço, principalmente.

Depois, Haruko encontrou Rei (que era neto dela e filho de Yasuko e Mikio) na cama dele, no quarto. Ele também estava morto, mas não apresentava os mesmos sinais de violência que os outros. Não tinha sangue nele, por exemplo… 

A polícia foi imediatamente acionada e uma investigação teve início. E o que os investigadores encontraram na cena do crime foi uma bagunça. A casa dos Miyazawa estava toda bagunçada… E, claro, ensanguentada.

Então, vamos por partes: 

Em primeiro lugar, tinha papéis e coisas espalhadas pela casa. Gavetas, por exemplo, tinham sido retiradas dos armários e dos guarda-roupas e tinham sido reviradas. 

Uma das gavetas tinha sido levada até o banheiro, perto de onde a mãe e a filha tinham sido encontradas, e revirada lá, perto do vaso sanitário. 

Algumas fontes ainda afirmam que alguns papéis tinham sido jogados na banheira, que, supostamente, estava cheia de água. 

Não foi divulgado o conteúdo desses papéis que estavam espalhados (se eram documentos importantes, por exemplo), mas alguns deles estavam ensanguentados.

Um segundo ponto é que, no banheiro, os policiais encontraram, dentro da banheira, uma toalha e um absorvente cheios de sangue. Pela disposição desses itens, parecia que alguém tinha limpado sangue de algum lugar e que, depois, tinha tentado descarta na banheira. 

Como não tinham evidências de que sangue da família tinha sido limpo (porque toda a cena estava repleta de sangue deles e a única evidência de limpeza estava no banheiro), os policiais começaram a acreditar que o assassino tinha limpado a si mesmo. Ou seja, que o sangue na toalha e no absorvente eram do culpado… 

Então, talvez, ele tivesse se cortado sem querer durante o ataque (o que é comum em casos assim, já que a faca fica escorregadia com o sangue ali) e ele tinha sangrado. Depois disso, é possível que ele tenha tentado se limpar com a toalha e com o absorvente e descartado eles na banheira.

Ou seja, só no banheiro, tinham uma pista fundamental: os policiais tinham o sangue (possivelmente o DNA!) do culpado.

Além disso tudo, de acordo com o Japan Times, foram encontradas na casa as armas do crime: duas facas. 

Uma das facas estava quebrada e não batia com as facas que a família tinha em casa. Só uma delas batia com as facas do Miyazawa. 

Então, a polícia sabia que provavelmente o assassino tinha trazido uma faca com ele e que essa faca quebrou durante o ataque. E que, depois, ele pegou uma faca da própria casa para continuar os ataques. 

Só um parênteses: se o criminoso tinha levado uma faca pro local do crime, provavelmente, o crime tinha sido planejado em algum nível… 

A polícia também achou evidências de que o assassino tinha comido quatro ou cinco sorvetes na casa depois de cometer o crime. E ele ainda, comeu melão e bebeu quatro garrafas de chá. E deixou rastros de saliva e as impressões digitais dele nos potes… 

Além disso, os investigadores encontraram roupas na casa (uma jaqueta, um chapéu, uma camisa, um cachecol, dois lenços, luvas e uma pochete). 

Pelo local em que elas foram encontradas e pelo tamanho, a polícia sabia que essas roupas pertenciam ao assassino e não à família. 

ROUPAS DEIXADAS PELO ASSASSINO:

Fonte: https://crimejunkiepodcast.com/infamous-setagaya-family-murders/ 

Mas porque o criminoso levaria uma roupa extra e deixaria ela na casa? 

Levar roupa a gente até entende: o cara pode se planejar para trocar de roupa para não sair na rua depois do crime com a roupa cheia de sangue. Mas por que ele deixou essa roupa extra na casa?

E o mais esquisito: dentro da pochete que o cara tinha deixado na casa, tinha areia. A polícia fez uma análise dessa areia e ficou determinado que a origem dela era o deserto de Nevada, nos Estados Unidos. Ou seja, a pochete tinha areia do outro lado do mundo!

Os investigadores também encontraram carteiras vazias e acreditavam que dinheiro tinha sumido delas. Uma estimativa foi feita e acredita-se que o criminoso tenha levado cerca de 150 mil yene (que dá 5700 reais hoje em dia) e deixado 200 mil yene. 

Todos os cartões de crédito dos Miyazawa foram encontrados espalhados pela sala, como se o criminoso tivesse conferindo um por um, procurando por algum cartão em específico. Mas nenhum deles foi levado… 

E, gente, no banheiro, tinha um cocô do criminoso. O cara fez cocô na casa em que matou uma família inteira e não deu descarga. Foi determinado que o assassino tinha comido sementes de gergelim e vagem no dia anterior ao crime. 

Que doideira! No geral, o cara revirou tudo (parece que ele procurou por alguma coisa), comeu sorvete, deixou a roupa dele, fez cocô… Um monte de coisa! Acredita-se que ele tenha ficado lá por horas depois do crime. 

E se, depois de ouvir todos esses vestígios que ele deixou na cena do crime, você está se perguntando “o que diabos aconteceu nessa casa?”, saiba que essa era a mesma pergunta que a polícia estava se fazendo… 

A investigação do Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio (o TMPD) concluiu que a família foi assassinada entre 30 e 31 de dezembro por volta das 23h30 e 00h05 (no mesmo horário que aquele som alto foi ouvido pelos vizinhos, que eu comentei mais cedo)… 

O que a polícia acredita que aconteceu foi mais ou menos isso aqui: o criminoso entrou na casa na noite do dia 30 de dezembro de 2000 por uma janela do banheiro do segundo andar. Essa janela ficava na parte de trás da casa, dando direto pro parque Soshigaya.

Ele cortou a tela contra moscas da janela do banheiro, que foi encontrada no chão, do lado de fora da casa. Com a tela já cortada, ele passou pela janela e entrou na casa.

Depois de entrar, o assassino foi até o quarto de Rei, o filho da família, e usou as mãos para estrangular o menino, que tinha apenas seis anos. Segundo a autópsia, o garotinho foi morto por asfixia e foi, provavelmente, o primeiro a morrer. 

Por conta disso (da primeira vítima ter sido morta por asfixia), acredita-se que o criminoso não queria que ninguém soubesse que ele estava ali na casa a princípio. Então, ele matou o menino em silêncio, sem chamar atenção.

Mas todos os outros membros da família, segundo a autópsia, morreram devido à perda de sangue por conta dos ferimentos a faca. Então, depois de matar Rei, alguma coisa deve ter saído do controle e o criminoso não conseguiu mais ser silencioso… 

E, depois da morte do Rei, não dá para saber bem a ordem das coisas… 

Alguns relatos sugerem que o Mikio, o pai, pode ter corrido escada acima, pro segundo andar, depois de notar algo estranho no quarto de Rei. Lá, ele teria lutado com o criminoso antes de ser brutalmente atacado com uma faca sashimi bōchō – uma faca de cozinha longa e fina, adequada para cortar peixes de até 35 centímetros, utilizada na culinária japonesa para preparar sashimi. Mikio foi esfaqueado na cabeça, o que teria feito com que ele caísse das escadas.

Outra versão aponta que o assassino pode ter descido as escadas para o primeiro andar e atacado Mikio no térreo mesmo. O pai pode ter tentado subir as escadas, mesmo ferido, mas acabou caindo novamente. 

O que se sabe com certeza é que seu corpo foi encontrado ali no primeiro andar da casa, ao pé da escada, e um de seus chinelos ficou nos degraus.

Ele morreu por conta das facadas e uma parte da faca sashimi bōchō usada no ataque contra ele foi encontrada dentro de sua cabeça.

Em algum momento, provavelmente depois de atacar e matar o Mikio, o criminoso também atacou Yasuko e Niina (mãe e filha) com a lâmina quebrada da faca. Elas estavam numa espécie de sótão, em um terceiro andar da casa. Os policiais acharam sangue nesse sótão, então é possível que elas, primeiro, tenham sido atacadas lá. Mas, em algum momento, as duas conseguiram fugir, descendo pro segundo andar.

Para matar elas, o assassino teria trocado, em algum momento, a faca quebrada dele por uma santoku – um modelo japonês, que tem de 15 a 18 centímetros – da própria casa e matou as duas. Como eu disse antes, os corpos delas foram encontrados no corredor do segundo andar, perto do banheiro. 

O assassino bateu tanto em Niina, uma garotinha de apenas 8 anos, que quebrou os dentes dela. Ela foi a última a morrer. A autópsia ainda indicou que Niina e a mãe foram agredidas mesmo depois de mortas. O assassino continuou batendo nelas mesmo depois de elas já terem morrido… 

PLANTA DA CASA, COM MARCAÇÃO DE ONDE OS CORPOS FORAM ENCONTRADOS:

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=AM-_C94jlsE&ab_channel=Unpredictable 

Supostamente, depois de tirar a vida da família, o criminoso ainda permaneceu dentro de casa em torno de duas a dez horas. Aí, aconteceu aquilo que eu falei: ele teria comido melão, sorvete, usou o banheiro, deixou fezes no vaso sanitário sem dar descarga… Ele também tratou os próprios ferimentos. 

Além disso, existem indícios de que ele usou o computador da família nesse tempo que ele ficou dentro da casa. Uma análise do computador de Mikio revelou que ele foi conectado à internet das 1h18 às 1h23 da manhã.

A internet voltou a ser conectada por volta das 10h da manhã, na hora em que a mãe de Yasuko, a Haruko, entrou na casa e descobriu o que tinha acontecido. 

Mas não é possível comprovar que esse segundo acesso à Internet, às 10 horas da manhã, tenha sido feito pelo criminoso. Existem teorias de que teria sido a mãe de Yasuko, a Haruko, que acidentalmente encostou ali no mouse e o computador ligou sozinho. Tipo sair daquele modo hibernação do computador, sabe?! 

Ou seja, pelas evidências do caso, não dá para afirmar que esse segundo acesso à Internet tenha sido feito pelo assassino. Mas o primeiro acesso, que aconteceu de madrugada, provavelmente foi feito por ele, sim… 

Mas quem era esse assassino? Como vocês sabem, os policiais tinham o DNA, a saliva e as impressões digitais dele. Então, seria fácil achar o criminoso, né?! 

Mas, gente, nenhum material coletado pela polícia (DNA, digital, etc.) dava um match ali no banco de dados deles. Simplesmente, mesmo com um monte de evidências que podiam indicar quem era o assassino, a polícia não conseguiu encontrar um suspeito.

Gente, parece que, no Japão, é muito comum o governo ter esse tipo de dados das pessoas, como digitais. De acordo com o Crime Junkie, basta você ser suspeito de crimes menores e eles já coletam essas informações.

Então, a polícia do Japão tinha uma base de dados bem robusta. Em 2020, eram cerca de 1 milhão e 300 mil perfis catalogados, de acordo com esse podcast americano. Então, se o assassino não estava na base de dados, é porque, provavelmente, ele não tinha antecedentes criminais. Ou seja, ele nunca fez nada antes… ou nunca foi pego.

Porém, essas análises, mesmo não conseguindo apontar especificamente pra um suspeito, elas conseguiram traçar uma ideia de quem poderia ser criminoso: 

Uma análise de DNA determinou que o assassino tinha sangue tipo A, que ele era do sexo masculino e que tinha ascendência europeia por parte da mãe (possivelmente de um país da Europa perto do Mediterrâneo ou do mar Adriático). E também tinha ascendência do Leste Asiático por parte de pai. Então, o pai dele tinha origens asiáticas e a mãe dele tinha origens europeias… 

Na época, a polícia estimou que ele tivesse nascido entre 1965 e 1985 (ou seja, ele devia ter 15 a 35 anos na época). E, fisicamente, acredita-se que ele tivesse cerca de 1 metro e 70 de altura e que fosse bem magro (até pra poder ter passado pela janela do banheiro).

Sem ter um suspeito claro, a polícia teve que seguir diversas outras pistas pra tentar encontrar o criminoso, como as roupas que ele deixou na casa:

A polícia descobriu que só 130 unidades da camisa que ele tinha deixado na casa dos Miyazawa foram feitas e vendidas. E eles só conseguiram rastrear doze pessoas que compraram elas. Mas, no final das contas, essa pista não deu em nada… 

Os policiais também descobriram que os sapatos utilizados pelo suspeito na noite do crime foram supostamente feitos na Coreia do Sul e vendidos lá por uma empresa britânica de calçados esportivos, a Slazenger. 

Como o DNA do suspeito mostrava que ele tinha ascendência asiática e, levando em conta essa origem dos sapatos dele, talvez o assassino fosse sul-coreano. E, se ele fosse sul-coreano, estaria explicado porque o Japão não tinha impressões digitais do criminoso em seu banco de dados… 

Então, a Coreia do Sul decidiu contribuir com as investigações. Eles deram pra polícia alguma forma de acesso ao seu banco de dados pras análises. Mas, mesmo com essa ajuda, não teve um match com ninguém. Ou seja, de novo, a polícia não tinha um suspeito, nem no Japão, nem na Coreia do Sul… 

A cada pista que os policiais tentavam seguir, eles batiam em uma rua sem saída… Quem cometeu esses crimes? E por quê?

Existem algumas teorias do que aconteceu: 

A primeira é de que teria sido um ladrão comum que entrou na casa e o roubo acabou dando errado e virando assassinato. Mas isso não faz muito sentido, porque a primeira ação do criminoso foi matar uma pessoa inofensiva - Rei, o filho de 6 anos, que estava na cama, provavelmente dormindo. 

Além disso, o criminoso revirou coisas de valor da família, mas só levou 150 mil yene, deixando 200 mil yene na casa.

Outra teoria seria vingança. A única coisa que poderia ser um motivo para vingança foi uma vez que Mikio teria feito uma reclamação de barulho da pista de skate que ficava ali no parque Soshigaya, bem perto da casa dos Miyazawa. 

Segundo essa teoria, supostamente os skatistas teriam cometido o crime com vingança. E o que dá certo crédito a ela são duas coisas: 

Primeiro, que a roupa extra do criminoso, que foi deixada na casa, a polícia acreditava na época ser do estilo de pessoas mais jovens. O cachecol, por exemplo, era parecido com um tipo usado por estudantes no Japão…  

Além disso, tem um testemunho de um taxista que teria feito uma corrida, na noite do crime e na região ali do parque. Nesse depoimento dele, ele supostamente diz que teria levado ali no táxi três homens e que um deles se encaixava na descrição de um possível suspeito: tinha um ferimento na mão. 

Lembra que o criminoso se machucou durante o crime e provavelmente teria um ferimento na mão? Então… 

Para essa teoria, um dos skatistas teria cometido o crime e os outros dois ficaram de vigia. Porém, foi feita uma investigação sobre os skatistas que frequentaram a pista de skate no mês do crime, em dezembro de 2000, e nada fora do comum foi encontrado. Aí, a teoria foi meio que descartada… 

Uma terceira teoria é que o responsável pelos assassinatos foi um assassino de aluguel

Lembra que no início do episódio eu falei que a família Miyazawa estava para se mudar? O parque estava para ser expandido. Então, os Miyazawa receberam uma bolada de dinheiro para sair da casa deles e se mudar. 

Então, segundo essa teoria, talvez alguém soubesse desse dinheiro todo e  tenha contratado um assassino para matar a família e depois pegar esse dinheiro. Talvez o dinheiro estivesse na casa ou num cartão. Lembra que o criminoso tinha revirado um monte de cartão e gavetas? É possível que ele estivesse atrás da grana ou de uma senha de banco.

Isso não explica a brutalidade usada no crime e a não identificação das digitais no banco de dados tanto do Japão, quanto da Coreia do Sul. Mas isso explicaria o excesso de evidências na casa (como roupas, pegadas, o cocô, areia dos Estados Unidos, a bagunça…). 

Boa parte dessas evidências, segundo essa teoria, pode ter sido plantada propositalmente por um assassino profissional pra distrair a polícia. Criar pistas falsas para atrapalhar as investigações…

Enfim, gente, são apenas teorias. E nenhuma delas foi confirmada… 

A investigação da morte da família de Setagaya está entre as maiores da história do Japão, envolvendo mais de 200 mil detetives que coletaram aproximadamente 12 mil peças de evidência. Apesar do longo trabalho dos detetives, a polícia não identificou nenhum suspeito.

Em 2015, quinze anos depois do crime, a investigação ainda estava em andamento. Foi relatado que quarenta policiais foram designados para o caso em tempo integral. Em 2019, foi relatado uma redução desse número: 35 policiais ainda estavam designados para o caso. Em 2021, ainda existia uma recompensa de 20 milhões de yenes (que dá cerca de 800 mil reais) por informações que levassem à prisão do assassino.

Todos os anos, o TMPD (que é o Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio) faz uma peregrinação até a casa dos Miyazawa para cerimônias de respeito à família.

Em 2019, o TMPD anunciou que a casa da família Miyazawa seria demolida por estar velha e com risco de desabamento. O interior já mostrava sinais de deterioração e a polícia garantiu que a casa ser demolida não afetaria a investigação, já que todas as evidências já tinham sido preservadas ao longo dos anos.

Até hoje, em 2025, vinte e cinco anos depois do crime, ninguém foi sequer apontado como suspeito. E o caso continua sem respostas sobre o culpado e sua motivação, sendo o assassinato da família de Setagaya um dos casos mais misteriosos da história do Japão.

Roteirista: Lucas Andries

FONTES: 

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