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ROTEIRISTA:  Lucas Andries

Um homem sozinho num quarto de hotel – assistindo televisão e comendo chocolates, descansando depois de um dia de trabalho. A porta trancada por dentro. Tudo parecia tranquilo… 

Só que, na manhã seguinte, ele foi encontrado morto! Ele não apresentava nenhum arranhão nem marcas de violência aparente. Porém, por dentro, o corpo dele estava gravemente ferido… 

O que aconteceu com o Greg Fleniken naquela madrugada de 2010? Teria sido uma morte natural? Um crime perfeito? Ou algo mais improvável? Os policiais ficaram meses sem saber… Até que a investigação encontrou um detalhe quase imperceptível, que mudou completamente o rumo do caso.

No episódio de hoje, eu vou te contar todos os detalhes do que aconteceu no quarto 348.

CASO

Greg Fleniken tinha 55 anos e, pelo que as fontes descrevem, ele era um cara querido por todo mundo que conhecia ele. De acordo com uma matéria da revista Vanity Fair, que foi nossa principal fonte pra este episódio, o Greg viajava muito.

GREG FLENIKEN:

Fonte: https://medium.com/@mromysteries/the-insane-story-of-room-348-how-toothpaste-and-a-bullet-cracked-the-case-true-crime-724c46822198 

Na juventude, ele tinha sido engenheiro de navios cargueiros e costumava passar vários meses em alto-mar. Parece que era uma rotina solitária. Com o tempo, ele trocou o oceano pelas estradas:

Em um momento que não foi especificado, Greg decidiu trocar de carreira e virou landman — que é uma profissão comum no Texas, onde tem muita exploração de gás e petróleo.

O papel dele é ser uma espécie de intermediário: ele negocia e administra os direitos de exploração entre as empresas de energia e os proprietários de terras. 

Esse novo trabalho parece que ainda tinha muitas viagens, mas agora ele conseguia ficar mais perto da esposa dele, a Susie.

Na época em que Greg e Susie começaram a namorar, ela era a vocalista de uma banda de Rock e tinha uns vinte e poucos anos. Susie se encantou pelo jeito calmo e atencioso de Greg. E eles se casaram duas vezes!

Pelo que as fontes contam, na primeira vez, os dois ainda eram crianças. O que dá a entender é que eles se casaram de brincadeirinha, sabe?! Coisa de criança… 

Então, a vida seguiu e cada um tomou seu rumo. Mas, muitos anos depois,  Susie resolveu procurar Greg. Ela ligou para ele e, assim que atendeu, Greg  comentou que estava mesmo esperando Susie ligar. Ou seja, ele quis dizer que torcia secretamente para reencontrar a Susie em algum momento da vida.

Dessa vez, os dois ficaram juntos e se casaram! (agora de verdade!)

Depois de um tempo, Greg se juntou com o irmão dele, um cara chamado Michael, e eles abriram uma empresa. Pelo que a gente entendeu, parece que o negócio deles era alugar terras para as empresas de petróleo explorarem.

Além disso, as fontes dão a entender que Greg era um cara metódico: ele tinha o costume de viajar muito a trabalho. E tinha um jeito específico de se instalar nos hotéis onde ficava… 

Segundo a Vanity Fair, Greg preferia o silêncio do quarto de hotel do que a agitação lá de fora. Então, era muito raro o Greg sair do quarto. Aí, quando ele chegava no hotel depois do trabalho, tirava as botas e deixava do lado da mala. Depois, tirava as calças jeans e jogava no chão. AÍ, ele colocava o pijama. 

Então, ligava o ar-condicionado no máximo, porque gostava do ambiente bem frio para dormir. 

Aí, estendia em cima do colchão uma toalhinha branca, bem dobrada. Em cima, colocava tudo o que ele precisava pra passar a noite: o cinzeiro, um maço de cigarros, o isqueiro, o celular, o controle remoto da TV e também uma barrinha de chocolate. Depois, deitava na cama… Esse era o jeito perfeito dele para relaxar!

Na quarta-feira, 15 de setembro de 2010, o Greg estava exatamente assim: no quarto 348 do hotel Eleganté, em Beaumont, no Texas. Ele estava vendo o filme Homem de Ferro 2 na televisão. 

Entre uma tragada e outra de cigarro, ele beliscava um chocolate… 

ELEGANTE HOTEL BEAUMONT:

Fonte: https://people.com/greg-fleniken-texas-hotel-killed-mysterious-death-11773628 

Durante essa noite, Greg também estava trocando mensagens com Susie. Ela estava resolvendo uma coisas de imposto de renda no computador, lá na casa deles. 

De vez em quando, Susie mandava uma mensagem, atualizando o marido sobre a situação. E Greg respondia as mensagens com um tom tranquilo e carinhoso, encorajando Susie, falando que ela estava mandando bem.

Enfim, ficou de madrugada e os dois acabaram dormindo… 

De manhã, era pro Greg ligar pra Susie, como era o costume deles. Só que, nessa manhã, o Greg não ligou.

Como o Greg não atendia às ligações da Susie, a preocupação dela só aumentava. Então, sem saber o que fazer, ela entrou em contato com dois colegas de trabalho dele, pedindo que fossem até o hotel verificar se tinha acontecido alguma coisa.

Quando eles chegaram, eles bateram várias vezes na porta do quarto 348. Nenhuma resposta. O silêncio era absoluto. O detalhe estranho é que a porta estava trancada por dentro, o que já levantava suspeitas.

Com a ajuda do gerente do hotel, eles tiveram que forçar a entrada ali no quarto. E, assim que abriram a porta, eles se depararam com uma cena devastadora: Greg estava caído no chão, sem vida.

Parece que ele tinha caído de joelhos primeiro. E aí ele desabou de cara no chão. Um dos braços ficou preso embaixo do corpo. Ele estava com um cigarro apagado entre os dedos da mão esquerda. A pele dele já estava meio acinzentada, meio azulada. E o quarto estava quente e abafado…  Parece que, em algum momento, o ar-condicionado parou de funcionar.

QUARTO 348:

Fonte: https://www.vanityfair.com/culture/2013/05/true-crime-elegante-hotel-texas-murder?srsltid=AfmBOoqXjjfwiwq5WWCnHdFn6NJlWKxdq9sReydNsnXsv88tun9_lDgi 

Quem chegou para investigar foi o detetive Apple – que comandava uma equipe da SWAT, uma força especialista em situações de risco. E o que ele encontrou no quarto parecia muito normal:

Não tinha nenhum sinal de arrombamento ou luta no local. Nenhuma gota de sangue.

A carteira do Greg estava ali no quarto, com o dinheiro dentro. Mais de mil dólares que estavam ali com o Greg. O que já descartava a possibilidade de um roubo seguido de morte. 

No quarto, não tinha nenhuma bebida nem remédio controlado. Nada que Greg pudesse ter tomado e feito ele desmaiar ou coisa assim. E, além disso, quem estava hospedado ali nos quartos ao redor não tinha ouvido ou visto nada suspeito na noite passada.

Parecia que Greg tinha morrido de causas naturais. Talvez de um ataque cardíaco.

O Greg era um cara teimoso, que nunca procurava um médico. Ele não se importava muito com a saúde: não fazia exercícios e fumava bastante. Então, uma morte súbita era uma possibilidade real.

Durante a autópsia, os legistas encontraram só um pequeno machucado, de uns 2 centímetros, na bochecha de Greg. Provavelmente de quando ele caiu no chão, batendo o rosto. Só que, por dentro do corpo dele, a história era completamente outra! 

Gente, no interior do corpo tinha muito sangue. E diversos órgãos estavam gravemente feridos, como estômago e fígado. Ele também tinha costelas quebradas e até um buraco pequeno no coração. 

Tudo indicava um trauma brutal, como se o Greg tivesse sido espancado ou esmagado por algum objeto pesado. 

O que não fazia sentido! Porque, por fora, não tinha quase nada. Nenhuma marca que combinasse com o tipo de violência na parte de dentro.

O que a revista Vanity Fair fala é que, com esses ferimentos internos, Greg possivelmente teria sangrado internamente até não resistir em menos de 30 segundos.

Os policiais até consideraram, de início, que esse trauma poderia ter sido causado por alguém tentando fazer uma ressuscitação no Greg, fazendo pressão no peito pra ver se o coração voltava a bater. Porém, até onde se sabia, ninguém tinha tentado ressuscitar Greg. 

Além disso, também foi encontrado um buraco pequeno ali nos testículos do Greg, que estavam inchados… E também tinha um hematoma ali nessa região, que tinha se espalhado da virilha e subia até o quadril. Segundo o legista, esse ferimento poderia ter sido causado por um chute muito forte.

O que tinha acontecido com Greg?! Uma morte natural? Um acidente? Ou um homicídio brutal? Na época, a polícia considerava um assassinato.

Nas semanas e meses seguintes, os detetives tentaram encaixar todas as peças para entender a morte de Greg. Mas nada ali na cena indicava um assassinato… 

Não tinha nenhum sinal de arrombamento ou luta no quarto. As fontes questionam: isso indicava que Greg tinha sido espancado fora do quarto?

Se sim, então Greg teria voltado pro quarto depois de apanhar muito e, só depois, morrido? 

E por que ele não apresentava nenhum sinal de violência na parte externa do peitoral, que fizesse sentido com o tamanho do estrago interno? 

E, por fim, por que alguém espancaria ele? Greg não tinha inimigos… As fontes dizem que ele ia para o quarto cedo e ficava sozinho até de manhã. E ele nunca era visto no bar, não socializava muito, não bebia e também não se envolvia com mulheres durante suas viagens.

A polícia não conseguia encontrar respostas pro que tinha acontecido.

Mas tinha um detalhe curioso: naquela noite, Greg foi fazer uma pipoca de microondas e, por algum curto-circuito, ele acabou causando um apagão em alguns quartos do hotel. Inclusive, no que ficava do lado do dele, o 349. 

Greg ligou para recepção, confessou a culpa e o pessoal do hotel mandou um funcionário para religar o disjuntor.

Pra Vanity Fair, esse detalhe abriu caminho pra duas teorias do que tinha rolado. Vou te explicar:

Uma teoria começou a circular quando os policiais descobriram que esse funcionário que tinha ido religar o disjuntor tinha antecedentes por crimes sexuais. 

Aí veio a pergunta: 

Será que os ferimentos que Greg tinha — especialmente o corte na região da virilha e as lesões internas — podiam ter sido causados por uma chave de fenda longa, num tipo de ataque sexual bizarro?

O detetive Apple, que estava investigando o caso, levou essa linha a sério por um tempo: conversou com esse funcionário, investigou ele… Só que, no fim das contas, não apareceu nenhuma prova concreta. E a teoria acabou sendo descartada.

Já a segunda teoria parecia um pouco mais plausível… E ela envolvia um grupo de eletricistas que estavam hospedados no mesmo hotel.

Na noite que o Greg morreu, alguns desses eletricistas estavam no quarto ao lado, o 349. Os nomes deles eram: Lance Mueller e Tim Steinmetz.

E tinha mais outros eletricistas no hotel, em outros quartos: Trent Pasano, Thomas Elkins e Scott Hamilton.

Essa galera estava trabalhando pra uma empresa de petróleo na região. E estavam hospedados no hotel por um tempo mais longo.

Às noites, o hábito deles era sempre o mesmo: se juntar nos quartos para beber, conversar e relaxar depois do expediente.

Aí surgiu a teoria: e se, quando rolou a queda de energia, esse pessoal – irritado com a situação e talvez já meio alterado pelo  álcool – foi bater na porta do Greg?

Talvez tenha rolado uma discussão no corredor… E, no meio da confusão, o Greg foi agredido? Talvez o Greg até tenha conseguido retornar pro quarto depois de levar uma surra, mesmo machucado, antes de desmaiar.

Essa linha foi investigada e os eletricistas prestaram depoimentos:

Segundo a polícia, eles foram bem tranquilos no depoimento — educados e cooperativos.

Dois deles — o Mueller e o Steinmetz — disseram que, quando voltaram do bar naquela noite, ouviram alguém tossindo no quarto ao lado. 

No final das contas, a polícia não achou nada contra esses caras. E o caso ficou parado por meses! O detetive Apple continuava insistindo, testando uma teoria atrás da outra. Só que nada colava.

Aí, entrou em cena uma nova peça nesse quebra-cabeça: o Ken Brennan, um detetive particular.

Sete meses depois do Greg morrer, Susie contratou esse Ken Brennan, que já tinha sido agente do DEA – a agência federal dos EUA responsável pelo combate ao narcotráfico. E ele também já tinha sido policial. 

Esse cara era conhecido por resolver casos impossíveis, seguindo mais o instinto do que o manual de regras. E o próprio Ken sabia: o maior trunfo dele naquele caso era chegar com o olhar fresco.

Um dos pontos que logo chamou a atenção do Ken foi a temperatura do quarto: o quarto 348 estava bem quente, com ar-condicionado desligado, quando Greg foi encontrado morto. 

E isso não batia com o que Susie contou — o Greg era daqueles caras que não passava uma noite sem o ar no máximo.

Aí Ken juntou essa informação com o apagão que tinha rolado e começou a montar o quebra-cabeça:

Os registros do hotel mostravam que o disjuntor caiu por volta das 20h30 da noite — e que o técnico viu Greg com vida nesse horário. Depois que a luz voltou, Greg aparentemente esqueceu de religar o ar. E foi por isso que encontraram o corpo num quarto quente.

Ou seja, pro Ken, a morte do Greg tinha rolado depois de a energia voltar e antes dele religar o ar-condicionado. 

Outro ponto que chamou a atenção do detetive Ken foi o cigarro na mão esquerda do Greg. A Susie tinha afirmado que o marido era destro, sempre fumava com a mão direita. Então por que o cigarro estava na outra mão?

Vou te explicar porque isso chamou a atenção:

Bem, uma das teorias que os policiais estavam trabalhando antes do Ken chegar é que o Greg tinha apanhado do lado de fora do quarto e, depois, ou voltado pro quarto sozinho ou sido arrastado de volta.

Só que, como descreve a Vanity Fair, essa ideia caía por terra por causa do cigarro: porque não faz o menor sentido imaginar alguém espancando Greg e depois levando o corpo de volta pro quarto e ainda colocando um cigarro na mão dele, com todo cuidado. Ou que Greg ia voltar pro quarto com ferimentos tão graves e ainda conseguir acender tranquilamente um cigarro.

O mais lógico era que o Greg tivesse acendido o cigarro primeiro. E depois alguma coisa aconteceu. 

Então, ele tinha acendido o cigarro. Alguma coisa aconteceu. E ele morreu. E ele teria trocado o cigarro de mão nesse meio tempo.

A explicação do detetive é que Greg devia estar vendo televisão, na maior calma, fumando seu cigarro. Então, algo aconteceu (provável que quando ele ainda estava na cama). Ele levantou  e devia estar indo até a porta. Por isso, trocou o cigarro de mão: pra abrir a maçaneta com a direita. 

Então, essa coisa do cigarro ajudava a mostrar que o Greg tinha sido pego de surpresa! 

Tipo, não parecia algo planejado, sabe?! Pelo contrário. Tinha cara de que ele tava só… vivendo a vida dele. Tranquilo. E aí, algo aconteceu que tirou a vida dele.

Ken resolveu reanalisar as imagens das câmeras de segurança do hotel. E viu alguns dos eletricistas (aqueles que eu citei antes) indo e voltando do estacionamento do hotel. Pegavam coisas no carro, voltavam pro quarto… Nada que chamasse a atenção.

Até que veio a reviravolta no caso: os detetives resolveram conversar com pessoas que tinham trabalhado ali na cidade com os eletricistas, para ver se alguém tinha ouvido alguma história esquisita.

Numa conversa com um dos chefes de equipe deles — um cara chamado Aaron Bourque —, surgiu uma história curiosa:

Esse Aaron comentou que, na época da morte, tinha ouvido falar sobre um tiro que teria sido disparado… Ken pensou que ele estivesse falando sobre um outro caso, que tinha tido um tiroteio. Só que o Aaron não sabia nada desse outro caso que o Ken estava comentando.

E isso mudou toda a investigação!

Os detetives voltaram pro quarto 348, tentando achar qualquer pista que tivesse passado despercebida. Eles foram metódicos. Ou seja, os caras examinaram parede por parede, arrastaram móveis… até usaram lanterna para olhar debaixo das coisas.

Até que Ken reparou numa marquinha na parede. 

Ela estava bem atrás de uma porta e, à primeira vista, até parecia ser um desgaste normal mesmo, tipo quando a maçaneta bate tanto na parede atrás da porta que deixa uma marquinha – coisa comum em hotel.

Só que Ken abriu e fechou a porta pra ver onde a maçaneta batia ali na parede. E não batia exatamente onde estava essa marca. 

Ou seja, a marquinha na parede era outra coisa! Mas o quê?!

Ken, junto com o segurança do hotel, entrou no 349 pra dar uma olhada. E logo percebeu uma marca estranha na parede — parecia um buraquinho qualquer, coberto com uma pasta de dente. 

Era o mesmo buraco, em lados opostos da mesma parte.

E, na verdade, era um buraco de tiro… Os detetives descobriram que uma bala tinha atravessado a parede!

O buraco menor, no 349, era por onde o projétil entrou. O buraco maior, no quarto do Greg, era onde saiu.

Chamaram a perícia, que fez o teste com laser pra medir o caminho exato da bala. A trajetória ia direto pra cama do Greg, onde ele estava naquela noite — deitado, fumando, vendo filme e comendo doce.

Ou seja, os detetives finalmente descobriram o que tinha acontecido: Greg estava deitado vendo seu filme quando, do nada, foi atingido por uma bala na região da virilha. A pele da região, por ser macia, acabou cobrindo o buraco da bala, o que fez parecer que não tinha nada. Mas a bala tinha subido o abdômen e o peitoral do Greg, causando ferimentos fatais. 

TRAJETÓRIA DA BALA:

Fonte: https://medium.com/@mromysteries/the-insane-story-of-room-348-how-toothpaste-and-a-bullet-cracked-the-case-true-crime-724c46822198 

A trajetória da bala explicava as lesões.

Greg deve ter sentido uma dor muito grande, afinal, os órgãos tinham sido gravemente feridos. Ele levantou e foi até a porta, para sair do quarto, com o cigarro na mão. Mas antes de conseguir abrir a porta, Greg caiu no chão e não resistiu.

Depois dessa descoberta, os investigadores sabiam exatamente pra onde direcionar o foco deles: eles precisavam interrogar o grupo de eletricistas que estava no quarto 349 naquela noite.

Os detetives agora tinham claro uma coisa: alguém que estava naquele quarto provavelmente tinha disparado contra Greg através da parede. 

No começo, os homens repetiram a mesma versão: que nada de estranho tinha acontecido naquela noite. Sò que os detetives decidiram aumentar a pressão. Deixaram claro que mentir para a polícia era crime sério e que as evidências já apontavam para um disparo de arma de fogo dentro do hotel.

Foi nesse momento, após longos minutos de tensão, que uma das defesas começou a rachar. 

O Tim Steinmetz não aguentou a pressão e contou a verdade. Ele admitiu que não tinham sido honestos antes e confessou que, naquela noite de 15 de setembro, eles estavam, sim, bebendo no quarto 349 e que as coisas saíram de controle.

Em 1º de junho de 2011, ele relatou que o grupo estava no quarto, bebendo depois do trabalho, quando o Lance Mueller pediu pro Trent Pasano buscar duas coisas no carro: um uísque e a arma dele – uma pistola 9 milímetros.

O Trent Pasano trouxe. E Lance, do nada, começou a brincar com a arma.

Primeiro, apontou pro Tim, que se jogou no chão e xingou o Lance. Depois, Lance virou a arma pro lado do Trent. 

E no meio daquela brincadeira de mau gosto, a arma de repente disparou. 

Uma bala saiu do cano, atravessou a parede ali do quarto 349 e entrou no quarto ao lado:

Naquele instante, sem que nenhum deles notasse, o projétil atingiu o Greg do outro lado da parede. Eles disseram que não ouviram nenhum grito ou qualquer barulho vindo do 348.

Tim e Trent ficaram em choque. E Lance entrou em pânico de imediato ao perceber o que tinha feito. Desesperado, Lance tapou o buraco na parede com pasta de dente para esconder o buraco. E escondeu a arma em seu carro, no estacionamento.

Na manhã seguinte, quando viram a polícia, em frente ao quarto 348, e o corpo de Greg sendo retirado em uma maca, eles ficaram calados… 

Durante muitos meses, a versão deles resistiu — e o crime permaneceu sem solução.

Mas agora, a verdade finalmente tinha vindo à tona. Com a confissão e as provas físicas, os detetives enfim conseguiram desvendar o caso.

Depois de tanto tempo de incertezas, os detetives finalmente puderam dar a Susie e à família do Greg as respostas que eles procuravam, sobre o que tinha acontecido com Greg.

Na noite da morte de Greg, a escolha dele de misturar álcool com a arma acabou se revelando uma combinação fatal:

Por mais que o tiro tenha sido “sem querer” (entre aspas), ele foi acusado por várias pessoas de ser negligente e por ter tentado esconder o crime ao invés de assumir a responsabilidade. 

E Lance ainda se livrou de evidências ao esconder a pistola - primeiro em seu caminhão e, depois, segundo relatos, em um cofre pertencente ao seu advogado.

E, por fim, logo depois da arma disparar, ao invés de parar, pensar, fazer alguma coisa, bater na porta do quarto 348  para ver se estava tudo bem, o que Lance Mueller fez? Desceu pro bar do hotel e continuou bebendo.

Ele e os colegas de trabalho concordaram em silêncio em não mencionar o disparo a ninguém no hotel. Deixar a cidade de Beaumont assim que o trabalho deles ali na cidade tivesse terminado, na esperança de que todo o incidente fosse tratado apenas como uma morte inexplicável — e que a família de Greg passasse o resto da vida sem saber o que realmente tinha acontecido com ele.

Segundo os relatos, Lance ficou chocado, mas ao mesmo tempo aliviado, quando a primeira autópsia não identificou um disparo de arma de fogo. Ele se convenceu de que talvez nunca fosse descoberto.

Mesmo depois da confissão de Tim e da evidência clara do tiro, o Lance ainda teve dificuldade em aceitar a responsabilidade. 

Em uma ligação telefônica gravada — organizada pela polícia entre Tim e Lance —, ele demorou a acreditar que o disparo tivesse realmente matado alguém, ressaltando que o legista, a princípio, não tinha achado nenhum projétil.

Os detetives prenderam o Lance Mueller.

LANCE MUELLER:

Fonte: https://medium.com/@mromysteries/the-insane-story-of-room-348-how-toothpaste-and-a-bullet-cracked-the-case-true-crime-724c46822198 

O julgamento começou em 2012

Lance fez um acordo judicial e se declarou “no contest” (sem contestar) à acusação de homicídio culposo. Ou seja, ele aceitava a responsabilidade pela morte de Greg, mas sem admitir que tinha intenção de matar.

Na audiência de sentença, membros da família de Greg — incluindo Susie — apresentaram suas declarações descrevendo a dor e as consequências irreparáveis da perda.

Susie se levantou, encarou Lance diretamente no tribunal. E disse (aspas):

"Você nunca teria falado a verdade. Você não saiu aquela noite com a intenção de matar o Greg, mas matou ele a cada mentira que contou e a cada ato egoísta que teve para encobrir o que fez. Você viu o corpo dele sendo levado em um saco e sabia que tinha sido você quem o matou. Eu teria passado o resto da minha vida te perseguindo, e eu te encontrei."

Fonte: https://www.vanityfair.com/culture/2013/05/true-crime-elegante-hotel-texas-murder?srsltid=AfmBOopjf49PDjKPbdIxxYiGVk8p--5l6C0fk-2y1bZQYWKHjcb5iMA3 

Além de um breve pedido de desculpas, Lance não comentou muita coisa durante o julgamento. Em outubro de 2012, o juiz sentenciou o Lance a 10 anos de prisão

A pena máxima possível era de 20 anos, o que significa que ele recebeu só metade do tempo.

Desde então, o caso se tornou um alerta sobre como um rápido momento de descuido pode destruir vidas. 

Após cumprir sua pena, Lance foi libertado em 2022. Ao que tudo indica, depois da libertação, ele voltou pra Wisconsin e desde então tem mantido um perfil discreto.

Para os parentes de Greg, no entanto, o impacto de sua morte vai durar a vida inteira. Ainda assim, eles encontraram algum consolo em finalmente saber exatamente o que aconteceu com Greg — e em ver que, no fim, a responsabilidade foi assumida. 

FONTES:  

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