ROTEIRISTA: Lucas Andries
Durante décadas, o nome Roger Abdelmassih era sinônimo de esperança: um médico famoso, pioneiro da fertilização in vitro no Brasil e que ajudava centenas de mulheres a realizarem o sonho de terem filhos.
Agora, imagina entrar num consultório desses. Jaleco branco, diplomas na parede e revistas falando em “milagre da ciência”. Você entra nesse lugar acreditando que está segura, que o médico vai te ajudar a expandir a sua família… Mas, para dezenas de mulheres, por trás de portas fechadas, essa promessa de engravidar teria se transformado em pesadelo.
Roger Abdelmassih era médico… ou monstro?
Quem desconfiaria de um médico tratado como gênio, como o doutor das celebridades? Quantas mulheres precisaram batalhar pra serem ouvidas? E o que aconteceu quando o homem que devia representar a ciência virou o centro de um dos maiores escândalos médicos do país?
Todas as fontes usadas na apuração e construção dos episódios do Casos Reais estão disponíveis no final da postagem. O conteúdo é baseado em documentos oficiais, entrevistas e reportagens de veículos reconhecidos, com o compromisso de apresentar a versão mais precisa possível dos fatos.

O Roger Abdelmassih nasceu no dia 3 de outubro de 1943, em São João da Boa Vista, uma cidade do interior de São Paulo, com mais ou menos 90 mil habitantes. Era uma cidade pequena, tranquila e que, naquela época, nem imaginava que o nome do Roger ainda seria manchete no país inteiro.
ROGER ABDELMASSIH:
Roger era filho de Olga e Jorge, dois imigrantes libaneses que tinham vindo morar no Brasil alguns anos antes.
E aqui as fontes são um pouco contraditórias sobre as origens da família:
Em algumas fontes, eu encontrei relatos falando que Jorge, o pai do Roger, trabalhava como vendedor ambulante e que a mãe dele, a Olga, era dona de casa. E que a família tinha poucas condições financeiras.
Só que eu também achei fontes afirmando que eles eram comerciantes e que os dois trabalhavam em bazares, vendendo produtos para famílias da elite da região de Campinas.
Eu não sei dizer 100% qual dessas versões é a mais correta, tá? Pode ser até que elas se complementem, que um pedacinho de cada uma, na verdade, reflita momentos diferentes da vida deles. Enfim… de toda forma, essas são as duas informações que circulam por aí.
Em certo momento da vida, o Jorge começou a fazer amizades na cidade, inclusive com gente influente. De acordo com as fontes, aos poucos, ele foi criando contatos, conquistando mais clientes e passou a negociar bens da família, como fazendas e chácaras.
Ou seja, ele foi investindo e mexendo os pauzinhos dele pra fazer o dinheiro da família crescer. Parece que ele tinha facilidade de fazer dinheiro, sabe?
Com os anos, isso deu resultado: os Abdelmassih acabaram enriquecendo e ganhando bastante prestígio em Campinas. Ou seja, parece que é nesse contexto que o Roger cresceu.
Desde pequeno, ele teria sido aquele aluno que chamava a atenção dos professores, sabe? Era disciplinado, tirava notas altas e prestava atenção em todas as matérias. Segundo as fontes, o Roger era o melhor aluno do colégio — um dos mais caros da região.
Desde essa época, nos anos 50, Roger dizia que queria ser médico quando crescesse. E, de fato, ele correu atrás disso: na adolescência, achando que o interior de São Paulo não oferecia mais a melhor estrutura e as melhores oportunidades que ele buscava, Roger decidiu se mudar para a capital.
Chegando lá, Roger começou a estudar no colégio Bandeirantes. Só que aí parece que rolou uma frustração: segundo conta o Aventuras na História, mesmo sendo um ótimo aluno, ele já não era mais o melhor da sala ali em São Paulo. E parece que isso teria frustrado bastante ele.
Mas o Roger continuou estudando firme. Até que, na década de 60, passou em medicina na Unicamp, a Universidade de Campinas, considerada uma das melhores do país.
O tempo passou, o Roger continuou se dedicando aos estudos… e, em 1968, aos 24 anos, ele se formou. Logo depois, seguiu pra área da urologia, que é o médico que trata do sistema reprodutor masculino e do sistema urinário das pessoas.
Pelo que fontes dão a entender, desde essa fase inicial da carreira, parece que o Roger só se importava em ficar rico e famoso. E Roger costumava se gabar dos bens que tinha. Além disso, ele só teria se aproximado de quem pudesse agregar alguma coisa pra carreira dele, ajudar ele a alavancar a carreira.
Mais ou menos nessa época, o Roger conheceu um médico renomado em São Paulo: o doutor Milton Nakamura. Milton era um cara mais velho, que já tinha uma clínica de fertilização. Eles se aproximaram e não demorou para o Roger começar a trabalhar com ele.
Ao que tudo indica, essa fase foi muito importante pro Roger! Na clínica do Milton, ele ganhou muita experiência e conhecimento… E, com isso, ele teria aberto a própria clínica de fertilização. Ou seja, parece que, por um tempo, Roger tinha dois empregos: ele trabalhava com Milton e, ao mesmo tempo, tocava a própria clínica.
E Roger era bem seletivo com quem atendia: ele supostamente só recebia pacientes que tinham condições financeiras — gente com influência social e sobrenomes fortes na região.
Os anos foram passando… Até que, no fim da década de 70, começaram a surgir no mundo os primeiros casos de fertilização in vitro, uma técnica de reprodução em que os doutores unem os óvulos e os espermatozóides em laboratório para possibilitar uma gravidez.
Naquele momento, pra muita gente — inclusive, médicos — a fertilização in vitro parecia quase uma chance de “brincar de Deus” (entre aspas). Uma forma de driblar vários casos de infertilidade que, até então, simplesmente não tinham solução. Era uma técnica que mudava tudo e que abria portas que ninguém imaginava serem possíveis até então.
E é claro que Roger e Milton ficaram completamente impressionados com essa técnica! Era uma coisa que só tinha no exterior. Coisa de pesquisa de ponta, laboratório avançado… e caríssimo.
Foi quando os dois tiveram a mesma ideia: trazer isso pro Brasil.
No fim das contas, eles conseguiram! Parece que realmente contribuíram para trazer a fertilização in vitro pro Brasil. Foram pioneiros. E, enquanto a técnica ia se popularizando, o Roger virou um dos maiores especialistas do país no assunto.
Mas, segundo o portal Aventuras na História, enquanto Milton Nakamura tinha um foco mais humano, mais voltado a ajudar mulheres que queriam engravidar, Roger supostamente teria outro objetivo: ficar famoso e ainda mais rico.
Com visões tão diferentes, a parceria entre eles não durou muito tempo. E aí cada um seguiu o seu caminho: segundo fontes, Roger mudou a clínica dele, que antes ficava em Campinas, para São Paulo.
E, nessa época, o marketing pessoal dele era forte! Ele construiu uma fama tão grande, associada ao sucesso da fertilização in vitro, que ele começou a atrair um monte de gente conhecida para a clínica dele:
Pra vocês terem noção, olha o nível dos pacientes que teriam procurado o Roger para tentar ter bebê, de acordo com o jornal O Dia: o senador Renan Calheiros, o ex-presidente Fernando Collor, o comediante Tom Cavalcante, o apresentador Gugu… e até o Pelé.
Em 1996, o Pelé e a esposa dele, a Assíria Nascimento, procuraram o Roger pra tentar engravidar. Sete meses depois, eles estavam no hospital… tendo gêmeos! Claro que isso virou notícia no Brasil inteiro — o que só fez a fama do Roger crescer ainda mais.
Ele virou figura constante na mídia. Ele apareceu em programas de TV, deu entrevistas até na Hebe, que, na época, era um dos maiores programas do país, apareceu em capas de revista… e se aproximou de celebridades.
Ou seja, Roger estava totalmente inserido na alta sociedade de São Paulo. Era bem relacionado, circulava entre gente rica e influente.
E cobrava caro: de acordo com o Metrópoles, ele teria chegado a cobrar o valor de uma casa na praia por fertilização. O jornal não especifica quanto seria esse valor… mas dá pra imaginar o nível, né?
Além disso, as fontes afirmam que Roger convencia as clientes a pagar ele de uma forma muito específica:
A fertilização in vitro tem uma taxa de sucesso que varia muito – às vezes, ela funciona na primeira tentativa, às vezes não. De acordo com as fontes, Roger supostamente usava essa informação como argumento comercial. Ele teria dito para algumas clientes que, como a primeira tentativa podia não funcionar, o ideal era já pagar por três de uma vez.
A justificativa dele era que isso reduzia a ansiedade e deixava todo mundo mais tranquilo caso a primeira não desse certo. Mas o que as fontes dão a entender é que isso não era apenas uma sugestão dele. De acordo com ex-pacientes, parecia quase uma exigência.
Ou seja, elas não pagavam uma tentativa, depois a outra e depois a outra. Elas pagavam, de cara, um pacote com três.
Isso aí é está em relatos que algumas pacientes deram, tá?
Com tudo isso, o patrimônio do Roger foi só crescendo:
Segundo o Aventuras na História, em 2004, o Roger tinha algo em torno de 100 milhões de reais! E não para por aí: como relata o Fantástico, ele ainda investia pesado para ganhar ainda mais dinheiro — ele, por exemplo, virou produtor de laranjas e construiu um patrimônio de cerca de 18 milhões de reais só com esse negócio, em Avaré, no interior de São Paulo.
Só que, apesar de Roger ser o “doutor das celebridades” e um dos maiores especialistas na área dele, as fontes dizem que ele não teria demonstrado interesse em realmente entender as causas da infertilidade das pacientes, nem em tratar o problema de forma aprofundada. Parece que o foco dele era outro: números. Roger queria bebês nascendo. E muitos.
E, realmente, ele teve muito sucesso nisso: em 12 anos de trabalho, o Roger foi responsável por quase um terço de todos os bebês de proveta nascidos no Brasil. Foram mais de 2. 500 crianças!
Além disso, segundo o Aventuras na História, Roger não fazia as coisas da forma mais correta, sabe? Parece que ele não seguia 100% o que seriam os procedimentos mais corretos. Fontes comentam que Roger supostamente teria deixado de pedir vários exames importantes, enchido as pacientes de hormônios e não revelado de onde vinham os materiais genéticos que ele usava nos tratamentos.
Ou seja, parece que ele não era muito transparente e que tinham algumas coisas ali que, no mínimo, levantavam dúvidas.
Infelizmente… fica pior.
Gente, eu preciso dar uma aviso de gatilho agora, tá?! A partir de agora, eu vou contar algumas situações sensíveis e que podem causar desconforto em algumas pessoas. Então, respira fundo… e, se quiser pausar um pouco, essa é a hora.
Nessa época, entra na história a estilista Vana Lopes:
Ela tinha tudo o que queria na vida: segundo a própria Vana, ela era jovem, bonita, tinha dinheiro, vivia na Europa, era comunicativa e acostumada a receber elogios de todo mundo.
VANA LOPES:

Mas Vana não conseguia engravidar….
Ela já era casada há sete anos e tinha uma filha adotiva que amava muito. Só que, lá no fundo, Vana queria ter um filho biológico. Ela tinha esse sonho de engravidar, sabe?
Então, certo dia, depois de diversas tentativas frustradas, Vana procurou o doutor Roger: ela entrou no consultório dele. E eu imagino que devia ser um lugar que passava confiança, sabe? O jaleco branco. Diplomas na parede. Um lugar que faz a gente acreditar que está na frente de um especialista, que vai ajudar a gente.
E eu também imagino que, no começo, Vana deve ter tido uma sensação boa, sabe? Porque, segundo ela mesma, Roger falava com uma segurança tão grande, que parecia que ela já estava grávida. E ele foi passando essa confiança pra ela. Vana começou a visualizar os bebês, a pensar em como seria o rostinho deles, coisas assim…
Segundo ela, em certo momento, Roger teria perguntado para Vana: “você já tem nome pras crianças?”. E Vana levou um susto:
Ela ficou surpresa, porque ele teria falado “crianças”. No plural.
Na época, um bebê só já era o sonho da Vana sendo realizado. Agora, ela estava começando a ter esperanças de sair dali com gêmeos… ou, quem sabe, quadrigêmeos.
O que antes parecia impossível, agora podia virar realidade.
Só que… uma coisa estranha aconteceu:
Roger teria começado a encarar ela de um jeito… diferente.
A Vana relatou que, como ela era estilista, ela estava acostumada a atrair a atenção dos homens. Então, naquele momento, não achou esse olhar do Roger desconfortável. Aí, ela deixou pra lá, sabe?
Só que, olhando em retrospecto, aquele era um sinal de que talvez tivesse alguma coisa errada…
Depois de um tempo, por fim, Roger ainda teria colocado pressão na Vana: de acordo com o jornal Metrópoles, ele teria olhado nos olhos dela e dito (abre aspas): “você prefere ver o mar ou o sorriso dos seus filhos?”.
Vana escolheu as crianças.
Naquele mesmo dia, ela saiu do consultório, foi direto pro banco e fechou três tentativas de fertilização. A primeira não funcionou. Na segunda, Vana chegou a engravidar, mas perdeu o bebê nos estágios iniciais.
Então, veio a terceira tentativa:
Vana chegou à clínica, colocou a roupinha de hospital, entrou na sala, fez tudo como sempre – tomou a medicação, a anestesia… e as enfermeiras levaram ela para a sala de inseminação.
Anestesiada, a Vana dormiu. Até que…
Vana acordou. Meio grogue. Ela tentou mexer uma mão, uma perna… mas o corpo não respondia. Vana não conseguia mexer um músculo nem falar uma palavra – muito provavelmente por conta da anestesia.
Mas ela conseguiu abrir os olhos. E o que Vana viu deixou ela traumatizada pro resto da vida:
Ela contou que o Roger estava em cima dela. Segundo a Vana, ele estaria violentando ela, lambendo o rosto, fazendo o que queria… enquanto Vana não conseguia reagir.
Quando terminou, o Roger saiu da sala. E, aos poucos, o efeito da anestesia começou a passar. A Vana conseguiu mexer os dedos, as pernas… até que levantou, com dificuldade, se vestiu e desceu as escadas.
No caminho, encontrou uma enfermeira. E, ali, deve ter surgido uma ponta de esperança — alguém para ajudar ela! Então, a Vana contou o que tinha acabado de acontecer e pediu ajuda.
Mas a enfermeira… parece que não acreditou.
Algum tempo depois desse dia, o corpo da Vana começou a dar sinais de que tinha alguma coisa errada: primeiro, ela teve uma dor na barriga bem forte, que não passava. Depois, uma febre estranha, daquelas que deixam a gente mole, sem força.
Por conta disso, Vana foi até o hospital… e descobriu que o pesadelo tinha piorado:
Acontece que, durante o caso, ela contraiu uma bactéria. E como o corpo estava com hormônios por causa do tratamento, a bactéria encontrou ali o ambiente propício pra ser absorvida e se espalhar. Rápido.
Vana pegou uma infecção generalizada.
Para salvar a vida dela, os médicos precisaram fazer uma cirurgia urgente e, infelizmente, Vana precisou retirar suas trompas e ovários. O que acabou de vez com o sonho dela de ter filhos biológicos.
Depois disso, Vana entrou em depressão. Abandonou a carreira, passou a comer compulsivamente, chegou a pesar 150 quilos e passou quatro anos trancada dentro de casa – sem sair ou ver os amigos…
E o pior é que quase ninguém acreditou nela:
Quando Vana tentou denunciar Roger, achando que finalmente alguém ia escutar o que tinha rolado… o delegado olhou para a Vana e teria dito só que (abres aspas) “ele é o médico das estrelas, jamais faria isso!”.
Imagina ouvir isso depois de tudo que ela passou…
Isso tudo que eu acabei de contar foi o relato da própria Vana, tá, gente?! E foi noticiado no jornal Metrópoles.
Infelizmente, o caso da Vana não era o único:
Um artigo de pesquisadores da USP, divulgado na página Scielo, descreve o relato de uma outra mulher, uma paciente que preferiu não ter o nome revelado, parece.
Ela contou que, em um primeiro momento, em uma consulta, o Roger teria tentado abraçar e beijar ela à força. Ela virou o rosto, desconfortável… e foi embora em seguida. Mas, mesmo tendo saído do local, o cheiro do médico continuou nela por muito tempo, um cheiro de éter que ela não conseguia se livrar.
Apesar disso ter acontecido, dois meses depois, a mulher voltou na clínica do Roger pra continuar a fertilização. Lá, ela foi sedada, como de costume, para passar pelos procedimentos.
Só que, na sala de recuperação… ela acordou.
Quando ela abriu os olhos, grogue e sonolenta, ela teria visto o Roger. E, de acordo com a fonte, ele estaria com as mãos nos seios dela, apalpando.
Na hora, achou que estava sonhando ou tendo alucinações por conta da anestesia.
Só que, 50 dias depois, quando a mulher voltou no consultório para mais uma tentativa de fertilização (ela já tinha pago três, como ele parece que convencia as pacientes a fazer), de novo, ao acordar, a mulher teria visto o Roger – dessa vez, com o pênis na mão dela.
Ele percebeu que ela acordou, desconversou e foi embora. Depois disso, a mulher disse que desistiu de ser mãe, porque toda aquela experiência com o doutor tinha acabado com o físico e com o emocional dela.
Gente… ao longo dos anos, foram dezenas de casos assim! Eu precisaria de um podcast inteiro para contar eles.
Mas, de forma geral, eles são parecidos: as mulheres procuravam o Roger pra tentar engravidar. Muitas delas nem tinham o dinheiro que ele cobrava – algumas vendiam carros, casas, tudo o que podiam, só para conseguir pagar pela fertilização in vitro com ele.
Em diversas consultas, o Roger teria dado em cima delas: tentava beijar, se aproximar demais… E, várias vezes, durante os procedimentos, enquanto as mulheres estavam sedadas e vulneráveis, ele teria abusado delas.
Além disso, algumas vítimas, segundo a revista Superinteressante, podem até ter sido, supostamente, inseminadas com o esperma do próprio Roger.
Depois dos abusos, elas sentiam uma mistura de dor e de vergonha. E, pra piorar, muitas vezes a família não acreditava no que tinha rolado. Nem os maridos, às vezes. Nem a polícia.
Imagina a solidão disso: você tentando explicar algo tão grave… e ouvindo que “não pode ser”, que “um médico como ele jamais faria isso”.
Era sempre a palavra delas contra o doutor das estrelas. Parecia uma luta perdida.
Até que… aconteceu uma coisa que mudaria isso para sempre:
Em 2006, uma usuária anônima do Orkut, que se identificava como Iris, fez algo simples e, ao mesmo tempo, gigantesco: ela criou uma comunidade ali na rede social para contar tudo o que tinha vivido nas mãos do Roger.
E o que parecia só um desabafo em uma rede social virou o início de uma bomba prestes a explodir:
Aos poucos, e com os anos, as denúncias foram aumentando – nas redes sociais e na polícia. Sabe aquela corrente que vai crescendo? Uma falava, outra ganhava coragem e falava o que tinha sofrido também, e a próxima também… Então, foi assim.
As histórias começaram a vir de todos os lados: eu achei uma fonte, por exemplo, que citou o caso de uma ex-funcionária do Roger. Ela contou que teria sido beijada à força por ele — e decidiu denunciar também. A Vana também voltou à polícia e registrou uma nova denúncia. E foi além: criou um grupo de apoio pra ajudar vítimas de abusos sexuais.
Segundo um promotor do caso, o número de relatos disparou… Saíram de três ou quatro pra dezenas de denúncias em um ou dois meses.
No final das contas, como disse o Aventuras na História, apareceram mais de 40 depoimentos de ex-pacientes do Roger. Mulheres entre 40 e 60 anos que descreveram episódios de abuso. Alguns casos eram recentes; outros eram antigos. Teve relato até de 1968, gente… quarenta anos antes!
E, com o tempo, as histórias começaram a sair na imprensa – começaram a ter destaque nacional. E a prejudicar a imagem que parece que o Roger prezava tanto…
Na época, Roger negou todas as acusações, dizendo que nunca tinha feito nada disso que estava acusando ele e que era vítima de uma campanha de difamação feita por clientes frustradas e concorrentes. Que, no fundo, tudo aquilo era inveja do sucesso dele.
Ano após ano, foram muitas denúncias. Foi o clássico caso de que a união faz a força. E não tinha como os policiais não investigarem mais a fundo.
Em 2009, os policiais começaram a investigar Roger Abdelmassih de perto e grampearam várias conversas telefônicas e mensagens dele. E foi aí que uma coisa apareceu:
Entre as conversas, uma delas chamou atenção dos detetives: conversas entre Roger e o psiquiatra deles. Nelas, Roger teria se descrito como (abre aspas) “um grande comedor”. E teria dito que ele só cedia ao assédio das pacientes — pelo que eu peguei do caso, parece que ele dava a entender que tudo era iniciativa das mulheres.
Com essa descoberta e todas as denúncias, em agosto de 2009, depois de o Roger ter atuado como médico por mais de quarenta anos, os detetives pediram a prisão preventiva dele.
Roger passou a responder por 52 estupros e 4 tentativas de abuso.
E foi preso! O que eu acredito que deve ter sido uma vitória grande para as vítimas. Elas devem ter sentido que a justiça tinha sido feita, finalmente…
Só que, em dezembro de 2009, quatro meses depois, Roger conseguiu um habeas corpus e foi solto. Ou seja, passou a responder em liberdade.
Um ano depois, em novembro de 2010, veio a sentença: Roger Abdelmassih pegou 278 anos de cadeia. Ele foi condenado por 48 crimes sexuais contra 37 pacientes, ocorridos entre 1995 e 2008.
Na época, a repercussão na mídia foi grande.
Mesmo com essa sentença gigante, de quase três séculos, ele continuou a responder em liberdade. Parece que o Roger ainda tinha tempo pra entrar com alguns recursos antes de realmente ser preso. Acho que foi uma coisa normal do processo judicial.
Só que esse tempo livre deu para o Roger a oportunidade fazer uma coisa que daria anos de trabalho para os detetives:
Em janeiro de 2011, Roger simplesmente desapareceu. Ele tinha 67 anos.
Pra onde Roger poderia ter ido? Para o interior de São Paulo, onde ele tinha algumas propriedades? Para Europa? Ou, então, pro Líbano – onde os pais dele tinham nascido e onde, pelas leis do país, ele não seria extraditado de volta pro Brasil? Ninguém sabia.
Todo mundo especulava. E os detetives não tinham pistas nenhuma.
Em 2011, ele se tornou um dos homens mais procurados do Brasil. Inclusive, entrou na lista de foragidos mais procurados da Interpol, uma organização internacional de cooperação entre polícias do mundo todo para combater o crime.
Pra descobrir onde Roger estava, os investigadores chegaram a grampear até os telefones de pessoas próximas ao Roger, como o psiquiatra e a irmã dele. Mas não deu em nada.
Onde ele estava? Ninguém sabia. Até que… um pista surgiu:
Depois de três anos de buscas, em 2014, os policiais receberam denúncias de que o Roger poderia ter se escondido em um sítio, que já tinha sido dele antes, em Avaré, no interior de São Paulo.
Em 2011, os detetives já tinham feito buscas no local. Eles chegaram lá e eu imagino que eles devem ter vasculhado tudo, de cima a baixo. Os policiais até questionaram um funcionário, em 2011:
De acordo com o Fantástico, o policial pediu pro cara falar a verdade, falar se o Roger estava lá, escondido em algum lugar. E o funcionário respondeu que não, que não tinha nem notícias do Roger.
De fato, não encontraram Roger Abdelmassih nesse sítio.
Só que agora, em 2014, tudo mudou: depois das denúncias que eu disse, os policiais foram de novo no sítio e, dessa vez, acharam algo que não tinham visto em 2011. Não ficou claro porque não acharam nada em 2011… só que a verdade é que, agora, a polícia encontrou informações valiosas: anotações com nomes, números de telefones e destinos.
Com isso, eles conseguiram desenhar um mapa que levaria eles direto ao paradeiro do Roger: Assunção, no Paraguai. Apesar de toda a especulação sobre onde Roger poderia estar, no final das contas Roger estava morando pertinho do Brasil, no país vizinho.
E aí você me pergunta: o que tinha rolado? Bem… os policiais descobriram que, cerca de dois meses depois de ser condenado, em novembro de 2010, Roger teria decidido fugir do país com a esposa dele, Larissa Abdelmassih, uma ex-procuradora do Brasil, 34 anos mais nova que ele e que, na época, estava grávida de gêmeos.
Então, de acordo com as investigações, teria saído de São Paulo e ido até o interior de São Paulo, pra uma cidadezinha chamada Presidente Prudente. De lá, Roger seguiu pro Mato Grosso do Sul e, depois, cruzou a fronteira pro Paraguai.
A princípio, o Paraguai era pra ser só um esconderijo provisório, sabe? Um lugar pra Roger se manter fora do radar enquanto encontrava um destino final. Só que esse “temporário” virou casa. Ele foi ficando, os filhos gêmeos nasceram no Paraguai… Roger ficou lá.
E, pelo que as fontes descrevem, enquanto as vítimas no Brasil lutavam por justiça, o Roger estaria vivendo como um rei.
A casa onde ele morava parecia uma mansão: tinha três andares, jardim, piscina… tudo muito confortável. No quintal, ainda tinha um espaço grande, cheio de brinquedos pros filhos, um menino e uma menina de 3 anos, que tinham nascido já no Paraguai, durante a fuga de Roger.
O valor do aluguel girava em torno de 11 mil reais por mês.
MANSÃO DE ROGER NO PARAGUAI:

A casa ficava num bairro nobre: na rua Guido Spano, número 1976, em San Cristóbal. Um endereço de alto padrão, cheio de conforto e luxo.
[SUGESTÃO PARA A EDIÇÃO: ANDAR PELA RUA NO GOOGLE MAPS]
Além disso, de acordo com o Fantástico, o Roger frequentava os melhores restaurantes da cidade. Os mais caros! E era conhecido pelos funcionários porque ele sempre pedia os vinhos mais caros, de 500 a 600 reais.
Toda vez que ia comer fora, ele escolhia a mesma mesa – uma mesa mais afastada, discreta, e que dava para ele ficar de olho na rua inteira. Parece que era a maneira que Roger achava para controlar o ambiente, ver quem entrava, quem saía… quem podia reconhecer ele.
E tem mais: se ele escutasse alguém falando português, ele se levantava e ía embora na mesma hora. Ele não arriscava, pelo que tudo indica.
Ele tinha babás e motoristas particulares à sua disposição. E os filhos dele estudavam em uma escola que ficava bem pertinho de casa – a uns 500 metros.
A mensalidade? De acordo com o Fantástico, Roger pagava 1.100 reais.
Além disso, ele não se apresentava como doutor. Falava que era investidor de projetos sociais. E ainda teria feito amizade com muita gente: policiais, políticos… e até gente ligada ao mundo do futebol.
Mas como Roger conseguia fazer isso tudo sem ser pego?
Gente, ele tinha uma rotina tipo agente secreto! Parece até coisa de filme….
Ele fazia de tudo pra não ser reconhecido: saía de boné, de peruca, óculos, olhando pro chão… Trocava de empregada a cada dois ou três meses.
E ainda usava outro nome: no Paraguai, o Roger era Ricardo Galeano.
Como eu disse, ele vivia tranquilamente. Com medo, mas levava uma vida bem confortável. Até que…
Em 19 de agosto de 2014, no comecinho da tarde, o Roger estava dentro do carro dele, levando os filhos para a escola. A menina fazia balé e o menino queria jogar futebol. Aí, como contou o Fantástico, quando eles chegaram na escola, Roger desceu do carro…
Eu parece que ele deve ter descido tranquilamente, sabe? Cumprimentado algumas pessoas… E foi conversar com a diretora sobre uma escolinha de futebol pro filho.
Quando a conversa acabou, ele voltou pro carro… mas, antes que pudesse entrar, a polícia chegou. Vários homens, imagino que armados, dando voz de prisão para Roger.
Depois de mais de três anos foragido e de, no mínimo, 10 anos de abusos, o Roger Abdelmassih estava preso. Ele tinha 71 anos.
Como o G1 noticiou, ele foi preso por agentes ligados à Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai com o apoio da Polícia Federal do Brasil. Depois, foi transferido pra São Paulo. Em 2011, Roger teve seu registro médico cassado, não podendo mais exercer a profissão.
Roger sempre alegou inocência. Na época, suas vítimas ficaram satisfeitas com a condenação e com a prisão. Já que, mesmo ele sendo um homem tão poderoso e rico, elas conseguiram colaborar para que ele fosse levado à justiça.
Por uma decisão judicial, em outubro de 2014, a pena de Roger foi reduzida para 181 anos. Atualmente, ele cumpre pena no presídio de Tremembé, em São Paulo.
Hoje, em 2025, Roger tem 82 anos e, segundo a CNN, ele tem problemas cardíacos e respiratórios. Ele vem pedindo pra pena passar a ser cumprida em casa, em prisão domiciliar, só que a justiça vem negando isso.
Entre 2020 e 2021, ele até chegou a cumprir pena em prisão domiciliar. Mas, depois de os policiais suspeitarem de irregularidades e relatórios médicos inconclusivos, ele teve esse benefício revogado.
De acordo com a CNN, para a justiça, Roger só poderá conseguir liberdade condicional em 2047, quando ele terá 104 anos.
Na prisão, ele tem uma rotina isolada, sem ter contato direito com outros presos e passa bastante tempo sob acompanhamento médico.
FONTES:
- https://www.youtube.com/watch?v=sfJ4axcs9Ms
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Roger_Abdelmassih
- https://www.youtube.com/watch?v=M0DM8utR6AU&t=465s
- https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/tremembe-o-comovente-relato-de-vitima-de-roger-abdelmassih
- https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/tremembe-saiba-como-esta-roger-abdelmassih-hoje/
- https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/08/rede-de-protecao-financiou-vida-de-luxo-de-abdelmassih-no-paraguai.html
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2021-05/tj-sp-concede-prisao-domiciliar-ao-ex-medico-roger-abdelmassih
- https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/roger-abdelmassih-obtem-decisao-no-stf-para-cumprir-prisao-domiciliar.ghtml
- https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/08/pf-anuncia-prisao-do-medico-roger-abdelmassih-no-paraguai.html
- https://www.tjsp.jus.br/Noticias/noticia?codigoNoticia=9048
- https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/presidente-do-stf-concede-liberdade-ao-medico-roger-abdelmassih-atualizada-as-20h51/
- https://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-08-20/veja-os-famosos-que-passaram-pela-clinica-de-roger-abdelmassih.html
- https://caras.com.br/arquivo/roger-abdelmassih-e-seus-muitos-amigos-e-filhos.phtml
- https://gshow.globo.com/programas/encontro-com-fatima-bernardes/O-Programa/noticia/2014/08/fatima-afirma-que-roger-abdelmassih-ja-usou-seu-nome-em-entrevistas.html
- https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2014/08/Medico-Roger-Abdelmassih-e-preso-no-Paraguai-4578650.html
- https://revistatrip.uol.com.br/tpm/kenarik-boujikian-desembargadoras-que-condenou-roger-abdelmassih-nas-paginas-vermelhas
- https://super.abril.com.br/mundo-estranho/retrato-falado-roger-abdelmassih-o-medico-estuprador/
- https://www.otempo.com.br/brasil/ex-medico-roger-abdelmassih-pode-ir-para-prisao-domiciliar-1.903858
- https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-medico-que-enganou-uma-nacao-as-monstruosidades-de-roger-abdelmassih.phtml
- https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2014/10/01/interna-brasil,450006/vitimas-do-medico-roger-abdelmassih-pedem-condenacao-em-abaixo-assinado.shtml
- https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/28/quem-foi-vana-lopes-primeira-mulher-a-denunciar-roger-abdelmassih.ghtml
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Interpol
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Assun%C3%A7%C3%A3o
- https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_da_Boa_Vista
- https://www.scielo.br/j/cpa/a/5sdcpFssnqqvsJZKHzDjfFC/?lang=pt
- https://www.google.com/maps/@-25.2961687,-57.5727787,3a,75y,114.94h,90t/data=!3m7!1e1!3m5!1sVCt2bP0q4askt5BNaYywMw!2e0!6shttps:%2F%2Fstreetviewpixels-pa.googleapis.com%2Fv1%2Fthumbnail%3Fcb_client%3Dmaps_sv.tactile%26w%3D900%26h%3D600%26pitch%3D0%26panoid%3DVCt2bP0q4askt5BNaYywMw%26yaw%3D114.94!7i16384!8i8192?entry=ttu&g_ep=Ego
- https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/9/26/cotidiano/13.html
- https://www.tjpb.jus.br/noticia/justica-condena-medico-abdelmassih-ao-pagamento-de-r-1-milhao
- https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/risco-de-morte-ex-medico-roger-abdelmassih-pede-prisao-domiciliar-humanitaria/













