Em 1998, Amy Lynn Bradley, uma americana de 23 anos, estava em um cruzeiro com a família quando ela desapareceu do nada. Não teve sinais de queda no oceano, nem um bilhete de despedida ou qualquer pista concreta. Amy simplesmente sumiu… Desde então, seu desaparecimento segue sem explicações e o mistério sobre se ela foi vítima ou não de um esquema de tráfico humano continua a assombrar o caso.
CASO
Amy Lynn Bradley nasceu em 12 de maio de 1974, em Petersburg, que é uma cidade de 33 mil habitantes que fica perto do rio Appomattox, no estado da Virgínia, nos EUA.
AMY BRADLEY:
Fonte: https://people.com/amy-lynn-bradley-cruise-ship-disappearance-8667257
Fonte: https://unsolved.com/gallery/amy-bradley/
Na década de 90, Amy cursou faculdade de Educação Física na Longwood University, que é uma universidade pública ali da região que ela morava, na Virgínia.
E Amy estudou neste local graças a uma bolsa de estudos. Nos Estados Unidos, as famosas scholarships são bem comuns – um auxílio financeiro que ajuda estudantes a bancarem a faculdade. Essas bolsas podem ser concedidas por mérito acadêmico, necessidade financeira ou até por talentos esportivos.
No caso da Amy, a bolsa dela vinha do basquete. Ou seja, além de estudar, ela precisava manter um bom desempenho nas quadras para continuar com o benefício.
AMY COM UNIFORME DE BASQUETE:
Fonte: https://www.instagram.com/cluelesscrimepodcast/p/DDZKpOpPDXG/?img_index=2
Além de ela ser habilidosa no basquete, Amy também era conhecida por ser boa na natação, tendo trabalhado anteriormente como salva-vidas.
Em 1998, aos 23 anos, Amy estava entrando de vez na vida adulta. Ela tinha acabado de se formar na faculdade, se mudado para um apartamento novo e conseguido um emprego. Era aquele momento de transição, quando tudo parece estar começando a se encaixar – novos desafios, mais independência e a empolgação (misturada com um pouco de nervosismo) de começar uma vida por conta própria.
Então, pra comemorar esse novo momento da vida de Amy, a família dela decidiu fazer um cruzeiro juntos! Parecia legal. Mas Amy sentia que tinha algo de errado…
Talvez fosse um sexto sentido ou só uma preocupação normal, mas o que as fontes indicam é que Amy não estava confortável com a ideia de ficar presa em um navio. Ela não queria ir…
Mas, no final das contas, a família conversou com ela, falando que o cruzeiro era seguro e que tudo ficaria bem.. Então, Amy acabou indo junto com a família. No dia 21 de março de 1998, eles embarcaram no navio Rhapsody of the Seas, da empresa Royal Caribbean International, em San Juan, no Porto Rico.
A família era composta pela Amy, pelo irmão dela, o Brad (de 21 anos), e pelos pais, Iva e Ron Bradley.
FAMÍLIA BRADLEY:
Fonte: https://www.mirror.co.uk/news/world-news/chilling-mystery-woman-who-disappeared-30841470
E, gente, o cruzeiro era gigante! Naquele dia, eram cerca de 2 mil pessoas embarcando. E o Rhapsody of the Seas contava com cabines confortáveis, piscinas, restaurantes, salões de festa… Enfim, um lugar que realmente parece legal pra se aproveitar as férias!
RHAPSODY OF THE SEAS EM 2018:
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Disappearance_of_Amy_Lynn_Bradley
Por dois dias, Amy teve uma estadia confortável, comendo bem, relaxando e aproveitando as festas que tem ali no cruzeiro… Mas, o que era para ser uma viagem divertida, se tornou o pior pesadelo dessa família:
Na noite do dia 23 de março de 1998, a família foi em um jantar chique (e formal) que o cruzeiro estava promovendo. No jantar, Amy e Brad foram fotografados pelo fotógrafo do navio. A foto mostra os dois com roupas bem formais mesmo: Brad está com o que parece ser um smoking e gravata borboleta, enquanto Amy está com um vestido preto. Os dois estão sorrindo pra foto.
AMY E BRAD NO JANTAR:
Fonte: https://crimejunkiepodcast.com/missing-amy-lynn-bradley/
Durante a noite, a família de Amy foi abordada pelo mesmo garçom, que pediu para entregar uma mensagem pra jovem. O recado era um convite para que Amy saísse para beber com ele, assim que chegassem à costa.
Depois desse jantar, a família voltou pro quarto, mudou de roupa e saiu de novo para participar de uma balada em um salão de festas. Nessa festa, tinha uma banda tocando ao vivo, a Blue Orchid. E as pessoas estavam dançando ali, bebendo e curtindo…
Por volta da 1 da manhã, os pais de Amy, Iva e Ron, decidiram que eles iam voltar pro quarto pra dormir. Amy e Brad decidiram ficar acordados até mais tarde na boate do navio, curtindo a festa.
Mas eles não ficaram o tempo todo juntos… O que é bem normal de festa, né, gente: quando a gente vai numa balada com os amigos, a gente não fica grudado neles… A gente fica um pouquinho junto, aí vai conversar com alguém aleatório que conheceu ali na hora, vai pra pista dançar, encontra conhecidos, beija alguém ali e, só depois, volta pra encontrar os amigos. Normal…
Então, Amy dançou com algumas pessoas, especialmente com o baixista da banda, um homem chamado Alister Douglas, de cerca de 28 anos, mais conhecido por seu apelido Yellow (que é como a gente vai chamar ele daqui pra frente). Inclusive, um cinegrafista que estava no cruzeiro trabalhando, chamado Chris Fenwick, filmou Amy e Yellow dançando juntos.
Algumas horas depois, Brad decidiu ir descansar e retornou à cabine da família às 3 e 35 da madrugada. Esse horário foi registrado pelo sistema de fechadura eletrônica do navio. Amy chegou na cabine da família uns cinco minutos depois, por volta das 3 e 40 da madrugada.
Algumas horas depois, naquela manhã, o barco ia fazer uma parada em Curaçao, uma ilha no Caribe que fica perto da Venezuela. A ilha é muito bonita e conhecida por seus extensos recifes de corais. Na época, em 1998, Curaçao era parte dos Países Baixos, mas, alguns anos depois, em 2010, ela se tornou um país autônomo.
CURAÇAO:
Fonte: https://jovempan.com.br/edicase/curacao-conheca-a-ilha-caribenha-de-sotaque-holandes.html
LOCALIZAÇÃO DE CURAÇAO NO CARIBE:
Fonte: https://www.vamospraonde.com/curacao/
De acordo com Brad, ele e a irmã conversaram um pouco na varanda da cabine (provavelmente sobre os planos para o próximo dia, na ilha) antes de ele ir dormir. Depois de Brad ir dormir, parece que Amy ficou acordada por mais alguns minutos e, logo em seguida, acabou pegando no sono.
Cerca de duas horas depois, entre 5h15 e 5h30 da manhã do dia 24 de março de 1998, Ron, o pai de Amy, acordou e levantou para verificar os filhos: ele viu Ron dormindo no quarto e também viu a Amy dormindo numa espreguiçadeira na varanda da cabine. Ele viu as pernas da filha, da cintura para baixo. Então, ele ficou tranquilo…
Segundo ele, nesse horário, a porta da varanda estava fechada. Então, Ron voltou a dormir para descansar mais um pouco. Mas, quando ele acordou de novo, às 6h da manhã, cerca de 30 a 45 minutos depois de ter checado os filhos, Amy tinha desaparecido…
Ron saiu da cabine pra tentar encontrar ela nos corredores e nas áreas comuns do cruzeiro. Os cigarros e o isqueiro dela tinham sumido e os sapatos continuavam na cabine, então quem sabe ela não tinha saído para fumar ou alguma coisa assim… Mas, quando Ron não conseguiu achar Amy, ele ficou preocupado. Afinal, não era normal Amy sair sem avisar para onde estava indo…
Às 6h30, mais ou menos, Ron acordou a família e avisou que Amy tinha sumido. Ele estava bem preocupado, porque seria muito difícil encontrar Amy naquele cruzeiro gigante (especialmente numa época em que não existia celular, ou seja, que não existia essa facilidade de hoje de entrar em contato com alguém e achar pessoas pela localização do celular…).
Para complicar ainda mais a situação, daqui a poucas horas, o cruzeiro iria atracar em Curaçao e os passageiros iriam se espalhar pela ilha…
A família Bradley, então, relatou o sumiço da jovem para alguns membros da tripulação do Rhapsody of the Seas (a gente não sabe com certeza quem eles procuraram exatamente, mas eles provavelmente foram falar com membros da equipe de segurança do navio, que poderiam ajudar de alguma forma).
Os Bradley pediram que um anúncio fosse feito para ajudar nas buscas. Quem sabe Amy não ouvia o anúncio e ia encontrar com eles?
Além disso, a família pediu para que a equipe impedisse os quase 2 mil passageiros de desembarcar em Curaçao até que Amy fosse encontrada. Pra evitar que eles se desencontraram, mas também já preocupado que Amy tivesse sido sequestrada.
Porém, a equipe informou que ainda era cedo para fazer um anúncio e que eles também não queriam causar pânico nos passageiros em relação a um desaparecimento.
No final das contas, o cruzeiro estava em águas internacionais (ou seja, os responsáveis pelo Rhapsody of the Seas não tinham que seguir nenhuma jurisdição, nem preservar uma possível cena de crime), então a equipe liberou todo mundo para desembarcar.
Milhares de pessoas descerem em Curaçao. Isso foi apontado como algo que atrapalhou as buscas pela jovem. Isso porque, se alguém tinha feito ou visto alguma coisa acontecer com Amy, essa pessoa agora poderia estar em qualquer lugar de Curaçao. A ilha é pequena, mas não é tão pequena assim: ela tem 444 quilômetros quadrados.
Segundo o podcast americano Crime Junkie (que eu adoro!), em certo momento dessa manhã, Brad se sentou em uma mesa perto da piscina do cruzeiro (imagino que bem preocupado). Foi quando Yellow, o baixista da banda que tinha dançado com Amy na noite anterior, se aproximou dele e falou que sentia muito pelo que tinha acontecido com a Amy.
Brad não percebeu na hora, mas como Yellow sabia que alguma coisa de errado tinha acontecido com a Amy? De acordo com o Crime Junkie, posteriormente, o Yellow explicaria que um tripulante do navio tinha acordado ele por volta das 6 da manhã para perguntar se Yellow tinha visto Amy, já que os dois tinham dançado juntos na noite anterior.
Mas como um membro da tripulação sabia tão cedo, às 6h da manhã, que Amy tinha desaparecido? Às 6 horas, nem o Brad sabia que algo de errado tinha acontecido com a irmã! O pai de Amy, Ron, só avisou à família que ele não estava conseguindo achar a filha por volta das 6h30…
Mas Brad não percebeu isso na hora, nem reparou que algo poderia estar muito errado…
Só às 7h50 da manhã, depois que a maioria dos passageiros já tinha desembarcado, que a tripulação fez um anúncio, pedindo pra Amy se dirigir à recepção. E só entre 12h15 e 13h que a equipe do cruzeiro fez uma busca por Amy.
Mas eles não encontraram ela… Naquele momento, os Bradley não sabiam disso que eu vou contar pra vocês agora (só souberam depois), mas o que algumas fontes, como o podcast americano Crime Junkie, indicam é que essa busca foi mal feita… A tripulação só checou as áreas comuns do navio, tipo as piscinas e o salão de festas, mesmo com o Rhapsody of the Seas sendo grande e Amy podendo estar em vários outros locais dele.
Segundo a Folha de São Paulo, em uma notícia de 2011, desde 1995, 165 pessoas desapareceram de cruzeiros. Amy é uma dessas pessoas… A família Bradley decidiu desembarcar e ficar em Curaçao por um tempo, para continuar procurando por Amy. Enquanto isso, os outros passageiros do cruzeiro embarcaram de volta no navio para seguirem viagem.
Na ilha, sozinhos e sem saber o que fazer, os Bradley procuraram ajuda na embaixada americana. A guarda costeira da ilha conduziu uma operação de busca por quatro dias. Foram usados barcos e helicópteros para procurar pela jovem no mar, no caminho que o cruzeiro tinha feito.
Inicialmente, as autoridades suspeitaram que Amy poderia ter caído no mar ou tirado a própria vida. Mas essas teorias foram logo descartadas, já que Amy era uma nadadora experiente, seu corpo não foi encontrado e também não existia evidências concretas de um acidente ou suicídio.
No final das contas, essa operação de busca não deu em nada. Ela foi encerrada no dia 27 de março de 1998.
Então, o FBI (o Federal Bureau of Investigation, que é o departamento de investigação dos EUA) foi acionado para ir atrás de respostas, levando em conta que, agora que as buscas por Amy no mar tinham acabado, talvez eles estivessem lidando com um crime, com algo mais sinistro…
De Curaçao, os Bradley seguiram, junto com o FBI, para a próxima cidade onde o Rhapsody of the Seas atracaria. Então, a família subiu de volta no navio para continuar as buscas. Mas, agora, eles não tinham muito mais tempo antes do cruzeiro acabar sua rota e as testemunhas oculares do caso (e também os possíveis suspeitos) irem embora para suas casas, se espalhando pelo mundo todo…
Assim como várias pessoas do navio, Yellow, o baixista da banda, foi chamado para prestar um depoimento com detector de mentiras. Ele contou que ficou com Amy até mais ou menos 1 hora da manhã, mas que depois disso voltou pro quarto dele para dormir. E ele deu depoimento mais de uma vez, mas foi liberado.
Além disso, durante as investigações, dois passageiros relataram que viram uma mulher com a descrição de Amy pegando um elevador com um homem por volta das 5h45 da manhã, no dia em que ela desapareceu. As testemunhas ainda afirmaram que viram o cara dar a Amy uma bebida escura, que elas pensaram ser Coca-Cola ou talvez café.
Mas, de novo, as pistas não deram em nada. No fim das contas, Amy não foi encontrada… O cruzeiro acabou e todos os passageiros voltaram para suas casas. A família Bradley também voltou para casa… mas infelizmente sem a Amy.
Gente, agora a gente vai parar um pouquinho a cronologia do caso pra contar essa história no navio sob outra perspectiva: a do Chris Fenwick, o cinegrafista que tinha filmado Amy dançando com Yellow na festa.
Esse Chris estava no navio a trabalho: ele estava produzindo um vídeo, que seria exibido na última noite do cruzeiro. Por conta disso, a rotina dele era fazer filmagens dos passageiros durante alguns períodos e depois ele ficava dentro na cabine dele durante várias horas, editando todo o material.
E, nessa época, as câmeras eram maiores do que as que a gente conhece hoje em dia. Não tinha celular pra filmar, por exemplo. E os equipamentos de edição e as fitas eram maiores também, tipo VHS… Não era DVD ou pen drive.
Como eu disse no começo desse episódio, na noite da festa, Chris estava filmando as pessoas na balada dançando e curtindo… E ele filmou Amy e Yellow juntos. Como a banda tocava até meia noite e pouquinho, essa filmagem devia estar acontecendo de madrugada já.
Gente, pega o celular ou o computador agora e olha o vídeo que que vou colocar na tela: é uma filmagem que o Chris considera bizarra e que mostra Amy e Alister Douglas, o Yellow, dançando. Pelas filmagens, eles parecem ter ficado juntos uma boa parte da noite:
[TRECHO – 0’06’’ a 0’34’’]
Depois que soube do sumiço de Amy, Chris tentou ajudar e entregou uma cópia dessa filmagem para Mike, um amigo dos Bradley, que, por sua vez, disse que entregou a fita pro FBI. Certa tarde, enquanto estava na sua cabine, trabalhando, Chris recebeu um telefonema:
O homem do outro lado da linha disse que se chamava Lou Costello e que, em teoria, seria o chefe da segurança do Rhapsody of the Seas. Esse Lou perguntou pro Chris se ele era "o cara com a fita de vídeo da garota desaparecida". Chris respondeu que sim. Aí, nesse momento, Lou afirmou que precisaria pegar essa fita…
Chris disse que não entregaria a fita original. Ele nunca entregava fitas originais pra ninguém. Não ia acontecer! Até porque ela estava em um formato específico que o Chris sabia com certeza que o Lou Costello não conseguiria acessar. Mas Chris foi solícito e disse que poderia fazer uma cópia.
Então, Lou disse que o FBI estava envolvido e que eles exigiriam as fitas originais. Chris respondeu que, se fosse o caso, o FBI teria que entrar em contato direto com ele.
Depois que Chris desligou, ele nunca mais ouviu falar desse tal de Lou Costello. O FBI nunca entrou em contato com ele e a família nunca viu essas filmagens até anos depois do desaparecimento.
Em 2001, Chris escreveu em seu blog (o chrisfenwick.com) que, depois dessa interação com Lou, ele se fez um monte de perguntas, como:
- Como Lou sabia sobre as fitas?
- Por que Lou queria a fita original?
- Por que Lou estava atrás da fita, mesmo não tendo nenhuma ligação com o FBI?
- Por que o FBI estaria conversando com o chefe de segurança sobre detalhes do caso, sendo que o FBI é muito rígido com essa coisa de compartilhar informações sensíveis?
- Por que essa filmagem nunca foi vista pela família até anos mais tarde? Ela podia conter alguma pista importante…
Chris achou isso tudo muito suspeito… Agora, voltando pra cronologia do caso:
Em agosto de 1998, cinco meses depois do sumiço de Amy, um canadense que estava viajando pelo Caribe afirmou ter visto a jovem caminhando com dois homens em uma praia de Curaçao. Ele relatou que ela parecia tentar chamar a atenção dele até que sumiu depois em um café. Segundo ele, a jovem tinha tatuagens idênticas às de Amy e ele garantiu, com certeza, que era ela.
Parece que Amy tinha umas tatuagens bem distinguíveis, tipo um Diabo da Tasmânia bebê girando uma bola de basquete, que só de bater o olho nelas dava pra reconhecer que eram as tatuagens de Amy. Mas essa informação do canadense só chegou aos ouvidos da família Bradley em maio de 1999, nove meses depois do suposto avistamento. No final das contas, essa pista não deu em nada…
Em agosto de 1999, os pais de Amy receberam um e-mail de um homem que se apresentava como Frank Jones, alegando ser um ex-soldado da Marinha dos Estados Unidos. Jones disse que ele e sua equipe de militares experientes poderiam resgatar a jovem. De acordo com ele, a equipe tinha avistado ela sendo mantida presa por homens armados num complexo cercado por arame farpado.
Além disso, ele forneceu uma descrição detalhada das tatuagens de Amy e até citou uma canção que a mãe de Amy costumava cantar para a filha.
Nos meses seguintes, Frank continuou dando relatos sobre avistamentos de Amy e, em certo momento, garantiu que tentaria resgatar ela. Mas, pra custear a operação, ele pediu dinheiro à família. Desesperados, os Bradley enviaram cerca de 20 mil dólares para ele.
Depois de um tempo, Frank entrou em contato de novo com a família, dizendo que os raptores estavam agora pedindo um resgate pela jovem. E que Frank poderia ir lá com a equipe dele para tentar recuperar Amy. Mas, para isso, ele precisaria de mais dinheiro (pro resgate). Os Bradley, claro, arranjaram o dinheiro… coisa de mais 100 mil dólares.
Como prova de que eles tinham avistado Amy, Frank enviou fotos para a família: uma jovem em uma praia. Não dava para ver o rosto dela nas fotos, porque ela estava usando um chapéu. Mas ela tinha as mesmas tatuagens de Amy… E isso era suficiente para os Bradley, que estavam desesperados para resgatar a filha.
Então, a operação foi montada: Frank ia colocar o resgate em ação nas ilhas do Caribe. Enquanto ele estava fazendo isso, os Bradley viajariam até Miami e esperariam uma ligação de Frank, que, quando ligasse, ia dar um sinal para eles receberem Amy e levarem ela correndo para casa, em outro Estado dos EUA (Amy teria que sair logo de Miami para ninguém vir atrás dela, de acordo com Frank; então a família estava lá para levar ela correndo para casa).
A família vai para Miami e espera a ligação de Frank, no hotel onde eles tinham se hospedado. Mas a ligação nunca vem… Uma semana inteira se passa até eles, finalmente, receberem um sinal de vida de Frank. O cara ligou pra eles e falou que, infelizmente, a operação deu errado: um tiroteio tinha acontecido durante o resgate e os homens dele tinham sido feridos.
O mundo dos Bradley caiu…
Mas o pior ainda estava por vir: quando os Bradley estão se arrumando para ir embora de Miami, sem Amy. Eles receberam outra ligação: um cara que eles não conheciam falou, do outro lado da linha, que ele trabalha com o Frank Jones e avisou que Frank era um golpista! Jones tinha inventado toda a história para enganar a família…
Novamente, a família estava na estaca zero. Em 2002, Frank foi condenado a cinco anos de prisão por fraude. Em maio de 2002, outra história de avistamento chegou aos ouvidos da família: um oficial da Marinha dos EUA alegou que, em janeiro de 1999, tinha encontrado uma mulher em um bordel em Curaçao que dizia ser Amy Bradley.
De acordo com esse marinheiro, a mulher pediu ajuda e disse que estava sendo mantida ali contra a vontade. Mas esse cara só relatou o caso anos depois, em 2002, ao ver a foto de Amy em uma revista nos EUA que tratava sobre o desaparecimento dela.
Ele disse que demorou a falar alguma coisa por medo de prejudicar sua carreira, já que ele estava em um bordel quando supostamente encontrou a jovem.
Em 2005, surgiu mais uma pista: um anúncio online de trabalhadoras sexuais no Caribe. Nesse anúncio, tinha a foto de uma mulher chamada Jaz, que se parece muito com Amy. Os olhos, as sobrancelhas, o queixo, o nariz, as maçãs do rosto… Tudo é muito parecido. Confere aí na tela a foto da Jaz:
JAZ:
Fonte: https://crimejunkiepodcast.com/missing-amy-lynn-bradley/
Mas, de novo, essa pista também não deu em nada… Nenhum desses avistamentos levou a uma pista concreta sobre um paradeiro de Amy.
Atualmente, em 2025, o FBI oferece uma recompensa de até 25 mil dólares por qualquer informação que possa levar a um resgate de Amy Bradley ou à prisão e condenação dos responsáveis pelo desaparecimento.
Até hoje, depois de 27 anos, Amy não voltou para casa e a gente não sabe o que realmente aconteceu com ela…
Apesar disso, por tudo que a gente vê estudando o caso, a gente tem uma imagem muito clara do que deve ter acontecido: a teoria mais bem aceita é que Amy, muito provavelmente, foi visada os primeiros dias do cruzeiro e que, depois disso, foi sequestrada pra ser explorada em um esquema de tráfico sexual.
Além disso, também é possível que membros da equipe do cruzeiro estivessem envolvidos. Pelo que a gente vê, é possível que Yellow tenha se aproximado de Amy e depois drogado ela (já que passageiros tinham visto eles na manhã do desaparecimento e que, segundo eles, Yellow deu uma bebida escura pra Amy).
E pra piorar: alguns tripulantes podem ter tentado abafar o caso, como Lou (que supostamente tentou pegar as imagens originais de Amy e Yellow dançando).
Além disso, o fotógrafo profissional do cruzeiro tinha impresso todas as fotos tiradas ao longo da viagem para vender em uma barraca. Mas, quando os Bradley procuraram pelas fotos de Amy, eles não encontraram quase nenhuma. Isso fez com que eles começassem a suspeitar que alguém tinha sumido com as fotos dela, por algum motivo…
Enfim, não dá pra afirmar que a tripulação estava envolvida. Mas, se Amy foi sequestrada (e é o que parece que aconteceu) e a tripulação estava envolvida de alguma forma, talvez Amy não tenha sido a primeira vítima, nem a última…
Mas existem outras teorias: uma delas sugere que Amy pode ter caído no mar e se afogado. Ela é apoiada por um osso maxilar humano que foi encontrado em uma praia de Aruba, em 2010. Esse osso poderia ser de Amy, mas, infelizmente, nenhum teste de DNA foi feito e o material também poderia estar relacionado a diversos outros casos de pessoas desaparecidas na região.
Em relação ao Alister Douglas, o Yellow, existem várias informações sobre ele no amybradleyismissing.com, que é um fórum na Internet sobre o caso. Lá, várias pessoas que estudam sobre o caso da Amy adicionam informações, no intuito de tentar entender melhor o que aconteceu. Essas fontes dizem que:
Supostamente, Alister Douglas começou sua jornada musical aos 8 anos de idade. Ele tocava violão e se apresentava na igreja, em Grenada, que é uma ilha do Caribe. Aos catorze anos, ele entrou para uma banda gospel, tocando baixo, e, alguns anos depois, se juntou à banda da polícia de Grenada, onde ele tocava tuba e bateria.
Quando completou 21 anos, ele decidiu deixar essa banda da polícia e embarcou numa nova aventura, agora trabalhando pra Royal Caribbean com a banda Blue Orchid, que é a banda que estava tocando no cruzeiro no dia que a Amy desapareceu. Yellow foi baixista dessa banda por cerca de seis anos.
Depois disso, ele ainda trabalhou como músico na Europa. Em 2023, Yellow foi ordenado pela Igreja do Nazareno de Grenada como reverendo, agora assumindo o nome de Christopher Douglas.
Em 2024, em uma entrevista que foi divulgada no canal do YouTube True Crime This Week, Yellow comentou algumas coisas: ele afirmou que, na noite da festa, a banda Blue Orchid tocou até por volta da meia noite e que, depois disso, Amy chegou pra falar com ele, para elogiar o show. Eles começaram a conversar e, segundo Yellow, Amy contou pra ele que ela era homossexual e que tinha sido obrigada pelos pais a vir no cruzeiro.
Yellow ainda manteve a versão de que ele foi embora da festa por volta da 1 hora da manhã. De acordo com ele, essa foi a última vez que ele viu Amy. E que o registro eletrônico das portas do navio poderia provar que ele tinha voltado para a cabine dele à 1 hora, como ele sempre disse que aconteceu.
Ele ainda diz sobre o quanto essa história toda prejudicou a vida dele profissionalmente. Alister conta que perdeu várias oportunidades na vida por conta do nome dele sendo misturado com esse caso que, segundo Alister, ele não tem nada a ver.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=WuJEiuLPWFs
Roteiro: Lucas Andries
FONTES:
- https://crimejunkiepodcast.com/missing-amy-lynn-bradley/
- https://en.wikipedia.org/wiki/Disappearance_of_Amy_Lynn_Bradley
- https://people.com/amy-lynn-bradley-cruise-ship-disappearance-8667257
- https://en.wikipedia.org/wiki/Petersburg,_Virginia
- https://en.wikipedia.org/wiki/Longwood_University
- https://www.mirror.co.uk/news/world-news/chilling-mystery-woman-who-disappeared-30841470
- https://jovempan.com.br/edicase/curacao-conheca-a-ilha-caribenha-de-sotaque-holandes.html
- https://www.vamospraonde.com/curacao/
- https://melhordecuracao.com.br/historia-de-curacao/#:~:text=dos%20Pa%C3%ADses%20Baixos%3F-,Cura%C3%A7ao%20se%20tornou%20um%20pa%C3%ADs%20aut%C3%B4nomo%20dentro%20do%20Reino%20dos,seu%20pr%C3%B3prio%20governo%20e%20parlamento
- https://blog.delsey.com.br/curacao-um-dos-lugares-mais-lindo-do-caribe/#:~:text=Curiosidades%20de%20Cura%C3%A7ao&text=A%20ilha%20tem%20o%20total,capital%20de%20Santa%20Catarina%2C%20Florian%C3%B3polis
- https://f5.folha.uol.com.br/estranho/979170-mais-de-150-pessoas-ja-desapareceram-misteriosamente-de-navios.shtml
- http://chrisfenwick.com/home/2010/3/1/amy-bradley-is-missing.html
- http://chrisfenwick.com/home/2011/3/24/amy-bradley-video.html
- https://www.youtube.com/watch?v=DqzW5QNmxk4
- https://unsolved.com/gallery/amy-bradley/
- https://www.instagram.com/cluelesscrimepodcast/p/DDZKpOpPDXG/?img_index=2
- https://www.fbi.gov/wanted/kidnap/amy-lynn-bradley
- https://amybradleyismissing.com/index.php/topic,7.0.html
- https://medium.com/@byhannahoneill/amy-bradley-the-woman-who-vanished-into-nowhere-7d95d45bd13c
- https://www.youtube.com/watch?v=WuJEiuLPWFs
- https://amybradleyismissing.com/index.php/topic,27.0.html













