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O caso de hoje aconteceu em dois mil e treze, mas voltou a bombar recentemente, depois que um serviço de streaming lançou uma minissérie em três capítulos sobre ele. O título é AS ÚLTIMAS HORAS DE MARIO BIONDO e faz juz ao titulo, sendo realmente sobre as últimas horas do rapaz que faleceu no dia trinta de maio de dois mil e treze, aparentemente por suicídio.

Mario Biondo era italiano, nascido em Palermo, na região da Sicília, e tinha entre vinte e sete ou vinte e oito anos quando conheceu a espanhola Raquel Sanchez Silva. Desde o início o relacionamento ganhou a mídia. Raquel é jornalista e ficou muito famosa na Espanha por apresentar programas de TV, esportivos e reality shows.

Foi, inclusive, nos bastidores de um deles, Survivor, que os dois se conheceram. Raquel foi convidada para apresentar o programa do qual Mario fez parte na equipe de cinegrafistas. Eles se apaixonaram e logo desenvolveram um relacionamento sério, tão sério que, em menos de um ano, se casaram e Mario foi morar na Espanha com a esposa.

Ainda que parecesse tudo muito precipitado, as duas famílias faziam votos de felicidades, já que o casal parecia mesmo estar nas nuvens. A todos que viam de fora, eles pareciam muito felizes, muito conectados e extremamente apaixonados um pelo outro, com intenção de formar rapidamente uma família. Até porque ter filhos era um desejo dos dois, mas Raquel não podia esperar tanto, já que era nove anos mais velha que Mario e a gente sabe que o relógio biológico das mulheres corre em contagem regressiva quando o assunto é fertilidade.

Na Itália, a família do cinegrafista, formada por seus pais Pipo e Santina, e seus irmãos, Andrea e Emanuela, formavam uma família de classe média normal, sem posses, e ficaram um pouco chocados ao ver que o casamento de Mario ganhou as capas de revistas de fofoca espanholas e que o relacionamento era acompanhado de perto pela mídia. Mas, como o que acontece em quatro paredes nem sempre é noticiado na imprensa, essa questão da fertilidade era um ponto delicado para o casal. 

Amigos próximos e o agente de Raquel dizem que esse era um assunto que podia gerar muita discussão, porque Raquel queria engravidar logo, mas Mario tinha problemas de fertilidade, possivelmente causados por um vício em cocaína.

Em uma dessas brigas, ao que parece, Raquel foi passar uns dias na casa da mãe, na cidade espanhola de Placencia, e esse é o ponto de partida para a série documental e todas as reportagens sobre o caso, pois é a partir daí que as últimas horas de vida de Mario começam a ser contadas.

últimas horas 

De acordo com a polícia, os registros telefônicos e depoimentos dados na época, a linha do tempo fica mais ou menos assim: em vinte e nove de maio de dois mil e treze, Raquel e Mario têm um conflito sobre qualquer causa, que não se sabe qual é, e ela decide visitar a mãe no interior. Ao deixá-lo em casa, Mario ainda manda mensagens para a esposa, que não são respondidas, e tenta fazer uma ligação, sem sucesso.

Ele então sai de casa à noite, em Madrid, vai até um caixa eletrônico, onde é registrado por câmeras de segurança, saca cento e dez euros, de acordo com o extrato bancário e volta para casa. Faz pesquisas na internet que levam a crer que buscava respostas para a relação entre infertilidade masculina e o consumo de drogas.

A partir daí, já na madrugada e início da manhã do dia trinta de maio, já não temos mais nenhum registro telefônico ou de internet de Mario Biondo. 

Como era um dia normal, ele deveria ter ido ao trabalho, já que estava na equipe de cinegrafistas do programa MasterChef Espanha, mas não apareceu. Colegas de trabalho ligaram para Raquel, perguntando se ela sabia de algo, já que ela também era do setor do entretenimento e esse círculo social era comum aos dois.

Ela tentou contato, mas também não conseguiu, e pediu a uma empregada que fosse até à casa para ver se tinha acontecido alguma coisa com Mario enquanto ela estava fora. Aqui vai uma especulação bem particular minha: pode ser que ela pediu que a empregada fosse porque sabia que ele tinha problemas com drogas e poderia ter apenas passado mal, estar de ressaca, ter perdido a hora para ir trabalhar, enfim.

Quem lida com adictos sabe que esse é o tipo de coisa que se espera quando alguém pede notícias. Não é necessariamente a maior tragédia, como uma overdose fatal, mas é sempre bom pedir para alguém que esteja próximo ir ver o que está acontecendo, até mesmo para evitar o pior, caso ele já esteja em curso.

Mas o que a empregada viu dentro da residência de Raquel e Mario era um ponto sem retorno. O jovem, então com trinta anos, estava pendurado por uma echarpe na estante da sala, já morto, com sinais de suicídio. Ela chama a polícia e liga para Raquel, que imediatamente retorna a Madrid.

Antes dela, chega à casa do casal seu agente, na época, que atesta a morte de Mario junto aos peritos e é o responsável por segurar as pontas a partir de então, já que a imprensa fica toda em cima do caso. Um conto de fadas entre o cinegrafista e a apresentadora rica e famosa termina em tragédia, e todos os jornais querem um pedacinho dessa história para vender exemplares.

Fora da vista dos papparazi, Raquel liga para a casa de Mario, em Palermo, e é atendido pelo irmão dele, Andrea. Logo pede para falar com seus pais, mas Andrea avisa que eles não estão em casa, saíram em viagem com Emanuela. Raquel liga, então, para o celular da cunhada, e finalmente consegue falar com a sogra, dizendo, abre aspas,

"Ele morreu! Ele morreu!"

Santina, sem entender, pergunta quem morreu e Raquel completa, aspas, O Mario! Ele tirou a própria vida, fecha aspas. Para se ter uma ideia, a distância entre Palermo, no sul da Itália, e Madrid, no coração da Espanha, é de quase três mil quilômetros. De carro, daria uma viagem de trinta horas, e nenhum membro da família de Mario estaria em condições de percorrer essa distância, nesse tempo, sem surtar.

Mario era muito querido, muito protegido pela família, que não sabia do seu envolvimento com substâncias químicas ilícitas e que não fazia a menor ideia de que o jovem poderia tirar a própria vida. Até porque, segundo eles, nas últimas interações que tiveram, Mario estava feliz, animado pela visita que faria ou receberia da irmã, e pela compra de uma nova lente, material de trabalho que o deixou bem empolgado.

Ele também estava na expectativa da viagem que faria com Raquel para a ilha de Formentera, perto de Ibiza, em comemoração às bodas de papel, ou seja, de um ano de casamento. Para eles, uma pessoa com vontade de se matar não estaria fazendo planos tão específicos. 

Para Raquel isso também não parecia algo normal. Embora tivessem discutido antes da sua viagem, os planos do casal estavam todos em dia, inclusive o de aumentar a família, e ela pareceu tão chocada quanto os demais ao saber da notícia.

Deu-se aí o que pode ter sido o estopim para que esse caso se arrastasse tragicamente ao longo dos anos: por não ser um comportamento típico de Mario, e por não haver carta de despedida, as autoridades disseram que poderia se tratar de um caso de suicídio ACIDENTAL.

Hipóteses 

Segundo os legistas e peritos, não havia sinais de violência ou de uma segunda pessoa na cena do crime. Por Mario nunca ter atentado com a própria vida anteriormente, e pelo fato de ter feito isso com uma echarpe em uma estante, quando ainda tinha contato dos pés com o chão, muitas autoridades disseram que poderia ter sido um acidente.

Assim, Mario não queria se matar, de fato, mas acabou fazendo isso em algum jogo erótico, por exemplo, onde há excitação a partir da asfixia, e  não conseguiu voltar a si depois dessa manipulação sexual.

Essa hipótese é fundamentada tanto pelo que dizem os amigos próximos, de que ele não tinha e nunca teve intenção suicida, quanto pela perícia de seu corpo, que não atestou sinais de asfixia mecânica ou esganadura. Ou seja, ninguém feriu Mario e o colocou ali para simular um suicídio, de acordo com a perícia espanhola feita na cena do crime.

Mas os Biondo não seguiram essa linha de raciocínio. Para eles, Mario não só não se acidentou em qualquer jogo erótico como também não morreu por suicídio. É óbvio que eles voaram para Madrid com muito pesar, sem entender o que tinha acontecido e encontraram Raquel absolutamente devastada pela perda, mas o tempo passou e eles tiveram uma impressão diferente da viúva. Chegaremos lá.

Antes, vale dizer que Raquel queria cremar o corpo de Mario, de acordo com um desejo expresso pelo próprio, mas a família pediu que ele fosse enterrado em Palermo. Raquel, que era casada no papel com Mario e poderia tomar a decisão que quisesse sem ser confrontada, permitiu que o desejo da família fosse cumprido.

Ela foi a Palermo e participou do funeral, mas algumas de suas atitudes chamaram a atenção dos Biondo. Primeiro, ela se recusou a ficar na casa deles, dizendo que não conseguiria ficar no quarto onde já tinha dormido tantas vezes com Mario sem que isso trouxesse lembranças sofridas.

Segundo, quando estavam indo ao cemitério para o enterro, Andrea, irmão de Mario, que dirigia o carro em que Raquel estava, deu a entender que Mario não tinha se matado, mas que o haviam matado, e Raquel ficou furiosa. Disse que isso não tinha cabimento, que eles estavam procurando coisa onde não tinha.

Por fim, vinte e três dias depois da morte de Mario, Raquel viajou com sua mãe para Formentera. Sim, a viagem que ela ia fazer com Mario para comemorar as bodas de papel. Raquel postou em suas redes sociais que estava triste, ainda devastada pela perda, mas que o marido teria gostado que ela fizesse a viagem, que tivesse sido feliz nesse momento.

Seus amigos próximos se juntaram a ela na ilha e o que quer que Mario pudesse achar da atitude da esposa não estava mais em questão. Afinal, a família italiana já estava horrorizada em ver Raquel sorrindo e se divertindo em férias menos de um mês depois da morte do amor de sua vida.

Repercussão das férias

Foi de bom tom? Não foi de bom tom. A própria Raquel chegou a tuitar, depois, que se arrependia das fotos, que não queria magoar ninguém e apenas agradecer aos amigos pela força que eles estavam dando nesse momento de dor, mas entendia a mágoa dos Biondo. Afinal, todos eles estavam em processo de luto e não foi legal colocar uma foto sorrindo, mesmo que pelos motivos mais nobres.

Mas, aí, o estrago estava feito. A família italiana sentiu profundamente essas atitudes e, em dúvida sobre a vontade de Mario em tirar a própria vida, por qualquer motivo que fosse, começou a se perguntar: e se ele realmente tiver sido assassinado… E POR ELA?

Sim: mais rápido do que o próprio relacionamento do filho, Pippo e Santina tiveram certeza de que Raquel estava envolvida na morte de Mario. Se não tivesse sido ela a tirar a vida do jovem, teria mandado alguém fazer isso, e saiu da cidade justamente para ter um álibi forte. 

Certos de que Raquel era culpada e escondia alguma coisa, os Biondo começaram mais um capítulo trágico nessa história triste de perda. Entre o luto e a desconfiança, resolveram fazer o que as famílias só fazem em último caso, porque é um processo dolorido para todo mundo, e pediram, na justiça, a exumação do corpo de Mario.

Alegações

A alegação dos Biondo era até bem simples: a justiça espanhola encerrou o caso rápido demais - e talvez porque envolvesse uma das apresentadoras de televisão mais populares do país. Para os italianos, ela tinha meios, motivos e muitas conexões importantes para livrá-la de uma condenação.

Portanto, foram até a corte italiana pedir a reabertura do caso, que envolvia não apenas a exumação do corpo para uma nova autópsia como, também, a coleta de um novo depoimento por parte de Raquel, dessa vez para a justiça italiana. 

Enquanto essa burocracia se desenrolava, Santina D'Alessandro, a mãe de Mario Biondo, estava em todos os canais de televisão possíveis como a mãe que perdeu seu filho e ainda esperava por justiça. Ela ganhou a simpatia e empatia de todos que se relacionavam com a história dela. Afinal, nem sempre conseguimos ver os sinais antes de um suicídio, e se há alguma dúvida, por menor que seja, de que NÃO tenha sido um suicídio, é preciso investigar. Buscar respostas.

Era apenas isso que Santina e Pippo estavam fazendo, no direito que tinham de fazê-lo. Porém, a mídia, que muitas vezes ajuda enormemente nos casos sem solução, dessa vez só serviu para atrapalhar. Eles fomentar a especulação de que tinha algo a mais na morte de Mario, que Raquel estava envolvida, mesmo sem provas, e os dois países, Itália e Espanha, começaram uma nova cobertura.

Na Espanha, o principal canal de notícias foi bem mais comedido, mas, na Itália, o circo estava armado. Desde os talk shows da tarde, tipo Casos de Família, até os noticiários importantes, tipo Jornal Nacional, falavam dessa nova fase das investigações da morte de Mario Biondo. O país inteiro buscava por justiça e respostas, embora não houvesse uma pergunta definida.

Quer dizer, todo mundo parecia apontar para Raquel, mas porque ela foi à praia depois da morte do marido. Tudo bem, isso pode ser um sinal de alerta em muitos casos, mas não parecia ser nesse, já que a justiça espanhola, a perícia e a polícia estavam prontos para encerrar o caso como suicídio. Mas a mídia gostou da narrativa do conto de fadas terminado pela megera rica e famosa, embora não houvesse sequer uma motivação aparente para que Raquel pudesse querer matar Mario.

O que também não foi um problema, pois logo surgiram novas especulações sobre Raquel ter um passado como atriz de filmes adultos e Mario só ter descoberto isso naquela noite, ou nas vésperas de morrer. Eu vou ser honesta: na minha pesquisa, não achei NADA que pudesse comprovar que isso é verdade. Mas a mídia, principalmente italiana, comprou essa versão fantasiosa e seguiu fazendo uma série de especulações sobre as razões que Raquel tinha para matar Mario.

Horas antes de sua morte, o cartão de crédito de Mario apontou uma movimentação em uma espécie de bordel de Madrid, onde cinco bebidas foram pagas. Os pais dele diziam, a essa altura, que ele nunca tinha estado nesse local, mas que alguém foi lá com seu cartão, pagou as bebidas, para fazer parecer que Mario tinha feito tudo isso por conta própria. Os funcionários do bordel deram depoimentos dizendo que era ele mesmo, mas que ele não se envolveu com nenhuma das trabalhadoras do local, apenas bebeu e pagou bebidas a elas e foi embora. 

Isso também é importante porque, na versão em que Raquel teria mandado matá-lo, enviar alguém ao bordel fingindo ser ele daria tons ainda mais verossímeis a um possível suicídio. Ele foi ao bordel, se excitou, tentou um jogo sexual arriscado em casa e não deu certo. 

Enquanto a imagem dela era cada vez mais difamada pela imprensa, um perito italiano de renome estava encarregado de realizar a nova autópsia, dessa vez à sombra de um possível homicídio. A família Biondo estava tão certa da própria teoria que, pelas redes sociais, afrontava Raquel dizendo que o corpo de Mario ia falar, ia contar a verdade.

O dia finalmente chegou, em que o relatório do legista italiano foi liberado, e a resposta chocou boa parte da população italiana: as marcas do corpo, as feridas, as lesões fatais, tudo era compatível com SUICÍDIO.

Isso mesmo: suicídio. Pela segunda vez, um especialista renomado tinha dito que Mario teria tirado a própria vida.

Essa conclusão não foi o suficiente para que os Biondo pudessem acreditar nisso e seguir seu processo de luto. Ao contrário: Santina e Pippo continuaram indo à televisão, dessa vez para dizer que o tal perito estava mancomunado com as autoridades espanholas, e que os dois países tinham feito uma espécie de pacto de silêncio.

Afinal, Raquel era muito famosa e poderosa. Mas nem toda fama ou popularidade pode servir para que dois países façam um acordo para encobrir um crime, certo? 

E, para a família de Mario, não tinha outra explicação. Não importa o quanto os legistas dissessem, eles não acreditariam em suicídio. Santina, em desespero para provar que o filho tinha sido assassinado, fez aquilo que deixaria qualquer mãe de cabelo em pé só de pensar: vazou fotos de seu filho morto, do jeito em que foi encontrado no apartamento de Madrid.

As fotos de Mario Biondo

Se a dor daquela família já causava choque em toda a Europa, esse momento foi ainda pior. Santina começou a ser julgada por todos os lados como uma pessoa que desrespeita o próprio filho. Italianos, espanhóis, ninguém entendeu o que ela queria com aquilo, com a imagem chocante de Mario morto, pendurado por uma echarpe na estante de sua sala.

Ela se defendeu, tanto nas redes sociais quanto na mídia, dizendo que queria provar para o mundo, pela foto, que Mario não se matou, porque a posição da echarpe, o tipo de echarpe e o modo como seus pés tocavam o chão não seriam compatíveis com um suicídio. Ela chegou ao cúmulo de se filmar tentando replicar o enforcamento, mas não deu certo, ainda bem, e ela utilizou essa filmagem para argumentar a impossibilidade de que seu filho tenha feito a mesma coisa.

Aqui vale lembrar um detalhe importante: quando os legistas disseram que pode ter sido um suicídio acidental por asfixia erótica, muitos pensaram que o corpo estaria despido. Contudo, na foto divulgada por Santina, Mario Biondo está completamente vestido, com uma calça comprida xadrez e camiseta vermelha. 

Nas fotos da perícia, uma echarpe está amarrada na estante, com um nó bem perto da cabeça de Mario, e seu corpo está pendendo com os pés tocando o chão. Geralmente, em filmes e tudo o mais, o que a gente vê nos enforcamentos é que a pessoa está em uma cadeira ou algum tipo de suporte e, ao sair de lá, tem o pescoço quebrado pela corda, e fica pendurada no ar, sem tocar no chão.

Mas, para além disso, Santina também queria mostrar ao mundo que Mario tinha dois ferimentos na cabeça, além do ferimento fatal no pescoço. Essas coisas, juntas, davam a ela muita certeza de que não tinha sido suicídio. Então, ela procurou um perito particular, dessa vez espanhol, que, por meio de análise das fotos e dos documentos da perícia espanhola, no dia trinta de maio de dois mil e treze, disse que os ferimentos poderiam ser compatíveis tanto ao suicídio quanto ao homicídio.

E, no fim das contas, a justiça italiana encerrou o caso dessa forma confusa, dizendo que não tinha como apontar provas ou evidências de um homicídio, mas que pode não ter sido um suicídio. Ou seja, deixou uma enorme dúvida não só na família Biondo como, também, em toda a Itália.

Alguns especialistas ouvidos na série documental que está disponível atualmente em streaming disseram que essa decisão judicial foi irresponsável, porque não havia dúvida razoável de homicídio. Não tinha evidência de que tinha ocorrido algo além de uma fatalidade feita pelas mãos da vítima principal.

Equipe Emme

Mas, se você acha que para por aí, espera que tem mais: uma tal Equipe Emme, liderada por um italiano radicado nos Estados Unidos, conhecida por dar golpes com objetivo midiático, entrou em contato com Santina para dizer que, analisando os dados da internet daquela noite, seria possível não apenas provar que tinha outra pessoa na casa, com Mario, como também era possível dar à justiça o nome dessa pessoa.

A mídia, claro, mais uma vez, foi atrás desse furo de reportagem e chegou a perguntar ao vivo para um dos membros da Equipe Emme quando todos teriam o nome da outra pessoa ou dos outros envolvidos, mas a figura se esquivou, dizendo que estava tudo no relatório enviado à justiça.

Só que não tinha relatório, não tem o nome dessa segunda pessoa e ninguém sabe, até então, se havia alguém com Mario ou se ele estava só. 

Uma coisa que foi listada como evidência lá no início do caso, quando Mario foi descoberto morto em casa, foi o histórico de busca de Mario, na internet, antes de sua morte. Ele de fato procurou algo sobre Raquel e o mercado pornográfico, mas também fez pesquisas sobre a relação entre o consumo de cocaína e a infertilidade. 

Mario já tinha feito um espermograma e visto que, realmente, sua contagem de espermatozoides estava baixa. E, se você buscar aí agora sobre cocaína e infertilidade, vai encontrar rapidamente uma explicação que é mais ou menos a seguinte: a cocaína é uma substância que se liga diretamente a receptores celulares presentes nos testículos, fazendo com que os espermatozoides se desenvolvam de forma errada e que os gametas morram antes mesmo de estarem completamente formados.

No exame toxicológico do corpo foram encontrados resquícios de cocaína no sangue e urina de Mario, mostrando que ele utilizou a substância pouco antes de morrer.

Para a família Biondo, e uma parte da imprensa, a cocaína pode ter sido plantada, ou Mario foi obrigado a consumi-la antes de sua morte, para fazer parecer o que, possivelmente, é: triste pelas discussões e uma potencial infertilidade, sob efeito de álcool e drogas, ele acabou tirando a própria vida, com medo de que não pudesse dar à esposa o que ela tanto queria, que eram filhos.

E, por falar nisso…

Raquel hoje

… Raquel se isolou da mídia e preferiu não dar entrevistas quando a família de seu marido a acusava de tê-lo matado. Ela falou publicamente poucas vezes desde então, sendo que uma delas foi um pedido de desculpas por ter postado as fotos na praia de Formentera. 

Seu silêncio, contudo, era visto pelos Biondo como prova de culpa. Se ela não temesse, era só falar o que tinha acontecido, eles diziam, e se ela não tivesse nada a ver com isso, tudo ficaria bem. Motivada por um dos programas italianos que compraram a versão do assassinato, Santina chegou a ir à casa da mãe de Raquel, em Placencia, sendo filmada pela equipe do programa ao tentar alguma declaração surpresa.

Todas essas tentativas de que Raquel falasse algo sobre o assunto, assumisse qualquer culpa ou fosse pega no flagra em alguma mentira foram frustradas, porque Raquel nunca foi colocada na cena do crime por nenhuma linha de investigação e as duas autópsias feitas mostraram que Mario tinha tirado a própria vida. 

O único perito que diverge dessa opinião não analisou o corpo, apenas as fotos da cena do crime, que estão infelizmente disponíveis na internet e das quais qualquer detetive amador de plantão pode tecer conclusões.

Tentando reconstruir sua vida, Raquel Sanchez encontrou um novo companheiro, o argentino Matias Dumont, com quem teve dois filhos gêmeos. Ela tem cinquenta anos e, atualmente, apresenta um dos reality shows de maior fama na Espanha, chamado Falso Amor, através do mesmo serviço de streaming que liberou, recentemente, a série documental As últimas horas de Mario Biondo. 

Se você conhece alguém que passa por pensamentos desesperados e com tendências suicidas, ou se você é essa pessoa, ligue para o centro de valorização da vida, no telefone um, oito, oito. Não se deixe vencer pela ideia de uma saída na morte, pois o mundo vai ficar bem incompleto sem você. 

Fontes

https://www.instagram.com/raquelsanchezsilva/

https://www.elespanol.com/corazon/famosos/20230803/intrahistoria-polemico-viaje-raquel-sanchez-silva-formentera-dias-despues-muerte-mario-biondo/783671883_0.html

Série da Netflix - As últimas horas de Mario Biondo

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