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Em uma tranquila véspera de Natal, em 2002, uma jovem de 27 anos, grávida de oito meses, desapareceu sem deixar vestígios, deixando uma pequena comunidade nos EUA em uma busca desesperada por respostas. 

O que aconteceu com Laci Peterson?

O mistério que cercou o seu desaparecimento abalou o país e, até hoje, existem muitas perguntas sobre o caso. O que de fato aconteceu na noite do desaparecimento?

Laci nasceu em maio de 1975. E, desde criança, ela sempre foi uma garota muito feliz e extrovertida. As pessoas contam que ele sempre estava com um sorriso no rosto!

Os amigos dela, por exemplo, falam que essa felicidade dela até melhorava a atmosfera do lugar que ela entrava: ela deixava tudo mais leve, mais iluminado, mais feliz…  Ela era uma pessoa bem pra cima! Por conta dessa característica, as pessoas gostavam de ficar perto da Laci. Então, ela vivia rodeada de amigos. 

Quando Laci tinha ali seus 20 e poucos anos e ela estava fazendo faculdade (ela estudou na California Polytechnic State University, localizada em San Luis Obispo, na Califórnia), ela conheceu o Scott Peterson - um jovem bonito, também de 20 e poucos anos na época.

O Scott trabalhava em um restaurante em San Luis Obispo. E, certo dia, Laci foi comer nesse restaurante. E aí ela reparou no Scott ali, trabalhando. Ela achou ele bem bonito e ficou interessada. 

Depois desse dia, Laci foi várias vezes no restaurante pra ver se o Scott notava ela. Até que um dia, ela escreveu o número de telefone dela em um guardanapo e entregou pro Scott. 

E foi assim que os dois se conheceram… 

Eles começaram a sair e a namorar. Nesse início, Scott era muito romântico - ele era fofinho, levava ela pra jantar fora sempre, enchia  Laci de buquês de flores, levava ela pra viajar e também era muito respeitoso.

Os amigos de Laci afirmam que, nessa época de namoro, os dois eram muito felizes.

LACI E SCOTT:

Em 1997, Scott e Laci se casaram, formando o que muitos ao redor descreviam como o casal perfeito. Jovens, atraentes e aparentemente muito apaixonados, eles eram um casal que todos admiravam. Amigos, familiares e vizinhos viam neles uma relação ideal – daquelas que pareciam inabaláveis. Claro, como qualquer casal, tinham suas imperfeições, mas aos olhos de quem os conhecia, eles estavam felizes e em sintonia. E no fim, era isso que realmente importava – ou pelo menos, assim todos acreditavam.

CASAMENTO:

Assim que Scott e Laci se formaram na faculdade, eles passaram a morar em Modesto, que é uma cidade ali da Califórnia com mais ou menos 200 mil habitantes e que fica a cerca de três horas e meia de distância da faculdade deles.

E uma curiosidade legal de Modesto é que essa é a cidade natal do George Lucas – que é um cineasta muito famoso, criador do Star Wars e do Indiana Jones. Depois de alguns anos de casados, Laci decidiu que queria ter filhos e aumentar a família… Mas essa ideia não agradava muito o Scott - que não queria ter filhos.

E essa diferença de visões foi motivo de algumas discussões entre eles.  No final das contas, o Scott acabou cedendo (ele aceitou, mas não era algo que animava muito ele…). Eles tentaram engravidar por um tempo. E, em 2002, eles conseguiram: Laci engravidou de um garotinho, Conner

O que ninguém sabia era que Scott tinha uma amante… 

Nessa  época em que Laci engravidou, Scott conheceu, mais ou menos em novembro de 2002, uma mulher que morava no condado de Madera, próximo a Modesto. 

O nome dela era Amber Frey. Ela tinha 27 anos, era massoterapeuta e mãe solteira.

AMBER FREY E FILHA:

Como era da personalidade do Scott, ele foi muito romântico no começo, entregando pra ela flores e bilhetinhos. Os dois se apaixonaram e, então, em algum momento ali de novembro ou dezembro de 2002, Amber e Scott começaram a namorar.

Importante eu destacar aqui que ninguém sabia que a Amber era amante do Scott, tá?! O Scott conseguia manter isso em total segredo. Nem a Amber sabia que ela era amante! Ela achava que ela era a namorada oficial do Scott. E até imaginava um futuro junto com ele. Ou seja, ele estava mantendo uma vida paralela.

Scott construiu um relacionamento cheio de mentiras. Num primeiro momento, disse pra Amber que nunca tinha sido casado e que não passava pela cabeça dele ter filhos. Amber já tinha uma filha e Scott disse para ela que as duas eram suficientes ali na vida dele – que ele poderia tomar conta das duas.

Mas, depois de um tempo de relacionamento entre Scott e Amber, a casa começou a cair… Uma amiga da Amber descobriu que não apenas o Scott era casado, como também tinha uma vida toda montada com a esposa, que estava grávida de quase oito meses!

Essa amiga pressionou Scott a contar a verdade pra Amber. Então, no dia 9 de dezembro de 2002, Scott foi até a casa de Amber nessa outra cidade e contou pra ela - chorando - a “verdade”: 

Ele finalmente confessou que estava mentindo. Disse que, de fato, havia sido casado, mas que tinha perdido a esposa. Scott ainda contou que aquele ano, 2002, seria o primeiro período de festas no final do ano que ele passaria sem ela.

Scott não deu mais detalhes e a Amber também não pressionou pra saber mais. Então, ficou meio subentendido que Scott tinha se tornado viúvo recentemente. Algumas semanas depois do Scott dizer a “verdade” (entre aspas) pra Amber, chegou a véspera do Natal de 2002

Vale relembrar que a maioria das tragédias acontecem em datas festivas, especiais… Muitos casos acontecem nessas datas.  Nesse dia, 24 de dezembro, o  Scott estava na casa dele em Modesto, com a Laci. Eles estavam assistindo  um programa de televisão de manhã. 

Ele queria ir jogar golfe, mas estava muito frio… Então, Scott decidiu ir pescar. 

Ele pegou o carro dele, foi até um armazém que ele tinha, pegou o barco (que ele tinha comprado algumas semanas antes… Mais especificamente, no dia 9 de dezembro - mesmo dia que ele tinha afirmado para Amber que era viúvo). 

Então, Scott dirigiu até a Berkeley Marina, na baía de São Francisco. Só pra vocês saberem, Modesto fica a cerca de 140 quilômetros ali da baía de São Francisco. Isso dá mais ou menos uma hora e quarenta minutos de carro.

DISTÂNCIA MODESTO ATÉ A BAÍA DE SÃO FRANCISCO:

Nessa marina, Scott colocou o barco dele na água, pescou, deixou uma mensagem para Laci pelo telefone e então ele decidiu voltar para casa. Nesse meio tempo, Laci, que estava grávida de oito meses do bebê Conner, iria passear com o cachorro do casal, McKenzie, e talvez ir ao mercado.

Mas, quando Scott chegou em casa, o cachorro estava no quintal. Ele estava sozinho e ainda estava com a coleira e a guia que eles usavam para levar ele para passear…  Scott não achou Laci em lugar nenhum.

Era como se Laci tivesse levado o cachorro para passear, mas, ali durante o dia, o cachorro tivesse voltado sozinho pra casa. Sem a Laci. Scott colocou a roupa com a qual ele tinha ido pescar para lavar, comeu um pedaço de pizza e tomou um banho. Depois disso, vendo que Laci não voltava para casa, ele ligou pros familiares e amigas dela para conferir se a Laci estava ali com alguém. Isso foi por volta das cinco da tarde. Mas Laci não estava com ninguém… 

Laci tinha desaparecido!

O desaparecimento da Laci assustou os amigos e familiares, que na mesma noite começaram a bater de porta em porta na casa dos vizinhos para checar se alguém tinha visto alguma coisa. 

Além disso, eles também começaram a colar panfletos de desaparecido ali pelo bairro e pela cidade. A polícia logo foi acionada. Helicópteros e voluntários começaram a buscar Laci nas vizinhanças, procurando especialmente em um parque que ficava próximo da casa da Laci.  Isso porque esse parque era um lugar onde ela poderia, muito provavelmente, ter ido passear com o cachorro.

E talvez tivesse acontecido alguma coisa com ela ali no parque... Ela estava grávida de oito meses, então poderia ter passado mal ou escorregado e caído (segundo algumas fontes, esse parque tinha ali umas regiões mais íngremes e escorregadias que poderiam ter feito a Laci escorregar e cair). 

Enfim… ela poderia estar ali nesse local, precisando de ajuda.

Segundo a polícia, alguns vizinhos tinham visto mesmo uma mulher grávida caminhando com um cachorro ali pela manhã. Mas ninguém podia afirmar com certeza que aquela mulher era mesmo a Laci   Peterson. O que era bem estranho, porque os Peterson moravam em um bairro onde todo mundo conhecia eles. Era pouco provável que alguém não reconheceria Laci.

PANFLETO DE DESAPARECIDO:

Na mesma noite ali no dia 24 de dezembro, o detetive Al Brocchini chegou  na casa dos Peterson para investigar. Nesse primeiro momento, o detetive estava procurando ali na casa alguma pista, algum sinal, do que aconteceu com Laci enquanto Scott estava pescando. Como um possível sequestro, por exemplo… 

Scott acompanhou essa visita: ele mostrou pro detetive Brocchini, por exemplo, a bolsa de Laci - que tinha sido deixada em casa com todos os documentos e cartões dela. Scott ainda mostrou ali um recibo de estacionamento da Berkeley Marina, que provava que ele tinha ido pescar.  Ao ser questionado e depois interrogado pela polícia, Scott contou a história que eu contei pra vocês sobre o que tinha acontecido naquela manhã. 

Essa versão que eu contei do que aconteceu foi a versão do Scott, tá bom?

Scott queria colocar o barco na água, então foi até a baía de São Francisco, passeou de barco, deixou uma mensagem pra Laci e depois voltou pra casa…  E foi quando ele encontrou a casa vazia e o cachorro sozinho, com a      coleira e com a guia ainda no pescoço. Como se tivessem colocado a guia no pescoço dele pra levarem ele para passear, sabe? Mas ninguém

Scott contou isso tudo muito calmo. Ele respondia todas as perguntas do interrogatório com extrema tranquilidade, sem se deixar abalar por nada. Vou mostrar aqui pra vocês um trecho desse interrogatório: Mas, no interrogatório, os detetives repararam uma inconsistência um pouco esquisita:

Mais cedo naquele dia, quando o Scott foi bater na porta dos vizinhos com os amigos e familiares pra perguntar se eles tinham visto Laci, Scott comentou com um vizinho que tinha ido jogar golfe naquela manhã. Pros policiais, Scott disse que tinha pensado em jogar golfe, mas que mudou de ideia… Ele disse que decidiu pescar de última hora.

Já era estranho aí… Por que Scott falou pro vizinho que tinha ido jogar golfe se ele tinha ido, na verdade, pescar? E mais esquisto ainda: como Scott tinha decidido de última hora ir pescar, sendo que ele tinha comprado o barco (que ninguém sabia que ele tinha!) só algumas semanas antes, no dia 9 de dezembro

Ele ainda tinha comprado materiais de pesca, como iscas e a própria licença de pesca, no dia 20 de dezembro… Quatro dias antes. Não parecia que ele tinha decidido ir pescar de última hora… Parecia que ele estava planejando a viagem de pesca até a baía de São Francisco. Isso era estranho… Mas ainda não era nada concreto contra o Scott.

Claro, ele naturalmente se tornou um suspeito ali pra investigação, porque ele foi a última pessoa a ter contato com Laci, e também por ser o marido. Mas os amigos e os familiares confiavam em Scott. Ninguém pensava que ele pudesse ter alguma coisa a ver com o desaparecimento… Vale ressaltar que, nesse momento, a polícia ainda não sabia que ele tinha um caso.

Afinal, a imagem que as pessoas tinham dele era que Scott era uma pessoa muito correta, um bom marido, um cara amoroso… Que ele e Laci eram felizes juntos. No final do interrogatório, o Scott ainda aceitou fazer um teste do polígrafo no dia seguinte – ou seja, um teste detector de mentiras. Só pros policiais confirmarem ali a versão do Scott e eliminarem ele como suspeito do caso logo.

Enquanto isso, os policiais e mais vários voluntários iam fazendo as buscas ali pelo bairro e pela cidade.  Nesse primeiro momento, os familiares da Laci ofereceram uma recompensa de 125 mil dólares pra quem desse uma pista que levasse a Laci a voltar pra casa em segurança.

Além disso, a mídia também cobria o desaparecimento, que ganhou uma cobertura jornalística bem grande. Especialmente, porque quem tinha desaparecido era uma mulher jovem, grávida de oito meses… Ela ainda desapareceu na véspera do Natal… Então, as pessoas estavam chocadas com o caso.

As buscas na casa dos Peterson não levaram a nenhuma pista concreta e as buscas pelo parque também não deram em nada. Com o avançar das horas e dos dias, Scott começou a ficar cada vez menos colaborativo

Ele se esquivava dos jornalistas e não queria a imprensa circundando a casa dele - o que não fazia muito sentido pra família de Laci, que achava que quanto mais mídia, mais ajuda eles teriam para encontrar ela.

Além disso, mesmo Scott tendo aceitado fazer o teste do polígrafo no interrogatório, ele voltou atrás. No dia seguinte, Scott se recusou a fazer o teste de detector de mentiras.

No segundo dia de buscas, na noite do dia 26 de dezembro, os investigadores pediram pro Scott para vasculharem de novo a casa dos Peterson - pra fazerem uma busca mais detalhada, buscando por novas pistas que pudessem indicar o que que tinha acontecido com Laci.

Scott não permitiu… Ele afirmou que não assinaria nada sem um advogado. Só que os investigadores já suspeitavam que Scott ia colocar algum empecilho, porque ele já não estava sendo muito colaborativo. Por conta disso, os policiais já tinham preparado um mandato para fazerem essa busca na casa. Então, mesmo que o Scott não tivesse permitido, as buscas aconteceram da mesma forma e duraram dois dias.

Assim, os detetives vasculharam a casa e o armazém do Scott. Eles também procuraram por pistas nos computadores e celulares dele e da Laci Peterson. Os detetives descobriram, por exemplo, que Scott tinha pesquisado na Internet sobre as correntezas da baía São Francisco. 

E pesquisou isso no dia 8 de dezembro, um dia antes de comprar o barco.

Além disso, no armazém de Scott, que era onde ele guardava o barco,  os policiais ainda acharam uma âncora caseira que Scott tinha feito com baldes. O estranho era que não encontraram as cordas que ele precisaria pra prender a âncora no barco… 

E mais: ainda encontraram indícios que Scott poderia ter feito mais de uma âncora. Aproximadamente cinco.

BARCO DE SCOTT NO ARMAZÉM:

Por fim, os detetives também acharam um alicate com um longo fio de cabelo preto na ponta. Disso tudo que os detetives encontraram, nada era uma prova concreta contra Scott, ainda. Mas todos esses elementos esquisitos criavam uma imagem do que poderia ter acontecido com Laci Peterson. 

E essa imagem não era favorável pro Scott.

Enquanto as buscas por Laci continuavam, a polícia recebia diversas dicas por telefone, principalmente por que a mídia ajudava dando atenção ao caso. Então, as pessoas que assistiam ali ao caso na televisão ou no jornal simpatizavam e, se tinham alguma pista, eles ligavam pra polícia pra tentar ajudar.Os policiais receberam mais de 11 mil pistas por telefone. E, claro, seguiram algumas delas (várias sem nenhuma relação com o Scott).

No dia 30 de dezembro de 2002, sexto dia de buscas, a polícia recebeu uma dica muito importante:  Amber Frey (a amante do Scott que ninguém sabia que ele tinha) telefonou pra polícia afirmando que Scott era seu namorado. E que os dois estavam juntos há algum tempo e que se falavam todo dia por telefone.

Os detetives afirmaram que, dessa maneira, a polícia conseguiu a primeira prova concreta de que o Scott mentia… Que Scott não era necessariamente a pessoa que eles achavam que ele era. E que ele poderia, sim, estar escondendo alguma coisa.  Afinal, estava escondendo uma namorada, né?!

Nesse primeiro momento, essa informação do Scott ter uma amante ficou só com a polícia! Isso não foi comunicado pras famílias - nem do Scott, nem da Laci. Amber estava apaixonada pelo Scott e ficou bem chateada com ele pelas mentiras… 

Como eu disse antes, Scott tinha dito para Amber lá no dia 9 de dezembro que ele era viúvo. Mas Amber tinha visto ali pela televisão que a Laci só tinha desaparecido dia 24. 

Ou seja, Amber descobriu que Scott, mesmo tendo afirmado pra ela que ia falar a verdade, ainda tinha mentido. E continuava mentindo: só pra vocês terem noção, o Scott falou pra Amber, por exemplo, que ele não poderia passar o final do ano com Amber porque ele supostamente estaria viajando para Paris, na França.

Mas, na verdade, no ano novo, Scott ficou em Modesto, a poucos quilômetros da cidade onde Amber morava. Ele estava participando de uma vigília à luz de velas pela Laci. Então, com tantas mentiras, Amber decidiu ajudar a polícia:

Os investigadores colocaram escutas no telefone de Amber, com a permissão dela, para investigarem mais a fundo o Scott.  E também grampearam o telefone de Scott, claro - pra pegar qualquer pista que aparecesse… 

Todas as atitudes estranhas do Scott e pouco interessadas nas investigações, fizeram os policiais, os amigos e os familiares de Laci desconfiarem cada vez mais dele. Todos começavam a aceitar a possibilidade de que Scott pudesse estar envolvido de alguma forma no desaparecimento e talvez até mesmo no possível assassinato de Laci Peterson.

No dia 3 de janeiro de 2003, a polícia decidiu pressionar Scott. Os investigadores confrontaram ele com uma foto que mostrava ele e Amber juntos. 

CARTÃO DE NATAL DE SCOTT E AMBER, 2002:

Os policiais fizeram parecer que tinham recebido uma pista anônima sobre o assunto. Não deram a entender que a Amber estava ajudando…

Scott se manteve calmo. Ele se esquivou da pergunta, dizendo para os policiais que aquele na foto não era ele.  Alguns dias depois, Scott ligou para Amber para dizer a “verdade” (de novo, entre aspas): ele contou pra ela que tinha mentido, que ele não estava viajando no ano novo. Amber já sabia disso. Mas Scott não fazia ideia que Amber sabia das mentiras… 

Nessa ligação, Amber pressionou Scott. Os policiais, que ouviam a conversa pela escuta, esperavam que Scott confessasse ou soltasse alguma pista. Mas isso não aconteceu.

Foi uma ligação emocionalmente difícil para Amber. Algum tempo depois, ela terminou com Scott e cortou relações com ele. No dia 8 de janeiro de 2003, 15 dias depois do início das buscas, os investigadores criaram uma grande operação, que envolvia policiais de várias cidades, para fazer buscas ali na baía de São Francisco, usando barcos e até mesmo helicópteros.

Os policiais estavam em um ponto da investigação em que acreditavam que a Laci não voltaria mais para casa…   Os detetives colocaram rastreadores no carro de Scott para acompanharem o comportamento dele durante essas buscas ali na   baía. 

Scott mostrou um comportamento que Al Brocchini, um dos detetives, considerou estranho: Scott parava nas margens da baía. Olhava, com calma. Por cerca de dois ou três minutos. Depois, ele só ia embora de carro… Mais tarde um pouquinho, o Scott voltava. Ele olhava ali e então ia embora… 

E depois voltava. 

Scott foi e voltou umas cinco vezes. Ele não falava com ninguém, não conversava com os detetives, não pedia atualizações para os investigadores… Ele ficava lá quieto e ia embora. Os detetives começaram a suspeitar que Scott estava indo até a baía para se certificar de que a polícia não estava buscando no local certo.

Infelizmente, para a família de Laci, essas buscas não trouxeram nenhum resultado. Tudo o que os investigadores encontraram foi uma âncora grande no fundo da baía. Mesmo sem novas evidências, Scott continuou sendo considerado um dos principais suspeitos.

Alguns dias depois dessas buscas, a informação de que Scott tinha uma amante vazou para alguns jornalistas da região, que iriam publicar essa informação na próxima edição da revista local deles. Como eu falei, essa informação ainda não tinha sido compartilhada com a família. Mas, agora que ela iria a público, os policiais decidiram se adiantar e contar à família da Laci. 

Isso caiu como um choque pra todo mundo! E, quando a revista finalmente saiu, Scott não tinha mais como negar que ele tinha tido um caso.

Assim, a família de Laci decidiu não apoiar mais Scott publicamente, cortando relações com ele. Eles afirmaram que Scott não estava colaborando com as investigações e que agora achavam que não podiam mais confiar nele.

FAMÍLIA DA LACI RETIRANDO APOIO A SCOTT:

Scott decidiu ir a público e dar algumas entrevistas pela primeira vez. Afinal, a pressão midiática sobre ele – um homem que tinha traído a esposa grávida de oito meses – era gigantesca.

No final de janeiro de 2003, Scott foi em várias entrevistas de TV, que foram consideradas pelos familiares e amigos de Laci como uma tentativa de Scott de controlar o dano que a imagem dele tinha sofrido por conta da descoberta da traição.

Nas entrevistas, Scott disse que não matou Laci e chegou a alegar que nem conseguia entrar no quarto do bebê, o Conner, de tão mexido e triste que ele ficava.

SCOTT EM UMA ENTREVISTA DE TV:

Em 18 de fevereiro de 2003, os detetives decidiram fazer mais uma investigação na casa de Scott. Eles conseguiram um segundo mandato de busca, para entenderem como a casa dos Peterson tinha mudado desde o desaparecimento da Laci. 

Ou seja, eles queriam entender o que Scott tinha mudado na casa desde o início do caso. Porque, talvez, o que ele tivesse mudado ali revelasse alguma pista nova. Ou, pelo menos, um novo caminho para a polícia seguir… 

Os policiais encontraram a casa toda revirada. Scott tinha mudado os móveis de lugar. Ele parecia alguém que não esperava o retorno de Laci. Ele, inclusive, já estava sondando possíveis compradores para a casa e já tinha até vendido o carro de Laci.

O quarto do bebê, que Scott tinha dito em entrevista que não conseguia nem entrar ali dentro, estava sendo usado como um depósito. Em 14 de abril de 2003, os corpos de Laci e de Conner emergiram na baía de São Francisco. 

Então, apareceram na costa. 

Aparentemente, Conner foi expelido pelo corpo em decomposição da Laci, depois de ela morrer. Então, os corpos foram achados separados. Por conta da decomposição, a identificação deles foi feita por exame de DNA. 

A causa da morte de Laci foi dada como indeterminada. Mas a polícia acredita que foi assim que o assassinato aconteceu:  Scott premeditou tudo.

Ele sufocou ou estrangulou a esposa para matar ela silenciosamente, sem fazer nenhum barulho. Entre os dias 23 e 24 de dezembro de 2002, ele embrulhou o corpo dela em uma lona, deixou o cachorro solto com a coleira e com a guia de propósito (criando a impressão de que Laci poderia ter estado em casa e levado o cachorro para passear) e, depois, colocou a Laci no barco. Scott foi até a baía e jogou o corpo dela na água com as âncoras que ele tinha preparado.

Pra polícia foi assim que aconteceu… Tudo isso mais ou menos ali na véspera do Natal…  Quando os corpos de Laci e de Conner foram encontrados na costa, no dia 14 de abril de 2003, isso era tudo que os policiais precisavam para prender Scott. 

A polícia rastreou ele pelo telefone e descobriu que ele estava em San Diego. San Diego é uma cidade ali da Califórnia que fica a mais de 400 quilômetros de Modesto.  E a uma hora de distância da fronteira com o México… 

DISTÂNCIA MODESTO, CALIFÓRNIA, E TIJUANA, MÉXICO:

Com receio do Scott fugir pro México, ele foi seguido pela polícia. Scott foi preso em San Diego, enquanto chegava num campo de golfe, onde jogaria algumas partidas com a família. 

Scott foi preso com os cabelos pintados de laranja e não mostrou nenhuma surpresa quando os policiais disseram que tinham encontrado os corpos de Laci e de Conner ali na costa.

SCOTT DE CABELOS LARANJAS:

No carro de Scott, ainda foram encontrados cerca de 15 mil dólares em dinheiro, cartões de crédito dele e de familiares, a identidade do irmão (com quem ele se parecia bastante, agora que estava com um visual novo!), vários aparelhos celulares, cordas, uma pá, uma grelha e outros itens.

Tudo isso fazia parecer que Scott estava se preparando para fugir. Era o que a polícia acreditava, apesar de familiares de Scott negarem essa teoria. A prisão dele gerou uma enorme cobertura midiática e a comemoração de um grande número de pessoas do público, que já desconfiavam de Scott.

Em 2004, Scott foi condenado por assassinar sua esposa e filho não-nascido, Conner, depois de um longo processo judicial que virou um circo midiático. Ele foi defendido por Mark Geragos – um advogado famoso ali nessa época por defender seus clientes rigorosamente. Desde então, ele representou muitos clientes famosos, ​​como Winona Ryder, Michael Jackson, Roger Clinton Jr... O julgamento teve, inclusive, o testemunho de Amber Frey, a ex-namorada/amante. 

AMBER FREY (DIREITA) E SUA ADVOGADA (ESQUERDA) NO JULGAMENTO, EM 24 DE AGOSTO DE 2004:

Fonte: https://people.com/where-is-amber-frey-now-8695910 

Um ano depois, em 2005, Amber inclusive lançou um livro, o Witness, no qual ela detalha essa experiência dela como parte do julgamento do Scott. Em novembro de 2004, depois de meses de julgamento, Scott Peterson foi declarado culpado recebeu a pena de morte.  Ele apelou e conseguiu reverter a decisão em 2020, mas continuou em prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. 

Até hoje, Scott alega que é inocente e procura provar que foi vítima de erros cometidos pela investigação policial e pelo julgamento. Hoje, em 2024, Scott tem 51 anos e está preso na Mule Creek State Prison, na Califórnia.

Roteiro: Lucas Andries

FONTES: 

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