Quem lembra do caso de Idaho?
Nós já falamos sobre ele aqui duas vezes: em 2022, logo depois que aconteceu, e em 2023, quando surgiram as primeiras novidades da investigação. Agora, em 2025, novas imagens foram divulgadas — as bodycams dos policiais que entraram na cena do crime.
Essas imagens mudam completamente a forma como enxergamos as primeiras horas daquele dia. Elas mostram o choque, a confusão, e até o momento em que um policial liga para outro e diz: “cara, move essa bunda e vem pra cidade porque temos um homicídio quádruplo”.
Moscow: uma cidade em choque
Moscow, no estado de Idaho, é uma pequena cidade universitária. Em 2022, tinha pouco mais de 25 mil habitantes, e metade estava ligada direta ou indiretamente à Universidade de Idaho.
Era um lugar tranquilo, seguro, conhecido pelo espírito comunitário. Até aquele novembro, não registrava homicídios havia cerca de sete anos.
Quando os assassinatos aconteceram, a cidade entrou em estado de alerta. Estudantes foram embora, pais buscaram os filhos, e a sensação de segurança que definia Moscow se quebrou — algo que até hoje não foi totalmente recuperado.
As vítimas
As quatro vítimas eram jovens comuns, com futuros promissores:
- Ethan Chapin (20 anos): alegre, atlético, estudante de Recreação, Esportes e Turismo. Namorava Xana.
- Xana Kernodle (20 anos): estudante de Marketing, divertida e leal, morava na casa onde aconteceu o crime.
- Madison Mogen (21 anos): estudante de Marketing, considerada a “irmã de coração” de Kaylee.
- Kaylee Goncalves (21 anos): prestes a se formar, havia acabado de comprar um carro novo e se preparava para mudar de cidade.
Na noite do crime, Ethan e Xana foram a uma festa na fraternidade Sigma Chi. Já Madison e Kaylee saíram para um bar e foram vistas em um food truck pouco antes das 2h.
A madrugada de horror
Entre 4h e 4h25 da manhã de 13 de novembro de 2022, os quatro foram brutalmente assassinados dentro da casa.
Duas colegas sobreviveram: Dylan Mortensen e Bethany Funke.
Dylan relatou que ouviu uma voz masculina dizendo: “Está tudo bem, Kaylee, eu estou aqui para você”, seguida de um grito. Ao abrir a porta, viu um homem alto, de preto, usando máscara. Ela congelou, se trancou no quarto e só mais tarde se refugiou com Bethany.
Esse detalhe — não terem chamado a polícia imediatamente — gerou polêmica. Mas a reação de paralisia é também uma forma de sobrevivência.
A cena do crime
As bodycams mostram os policiais chegando ao meio-dia. Ao entrarem na casa, encontraram uma cena brutal: os corpos de Kaylee, Maddie, Xana e Ethan, todos mortos a facadas.
Quem era Brian Kohberger
O homem visto por Dylan era Brian Kohberger, 28 anos, doutorando em Criminologia na Washington State University.
Ele já tinha mestrado em Justiça Criminal, era obcecado pela mente criminosa e até participou de pesquisas pedindo a ex-presidiários que descrevessem seus pensamentos durante crimes.
As provas contra ele:
- Carro branco (Hyundai Elantra) visto próximo à cena.
- DNA encontrado na bainha de uma faca deixada ao lado dos corpos.
- Registros de celular mostrando o aparelho desligado no horário dos crimes.
Em 30 de dezembro de 2022, ele foi preso na casa dos pais.
O julgamento e a condenação
Após anos de disputas judiciais, em julho de 2025, Kohberger aceitou um acordo e se declarou culpado. Foi condenado a:
- Quatro prisões perpétuas consecutivas sem liberdade condicional.
- Mais 10 anos por invasão de propriedade.
Hoje cumpre pena no Idaho Maximum Security Institution, em regime de isolamento.
O que descobrimos depois
Durante o processo, surgiram 13 reclamações de colegas e professores contra Kohberger: comentários homofóbicos, misóginos e perseguições a mulheres.
Outro detalhe revelado: quando a polícia anunciou a busca por um Hyundai Elantra branco, ele entrou em pânico. Pesquisou termos como “wiretap” (grampos telefônicos) e “psychopaths paranoid”. Também acessou o site da polícia de Moscow e buscou serviços de lavagem de carro. Poucas horas depois, foi preso.
As sobreviventes
Dylan e Bethany viveram meses em silêncio após o massacre. Em julho de 2023, quebraram o silêncio durante a audiência de sentença:
- Bethany disse viver “o pior dia da minha vida” e que não conseguia mais dormir inteira.
- Dylan contou que passou a ter ataques de pânico e descreveu Kohberger como “um vaso vazio, sem empatia ou remorso”.
Nos anos seguintes, evitaram os holofotes. Bethany apareceu em 2024 ligada a uma fraternidade da Universidade de Nevada, cursando Saúde Pública. Dylan seguiu em silêncio.
O mistério que permanece
A grande pergunta que nunca vai embora: por que Bryan fez isso?
E, talvez ainda mais misterioso: por que ele deixou sobreviventes?
O promotor Bill Thompson acredita que, ao ver Dylan, Kohberger já estava além do tempo planejado dentro da casa, havia matado mais pessoas do que imaginava, e decidiu sair com medo de ser descoberto.
Quer saber mais detalhes? Ouça o episódio completo no Casos Reais.













