ENTRE EM CONTATO

CONTATO

Para propostas comerciais, sugestão de casos ou para elogios ou até mesmo reclamações, preencha o formulário.

ENTRE EM CONTATO

CONTATO

Para propostas comerciais, sugestão de casos ou para elogios ou até mesmo reclamações, preencha o formulário.

ENTRE EM CONTATO

CONTATO

Para propostas comerciais, sugestão de casos ou para elogios ou até mesmo reclamações, preencha o formulário.

Cupom de Desconto Insider Store: CASOS REAIS

https://www.insiderstore.com.br/

Brasília. 1973.

A jovem capital do Brasil, que hoje conhecemos como uma cidade bem estruturada e o coração político do país, ainda dava os seus primeiros passos. Era uma cidade tranquila, habitada principalmente por servidores públicos e suas famílias, em um período marcado pela ditadura.

Naquele ano de 1973, um caso trágico abalou profundamente essa nova capital. Ana Lídia, uma menina de 7 anos, filha de servidores públicos, desapareceu misteriosamente da escola onde estudava. No      dia seguinte, o corpo dela foi encontrado enterrado em uma cova rasa.

O que aconteceu com Ana Lídia? Hoje, vou te contar tudo o que se sabe sobre esse caso, que ainda deixa muitas dúvidas sobre o que aconteceu… 

CASO

Ana Lídia Braga nasceu em 10 de julho de 1966. Ela morava com a família dela em Brasília, capital do Brasil, na SQN 405 (que é um tipo de organização urbana e significa Superquadra Norte), bloco O, Asa    Norte. 

ANA LÍDIA:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5123536-ana-lidia-uma-cidade-vazia-uma-investigacao-mal-feita-um-crime-impune.html 

Brasília foi fundada em 1960, então, na época em que Ana Lídia nasceu, a cidade não tinham nem 10 anos. Brasília não era essa capital grande que a gente conhece hoje… Era uma cidade mais pacata

A cidade era cheia de prédios em construção, ainda tinha uma urbanização precária e terrenos vazios que iriam abrigar prédios públicos. 

Além disso, no Plano Piloto moravam principalmente os funcionários públicos que trabalhavam em Brasília. Na época, o Distrito Federal tinha apenas 650 mil habitantes. Só pra vocês terem uma noção da diferença: hoje, são quase 4 vezes mais. Cerca de 3  milhões de habitantes.

BRASÍLIA, DÉCADA DE 1960:

Fonte: https://www.estadao.com.br/brasil/arquivo/60-anos-da-inauguracao-de-brasilia/?current=21 

CONSTRUÇÃO DO PALÁCIO DO PLANALTO, DÉCADA DE 1950:

Fonte: https://www.estadao.com.br/brasil/arquivo/60-anos-da-inauguracao-de-brasilia/?current=21 

É nesse contexto de uma cidade mais tranquila, que tinha acabado de nascer há poucos anos, que vivia a família Braga. Em 1973, além dos pais, eram três irmãos: Álvaro Henrique Braga, que tinha 18 anos na época, Cristina Elizabeth, de 20 anos, e Ana Lídia, de só 7 anos.

ÁLVARO HENRIQUE:

Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/09/12/caso-ana-lidia-testemunha-diz-que-filhos-de-politicos-importantes-de-brasilia-tambem-estariam-envolvidos.ghtml 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html 

Ana Lídia era carinhosamente chamada de “Aninha” pelos irmãos e era o xodó da família, muito protegida por todos. Segundo algumas fontes, ela não tinha costume de brincar fora de casa, nem de sair de casa sem um dos irmãos ou então sem os pais tomando conta dela. 

Ana Lídia foi descrita como uma garotinha carismática,  extrovertida e inteligente, mas que não conversava muito. Ela tinha cabelos loiros cacheados e olhos azuis…

ANA LÍDIA:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html#google_vignette 

E, gente, só mais uma contextualização: nessa época, em 1973, o Brasil estava vivendo sob uma ditadura militar. O presidente era o general Emilio Garrastazu Médici, que atuou no cargo de 1969 até 1974.

MÉDICI, 28º PRESIDENTE DO BRASIL:

Fonte: https://www.todamateria.com.br/emilio-medici/ 

O governo dele foi um dos mais repressivos da ditadura e essa era uma época de terror para algumas pessoas, que tinham medo de sumirem ou serem torturadas e depois mortas pelos militares (como a gente pôde ver nesse filme novo, que lançou agora em 2024, “Ainda estou aqui”).

PÔSTER DO “AINDA ESTOU AQUI”:

Fonte: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-265940/ 

E, nessa época, a justiça também era ainda mais parcial do que hoje em dia… Muitas coisas envolvendo militares ou então políticos da ditadura não eram investigadas apropriadamente, nem com transparência.

Em 11 de setembro de 1973, os pais da Ana Lídia levaram ela pra uma aula de reforço no colégio onde ela estudava, a escola Madre Carmen Salles, que ficava na 604 Norte. A mãe dela chegou a entrar      com a Ana Lídia na escola, mas a garota nunca chegou na sala de aula… 

Testemunhas disseram que, depois que Ana entrou na escola, eles viram ela sendo abordada por um rapaz alto, loiro, com cabelos compridos e usando uma blusa branca e uma calça verde. Ana saiu do colégio com esse rapaz e, depois disso, ninguém mais viu ela… 

Cerca de 2 horas e meia depois, a família percebeu que alguma coisa estava errada: a empregada, Rosa, foi buscar Ana na escola, como de costume, mas foi informada que ela nem tinha ido pra aula. Os pais foram avisados. E a polícia também… 

A princípio, os policiais acreditaram que fosse um sequestro. Naquela mesma noite, a família de Ana Lídia recebeu uma carta endereçada ao pai da Ana. A mensagem dizia: “pai da menina raptada” e exigia  500 mil cruzeiros pelo resgate, sem envolver policiais. Eles deram um prazo até as 9h do dia 14 de setembro. 

CARTA DE RESGATE:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html#google_vignette 

Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/09/21/caso-ana-lidia-crime-que-chocou-brasilia-completa-46-anos-cercado-de-misterios-relembre.ghtml 

Mais tarde, no mesmo dia em que a carta foi recebida, um delegado da época, José Ribamar Morais, recebeu uma ligação anônima dos sequestradores, dizendo que eles estavam com Ana. Pro delegado, os sequestradores pediram 2 milhões de cruzeiros, o que dá cerca de 250 mil reais. Segundo algumas fontes, Ana chegou a falar no telefone, chorando, pedindo pela mãe. Depois disso, os sequestradores não mais fizeram contato… 

No dia seguinte ao desaparecimento (ou seja, no dia 12 de setembro), apenas 22 horas depois do sumiço, o corpo de Ana Lídia foi encontrado num matagal perto da Universidade de Brasília (a UnB). 

Ana estava nua, com os cabelos cortados bem curtos, de forma irregular, e tinha sido violentada. Ela foi jogada numa cova rasa. Por volta das 15h, as irmãs (freiras) da escola em que a garota estudava foram chamadas para reconhecer o corpo.

CORPO DE ANA LÍDIA:

Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/09/21/caso-ana-lidia-crime-que-chocou-brasilia-completa-46-anos-cercado-de-misterios-relembre.ghtml 

No local onde o corpo foi deixado, os investigadores acharam duas marcas de coturno, dois preservativos e um lenço com sêmen. A    suspeita era de que a Ana, que tinha só 7 aninhos, foi morta entre as 4h e as 6h da manhã do dia 12 de setembro, asfixiada. As investigações apontaram o irmão da Ana, Álvaro Henrique, como o suspeito:

Álvaro Henrique tinha características bem parecidas com o rapaz que as testemunhas oculares tinham visto levando Ana embora da escola.

A família sempre negou essa possibilidade do Álvaro Henrique estar envolvido no crime. Eles afirmaram que ele estava no carro com os pais quando eles deixaram Ana Lídia na escola no dia do desaparecimento. E ainda disseram que, depois de terem deixado Ana na escola, eles ainda levaram Álvaro Henrique até o Detran pra ele resolver umas pendências que ele tinha. Só que as testemunhas oculares do dia contestaram essa versão dos fatos. Segundo eles, o banco de trás do carro estava vazio, insinuando que Álvaro não estava ali. 

A acusação contra Álvaro Henrique ganhou força por conta de rumores de que ele tinha problemas com drogas. Foi então que o nome de Raimundo Lacerda Duque surgiu na investigação… Esse Raimundo era um traficante de drogas da região, que também  trabalhava como funcionário público (segundo algumas fontes, ele trabalhava junto com a mãe da Ana, inclusive). Para a polícia, o Álvaro Henrique poderia ter vendido a irmã pra esse Raimundo e pra outros jovens ligados a políticos influentes do Distrito Federal, supostamente para pagar dívidas de drogas com o dinheiro do  resgate.

As investigações ainda apontaram que Ana Lídia provavelmente foi levada para um sítio em Sobradinho, que é uma região do Distrito Federal. 

Este sítio pertencia a Eurico Resende, que na época era o vice-líder da ARENA no senado. Gente, a ARENA era um partido político… Nessa época da ditadura, o Brasil não tinha vários partidos políticos como tem hoje. Atualmente, são quase trinta. Na época da ditadura, só podiam existir dois: a ARENA (ou Aliança Renovadora Nacional), que ficava do lado da ditadura, e o MDB, que fazia uma oposição leve (de fachada) ao regime. 

Ou seja, esse Eurico Resende era um político importante, que fazia parte do partido que “representava” a ditadura na política e ele ainda tinha uma posição de bastante destaque dentro do senado brasileiro.

O que fontes contam que supsotamente aconteceu foi: na noite em que o assassinato aconteceu, Álvaro Henrique estava nesse sítio. Ele saiu dali por um momento e deixou Ana com outras pessoas: com Raimundo Lacerda Duque (o traficante que eu já comentei), com   Eduardo Ribeiro Resende (que era filho do senador Eurico Resende, o dono do sítio) e com Alfredo Buzaid Júnior (que era filho de Alfredo Buzaid, que, na época, era o ministro da justiça do Brasil).

Só filhos de figuras importantes supostamente envolvidos, né… 

Quando o Álvaro Henrique voltou pro sítio, a garotinha já estava morta…  

A partir de então, as investigações desaceleraram… E a teoria que é mais aceita pra explicar o porquê esse caso desacelerou é que filhos de homens bastante poderosos na época estavam entre os suspeitos.

Na época da ditadura, as investigações relacionadas ao governo eram fortemente controladas. E o caso não foi tratado com o rigor necessário… A polícia ignorou várias pistas:

Por exemplo, do lado da vala rasa onde o corpo de Ana Lídia foi encontrado, os policiais acharam marcas de pneus de moto. Porém, essas marcas nunca foram comparadas pelos investigadores com as marcas da moto Yamaha que o Álvaro Henrique tinha… 

Além disso, os policiais nem foram às poucas farmácias ali do Plano Piloto para verificar a venda de camisinhas. Porque tinham sido achados preservativos ali junto com o corpo da Ana Lídia. Nos anos            70, o uso  de preservativo não era um hábito comum, então o registro de vendas das camisinhas podia apontar pra alguém relacionado ao  crime.

Gente, só um parênteses: nessa época não foram feitos testes de DNA porque ainda não existia essa tecnologia. Teste de DNA é uma coisa que começou a aparecer ali nos anos 80… Voltando:

O retrato falado de um dos suspeitos também nem sequer foi anexado ao processo. O que é, no mínimo esquisito, já que divulgar um retrato com as características físicas do suspeito é um dos métodos mais   básicos da polícia. 

Existe um retrato falado desse caso que é muito parecido com o Raimundo Duque e, segundo o Correio Braziliense, o delegado Mário Stuart, chefe da Delegacia de Homicídios na época, disse que não se lembrava porque o retrato não foi anexado ao processo.

RETRATO FALADO:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5123536-ana-lidia-uma-cidade-vazia-uma-investigacao-mal-feita-um-crime-impune.html 

Os exames grafotécnicos, que poderiam comparar a caligrafia dos suspeitos com a escrita à mão ali da carta de resgate, não foram realizados. Além disso, as freiras da escola onde Ana Lídia estudava só foram ouvidas mais de um ano depois do crime. Enfim, uma série de negligências… 

E, durante as investigações, os familiares da Ana Lídia mostraram uma grande passividade… Ou seja, eles não fizeram muita coisa para ajudar ou então para pressionar os policiais a encontrarem respostas.

Em 20 de maio de 1974, o caso foi censurado: jornais, rádios e televisões do país receberam um comunicado da Polícia Federal que dizia:

“De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulgação por meio dos meios de comunicação social escrito, falado e televisado, comentários, transcrição, referências e outras matérias sobre o caso Ana Lídia”.

Apesar da censura e dos erros das investigações, os indícios que mostravam que Álvaro Henrique e Raimundo Duque eram culpados eram bem fortes. Em 21 de junho de 1974, quase um ano após o desaparecimento de Ana Lídia, eles foram presos, denunciados por "extorsão, agressão física e administração de tóxicos". Álvaro foi responsabilizado por ter tirado a menina de dentro da escola e o Raimundo Duque foi apontado como autor da tortura, abuso e morte dela.

ÁLVARO HENRIQUE E RAIMUNDO DUQUE DURANTE DEPOIMENTO:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5123536-ana-lidia-uma-cidade-vazia-uma-investigacao-mal-feita-um-crime-impune.html#google_vignette 

Os investigadores não encontraram provas suficientes para incriminar Eduardo Ribeiro Resende e Alfredo Buzaid Júnior, que acabaram não sendo indiciados.

Em 16 de junho de 1975, um ano depois da prisão, Álvaro e Raimundo foram absolvidos. Na época, a justiça entendeu que não tinha como eles terem planejado o sequestro da Ana Lídia juntos, já que não existiam provas de que Álvaro e Raimundo se conheciam antes deles virarem suspeitos.

Alfredo Buzaid Júnior, que era filho do ministro da justiça e estava envolvido no crime (supostamente), morreu em 1975, aos 19 anos, em um acidente de carro. Na época, circulou um rumor de que a morte dele tinha sido forjada pra afastar ele do caso, mas em 1986 uma exumação confirmou o acidente dele e que Alfredo realmente tinha morrido.

Eduardo Ribeiro Resende (filho do senador Eurico Resende) se suicidou em 1990, aos 40 anos. 

Raimundo Duque faleceu em 2005, aos 62 anos, por complicações relacionadas ao alcoolismo. 

Em 2023, apenas Álvaro Henrique ainda estava vivo.

O crime contra Ana Lídia prescreveu em 1993. E, apesar de todos os desdobramentos, muitos erros na investigação foram cometidos. Por conta disso, o caso continua cheio de perguntas sem respostas até hoje… 

O que de fato aconteceu com Ana Lídia? As pessoas que eu citei aqui foram realmente os culpados? Tinha mais gente envolvida? Por que sequestraram a garota? E por aí vai… 

Isso se complica ainda mais pelo crime ter acontecido durante a ditadura, um período em que investigações como essa não tinham transparência. Ainda mais envolvendo (supostamente) filhos de políticos importantes da época… 

Nos primeiros anos de Brasília, que é quando esse caso se passa, não havia muitos lugares de lazer pra crianças na cidade. Em 1971, tinha sido inaugurado o Parque Iolanda Costa e Silva. O nome era uma homenagem à esposa do ex-presidente do Brasil, o general Artur da Costa e Silva. Dois anos depois, em 1973, o local passou a se chamar Parque Ana Lídia - uma homenagem a ela, que frequentava o  parquinho.

PARQUE ANA LÍDIA:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html 

Ana está enterrada no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Atualmente, o túmulo dela é o mais visitado do local… Ele está sempre decorado com flores, bonecas, balas, ursos de pelúcia e cartas.

ENTERRO DE ANA LÍDIA EM 1973:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html 

Muitas pessoas acreditam que a menina é santa e faz milagres. O túmulo é cuidado por dois jardineiros, que, segundo eles, recebem pagamento de um idoso que teve uma graça alcançada depois de pedir por uma intercessão da Ana Lídia. 

TÚMULO DE ANA LÍDIA:

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/09/5124118-ana-lidia-a-cronologia-do-crime-que-segue-sem-respostas-ha-50-anos.html#google_vignette 

Um dos jardineiros contou ao UOL que os milagres têm se espalhado de geração em geração, com até pessoas de fora de Brasília vindo ao local pra pedir e agradecer. Entre os milagres, estão relatos de pessoas que acharam quantias de dinheiro que tinham sido perdidas e até de quem conseguiu passar em concursos públicos depois de pedir pela intercessão da garota.

FONTES: 

UM PODCAST COM MISSÃO

Escute agora

CONTATO

Para propostas comerciais, sugestão de casos ou para elogios ou até mesmo reclamações, preencha o formulário.

Casos Reais Podcast · 2022 © Todos os direitos reservados.