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Uma mistura perfeita entre drama familiar, indústria do entretenimento, conexões de Hollywood, testemunhos dramáticos e, é claro, a capacidade de um programa de TV a cabo em fazer a maior cobertura de um caso criminal como se fosse um reality show. Ficou curioso?

No Casos Reais de hoje, eu trago um dos casos criminais mais famosos do final do século 20, e eu tô doida pra saber a sua opinião sobre ele.

Fala, pessoal! E aí, tudo bem?

INÍCIO DO CASO

A história de hoje tem como personagens a família Menendez. 

Para que vocês tenham uma ideia, a família Menendez parecia ser um modelo perfeito do american dream, pelo menos para os padrões de vida dos anos 80, que foi a época em que tudo começou a acontecer. Então já imagina aí aquela família margarina, cheia de posses, privilégios e tudo mais que envolve essa visão de mundo supervalorizada. Se nos anos 80 já era assim, imagina nessa geração que nasceu nas redes sociais, né?  Mas isso é um papo pra outro episódio!

Pra que eu comece a te contar sobre essa família, a gente precisa falar de José Menendez, o patriarca. Ele era um imigrante cubano que chegou ao topo e se tornou um homem muito bem-sucedido profissionalmente. Ele nasceu em Cuba, mas emigrou para os Estados Unidos depois da Revolução Cubana dos anos 1950. Nessa época, ele morou de favor no sótão da casa de um primo até ganhar uma bolsa de estudos para natação em uma universidade. Desde sempre, José valorizou os esportes e a importância dessa bolsa de estudos na vida dele. 

Depois de algum tempo morando na casa do seu primo, ele conheceu Kitty, sua futura esposa. Na época, ela também era estudante na universidade que ele estudava e era conhecida na região por ter ganhado um concurso de beleza. Os dois se conheceram, se apaixonaram e se casaram. José estudou bastante e deixou de trabalhar lavando pratos para se tornar um executivo bem-sucedido do ramo de entretenimento. 

Vale dizer aqui, desde já, que ambos, tanto José quanto Kitty, eram muito preocupados com a imagem pública da família que eles estavam construindo. Eles tiveram dois filhos: Joseph Lyle Menendez nasceu em 10 de janeiro de 1968, em Nova Iorque, e seu irmão Erik Galen Menéndez, em 27 de novembro de 1970, em New Jersey.

O patriarca da família passou o início dos anos 80 liderando a RCA Records. Lá, ele acabou sendo responsável pelas assinaturas de muitas bandas famosas mundialmente, como Duran Duran e The Eurythmics. 

Os seus filhos eram super pressionados por ele, porque ele acreditava que eles precisavam ter sucesso e prosperar assim como ele prosperou. Mas ainda que eles fossem criados dentro dessa mentalidade, Lyle e Erick tinham muitos privilégios. Eles cresceram em uma mansão em um bairro de classe alta de Princeton, tinham tudo o que eles queriam, faziam tudo o que estavam ao alcance das posses dos pais. Mas apesar de terem todo esse suporte financeiro da família, eles não tinham um rendimento muito legal na escola. 

Também é importante dizer que, por conta disso, o pai, que já tinha essa tendência de ser mais incisivo na criação dos dois, fazia uma certa pressão para que eles saíssem melhor na escola. E ele queria que, assim como aconteceu no caso dele, que os filhos participassem de algum tipo de esporte. 

Bom, agora falando um pouco da relação entre os dois irmãos, Erick e Lyle, a gente pode dizer que eles se davam super bem. Inclusive o irmão mais novo, o Erick, sempre foi o maior admirador do irmão mais velho, o Lyle. Sabe aquela coisa de querer ser igual ao irmão? O Erick era assim em relação ao Lyle. E uma coisa que os professores comentavam naquela época em relação aos dois era que eles tinham comportamentos que não condiziam com a idade que eles tinham. Como se eles tivessem comportamentos de crianças mais novas. Mas parece que todas as vezes que os professores tentavam levar isso para o pai deles, ele meio que ignorava. 

A verdade era que José era muito controlador. Ele decidia absolutamente tudo: o que os filhos iam comer, onde iriam, quais amigos eles teriam, quais não serviam pra ser amigos dos filhos… uma loucura de tanta possessividade e controle. Então não faz muito sentido essa questão de querer que os filhos sejam bem sucedidos, controlar a vida dos filhos, e não se importar quando a escola traz um feedback sobre o nível de aprendizagem e o comportamento dos dois. 

Bom, algum tempo depois, os filhos entraram para a prática do tênis, e finalmente José teve o que queria em relação ao esporte na vida dos filhos. Ele sempre quis que os filhos tivessem alguma ligação com o esporte, assim como ele teve com a natação e, aparentemente, o tênis tinha se apresentado para os dois e eles o amavam. 

É complicado falar sobre cobranças entre pais e filhos porque a gente não está vivendo aquela realidade específica daquele núcleo familiar para entender a intensidade disso. É normal que os pais tenham algum tipo de projeção em cima dos filhos mas, ao mesmo tempo, a gente entende que existem níveis dessa expectativa sobre o que os filhos vão ser, como eles serão vistos pela sociedade e como, enquanto pais, eles vão atuar em cima disso para corresponder a essas expectativas.

Mas o que a gente sabe é que no caso dos dois irmãos, essas cobranças pareciam ter um nível preocupante em cima dos dois. Eles passaram, depois de um tempo, a apresentarem comportamentos ansiosos, a ranger os dentes, a ter dor de estômago, como se fosse gastrite nervosa e, acreditem se quiser, a gaguejar. Quando tinha 14 anos, o filho mais velho ainda brincava com ursinhos de pelúcia, o que era bem atípico para uma criança da idade dele. Além disso, ele tinha uma dificuldade muito grande de discernir o que era ficção do que era real, o que é um comportamento bem curioso. O Erick, por outro lado, parecia ser bem mais introspectivo e mais sensível que o irmão mais velho. 

Teve uma história bem esquisita sobre os dois que aconteceu na adolescência. Uma prima deles estava passando uns dias na casa que eles moravam e, em alguma brincadeira que eles estavam fazendo, os irmãos decidiram amarrar a prima e tirar a roupa dela, o que deixou ela muito assustada! Isso não fazia sentido porque, além deles não terem intimidade nenhuma com a prima pra brincar desse jeito, a gente pode entender que isso funciona como um abuso sexual por parte dos dois.

Os anos foram passando e, em 1985, José recebeu o convite para ser o presidente da Live Entertainment, que era uma empresa de distribuição de vídeos na Califórnia, e ele acabou juntando essa oportunidade de emprego com o novo ar que uma mudança de casa traria para a família. O Lyle, o filho mais velho, queria ficar em New Jersey porque ele já estava se formando na escola, mas os outros três partiram rumo à Califórnia. Nos finais de semana, estavam sempre todos juntos. 

Mas o que deveria ter acontecido para animar os ânimos e acalmar a vida da família acabou tendo efeito contrário: naquela época, os irmãos começaram a roubar casas vizinhas, o que não fazia sentido nenhum porque eles eram ricos. Isso manchava a imagem da família e por conta disso, o José decidiu se mudar novamente e todos foram para Beverly Hills. 

O José chegou a dar um cargo para o Lyle dentro da empresa que ele trabalhava, mas não funcionou. Ele só fazia o que queria, faltava o expediente, era um péssimo funcionário. Na mesma época, Erick, o mais novo, recebeu suas duas primeiras acusações de roubo e começou a escrever roteiros de filmes. Em um desses roteiros, havia uma história onde os filhos matam os pais. Curioso. 

Nessa mesma época, como se não bastasse, eles começaram a roubar os pais dos seus amigos, não satisfeitos em já serem acusados de roubo. Eles roubaram mais de cem mil dólares. Erick, nessa época, começou a andar com alguns adolescentes se metendo em encrencas por uma série de assaltos. Ele chegou a ser detido por causa de roubo, mas José contratou um advogado muito bom e conseguiu um trabalho social para que o filho pagasse pelo que ele fez, quando na verdade a situação exigia bem mais do que isso. 

Os pais, nesse momento, já não sabiam mais o que fazer com os dois. Como eles eram ricos, decidiram viajar com os meninos pra ver se aquilo ajudava, se a família se sentiria mais unida etc. Dia 19 de agosto de 1989 eles alugaram um barco para pescar tubarões e foi um final de semana tranquilo, em família, no mar, em meio à natureza… missão cumprida. Mas no dia seguinte, eles voltaram pra casa e os pais decidiram ver TV e comer alguma coisa, enquanto os filhos foram ao cinema.

Quando os filhos voltaram, eles ligaram imediatamente para a polícia, alegando que alguém havia entrado em casa e matado os seus pais.  A casa em que José e Kitty foram mortos estava localizada em um dos quarteirões mais exclusivos de Beverly Hills e foi ocupada em diferentes momentos por Michael Jackson e Elton John. Nessa época, seus filhos Lyle e Erik tinham 21 e 18 anos respectivamente. 

O assassinato foi um crime bárbaro; José e Kitty não foram apenas mortos, mas quase não era possível reconhecer seus rostos por 15 tiros de duas espingardas de calibre 12. Foi tão brutal que a polícia pensou que os assassinatos eram um golpe da máfia, e as primeiras investigações se concentraram em investigar se a família possuía alguns rivais de negócios. Chegaram inclusive a cogitar Fidel Castro, por seu histórico de nacionalidade e por conta da época histórica em que estavam vivendo.

Na noite dos assassinatos, os irmãos disseram à polícia que saíram para ver um filme, mas tiveram que fazer uma parada em casa para pegar a identidade de Erick. Foi quando eles descobriram os corpos dos seus pais e ligaram para o 911. Os policiais que responderam à ligação para o 911 encontraram Erick desolado, soluçando no gramado antes de entrar na cena do crime.

O que aconteceu depois disso foi bem incomum e abriu um precedente para a polícia começar a desconfiar das coisas que estavam acontecendo. Se você perde seus pais, é esperado que exista algum abalo emocional, certo? Não no caso dos irmãos Menendez.

Nos meses seguintes, nenhum dos irmãos agiu como pessoas que encontraram seus pais mortos em uma cena de assassinato. Na verdade, eles agiram como pessoas que tinham acabado de ganhar na loteria. Logo depois da morte, eles receberam uma fortuna de US$ 14 milhões e, basicamente, em seis meses, os Lyle e Erick gastaram cerca de US$ 700.000 dessa fortuna.

Lyle comprou um Rolex, um Porsche, um restaurante em Princeton…  Erick, por sua vez, parecia ser mais pé no chão que o irmão, mas igualmente sem noção: comprou um Jeep Wrangler, um treinador de tênis pessoal de US$ 50.000 e um investimento de US$ 40.000 em um show de rock que nunca aconteceu. 

Mesmo com todo esse dinheiro, essa vida luxuosa e cheia de ostentação por parte dos dois, Erick não parou com os roubos. Em 1988, depois de ser pego depois de um assalto, ele foi obrigado pelo tribunal a se encontrar com um terapeuta chamado Dr. Oziel. Esse terapeuta se compadeceu do caso de Erick e estendeu a mão para ele. Tempos depois o Lyle também começou a ser atendido pelo Dr. Oziel.  

A confiança entre Erick e Oziel foi aumentando gradativamente até que, em um dia, em uma de suas sessões, ele confessou o inconfessável: ele e seu irmão haviam matado seus pais. Mas Oziel, apesar de terapeuta, não conseguiu segurar a informação só para ele e confidenciou para sua namorada, Smyth. Enquanto isso, as sessões de terapia continuaram e Oziel conseguiu gravar em uma fita o depoimento dos dois confessando os crimes. Mas tempos depois, por causa de uma discussão entre o casal, Smyth resolveu usar dessa informação privilegiada e entrou em contato com a polícia de Beverly para contar que os irmãos Menendez confessaram o assassinato de seus pais e que ela tinha as fitas como prova. Lyle foi preso e Erick, que estava em Israel na época, voou para Miami e depois para Los Angeles, onde se entregou à polícia.

E aí vem a questão que eu considero a mais importante do episódio até agora: essas fitas deveriam ser guardadas, resguardando a relação médico-paciente ou poderiam ser usadas como prova?

Por conta desse impasse, quase dois anos se passaram até o tribunal conseguir chegar a uma conclusão.  Finalmente, a Suprema Corte da Califórnia decidiu que duas das três fitas eram elegíveis para serem usadas no julgamento, incluindo uma que continha a admissão de culpa de Lyle.

O julgamento teve início em 1993 e foi transmitido em uma rede a cabo relativamente nova chamada Court TV, que se dedicava a transformar o sistema legal em um híbrido de entretenimento e evento esportivo, como se transformassem os casos criminais em realities. Para vocês terem uma ideia, essa rede realizou o julgamento e horas intermináveis ​​de cobertura antes e depois dos procedimentos de cada dia, o que contribuiu bastante para toda comoção nacional e obsessão das pessoas pelo caso. Era um BBB true crime. 

Nessa época, veio ainda mais uma notícia bombástica para alimentar esses ânimos. Lyle e Erick contaram em tribunal que a vida com seu pai foi muito além do abuso emocional e da pressão para serem bem-sucedidos. Segundo os irmãos, eles eram molestados desde a infância pelo pai, e deram detalhes do que ele fazia e por quanto tempo ele fazia. A mãe, Kitty, também não ficou de fora das acusações. Isso, obviamente, chocou a população e dividiu a opinião das pessoas. Afinal, eles estavam falando a verdade? O advogado dos dois, que por sinal virou uma subcelebridade naquela época, Leslie Abramson, disse que os irmãos estavam agindo em legítima defesa depois de crescerem em um lar tão violento e traumatizante. 

O primeiro julgamento durou quatro meses e meio e resultou em dois júris suspensos – um para cada irmão – incapazes de concordar se eles eram culpados de assassinato ou agindo em legítima defesa. Foi anunciado, então, que eles seriam julgados novamente. O segundo julgamento aconteceu em 1995 e foi bem menos sensacionalista, porque o novo juiz não deixou a imprensa entrar no tribunal. Ou seja, acabou o reality show!

Lyle e Erik foram condenados por assassinato em primeiro grau em 1996. Os dois tiveram a prisão perpétua sem liberdade condicional como pena e foram enviados para prisões separadas até 2018. A partir de 2018, eles foram autorizados a cumprir suas penas na mesma instituição prisional. 

FINAL DO EPISÓDIO

Algumas fontes dizem que, até 2018, os irmãos nunca mais haviam se encontrado ou falado ao telefone. Alguns relatos dizem que eles escreviam cartas um para o outro e jogavam xadrez à distância, descrevendo a movimentação das peças pelo correio. Eles foram mantidos separados por todo esse tempo justamente porque o receio da polícia era de que eles planejassem uma fuga juntos. 

Um jornalista chamado Robert Rand, que acompanha esse caso desde 1989, deu uma entrevista a um programa de TV sobre esse caso, e afirmou que ambos “foram imediatamente às lágrimas” ao se reencontrarem. 

Lyle chegou a dar um depoimento para a TV americana dizendo que sua mãe teria feito vista grossa aos supostos abusos sexuais cometidos pelo pai contra os dois: “Eu amo a minha mãe, ainda choro por ela, e não a perdoo. A vida dela terminou, e as nossas essencialmente também, por causa dessa decisão dela de não contar (denunciar) o que aconteceu. Que tipo de mãe deixa isso acontecer?“, disse ele.

Agora, com mais de 50 anos, eles continuam cumprindo suas penas de prisão perpétua, mas parecem felizes. Eles não se culpam pelo que aconteceu, permanecendo fiéis e amorosos um com o outro.

Uma coisa muito curiosa é que, recentemente, esse caso vem tomando a atenção das pessoas novamente. Páginas de apoio à Lyle e Erick Menendez explodiram nas mídias sociais, principalmente no TikTok e no Instagram, de acordo com o jornal New York Times. A explicação para isso pode ter a ver com a maneira como as mídias sociais funcionam. Como os vídeos podem ser cortados e mostrados fora de contexto, é possível que, em muitos casos, as pessoas tenham feito isso para manipular o caso como um todo e chamar a atenção para o fato de que eles eram molestados.

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