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Um instante é tempo suficiente para mudar tudo. Num dia qualquer, a imprevisibilidade da vida pode te colocar frente a frente ao seu maior medo – e você precisa estar pronto para lidar com as consequências e lutar pelo que você acredita. 

O episódio de hoje é extremamente especial. Nós fomos convidados pela HBO Max pra falar de um caso que mexeu profundamente com os brasileiros e que completa 30 anos em 2022. 

Pela primeira vez em três décadas, a autora e produtora brasileira, ganhadora do Emmy Internacional, Glória Perez, compartilha as suas memórias, os seus registros e suas percepções sobre a maior tristeza que já aconteceu na sua vida, que foi o assassinato brutal da sua filha Daniella Perez. 

E ela narra todos os fatos na mais nova produção original da HBO Max, que estreia HOJE no dia 21 de julho.

A série é composta por 5 episódios e reconstitui com detalhes os fatos e julgamento do caso, trazendo informações que nunca foram compartilhadas e depoimentos de pessoas envolvidas direta ou indiretamente no caso, seja nas investigações, seja acompanhando de perto a vida de Daniella. 

Pra vocês terem uma ideia, a série traz relatos dos familiares e dos amigos mais próximos da Daniella Perez – e muitos deles vocês conhecem: Raul Gazolla, Claudia Raia, Fábio Assumpção, Maurício Mattar, Cristiana Oliveira, Eri Johnson, Stênio Garcia e por aí vai. Nós tivemos acesso aos primeiros episódios e não tem como não ficar impressionada com a quantidade de informações que eles conseguem reunir e relacionar sobre esse caso. 

Uma coisa super interessante sobre a série é que a própria Glória Perez rastreou testemunhas, identificou várias evidências e expôs alguns erros das autoridades brasileiras. Ou seja: ela foi fundamental para que o caso fosse concluído e, ainda por cima, deixou um legado super importante na nossa legislação.

Além disso, a HBO Max possui um catálogo extenso de produções no gênero True Crime, então se você ainda não conhece a plataforma, dá só uma olhada no Instagram oficial @hbomaxbr ou no site oficial www.hbomax.com e entenda como fazer a sua assinatura. As informações estão todas lá, é super fácil! 

E eu vou aproveitar também pra fazer aquele pedido que vocês já sabem: sigam o nosso perfil no Instagram @casosreaisoficial, o meu perfil pessoal @erikamirandas e, é claro, sigam também o nosso podcast aqui no Spotify! 

Toda a semana nós estamos aqui trazendo um caso pra vocês, então se você já maratona nosso podcast e ainda não viu um caso que gostaria, mande uma mensagem pra gente contando a sua sugestão de caso! A gente traz por aqui, tá bom?

E esse é o caso da Daniela Perez.

INÍCIO DO CASO

28 de dezembro de 1992.

O dia começou de um jeito comum, como qualquer outro dia daquele ano. Mas se tem uma coisa que a gente já aprendeu contando tantas histórias de casos policiais, a vida também pode mudar num dia completamente normal.

Daniella acordou naquela manhã de dezembro e foi trabalhar. Aquele dia, apesar de ser um dia comum de trabalho, era também um dia onde Daniella finalmente compraria o carro que tanto sonhava. Já estava tudo certo. Ela trabalharia pela manhã e na hora do almoço passaria na casa de sua mãe para pegar uma quantia em dinheiro e ir para a concessionária comprar o carro.

Naquela época, as novelas tinham um impacto grande na vida dos brasileiros. Isso porque não existia streaming, não havia wifi, redes sociais... então o que as novelas faziam era exatamente esse papel que a internet de hoje em dia faz. Os atores eram verdadeiros influencers... as novelas tinham todo um enredo, mas também ajudavam a popularizar o estilo de cabelo, de roupa, de comportamento... assistir novelas influenciava as pessoas. Então imagina ser um personagem principal em uma novela... os olhos eram todos voltados pra você!

A Daniella tinha apenas 22 anos e estava no ar em sua terceira novela, “De Corpo e Alma”, que passava no horário nobre da televisão. Apesar de ser muito jovem, Daniella era uma atriz muito talentosa e muito carismática. Ela era uma atriz que chamava a atenção das pessoas... Nessa época, inclusive, Daniella estava começando a ser chamada de namoradinha do Brasil. 

Seu marido, o ator Raul Gazolla, também vivia o mesmo estilo de vida que ela: várias gravações, compromissos, entrevistas, fotos para revistas, imprensa... eles eram um casal jovem que caiu no gosto do público. 

Raul e Daniella se conheceram em 1989. Naquela época, o ator estava gravando a novela “Kananga do Japão” e a sua parceira de cena, Cristiane Torloni, teria de gravar uma dança com Carlinhos de Jesus. O autor da novela escolheu, então, uma bailarina para dançar com Raul e a escolhida foi Daniella, que na época ainda não era atriz. Depois disso eles se conheceram e se apaixonaram. Pouco tempo depois começaram a morar juntos. Foi tudo muito intenso e verdadeiro desde o início.

E naquela manhã, ao se despedirem, eles sabiam que o dia seria completamente corrido como de costume, mas que se encontrariam de noite num ensaio de uma peça em que os dois estavam trabalhando juntos. 

O dia foi passando e cada um estava trabalhando em um lugar diferente.  Ao final da sua gravação, Raul resolveu passar de moto em frente ao estúdio que Daniella estava gravando, mas o carro que eles usavam não estava mais lá. Na hora, Raul pensou que ela já deveria ter ido para casa se trocar para ir ao ensaio que acontecia no Shopping da Gávea.

Ele decidiu ir pra casa e encontrar com ela, para os dois irem ao ensaio juntos.

Quando ele chegou, não havia sinal da Daniella. Na hora, Raul pensou que ela poderia ter furado o pneu do carro ou acontecido alguma coisa no meio do caminho, então ele decidiu sair de casa pra poder refazer o mesmo trajeto que ela provavelmente teria feito e ir em direção ao teatro. 

Durante o caminho, ele foi observando as ruas para ver se encontrava alguma coisa diferente, algum sinal de que ela poderia ter passado por ali, mas ao mesmo tempo ele não sabia o que procurar.

Quando Raul chegou ao teatro ele já estava bem preocupado, mas esperava encontrar a Daniella por lá e ouvir alguma história do tipo: “ah, ia para casa, mas aconteceu esse contratempo e eu achei melhor vir direto...”, qualquer coisa que justificasse esse desencontro que tinha acabado de acontecer. 

É interessante dizer que naquela época, ainda não haviam aparelhos celulares. Hoje em dia, se você quer encontrar uma pessoa, você manda uma mensagem, você faz uma chamada de vídeo, você liga... é muito fácil. Mas nos anos 90, quando isso acontecia, você tinha poucas opções e elas demoravam muito mais pra você entrar em contato com a pessoa: ou você deveria ter um telefone residencial, ou você deveria ligar de um telefone público, ou você iria até a casa da pessoa. Quando as pessoas marcavam e realmente se encontravam nos lugares. Se a pessoa não chegasse, algo tinha acontecido. Então a facilidade de encontrar uma pessoa, que nós temos hoje em dia, nem chega perto do que acontecia. 

Ao entrar no teatro, Daniella também não estava por lá. Isso era muito estranho. Ao perguntar para os colegas de trabalho, ninguém tinha notícias dela. 

O relógio já dava por volta de 21h. Ele decide ligar para a casa da mãe de Daniela, Gloria Perez, e perguntar se ela tinha passado por lá. Afinal de contas, não havia mais nenhum lugar onde ela pudesse estar. Quem atendeu o telefone foi o irmão da Daniella, Rodrigo, e que, por sua vez, também não tinha nenhuma notícia da irmã. 

Nos anos 90, estavam acontecendo muitos sequestros no Rio de Janeiro... Quase todos os dias os noticiários traziam alguma informação de uma pessoa ou uma família que havia sofrido um sequestro... então naquele momento todos começaram a ficar super preocupados. 

A família inteira já estava atrás de Daniella, enquanto alguns amigos também decidiram se juntar à família e sair em busca da atriz pela cidade. 

Gloria Perez teve a ideia de ligar para o diretor da novela para perguntar se havia alguma cena extra que poderia ter acontecido, mas o diretor disse que as gravações terminaram no horário normal e que, quando ele saiu, ele viu a Daniela com Guilherme de Pádua, seu parceiro de cena e par romântico na novela; e Marilu Bueno, que fazia o papel da sua mãe. 

Na mesma hora, Raul e Rodrigo partiram para a casa de Marilu Bueno para saber mais informações sobre a última vez que Daniella havia sido vista. Ao chegarem lá, Marilu contou que viu a atriz e Guilherme, na saída da gravação, tirando fotos com algumas crianças. Então, até o momento, Guilherme teria sido a última pessoa a se ter notícias de Daniella. 

Então, A Glória ligou para o Guilherme, que disse que esteve com Daniella no momento das fotos, mas que foi embora e ela continuou por lá... ele disse que provavelmente ela deveria ter ido visitar uma amiga e não deu mais informações.

Naquele mesmo momento, uma mensagem da patrulha da PM chega até à 16ª. Delegacia de Polícia que fica na Barra da Tijuca. O policial que estava de plantão comunicou que havia um carro abandonado no Recreio dos Bandeirantes, perto do condomínio Rio Mar. 

O policial chegou a essa informação porque um homem, chamado Hugo da Silveira, veio visitar a filha que morava no Condomínio. Mas quando estava entrando, viu dois carros parados e vazios. Hugo achou aquilo muito suspeito, porque o lugar era muito vazio e escuro, e resolveu voltar para anotar as placas dos carros. Era um Santana e um Escort. 

No momento em que ele volta para o lugar e anota a placa do Escort, percebeu que havia duas pessoas dentro do Santana... um homem e uma mulher. Hugo logo pensou que devia ser um casal que havia se encontrado ali pra namorar, mas achou estranha a escolha do lugar. Quando entrou novamente no condomínio, contou essa história para o síndico que também achou tudo muito suspeito. E ele resolve ir lá pra dar uma olhada, afinal de contas, por que o casal pararia num lugar tão perigoso?

Quando o síndico chega, ao contrário de Hugo, ele avista apenas um carro. Mas não havia ninguém dentro dele. Resolveu então ligar para a polícia. O policial chegou e acionou o Delegado Cidade, mas, como estava sozinho, resolveu aguardar o restante da polícia chegar. 

Enquanto isso, o policial resolve entrar na mata ao lado do carro e se proteger. Afinal de contas, ele era um policial fardado, sozinho, num lugar perigoso. Aquilo poderia ser um chamariz para alguma coisa. 

Ao entrar na mata, sem querer, ele pisou em alguma coisa e tropeçou, mas quando olhou pro chão, era o corpo de uma pessoa. 

Era o cadáver de Daniella. 

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Então, Raul Gazolla, marido dela, foi até a delegacia. Ele foi com Marilu até lá. Ao chegarem, a polícia conta que encontraram um corpo em um matagal e que esse corpo era de sua mulher. 

Raul fica sem entender e pergunta se o carro foi encontrado depredado, se foi algum acidente... como aquilo havia acontecido? O policial diz que não, que o carro estava intacto. Depois desse momento, todos foram até a cena do crime e viram com os próprios olhos o estado brutal em que o corpo de Daniella havia sido encontrado. 

Ela estava no chão, completamente ensanguentada, e os golpes que sofreu foram tão intensos que até o seu coração estava à mostra.

Várias suposições começaram a acontecer... Se Dani havia saído com dólares de casa, provavelmente deveria ter relação com a compra do seu carro novo, mas e o outro carro que estava no local? Pra onde foi?

A polícia decide, então, ir atrás de Hugo, o homem que havia anotado as placas dos dois carros. Enquanto isso, todos retornaram para a delegacia, enquanto mais pessoas estavam chegando. Amigos, colegas de trabalho, parentes, pessoas próximas a Daniella e toda a sua família... todos muito surpresos e abalados com tudo o que estava acontecendo.

De repente, um Santana azul se aproxima da delegacia e estaciona em frente. Guilherme de Pádua... o parceiro de cena de Daniella. Ele abraça o Raul e o consola. Eles não eram próximos, mas num momento como esse o principal parceiro de trabalho de Daniella não poderia deixar de prestar seus sentimentos, foi o que todos pensaram. 

Todos os amigos estavam lá, reunidos, sem entender o que aconteceu. Nesse momento, Claudia Raia questionava quem poderia ter praticado uma barbaridade tão grande contra uma menina tão frágil. Ouvindo o que a amiga de Daniella dizia, Guilherme de Pádua tomou a palavra. Ele também se mostrava perplexo com tudo o que estava acontecendo e reforçava a necessidade de todos se protegerem, já que a cidade estava muito violenta. Nesse momento, levantou a manga da camisa e acabou, sem querer, deixando à mostra o seu braço cheio de arranhões. Por algum motivo, Claudia Raia ficou com essa imagem na cabeça e ainda comentou com outra pessoa: “esse cara apanhou da mulher. O braço dele tá todo lanhado. E é unha de mulher!” 

Enquanto a polícia averiguava as placas de carros com as informações passadas pela principal testemunha, o que ninguém imaginava era que uma delas batia exatamente com a placa de um carro que estava ali, naquela delegacia. O carro de Guilherme de Pádua. Isso aconteceu depois de um levantamento feito pela delegacia, onde buscaram informações de todas as placas de carros de pessoas que estacionaram na TAYCON, local onde ocorriam as gravações de Daniella e toda a equipe.  

A atriz Carla Daniel, em declaração constante do processo, conta que Daniella vinha tentando fugir do cerco de Guilherme de Pádua há algum tempo. Segundo ela, dez dias antes do assassinato, viu Daniella entrar no carro da atriz Juliana Teixeira, pedindo para irem  logo embora e que não desse carona para o Guilherme, porque ela não aguentava mais ele ficar alugando o ouvido dela o tempo todo.

O assédio, a pressão, o cerco de Guilherme de Pádua a Daniella não passou despercebido a ninguém, especialmente no dia do assassinato.

Diz a camareira Amélia, em depoimento ao juiz: que viu Guilherme chamando Daniela na porta do camarim; que escutou Daniela gritar para Guilherme lhe esquecer e que no dia do crime ouviu Daniela comentar com dona Marilu (Marilu Bueno) que o Guilherme estaria lhe perseguindo.

Sandro Siqueira disse que quando ouviu Daniella dizer que não tinha contado pra mãe sobre a pressão que estava sofrendo por parte de Guilherme de Pádua, foi taxativo: –você vai contar isso hoje pra sua mãe! se não contar, amanhã eu conto!

Infelizmente não houve amanhã!

Imaginem a situação como um todo. O parceiro de trabalho era, até o momento, o principal suspeito do crime. Mas era madrugada e a polícia não podia, por lei, intimar o suspeito naquele horário. Tiveram que esperar até a manhã seguinte, onde Guilherme foi surpreendido em sua casa e chamado para depor. 

O delegado conta que quando chegaram na casa de Guilherme, ele estava dormindo. Ele não desconfiava que a polícia já tinha todas essas informações, então ao ser chamado para depor, até pediu para ir mais tarde à delegacia, porque não havia dormido direito à noite. Mas ali mesmo aconteceu a sua voz de prisão e Guilherme foi levado para a delegacia. 

O laudo do IML diz que ela teve 12 perfurações perto do coração com golpes de punhal, onde 8 golpes atingiram diretamente o órgão — que choca pela brutalidade e pela crueldade do crime.  Os criminosos mentiram dizendo que teriam usado uma tesoura no crime para se livrarem da premeditação. E que essa tesoura estaria no carro para que Paula Thomaz abrisse sacos de leite! De acordo com essa versão, Paula Thomaz estava sempre tomando leite,  mesmo dentro do carro, nos trajetos cotidianos. Por isso precisava ter sempre uma tesoura à mão. Costume estranho, né? Porém, os que conviveram com ela nunca a viram tomando leite, e depois do crime também não há registro de que o tenha feito.

No dia do assassinato, o presidente Collor renunciou, mas só se falava do caso da Dani. Mais de 2.000 pessoas foram ao velório. A notícia se espalhou pelo mundo... New York times, jornais da américa latina... todos estavam contando sobre a morte prematura e trágica da Daniella. 

Guilherme tinha 23 anos, era casado e sua mulher estava grávida de 4 meses. Ele acabou admitindo o crime. Mas a sua versão não fazia nenhum sentido.

Ele disse que Daniella o assediava e demonstrava ter sentimentos por ele, que não eram correspondidos. Guilherme disse então que naquele dia, Daniella sugeriu que eles fossem até um lugar mais calmo para conversarem. Nesse caso, o local onde o corpo dela foi encontrado. Quando chegaram lá, eles começaram a brigar e Daniella partiu para cima de Guilherme com tapas e arranhões, por não aceitar que ele não correspondesse aos seus sentimentos. 

Até que ela encontra o punhal no carro e tenta partir para cima de Guilherme, mas ele se defendeu e acabou atingindo a atriz em legítima defesa. Ela cai no chão morta, e ele decide simular uma cena de assalto, porque estava em pânico. 

Ainda na delegacia, Guilherme afirmava categoricamente que sua mulher, Paula, não tinha nada a ver com o crime. Mas alguma coisa na forma como ele afirmava a ausência de Paula chamava a atenção de um dos investigadores e ele decidiu chamá-la para depor. Como a situação era completamente delicada, se eles chegassem para a esposa de Guilherme — Paula —, e perguntassem se ela havia participado do crime, obviamente ela diria que não. Então a polícia usou da estratégia de dizer que Guilherme já havia confessado que ela havia participado — e foi aí que ela não teve escolha, a não ser concordar e confessar.

Paula admitiu que acompanhou Guilherme no carro e que, quando chegaram perto ao Condomínio Rio Mar, ela partiu para cima da Daniella e as duas brigaram fisicamente. Em um determinado momento, Guilherme deu uma gravata na Daniella e Paula apunhalou Daniella enquanto ela já estava caída no chão.

Mas vocês lembram quando eu disse que Paula estava grávida de 4 meses? Então... naquele dia, ela disse que estava passando muito mal por conta da gravidez e das fortes emoções das horas anteriores... e conseguiu ir embora da delegacia, mesmo tendo confessado o crime. Como isso foi possível? Ninguém entende até hoje.

E como se não pudesse ficar pior, Guilherme consegue um habeas corpus para responder em liberdade até a data do julgamento, o que provocou uma comoção absurda por parte da população, da imprensa e do Brasil como um todo. 

Por vários dias, as principais pautas dos noticiários giravam em torno do paradeiro de Guilherme, que obviamente estava sumido depois que foi solto. Dias depois o Ministério Público revogou essa decisão e finalmente Guilherme voltou para a cadeia para aguardar o julgamento. 

Paula e Guilherme foram acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, por terem utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima. Ao longo das investigações, descobriram que a placa do carro de Guilherme havia sido adulterada, o que demonstrava o caráter de crime premeditado. Mas não contava que alguém passaria pelo local e anotasse. Ele alterou a placa de LM1115, para OM1115, com fita isolante.

Por conta disso, o procedimento adotado foi, então, o do Tribunal do Júri.

No dia 15 de janeiro de 1997 Guilherme foi condenado a dezenove anos de reclusão (dos quais já havia cumprido quatro). O julgamento de Paula aconteceu no dia 16 de maio de 1997. Ela foi condenada a dezoito anos e seis meses de reclusão. A sua pena foi menor que a do Guilherme, porque ela tinha menos de 21 anos na época. 

Ambos cumpriram apenas sete anos da pena e foram soltos por boa conduta. Isso, apesar de injusto, pode acontecer, é previsto em lei. 

Antes desse caso, o homicídio qualificado não fazia parte do rol de crimes hediondos. Isso quer dizer que o tratamento com o criminoso não seria tão rígido. Por conta dessa situação, que a gente pode reconhecer que representava uma lacuna na lei, Gloria Perez liderou um movimento que pra incluir esse tipo de homicídio na lista de crimes hediondos e, no ano de 1994, ela conseguiu arrecadar mais de 1 milhão de assinaturas em favor de desse projeto de lei, que foi elaborado e sancionado por Itamar Franco, Presidente da República na época. Com isso, foi publicada a Lei 8.930/94, que passou a incluir o homicídio qualificado no rol dos crimes hediondos.

Muitas coisas merecem ser observadas nesse caso, mas eu queria trazer duas delas aqui. A primeira delas é que, na época, a polícia chegou a mencionar a forma ritualística com a qual o crime foi conduzido. Alguns elementos encontrados acabam dando suporte a essa teoria, como por exemplo o fato de Daniella ter sido encontrada dentro de um círculo queimado, ao pé de uma árvore (de acordo com os especialistas, todo sacrifício humano acontece ao pé de uma árvore), por ter acontecido em uma noite de lua nova, pelo crime ter sido realizado com um punhal e por aí vai. 

A segunda coisa que eu gostaria de comentar diz respeito ao próprio machismo envolvido em toda a condução do caso. Eu digo isso porque desde o início a imagem de Daniella foi questionada pela mídia. Mesmo todas as pessoas próximas negando qualquer tipo de envolvimento com o seu assassino, as capas de revista insistiam em colocar fotos dos dois juntos, ou alguma cena de beijo da novela, e usando a imagem dos personagens para ilustrar o falso rumor de afeto e de romance que havia entre os dois.

ONDE ESTÃO AS PESSOAS ATUALMENTE?

Nós descobrimos que, ao saber da produção da série pela HBO Max, Guilherme de Pádua resolveu abandonar seus perfis nas redes sociais. Após cumprirem as suas penas, o Guilherme e a Paula se separaram. Ele se converteu, virou evangélico, e se tornou pastor. Atualmente ele atua em uma igreja de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, e se casou mais duas vezes. 

Paula Thomaz se formou em direito, se casou com um advogado e atualmente assina como Paula Nogueira Peixoto. Continua morando no Rio de Janeiro. 

OPINIÃO (ERIKA)

A minha opinião sobre esse crime é que ele foi monstruoso, covarde e brutal. Não existe outra forma de falar sobre esse caso. Como já falamos em outros episódios, a vítima não consegue estar presente para se defender enquanto quem praticou o crime consegue. Mas a maior defesa que a vítima deixa, são as provas e as evidências no local do crime. E todas as evidências deixam claro que foi um crime covarde, premeditado, que a Dani jamais iria até aquele lugar sem que fosse levada e que os dois criminosos são psicopatas. E que sim, existem claras evidências de ritual na cena do crime. Além dos dois criminosos já terem sido vistos praticando coisas desse gênero.

Paula, tentou seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Inclusive recentemente acionou a Justiça contra a revista “IstoÉ”, usando como base o chamado “Direito do Esquecimento”. Ela solicitou à Justiça que, quando fizeram reportagens sobre o assassinato de Daniela, não cite mais o seu nome. Sonegar uma informação verdadeira ao leitor é praticamente um crime. Assassinos têm direito a serem esquecidos pela sociedade? Depois de cumprida a pena, jornais, revistas e emissoras de televisão devem perder o direito de mencioná-los? Não. Se a pessoa cometeu um crime, mesmo que tenha passado anos na cadeia e tenha “se regenerado”, o que fez não pode ser apagado.

O professor de Direito Daniel Sarmento disse que o direito ao esquecimento não é da imprensa, e sim da sociedade, que tem direito a conhecer sua história, sob pena de repetir os mesmos erros”. O assassinto de Daniella Perez trata-se de uma mancha que não vai desaparecer. Não há como apagá-la. É história. 

Uma das características muito comuns aos psicopatas é o exibicionismo. Não basta cometer o crime: precisam curtir o feito. 

Naquela época, Guilherme saiu da delegacia dizendo para que ligassem a qualquer hora para avisar a hora do enterro, porque fazia questão de estar lá, do lado da Glória posando para fotos! Esse é um exemplo clássico da satisfação que o psicopata sente em trapacear, em se divertir com a dor das pessoas que atinge! Guilherme de Pádua dedicou-se a “elaborar” histórias, na tentativa de passar o crime covarde para o terreno do passional e, assim, beneficiar-se das atenuantes previstas pela lei. Falou demais e explicou de menos em todas as entrevistas que deu. E sempre deixava um ar de mistério sobre o que poderia ter acontecido entre ele e a Dani. Abrindo pro espectador pensar em um possível relacionamento entre os dois, dessa forma colocando a culpa na vítima e manchando a imagem de Daniella.

Então, estamos aqui hoje para poder preservar e relembrar a memória e o nome de Daniella Perez. Lembrar da atriz, filha, mulher, amiga e tudo que ela foi e sempre será no coração de todos os amigos, fãs e familiares.

ENCERRAMENTO

Enfim, o nosso episódio de hoje trouxe o caso da Daniella Perez, mas eu posso dizer pra vocês que o que a gente contou por aqui não chega nem aos pés do que nós assistimos nos dois primeiros episódios da série PACTO BRUTAL na HBO Max. Existem muitas camadas de informações que não conseguimos colocar em apenas um episódio do Podcast e que vocês vão ficar perplexos quando assistirem à série. 

Eu espero que vocês tenham gostado e eu queria agradecer mais uma vez à HBO Max por estar conosco nesse episódio do Casos Reais! 

Então se você ouviu esse caso, tira um print da tela e compartilha no seu Instagram com os nossos @: @casosreaisoficial, @hbomax e @erikamirandas

Tô te esperando na próxima semana com mais um caso! 

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