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Uma menina de 14 anos chegou a uma delegacia de polícia de Hong Kong em maio de 1999.

Ela contou para as autoridades que estava sendo assombrada pelo espírito de uma senhora que havia sido torturada até a morte e amarrada por fios elétricos por várias semanas.

Os policiais acharam aquilo curioso, mas acabaram ignorando. Eles pensaram que, por ser adolescente, aquilo não passava de um devaneio da cabeça da menina.

O problema foi quando ela disse que esse fantasma, na verdade, era o espírito de uma senhora que ela ajudou a matar.

INÍCIO DO CASO

A história de hoje tem como personagem principal Fan Man-Yee. Ela nasceu em 1975, e sua vida desde o início foi muito difícil. Logo na infância, ela foi abandonada pelos pais, o que deve ser super traumatizante, e viveu em um orfanato para meninas em Ma Tau Wai, em uma cidade chamada Kowioon. Ela viveu nesse orfanato até os 16 anos, porque eles acreditavam que uma pessoa de 16 anos já tinha condições suficientes de trabalhar e se sustentar, e por isso os orfanatos não permitiam que adolescentes com mais de 16 anos continuassem morando lá. 

A gente não sabe se até hoje isso acontece, mas na época era assim que eles lidavam com as crianças que moravam em orfanatos. 

O que aconteceu depois disso teve muita consequência da forma como Fan Man-Yee foi tratada pelas autoridades ao ser despejada do orfanato. Ela era jovem, precisava de dinheiro, não tinha nenhum amparo, não tinha família, e estava na rua, desabrigada. Ela começou a ter contato com as drogas e se prostituir para ganhar dinheiro. O que ela ia fazer numa situação como aquela? É muito difícil julgar.

E foi aí que em maio de 1996, aos 21 anos, ela conheceu seu marido. Ele também era uma pessoa com vícios, principalmente em drogas. Eles começaram a morar juntos. Dois anos depois, em 1998, eles tiveram seu primeiro e único filho. 

Os vizinhos, nessa época, estavam acostumados a acordar na madrugada com gritarias vindo da casa dos dois, e muitas dessas gritarias eram por causa de violência doméstica. Só por aí a gente já consegue perceber o nível da relação que eles tinham. Devia ser uma coisa completamente abusiva, doentia e tóxica. E ainda tinha uma criança pequena no meio de tudo. 

Aos 23 anos de idade, a nossa protagonista conseguiu um emprego como recepcionista numa boate. Foi em 1997 que, trabalhando nessa boate, conheceu um homem chamado Chan Man-lok. 

Esse cara era uma pessoa péssima. Ele era um socialite de Hong Kong, de 34 anos, era cafetão e traficante de drogas. Por outro lado, a Fan Man-Yee, como a gente já sabe, era viciada em drogas. Então, já de início, eles tinham algumas coisas em comum e acabaram formando uma amizade ali. 

A gente sabe que muitos usuários de drogas possuem muitos problemas com dinheiro. Manter o vício é muito caro e esse foi o caso da Fan Man-Yee. Ela não era herdeira, muito pelo contrário, e por isso ela estava afundada em dívidas e precisava arrumar dinheiro. Foi aí que em 17 de março de 1999, ela simplesmente teve a brilhante ideia de roubar quem? Claro, Chan Man-lok, a pior pessoa que ela conhecia. A carteira dele tinha cerca de dois mil dólares nesse dia, o que era bastante coisa pra ela. 

O pior nisso tudo foi que, quando ele percebeu que ele havia sido roubado, ele soube exatamente quem havia feito isso, porque na ocasião, eles estavam no bordel, dentro de um quarto, sozinhos. Então não havia muito o que descobrir, né? Tava claro que havia sido ela. 

Como ele era um cara envolvido com tráfico e com máfia, ele sabia exatamente o que fazer numa situação dessas e, espertamente, virou o jogo. Ele obrigou a Fan Man-Yee pagar os dois mil dólares de volta e disse que, por causa disso, ela lhe devia mais 10 mil dólares de juros. 

Bom, ela acabou conseguindo dois mil dólares bem rápido e foi logo entregar a ele. Mas quando ele viu aquele montante de dinheiro, ele não estava nem aí para os dois mil dólares e perguntou quando ele iria receber os dez mil restantes. Ela disse que não havia conseguido, mas que precisava de um tempo a mais para conseguir juntar e pagar a ele, já que era uma quantidade muito grande de dinheiro e ela nem sabia por onde começar. 

É óbvio que, ao ouvir isso, Chan Man-lok ficou super insatisfeito, porque ele queria ganhar aquele dinheiro fácil. Mas ele deixou passar e foi encontrar dois amigos naquele dia, Leung Shing-cho de 27 anos e Leung Wai-Lun, de 21 anos. Esses amigos, na verdade, estavam mais pra capangas do que pra amigos, mas isso vocês já imaginaram, né? 

E aí, o que os três fizeram? Bolaram um plano de dar o troco na Fan Man-Yee já que ela estava em dívida com Chan Man-lok. Eles foram até a casa dela, entraram à força e a sequestraram. O intuito dos três, com isso, era fazer com que ela pagasse o que devia através de favores sexuais, já que ela era prostituta. 

Mas eles não contavam que, pouco tempo depois, esse plano começaria a dar muito errado. Quer dizer, muito MAIS errado do que já era. 

Vale abrir um parêntesis aqui e dizer que os três faziam parte de uma máfia chamada Tríade de Hong Kong (ou Tríades Chinesas). Atualmente, as tríades chinesas de Hong Kong e Macau têm, como grande fonte de lucros, os crimes do colarinho branco, contrabando e fraudes em apostas de jogos. Na época do que aconteceu, elas eram bem famosas também por conta de crimes de extorsão, espionagem, assassinato, tráfico de armas e prostituição. 

Resumindo, eles são grupos mafiosos super perigosos, com hierarquia e códigos de conduta super rígidos. Existem várias Tríades em Hong Kong com muito poder e influência. 

Depois de sequestrar Fan Man-Yee, eles a levaram até um apartamento muito curioso, em Hong Kong. Ele tinha 5 quartos, era bem grande, e pasmem: completamente decorado de Hello Kitty. Era absolutamente tudo: cortina, bichinhos de pelúcia, roupas de cama... tudo da Hello Kitty. Bizarro, né?

Mas mesmo com essa proposta fofinha de decoração, o lugar estava nojento, muito sujo, todo depredado, um horror. Acho que isso só torna o lugar ainda mais aterrorizante. 

Não sei se vocês lembram do episódio da Junko Furuta (e se você não ouviu, volte alguns episódios atrás e escute! Mas atenção, é um episódio muito forte, muito mesmo) mas isso lembra muito o que aconteceu com a Junko. 

Logo no primeiro dia de sequestro, a Fan Man-Yee apanhou muito dos três, foi violentada e abusada sexualmente e muito machucada. 

Chan Man-lok, que já hava aumentado em 5 vezes o valor da multa, parecia estar insatisfeito com aquilo tudo e aumentou ainda mais, o que não fazia sentido porque ela jamais conseguiria pagar. 

O que aconteceu foi o seguinte: já que ali ela estava completamente vulnerável, eles a usaram para descarregar tudo o que estavam sentindo. Toda raiva, toda frustração, tudo. E ela não tinha absolutamente nada a ver com o que eles estavam vivendo e sentindo. 

Mas a cada vez, os abusos pioravam, viravam tortura, sadismo. 

E foi nessa época que Chan Man-lok começou a namorar uma menina de 13 anos de idade. Sim, a Melody, aquela menina que nós comentamos na abertura do episódio. A Melody volta e meia era levada até esse apartamento onde Fan Man-Yee estava e ajudava a tortura-la. 

Uma das coisas que eles faziam era derreter um canudinho de plástico e deixar ele pingar no pé da Fan Man-Yee, fazendo várias bolhas. Quando eles se cansavam, eles queimavam os pés dela e ainda por cima batiam neles. 

Eles colocaram óleo de pimenta nas feridas e obrigaram ela a beber isso também. 

Mas eu acho que nada se compara ao que eu vou te dizer agora: além de todas essas coisas, eles a obrigavam a sorrir e dizer que estava feliz. E se não fosse convincente, eles a machucavam com mais força. 

Em muitas dessas torturas, a Melody também participava, mas por questões do acordo judicial que ela assinou, o que ela fazia não pôde ser divulgado. Ainda assim, eram coisas muito sérias e muito pesadas, principalmente se a gente imaginar que ela era uma menina naquela época. 

Em um dos seus depoimentos, ela disse que muitas vezes, enquanto a Fan Man-Yee estava amarrada, os homens ficavam jogando videogame ou assistindo tv, como se estivessem em uma roda de amigos. A situação da vítima era tão ruim que Melody também disse que ela parecia uma boneca quebrada. Muitas vezes, eles colocavam restos de comida nos ferimentos dela, e forçava Fan Man-Yee a beber urina e comer fezes. 

No décimo quinto dia de sequestro, ela já não conseguia mais se mexer. Os homens decidiram, então, pendurá-la, para poder ficar mais fácil de continuar a tortura. 

Depois de um mês de tortura, a Melody acordou em um dia e percebeu que ela estava morta. Ao avisar aos três homens, enquanto eles não sabiam o que fazer com o corpo da vítima, decidiram jogar videogame. 

E foi aí que Chan Man-lok teve a ideia de desmembrar o corpo da vítima e, na cabeça dele, isso dificultaria no reconhecimento do corpo dela. Mas eles não pararam por aí. Eles colocaram o corpo dela em uma banheira, pra poder cortar todos os membros, e logo depois cozinharam os membros do corpo dela pra evitar o cheiro. 

A Melody também contou em seu depoimento que Leung Shing-cho a chamou para ver a cabeça de Fan Man-Yee na panela, mas ela ficou com muito medo e disse que não queria ver aquilo. 

Tudo isso durou cerca de 10 horas e eles sentiram muita fome depois de acabarem. E aí, simplesmente, eles cozinharam um macarrão no mesmo lugar que estavam cozinhando as partes do corpo dela. 

Eles colocaram o crânio dentro de uma pelúcia gigante da Hello Kitty e mantiveram os dentes e alguns ossos dentro de sacos plásticos na geladeira. Nesse momento, Melody começou a ter vários sonhos e alucinações com a vítima e foi por causa disso que ela foi até a polícia contar tudo. 

A polícia acha que esses sonhos eram, na verdade, a consequência do sentimento de culpa que ela tinha por tudo o que ela viu e participou. Mas além disso, a menina também estava sob efeito de drogas, o que não pode ser descartado. 

Depois da confissão da Melody os policiais foram até o apartamento e encontraram tudo. Os policiais encontraram o DNA dos três homens em todos os cantos do apartamento. 

O caso foi a júri popular. Mas imagina só: os três homens, responsáveis pelo crime, estavam sendo acusados por uma menina de 13 anos, mas eles negaram absolutamente tudo. Eles inclusive disseram que ela devia ter morrido de overdose, já que ela usava drogas. 

Os três foram condenados por homicídio culposo porque, pasmem, embora eles tenham matado a Fan Man-Yee, essa não era a intenção do crime. Obviamente isso deixou a população alvoroçada e ninguém acreditou que fosse possível essa condenação. Estava muito claro que eles não estavam ali de bobeira e sabiam exatamente o que estavam fazendo. 

O trio foi condenado a prisão perpétua em dezembro de 2000 com possibilidade de liberdade condicional em 20 anos de cumprimento da pena. 

DESFECHO DO CASO

Depois da condenação, houveram vários relatos de casos sobrenaturais envolvendo a Fan Man-Yee. O médico forense encarregado do caso disse que no tribunal tinha um cheiro de corpo em decomposição e que, além disso, teve um momento que as luzes começaram a piscar quando falaram o nome da vítima.

Uma mulher que não sabia do assassinato alugou um apartamento no mesmo prédio de Fan Man-Yee. Ela e uma amiga disseram para a polícia que ouviam sempre uma mulher chorando, mas não havia mais ninguém no apartamento. 

Tempos depois o prédio foi vendido e acabou virando um hotel. Eu jamais me hospedaria num lugar desses, que fique bem claro! 

Mas e o filho de Fan Man-Yee? Vocês devem estar se perguntando! Ele é um estudante em Singapura, não lembra absolutamente nada de sua mãe mas usa um colar dela que a polícia deu pra ele. 

Esse é um dos crimes mais cruéis que já passaram aqui pelo Casos Reais. Junto com o caso da Junko Furuta, é claro. E não é por menos que, de tão bizarro que esse caso é, ele deu origem a dois filmes: There`s a Secret in My Soup e Human Pork Chop. 

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