ROTEIRISTA: Lucas Andries
Gente, o caso de hoje se passa na Flórida. Um dos destinos mais famosos dos Estados Unidos — especialmente pra quem adora parques temáticos, praias e diversão em família.
É um local que, para muitas crianças, parece um paraíso. Só que não foi assim pra Caylee Anthony, uma garotinha de 2 anos.
Para entender melhor, a gente precisa voltar um pouquinho no tempo e conhecer a mãe dela: a Casey Anthony.
CASEY ANTHONY:
Casey nasceu no dia 19 de março de 1986, em uma família comum. A mãe dela, Cindy, era enfermeira e o pai dela, George, era policial. Além disso, ela era a filha caçula da família e eles viviam em Orlando, na Flórida.
Ela teve uma infância normal e tinha muitos amigos, era popular na escola, vivia rodeada de namorados, ia bem nos estudos e era super apegada à mãe. Tudo indicava que a Casey ia ter um futuro muito promissor.
Mas, na adolescência, seus pais começaram a notar um comportamento estranho: Casey tinha o costume de mentir. Bastante.
No início, os pais acharam que era só uma fase… Mas não era. Para vocês terem noção:
Em maio de 2004, Casey estava prestes a se formar no Ensino Médio. E a família estava animada! Tinham até uma festinha, uma confraternização, preparada para comemorar esse momento.
A gente sabe o quanto uma formatura é importante – principalmente pros pais, que, muitas vezes, trabalham duro para poder dar uma educação de qualidade para os filhos… Então, estava todo mundo ali animado com a formatura da Casey.
O que ninguém sabia é que Casey tinha largado a escola há meses!
Por meses, ela vinha mentindo, fazendo os pais e familiares acreditarem que ela continuava na escola, tirando notas boas… Só que a verdade é que Casey não estava indo na escola e ela não tinha créditos suficientes para concluir o Ensino Médio… Por conta disso, a Casey não conseguiu se formar!
E, apesar de não terem registros de como exatamente Casey enganou os pais por tanto tempo, especula-se que ela pode ter falsificado boletins.
Parece que os pais só descobriram a verdade ali em cima da hora, o que foi um choque pra eles. Mesmo assim, a festa que eles tinham planejado aconteceu… Eles não cancelaram a comemoração. Deixaram rolar igual.
Antes mesmo dessa mentira maior sobre o Ensino Médio, Casey já deixava os pais dela preocupados: fontes afirmam que Casey frequentava muitas festas e mentia pros pais sobre onde ia e com quem estava também.
Quando tinha 19 anos, ela começou a ganhar peso. E os pais passaram a desconfiar que Casey pudesse estar grávida. Cindy e George chegaram a questionar a filha, só que Casey negou. Ela afirmou ser virgem.
Porém, alguns meses depois, a barriga dela já estava muito evidente e ela teve que, revelar a verdade: ela estava mesmo grávida!
E não quis dizer quem era o pai... Na época, ela chegou a apontar nomes diferentes: entre eles, um namorado, o Jesse, e também um ex-namorado que tinha morrido em um acidente de carro.
Por um tempo, Casey começou a passar mais tempo com esse namorado dela da época, o Jesse, que meio que assumiu a responsabilidade de pai da criança. Mas ele começou a desconfiar de algo:
Jesse começou a notar que o tempo da gravidez da Casey não batia com o início do relacionamento dos dois. E aí, quando ele confrontou ela sobre isso, a Casey disse que ele não devia duvidar dela. Jesse, tentando manter o namoro, preferiu não pressionar Casey.
Posteriormente, um exame de DNA foi feito e mostrou que Jesse realmente não era o pai. E, até hoje, o pai biológico dela nunca foi identificado.
Eventualmente, Casey e Jesse terminaram.
No início, a Casey chegou a cogitar entregar o bebê para adoção. Só que, quando os pais dela descobriram a gravidez, eles foram contra essa ideia da adoção e prometeram dar pra Casey todo o apoio que ela precisasse com a bebê.
Então, em 9 de agosto de 2005, nasceu Caylee Marie Anthony.
CAYLEE ANTHONY:
Fonte: https://www.nbcnews.com/id/wbna28315643
Gente, nessa família tem muita letra “C” pra deixar a gente confuso (KKK)... Então, pra facilitar, deixa eu esclarecer rapidinho:
- A Cindy é a mãe da Casey e avó da Caylee;
- A Casey é a garota de 19 anos que engravidou e que mentiu sobre a formatura… Ela é a mãe da Caylee;
- E a Caylee é a bebê que acabou de nascer.
Em 2008, quando a Casey tinha 22 anos e a Caylee tinha só 2 anos, Casey estava morando com os pais — que davam todo apoio, ajudando a cuidar da neta.
Muitas vezes, eles cuidavam da criança enquanto a Casey saía sem avisar por dias e mentia sobre onde estava. Ela parece que priorizava as festas e essas saídas…
Com sua capacidade como mãe questionada por Cindy, a Casey saiu da casa dos pais após uma grande discussão, levando Caylee com ela.
Na manhã de 16 de junho de 2008, o dia amanheceu na casa da família Anthony. Cindy saiu primeiro pro trabalho. Depois, quando George estava saindo, ele viu Casey e Caylee saírem da casa juntas. Mas, depois disso, algo estranho aconteceu: pelos próximos 31 dias, a Caylee simplesmente desapareceu da vida dos avós.
Nenhuma visita, nenhum sinal da menina….
Casey atendia às ligações de vez em quando, sempre com uma desculpa pronta quando os avos perguntavam sobre a neta.
Outras vezes dizia que estava trabalhando demais para sustentar a filha ou que precisava de um tempo por causa da pressão da família. Casey dizia que Caylee estava bem e que, às vezes, deixava a criança com uma babá.
Porém, com o passar dos dias, esses respostas pareciam cada vez menos convincentes. E o silêncio… mais preocupante.
Então, em 13 de julho, Cindy e George receberam uma notificação que dizia que o carro da família — que Casey usava com mais frequência — estava em um pátio de reboque.
Ele tinha sido encontrado abandonado, sem gasolina, numa estrada. E aí foi rebocado para esse pátio…
Quando o George foi buscar o carro, uns dias depois, ele encontrou ali no veículo uma bolsa da Casey, a cadeirinha da Caylee e alguns brinquedos dela. Mas o que realmente o marcou foi o fedor que vinha do porta-malas: era o cheiro de alguma coisa em decomposição.
E olha que o George tinha experiencia nesse assunto, pq ele Trabalhou como policial e detetive de homicídios no estado de Ohio durante os anos 80.
E com isso, claro que George e Cindy ficaram preocupados e comecaram a achar que tinha algo estranho acontecendo…
Com dificuldade, eles acharam a filha, Casey na casa do novo namorado dela, um rapaz chamado Tony Lazaro. E eles pareciam tranquilos, assistindo TV e nada da menina Caylee.
Esse era um namoro recente, tá? Eles tinham começado a se relacionar em abril de 2008. Ou seja, uns dois meses de namoro…
Quando a Casey foi confrontada pelos pais com perguntas sobre onde a Caylee estava, Casey, enfim, deu uma resposta: disse que já fazia alguns dias que não via a filha. E que a criança estava com uma babá chamada Zenaida Fernandez-Gonzalez.
Segundo Casey, essa babá era conhecida como “Zanny, the Nanny” — ou, em português, “Zanny, a babá”... E, de acordo com o que ela contou, Zanny teria sequestrado Caylee. Segundo ela, ela teria procurado pela baba indo na casa dela, tentado entrar em contato pelo telefone, mas não tinha resposta…
No meio de toda a confusão — com a neta desaparecida há mais de um mês e um cheiro estranho vindo do carro —, Cindy Anthony ligou pro 911, o número de emergência dos Estados Unidos algumas vezes. Isso aconteceu no dia 15 de julho de 2008.
Na primeira ligação, o motivo era outro: Cindy queria prestar queixa contra a própria filha, Casey, por ter roubado seu carro e também dinheiro. Mas à medida que as ligações continuaram, a situação ficou ainda mais grave.
Na terceira ligação, Cindy disse algo que chamou a atenção de todo o país: que não via a neta, Caylee, há 31 dias — e que Casey só agora tinha admitido que a criança estava desaparecida. Também mencionou que o carro de Casey tinha um cheiro insuportável, parecido com o de um corpo morto.
Foi a partir dessas ligações que a polícia começou oficialmente a investigar o caso.
Casey disse para os investigadores que, no dia 16 de junho, tinha deixado Caylee com a babá antes de ir trabalhar, mas que, quando ela foi buscar a filha, a babá teria se recusado a devolver a criança.
Casey ainda disse que ligou várias vezes para a babá e que foi a lugares onde Zanny e Caylee costumavam passear… Isso para tentar encontrar as duas. Mas Casey não conseguiu localizar elas.
Por fim, Casey contou que estava com medo da babá machucar Caylee e que estava tentando resolver essa situação sozinha, por isso ela não tinha envolvido a polícia nem avisado a família durante um mês inteiro.
E ainda afirmou que acreditava que Zanny devolveria a criança em breve.
Casey deu uma descrição da babá pra polícia, dizendo que ela teria cerca de 25 anos.
Como Casey tinha alegado esse rapto e os policiais estavam querendo encontrar logo a Caylee, eles foram atrás dessa babá Zanny:
Casey indicou o endereço onde a babá morava e a polícia foi até lá. Mas, quando chegaram lá, a polícia teve uma surpresa: o apartamento estava vazio — sem móveis, sem ninguém morando.
A polícia ainda descobriu que ninguém morava no apartamento indicado por Casey desde fevereiro ou março daquele ano.
Como Casey poderia ter deixado a criança com a babá no apartamento em junho se o local estava vazio há meses? Estranho…
Além disso, Casey tinha dito pros policiais que trabalhava como organizadora de eventos na Universal, que é uma empresa gigante nos EUA de parques temáticos e de estúdios de cinema e TV.
Mas era tudo mentira. Casey não tinha emprego nenhum. Quando os investigadores pediram pra ir com ela até o local de trabalho… ela topou.
Chegando lá, andou pelos corredores da empresa como se realmente trabalhasse ali — até que parou, virou pros policiais e confessou: "eu menti, eu não trabalho aqui.
UNIVERSAL:
Fonte: https://pt.visitorlando.com/atividades/parques-tematicos/universal-orlando-resort/
Parece que, em algum momento, Casey até teve um emprego por lá, mas ela admitiu que estava sem vínculo empregatício tinha 2 anos. Ela contou também que enganou os pais esse tempo todo, fazendo eles acreditarem que ela estava empregada.
Diante disso, os policiais começaram a se perguntar: por que Casey, com a filha desaparecida há 1 mês, ficava mentindo?! E ainda guiando a polícia para lugares errados, atrapalhando as buscas pela própria filha?!
Com isso em mente, os policiais levaram Casey para interrogatório no dia 16 de julho. E, mesmo diante da pressão, ela continuou com a história da babá…
Além disso, não demonstrava senso de urgência para encontrar a filha:
Geralmente, quando uma criança desaparece, os pais ficam preocupados e desesperados… Eles querem fazer de tudo pra encontrar os filhos o mais rápido possível. Só que Casey não mostrava esse desespero, não parecia realmente interessada em achar a Caylee.
Assim, a Casey saiu desse interrogatório presa, preventivamente, por falso testemunho, negligência infantil e obstrução da investigação criminal.
Gente, o caso atraiu muita atenção da mídia! A foto da Caylee apareceu nos jornais e na televisão… E voluntários de várias partes se mobilizaram para ajudar nas buscas.
Enquanto isso, a Casey estava presa e não mostrava muita preocupação nas buscas pela filha, apesar de falar que estava, sim, preocupada e que queria estar de novo com a filha.
Em uma das visitas gravadas na cadeia, a mãe da Casey tenta falar com ela sobre os rumores de que a pequena Caylee poderia estar morta.
E a resposta da Casey é tão absurda quanto fria. Ela simplesmente diz: “Surprise, surprise” — como quem responde com ironia, tipo: “Nossa, que surpresa…”
Um tom totalmente deslocado pra uma mãe que deveria estar desesperada atrás da filha.
Esse descaso só aumentava as suspeitas da polícia — e a indignação do público.
Enquanto isso, a investigação continuou avançando: na ligação que Cindy tinha feito para o 911 lá atrás, ela tinha falado que o carro da Casey estava com um cheiro forte de cadáver.
Então, seguindo essa pista, os policiais pegaram o carro pra fazer análises detalhadas. Assim que eles entraram em contato com o veículo, um dos policiais percebeu algo estranho: no carro, tinha uma bolsa de fraldas e o bonequinho favorito da Caylee.
Para um documentário sobre o caso, esse policial disse que pensou: como Casey entregaria a filha pra babá sem o brinquedo preferido da criança?
Geralmente, quando os pais esquecem alguma coisa importante, como o brinquedo favorito ou as fraldas, eles voltam correndo para entregar. Mas Casey não fez isso… Por quê?
Além disso, os policiais também sentiram o odor ruim. E, no porta-malas, encontraram uma mancha estranha e alguns fios de cabelo.
Para complementar, um cachorro farejador treinado para detectar cheiro de decomposição deu alerta justamente no porta-malas.
Tudo isso parecia indicar que algo em decomposição tinha estado ali no porta-malas. Então, os investigadores começaram a suspeitar que tinham nas mãos um caso que não era sobre uma criança que tinha sumido. Eles passaram a suspeitar que o pior poderia ter acontecido com Caylee: um assassinato.
Rapidamente, eles chamaram Cindy e George para depor sobre o carro.
CINDY E GEORGE ANTHONY:
Fonte: https://abcnews.go.com/blogs/headlines/2013/11/casey-anthonys-parents-face-foreclosure-on-home
Só que, durante o depoimento, a Cindy mudou a versão que tinha dado no 911 lá atrás:
Na ligação, ela tinha dito que o carro cheirava cadáver. Só que, agora, no depoimento, ela alegou que o cheiro ruim podia vir, na verdade, de caixas de pizza velhas, com restos de comida, que estavam no porta-malas.
Ou seja, ela mudou um pouco a versão que tinha dado antes.
Pouco tempo depois da prisão da Casey, a polícia finalmente achou alguém com o nome que ela dizia: Zenaida Fernandez-Gonzalez.
Ela foi chamada pra prestar depoimento, e logo veio o plot twist:
Zenaida nunca conheceu Casey. Nunca viu Caylee. Nunca foi babá de ninguém da família.
O que aconteceu é que Casey usou o nome real de uma mulher que tinha aparecido num formulário de visita a um apartamento.
A polícia percebeu que a tal “Zanny the Nanny” nunca existiu. E nesse momento, as suspeitas mudaram de rumo: será que Casey tinha inventado tudo pra encobrir algo muito mais grave?
A reviravolta no caso aconteceu no dia 11 de dezembro de 2008, quando Roy Kronk, funcionário de uma companhia de água, fazia manutenção de hidrantes numa área próxima da casa dos Anthony, cerca de uns 400 metros de onde Casey e Caylee moravam.
Ele parou o carro no acostamento e resolveu entrar no mato — mas não era a primeira vez.
Quatro meses antes, em agosto, Roy já tinha visto uma sacola plástica suspeita nessa mesma área e chegou a ligar três vezes pra polícia, nos dias 11, 12 e 13.
Um policial até foi até o local… mas fez apenas uma inspeção superficial e não encontrou nada. Depois disso, ninguém mais voltou lá.
Incomodado com aquilo, Roy ficou com aquilo na cabeça por meses.
Até que, naquele dia 11 de dezembro, ele voltou à mesma área — dessa vez enquanto trabalhava.
Entrou no mato por conta própria… e então viu um crânio humano.
Com um pedaço de pau, afastou folhas e sujeira pra enxergar melhor. Em seguida, ligou pro chefe — que acionou a polícia.
Os investigadores encontraram uma sacola plástica com restos mortais do tamanho de uma criança.
No crânio, estava preso um pedaço de fita adesiva resistente prateada. O corpo estava enrolado em um cobertor do Ursinho Pooh. E, com o calor da Flórida, o corpo estava bem decomposto: na verdade, era uma ossada.
Só tinha mesmo os ossos…
No dia 19 de dezembro de 2008, cerca de seis meses depois do sumiço da garota, a ossada foi oficialmente confirmada como sendo da Caylee.
A descoberta da ossada virou notícia no país todo… E, pouco depois disso, uma ex-amiga de Casey chegou a contar que as duas conheciam bem aquela área de mata onde o corpo foi encontrado.
Quando eram mais novas, costumavam brincar por lá. Segundo essa amiga, era comum elas enterrarem animais mortos que encontravam na rua — como se fosse um “cemitério improvisado”.
Embora esse relato nunca tenha sido confirmado oficialmente pela investigação, ele deixa tudo ainda mais sinistro….
Depois de ser achado, o corpo da Caylee passou por exames para tentar identificar a causa da morte. Mas… como ele já estava muito decomposto, não foi possível definir com exatidão como a Caylee morreu.
Ainda assim, os especialistas indicaram que, muito provavelmente, ela foi assassinada.
O estado da Flórida pediu pena de morte no caso contra Casey Anthony. E, no dia 24 de maio de 2011, quase três anos depois da morte da garotinha, começou oficialmente o julgamento de Casey.
Mas o que de fato aconteceu com Caylee? Bom…
A acusação montou um caso bem estruturado contra a Casey. E começou com um ponto importante: o cachorro farejador. O cão indicou que algo em decomposição esteve no porta-malas do carro durante algum tempo. Possivelmente, um corpo.
Dentro do porta-malas do carro da Casey, os investigadores encontraram um fio de cabelo.
Os testes de DNA mostraram que ele pertencia a uma mulher da família Anthony — podia ser da avó, da mãe… ou da própria Caylee.
Mas foi um detalhe microscópico que chamou a atenção:
A raiz do fio tinha uma marca que, segundo o FBI, só aparece em cabelos de pessoas que já estão mortas. Ou seja, tudo indicava que um corpo em decomposição havia estado naquele carro.
Mas a defesa contestou a ciência por trás dessa análise, dizendo que isso não era prova suficiente pra condenar alguém.
Também foi detectada a presença de clorofórmio no carro:
A presença de tal substância química poderia ser explicada pelo processo natural de decomposição que, parece, aconteceu ali no porta-malas. Mas a quantidade de clorofórmio encontrada estava bem acima do que seria esperado para um processo natural de decomposição.
Pra quem não sabe, o clorofórmio é uma substância química incolor, com cheiro adocicado, que já foi usada como anestésico no passado pra fazer pessoas perderem a consciência durante cirurgias. Ou seja, a substância em altas quantidades poderia ser um sinal de que o clorofórmio pode ter sido usado para apagar Caylee…
A polícia então foi investigar o computador da casa da família Anthony. E o que descobriram chamou atenção: tinham pesquisas no histórico sobre como fazer clorofórmio!
Além disso, o corpo da Caylee foi encontrado dentro de sacos plásticos de lixo, no meio de uma área de mata. E isso, por si só, já indicava uma coisa: quem colocou o corpo ali queria esconder ele.
A ossada não apresentava sinais visíveis de trauma. Mas tinha um detalhe muito importante: a fita adesiva colada no crânio da criança.
Somado a isso, o corpo da Caylee foi achado com um cobertor do Ursinho Pooh. E esse detalhe carregava bastante peso, porque o Ursinho Pooh fazia parte da decoração do quarto da Caylee. Era que fazia parte do cotidiano dela…
Tudo isso não eram provas concretas contra Casey. Eram circunstanciais… Mas, ainda assim, tudo parecia muito claro: a acusação afirmou que tudo isso que eu falei indicava que Casey queria se livrar das responsabilidades de ser mãe. E que, por isso… planejou o crime e assassinou a filha.
A acusação construiu um retrato específico da Casey: de que ela era uma mulher festeira, que vivia indo a festas e que parecia não estar nem um pouco preocupada com o desaparecimento da filha.
Enquanto tudo isso acontecia — o sumiço da filha, a busca, o mistério —, Casey não demonstrava estar abalada… Pelo menos, foi o que afirmaram várias testemunhas de acusação. Durante esse “sumiço” (entre aspas), a Casey seguiu com a vida normalmente: foi a festas, saiu com amigos… e chegou até a fazer uma tatuagem nova. A frase tatuada era: “Bella Vita” — que, em italiano, significa “vida bela”. Tudo isso enquanto a filha tava desaparecida…
Durante a investigação, a polícia entrevistou diversas pessoas que frequentavam festas com a Casey naquela época.
E todas foram unânimes em dizer uma coisa: Casey nunca mencionou que a filha estava desaparecida.
Nem uma palavra.
Pelo contrário — ela continuava saindo à noite, indo pra festas, bebendo, dançando… como se nada tivesse acontecido.
E isso chocou muita gente. Afinal, quem agiria assim se a própria filha estivesse sumida há dias?
Então, o acusação acreditava que a Casey queria se livrar da “obrigação” (entre aspas) de ser mãe. Se livrar das responsabilidades…
Segundo a promotoria, Casey teria aplicado clorofórmio na Caylee, para deixar ela inconsciente. Depois, a Casey teria tampado o nariz e a boca da criança com fita adesiva, matando a filha por sufocamento.
Depois disso, teria mantido o corpo por algum tempo no porta-malas, podendo ser dias… até abandonar ele na mata perto de casa dela em Orlando, na Flórida quando o cheiro estava ficando muito forte…
Com todos esses indícios, você deve estar pensando: tudo aponta pra ela, né?! Tudo indica que Casey é culpada…
Mas a defesa de Casey tentou desmontar tudo isso:
A equipe liderada pelo advogado José Baez tentou desacreditar as provas apresentadas pela acusação. Ele chegou a dizer que tudo não passava de “fantasia forense” — uma construção feita pra parecer científica, mas sem base concreta.
Segundo a versão da defesa, Caylee não foi assassinada. Ela teria morrido em um acidente: enquanto ninguém estava olhando, ela teria caído ali na piscina da família e se afogado, no dia 16 de junho de 2008, quando a avó Cindy já tinha saído para o trabalho.
Quem teria descoberto tudo seria o avô, George… que, ao invés de acionar a polícia, encobriu a morte — enrolando ela em sacos plásticos e jogando na mata, para evitar que a filha Casey fosse acusada de negligência.
George negou isso… Ainda mais sendo um homem que trabalhou com homicidios, ele claramente deveria saber que um encobrir um acidente não seria a melhor opcao…
Mas o que mais chocou o tribunal foi uma acusação feita contra o George: de acordo com o advogado da Casey, George teria abusado sexualmente de Casey desde que ela tinha 8 anos de idade.
George também negou essa acusação — e afirmou que ficou arrasado só de ouvir aquilo. Mas o advogado de Casey, o José Baez, afirmou que esse passado traumático explicava o comportamento mentiroso de Casey.
Casey teria crescido aprendendo a mentir como forma de proteção, para esconder os abusos do pai. E isso, segundo a defesa, explicaria por que ela agiu com tanta frieza e mentira após a morte da filha.
Gente, nenhuma prova desses abusos foi encontrada ou apresentada na hora, OK?!
Durante o julgamento, a defesa de Casey trouxe à tona um episódio delicado envolvendo o pai dela, George Anthony.
Em janeiro de 2009, pouco depois da confirmação de que os restos mortais eram mesmo de Caylee, George entrou em uma depressão profunda.
Um dia, ele simplesmente desapareceu.
Ingeriu uma grande quantidade de antidepressivos com álcool e se trancou num quarto de motel. Ao lado da cama, deixou uma carta de despedida.
Nela, ele dizia que se sentia culpado pela morte da neta. Que lamentava não ter conseguido proteger a Caylee. E que preferia ter morrido no lugar dela.
Por sorte, Cindy percebeu que algo estava errado, ligou pra polícia — e os policiais conseguiram localizar George antes que fosse tarde demais.
Ele foi hospitalizado e passou por tratamento psiquiátrico.
Esse episódio foi citado no tribunal como uma prova do abalo emocional da família — mas também levantou questionamentos sobre o que exatamente George sabia ou carregava consigo desde o início.
Além disso tudo, a estratégia da defesa foi minar, uma a uma, as provas da acusação:
O cheiro forte no porta-malas? De acordo com a defesa, era de sacos de lixo, que teriam ficado ali no carro por dias… O carro tinha sido rebocado e ficou um tempo parado num pátio, sob o sol quente da Flórida. Para Baez, o mau cheiro era consequência disso. Nada de corpo em decomposição.
E, no tribunal, a própria Cindy corroborou essa teoria! Mesmo depois de ter dito, lá em 2008, numa ligação pro 911, que o carro “cheirava a cadáver”, agora ela disse que tinha exagerado. Posteriormente, a Cindy afirmou que falou aquilo para garantir que a polícia fosse até a casa dela rapidamente quando soube que a Caylee tinha sido sequestrada. Que ela não achava de verdade que um corpo tinha estado no carro…
A defesa também tentou desacreditar os testes que indicaram presença de clorofórmio no carro:
Além de questionar a credibilidade do especialista que realizou o exame, a defesa também destacou que esse tipo de teste não era feito em nenhum outro laboratório nos Estados Unidos e que nunca tinha sido usado em um tribunal antes. Portanto, o teste não tinha um histórico de ser confiável…
Eles ainda argumentaram que o clorofórmio é uma substância facilmente encontrada em produtos de limpeza. Ou seja, o veículo poderia ter só sido limpo em algum momento, e a presença do clorofórmio ali não significaria nada de mais.
Outro ponto importante foi uma outra declaração da Cindy:
A acusação dizia que Casey tinha feito essa busca sobre clorofórmio dias antes da filha desaparecer.
Mas, no tribunal, a mãe dela, Cindy Anthony, disse que foi ela quem pesquisou.
O motivo? O cachorro da família costumava comer bambu no quintal e passava mal depois. Então, segundo ela, estava apenas tentando entender se havia algo tóxico naquela planta, e acabou caindo por acaso em sites que falavam sobre clorofórmio.
Só que os registros de horário do computador mostram que as pesquisas foram feitas em horários em que Cindy provavelmente estava no trabalho.
E aí surgiu a dúvida: será que ela tentou proteger a filha assumindo a culpa? Ou teria sido apenas uma coincidência mal interpretada?
Mesmo assim, a Cindy manteve essa versão de que foi ela quem fez a pesquisa.
Depois disso, a defesa levantou um outro ponto: disse que o Roy Kronk, o homem que encontrou os restos mortais de Caylee, acabou mexendo nos ossos antes de entender do que se tratava.
Sim, é verdade... Até perceber que estava diante de restos humanos, o Roy chegou a mexer um pouco no crânio. E a defesa usou isso pra argumentar que a cena do crime tinha sido contaminada e que, por isso, pouca coisa lá valia como prova.
Por fim, os advogados de defesa chamaram um especialista próprio para analisar a fita adesiva encontrada no crânio. Uma nova autópsia foi feita… e os resultados mostraram que, como o corpo já estava bem decomposto, não era possível determinar exatamente onde essa fita adesiva tinha sido aplicada. Não dava para saber, por exemplo, se ela estava colada na pele.
E ele sugeriu que a fita adesiva pode ter sido colocada ali depois a morte da menina, e não como um método para sufocar ela.
Além disso, não foi encontrado DNA da Caylee nessa fita adesiva… E isso chegou a pesar no julgamento, mesmo podendo indicar, na verdade, que as mesmas forças que decompuseram o corpo dela podem ter destruído o DNA na fita também.
A defesa sustentou a hipótese que eu comentei antes: de que a Caylee se afogou acidentalmente na piscina da família. E que George teria se livrado do corpo para encobrir o acidente.
No final das contas, considerando o histórico de várias mentiras da Casey, as acusações de que o George teria abusado da Casey nunca tiveram um desenvolvimento concreto.
E essa versão de que Caylee se afogou nunca foi provada, tá?! O objetivo da defesa da Casey não era provar nada… Era desacreditar a versão da acusação.
A defesa conseguiu minar todos os principais argumentos da acusação.
E fez isso tão bem que, no dia 5 de julho de 2011, o júri declarou Casey inocente das três acusações mais graves: assassinato em primeiro grau, homicídio agravado e homicídio culposo agravado.
A justificativa? Faltavam provas diretas.
A promotoria não conseguiu dizer como, onde ou quando Caylee havia sido morta. Nem provar que Casey teve ligação direta com o local onde o corpo foi encontrado.
Ou seja: não era que o júri achava Casey inocente. Mas sim que a culpa dela não foi provada além da dúvida razoável.
Mas ela não saiu completamente ilesa.
Casey foi condenada por quatro acusações de mentir para a polícia — como inventar a história da babá, o emprego falso e pistas falsas.
Foi sentenciada a 4 anos de prisão e 4 mil dólares de multa.
Mas como já estava presa havia quase 3 anos, e com abatimentos por bom comportamento, ela foi solta apenas 12 dias depois do julgamento.
Assim, ela foi liberada no dia 17 de julho, cerca de duas semanas depois do veredito que seria presa.
Isso gerou grande indignação por parte da população, que acompanhava o caso de perto pela imprensa. Na época, a mídia cobriu muito o caso – tanto que chegou a chamar o julgamento de “o julgamento do século das redes sociais”.
Depois disso tudo, Casey cortou relações com a familia e levou uma vida mais reclusa por um tempo. Mas a polêmica não parou por aí…
Algum tempo depois, surgiram alegações feitas por um detetive particular que tinha trabalhado na defesa. De acordo com ele, Casey, supostamente, teria pago o advogado José Baez com favores sexuais.
Segundo esse detetive, num determinado momento do julgamento, Casey teria pedido para cancelar uma entrevista — e, em troca, Baez teria pedido três favores sexuais com a boca.
A partir daí, essa relação entre eles teria se aprofundado, já que a Casey não tinha condições financeiras para pagar a defesa.
Mas, claro, isso tudo foi negado por Baez… E não tem evidências concretas de que isso seja verdade, mas a acusação virou uma polêmica na época.
Anos depois, em 2022, 14 anos após a morte de Caylee, a Casey participou de um programa de entrevistas onde contou o quanto sofreu com o ódio do público. Casey, que hoje, em 2025, tem 39 anos, ficou conhecida como a “mãe mais odiada dos Estados Unidos”.
Em entrevista à Associated Press, chegou a dizer que ela não sabe como foram as últimas horas da Caylee (mesmo a versão no tribunal tendo sido que a Caylee tenha se afogado). E ela disse também que a sua sentença foi decidida muito antes do veredito e que o público a considerou culpada mesmo antes de sua primeira aparição no tribunal.
Depois do julgamento, Casey passou anos longe dos holofotes.
Mas o que pouca gente sabe é que, por um tempo, ela trabalhou com Patrick McKenna — o detetive particular que liderou a investigação da própria defesa dela durante o caso.
Casey chegou a atuar como assistente dele, ajudando em investigações privadas. E, segundo reportagens, chegou até a morar na casa dele por um tempo.
Mais tarde, tentou recomeçar a vida abrindo um pequeno negócio de fotografia, chamado “Case Photography”.
Mas a empresa teve pouca demanda e o negócio não foi pra frente.
Em 2025, a Casey publicou seu primeiro vídeo no TikTok pra divulgar a sua nova página no Substack, onde compartilha conteúdos sobre seu trabalho como defensora legal.
Desde fevereiro, ela tem se mantido ativa na plataforma, marcando uma mudança significativa em sua postura pública após anos de reclusão.
Depois do veredito de inocência de Casey Anthony, começou a surgir uma pergunta urgente: como evitar que outros casos ficassem sem resposta?
Foi aí que surgiu a ideia da “Caylee's Law” — leis propostas e aprovadas em diversos estados para criminalizar o atraso ou a falha em reportar o desaparecimento de uma criança, geralmente dentro de 24 ou 48 horas.
Essas leis foram criadas em resposta direta ao caso de Caylee — e, em alguns estados, transformar esse atraso em crime virou realidade.
Hoje, em lugares como Flórida, Illinois, Alabama, Connecticut e outros, não avisar o desaparecimento de um filho pode até gerar até 10 anos de prisão.
O caso de Casey Anthony não só chocou o país — ele provocou mudanças reais na legislação.
Se estivesse viva, Caylee teria 20 anos…
FONTES:
- https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Casey-Anthony-An-American-Murder-Mystery/0MMORQKXPM6K8O88YO379ANXUN
- https://www.biography.com/crime/casey-anthony
- https://www.reuters.com/article/us-crime-anthony-idUSTRE74U5W720110531/
- https://g1.globo.com/mundo/noticia/mae-mais-odiada-dos-eua-casey-anthony-rompe-silencio-6-anos-apos-absolvicao-por-morte-de-filha.ghtml
- https://crimetimelines.com/casey-anthony/?utm_source=chatgpt.com
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_de_Caylee_Anthony
- https://vm.tiktok.com/ZMHgnfmqvnETB-7NYuD/
- https://www.youtube.com/watch?v=UXoEqJFA1ig
- https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/casey-anthony-breaks-silence-in-bizarre-interview-108312/
- https://www.nbcnews.com/id/wbna28315643
- https://pt.visitorlando.com/atividades/parques-tematicos/universal-orlando-resort/
- https://abcnews.go.com/blogs/headlines/2013/11/casey-anthonys-parents-face-foreclosure-on-home
- https://apnews.com/article/c36cea8e48364edeba200e6e666997a6
- https://people.com/crime/casey-anthony-now-associated-press-interview/
- https://www.nbcmiami.com/news/local/casey-anthony-murder-trial-to-resume/1876515/
- https://www.the-sun.com/news/10097834/casey-anthony-car-smell-murder-dead-body-caylee-daughter
- https://transcripts.cnn.com/show/ng/date/2009-04-01/segment/01
- https://abcnews.go.com/US/casey-anthony-trial-tape-police-detectives-grilling-caylees/story
- https://www.eonline.com/photos/35395/casey-anthony-where-the-truth-lies-bombshells
- https://www.vox.com/culture/23506125/casey-anthony-evidence-where-the-truth-lies-how-true-or-false
- https://brasilescola.uol.com.br/quimica/composicao-aplicacoes-cloroformio.htm
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Orlando
- https://www.biography.com/crime/casey-anthony













