ROTEIRISTA: Lucas Andries
2 de agosto de 2015. Meadowlands, Carolina do Norte.
Era por volta das 3 da manhã quando Tom Martens — ex-agente do FBI — ligou para o 911. Ele contou que tentou separar uma briga entre a filha, Molly, e o marido dela, Jason… e que, no meio da confusão, Jason ficou gravemente ferido. Talvez até morto.
Quando os paramédicos chegaram, encontraram Jason sem vida no quarto. Os ferimentos na cabeça eram tão severos que um pedaço do crânio tinha se soltado. A cena era chocante.
JASON E MOLLY NO DIA DE SEU CASAMENTO:
Fonte: https://people.com/where-are-jason-corbett-killers-molly-thomas-martens-now-11730846
Pra entender como chegamos até ali, a gente precisa voltar no tempo.
Jason era irlandês, gentil, carismático — é assim que amigos e familiares descreviam ele. Ele vinha de uma família grande, que vivia em Limerick, na Irlanda. Lá, no começo dos anos 2000, Jason morava com a primeira esposa dele, a Mags Fitzpatrick. Jason e Mags eram vistos como um casal super feliz, daqueles que parecem feitos um pro outro.
Juntos, Jason e Mags tiveram dois filhos, Jack e Sarah…
Só que, em novembro de 2006, uns poucos meses depois do segundo filho do casal nascer, a Sarah, uma tragédia aconteceu: a Mags passou mal de repente. Ela parecia estar tendo uma crise de asma!
Naquela noite, a irmã de Mags, Catherine, ajudou o Jason a tentar salvar a Mags: eles colocaram ela no carro e saíram correndo pro hospital. Só que Mags não resistiu… e faleceu.
Jason tinha 30 anos. E ficou sozinho — lidando com sua dor e ainda tendo que cuidar de dois filhos pequenos sozinho.
Depois de um tempo, o Jason decidiu contratar uma au pair: o nome dela era Molly Martens.
Ela tinha 25 anos, era ex-miss e tinha nascido em Knoxville, no Tennessee, nos EUA.
Pra quem não sabe, au pair é uma espécie de babá internacional: alguém que mora com a família e cuida das crianças em troca de um salário e moradia. Essa coisa de au pair é bem comum nos Estados Unidos e em alguns países da Europa.
Antes de ser contratada, a Molly tinha passado por um momento difícil: ela chegou a engravidar num relacionamento, mas sofreu um aborto. Perdeu o bebê…
Depois disso, o namoro dela não resistiu e terminou. Foi aí que ela decidiu mudar de vida. Buscando um recomeço, resolveu ser au pair — até porque ela dizia que tinha muito amor pra dar pra crianças.
Então, em 2008, a Molly foi contrata como au pair e se mudou pra Irlanda, pra trabalhar cuidando dos dois filhos do Jason – o Jack, que tinha 3 anos na época, e Sarah, com apenas 1 aninho.
E foi assim que Molly entrou na vida do Jason e dos filhos dele. E a verdade é que Molly parecia mesmo ser bem carinhosa com os dois! Confere uma foto deles na tela, se você estiver assistindo (não só escutando) o episódio aqui:
JASON, MOLLY, JACK E SARAH:
Fonte: https://people.com/where-are-jason-corbett-killers-molly-thomas-martens-now-11730846
Pouco tempo depois que Molly foi contratada, ela e Jason se apaixonaram e começaram um relacionamento.
No início, o Jason queria ir com calma — até porque ele ainda tava lidando com o luto e tinha medo de se machucar de novo… e também de acabar machucando os filhos.
Mas a Molly pressionou pra que a relação avançasse… E, com o tempo, o Jason acabou pedindo ela em casamento: eles noivaram! E Molly assumiu um papel de mãe para o Jack e a Sarah. Isto é, ela cuidava das crianças, fazia comida, levava no médico, colocava para dormir, dava banho, dava amor…
Então, o Jason conseguiu transferir o trabalho dele pros Estados Unidos. Aí a família se mudou da Irlanda pra Carolina do Norte, pra recomeçar a vida por lá, em 2011.
Segundo algumas fontes, Jason pagou 390 mil dólares pela casa… e ainda deu 80 mil para a Molly comprar móveis. Fora isso, ele também comprou um carro SUV pra ela.
E foi logo depois da mudança que Jason e Molly se casaram.
Nessa época, Molly queria adotar oficialmente os filhos do Jason — até pra facilitar que as crianças conseguissem a cidadania americana —, só que o Jason preferiu não fazer isso. Ele pediu a residência americana sem que os filhos fossem adotados pela Molly. Jason parecia ter planos de um dia voltar pra Irlanda e abrir uma pizzaria.
Enquanto isso, Jack e Sarah adoravam os EUA! Os dois gostavam muito da casa nova, da escola deles…E eles adoravam também a família. Amavam o pai… e amavam a Molly também, a quem eles chamavam de mãe.
A Mags tinha morrido com os filhos muito jovens. Sarah nem se lembrava direito da Mags, então a Molly foi se tornando a mãe deles…
E parecia que tudo tava indo bem na vida deles. Mas… essa não era bem a verdade:
Em 2 de agosto de 2015, como eu contei lá no começo do episódio, o Tom — pai da Molly — ligou pro 911 ali durante a madrugada, dizendo que tinha rolado uma briga ali na casa e que Jason tinha sido ferido.
Quando a polícia chegou, encontrou o Jason inconsciente, com ferimentos graves na cabeça, ferimentos que depois se mostraram fatais. Ele morreu naquela noite. E o quarto estava cheio de sangue… Jason tinha 39 anos.
Tom e Molly deram seus depoimentos pros investigadores:
O Tom contou que, quando chegou na casa da Molly, mais cedo naquela noite, Jason estava bêbado. Aparentemente, a noite teria corido de forma bem tranquila e todo mundo foi dormir.
TOM MARTENS:
Fonte: https://people.com/where-are-jason-corbett-killers-molly-thomas-martens-now-11730846
Mas no meio da madrugada, a Sarah — a filha do Jason — teria acordado de um pesadelo. Então, Molly foi ver como a criança estava e Jason ficou irritado porque ele tinha sido acordado. Eles estavam no quarto do casal.
Foi aí que uma briga começou…
A Molly disse que esse tipo de coisa era comum, e alegou que o Jason era violento e que tinha comportamentos assim com frequência.
Segundo ela, naquele momento, o Jason teria começado a enforcar Molly. Ela disse que estava com medo de morrer.
Quando o Tom apareceu ali no quarto, o Jason teria partido pra cima dele também. Na confusão, ela pegou um tijolo — que, por acaso, estava numa mesa de cabeceira — e bateu com ela na cabeça do Jason.
Tom, então, pegou um taco de beisebol e também bateu no Jason – com receio de que ele pudesse matar a filha dele… ou ele mesmo.
Além disso, a Molly contou que vivia violências domésticas no casamento dela. Molly ainda disse que, por conta das violência que ela já tinha sofrido antes, ela chegou a procurar atendimento médico algumas vezes. Mas ela nunca tinha contado antes pra polícia ou até pro pessoal do hospital que tinha cuidado dela como ela realmente tinha se machucado.
Ela também acusou o Jason de beber demais e disse que ele tava bêbado algumas horas antes dele morrer.
Os filhos, Jack e Sarah, também foram ouvidos pelos investigadores (claro, por meio de especialistas em colher depoimentos de crianças). A ideia era entender como era a relação dos pais…
Nos depoimentos, Sarah contou que o pai tinha problemas com raiva, que ele ficava bravo o tempo todo. Sarah lembrou de uma vez em que o Jason puxou o cabelo da Molly e deu um tapa na cara dela.
O Jack relatou que já tinha visto o pai batendo na Molly no passado e que Jason ficava bravo com a mãe [a Molly] sem motivo nenhum.
Então, pelos depoimentos ali, parecia que a Molly e o Tom tinham matado o Jason em legítima defesa, matado ele sem intenção.
Mas os investigadores começaram a suspeitar de que tinha alguma coisa errada nessa história toda:
Primeiro, os investigadores começaram a desconfiar da ligação pro 911. Ela parecia meio encenada, sabe?! E os socorristas que chegaram ali na casa pra prestar socorro disseram que o corpo do Jason já tava frio demais pra bater com a versão que Tom e Molly contaram sobre os eventos daquela noite… Era como se eles tivessem demorado para chamar os socorristas.
Outro ponto importante: Tom era um agente aposentado do FBI. Um cara treinado pra fazer interrogatórios, que sabia todas as técnicas… inclusive, como mentir numa sala de interrogatório.
Além disso, tem as crianças: os policiais acharam que Tom e Molly podem ter influenciado o que elas disseram. O Jack, de 10 anos, comentou que o pai machucava a mãe, a Mollu, física e verbalmente, só que… esse jeito de falar dele não parecia muito natural pra uma criança da idade dele. Já a Sarah tinha dito que o Jason “não era um pai muito bom”, só que quem tinha dito isso pra ela — segundo o que descobriram — foi a própria Molly.
E tem mais: a autópsia de Jason revelou que ele tinha várias escoriações na testa, debaixo dos olhos… e que o Jason tinha levado tantos golpes na cabeça que não dava nem pra contar. Um golpe se sobrepunha ao outro… E um pedaço do crânio dele tinha até chegado a se soltar.
O legista descreveu o laudo da autópsia como “horrível” e destacou que a força usada pra causar aqueles ferimentos era gigantesco. Mais do que o necessário para uma legítima defesa… E também as porradas que o Jason tinha recebido tinham sido no lado e na parte de trás da cabeça. Não na frente, como seria o mais comum em um caso de legítima defesa.
Além de tudo isso, os lesgistas descobriram que Jason não estava bêbado naquela noite, como Molly e Tom tinham dito nos depoimentos. Um exame toxicológico mostrou que ele tinha tomado um pouquinho de cerveja, sim, mas bem pouco — tão pouco que ele passaria num teste do bafômetro.
E teve outra coisa no exame que chamou ainda mais atenção: os legistas encontraram calmantes no sangue do Jason. Calmantes que tinham sido prescritos pra Molly… e ela tinha conseguido a receita só três dias antes da morte dele. Aí ficou a dúvida: será que o Jason tinha tomado os calmantes por conta própria? Ou será que foi drogado?
Tudo isso deixou a polícia com a pulga atrás da orelha. Então, os policiais começaram a ouvir amigos, vizinhos, parentes pra tentar entender melhor o que tinha contecido naquela noite de agosto de 2015. E aí muitas coisas vieram à tona…
No início do namoro entre Molly e Jason, em 2008, a família do Jason até aprovava o relacionamento dos dois. Mas, com o tempo, eles começaram a ficar cada vez mais preocupados com o comportamento estranho — e até enganoso — da Molly.
A irmã do Jason, a Tracey Lynch, foi descobrindo várias coisas. Ela disse que a Molly tinha um longo histórico de mentiras e chegou a descrevê-la como uma pessoa fantasiosa. Um exemplo? Molly teria dito que tinha sido nadadora olímpica. Mentira.
Tracey também contou que, pouco antes do casamento, descobriu que a Molly teria dito pra amigos que tinha sido amiga por correspondência, por cartas, da Mags, a primeira esposa do Jason — o que também não era verdade.
E mais: Tracey descobriu que Molly tinha ficado internada em uma clínica psiquiátrica pouco antes de viajar para a Irlanda pra trabalhar como au pair pro Jason, lá em 2008. Só que Molly não contou nada disso pra Jason até poucas semanas antes do casamento…
Quando eles se mudaram pros Estados Unidos, a Molly também começou a mentir pros vizinhos. Ela dizia que a Sarah era filha biológica dela e até inventou uma história bem detalhada sobre como o parto tinha sido difícil.
Tracey ainda disse que Molly contou, em segredo, pras duas crianças, que Jason tinha matado a mãe delas, a Mags. Sim, ela disse isso pras crianças.
E os relatos de comportamento estranho e abusivo não pararam por aí…
Segundo Tracey, a Molly já segurou o rosto do Jack — que, na época, tinha só 7 anos — debaixo da torneira da pia da cozinha como punição porque ele tinha espirrado água nela. E também teve um episódio em que Jack foi castigado porque não chamou a Molly de "mãe".
Uma amiga da família, Lynn Shanahan, também contou que a Molly ficou brava por vários dias uma vez quando o Jack lembrou ela de que ela não era a mãe dele. E que a Molly evitava contar pros vizinhos que o Jack e a Sarah não eram filhos dela de verdade…
MOLLY E AS CRIANÇAS:
Fonte: https://www.cosmopolitan.com/entertainment/tv/a64748031/molly-martens-now/
Outro amigo da família contou que, poucos dias antes de morrer, o Jason saiu mais cedo de um evento depois de uma situação constrangedora: a Molly começou a criticar Jason na frente de todo mundo, falando que ele estava muito gordo. Aquilo deixou o Jason visivelmente abalado. Segundo esse amigo, Jason estava mesmo preocupado com o peso recentemente, mas o jeito que a Molly expôs ele ali foi humilhante.
A irmã de Jason, Tracey, disse posteriormente que esse episódio foi a gota d’água. Foi aí que o Jason decidiu que ia voltar pra Irlanda. E ia voltar sem a Molly…
Mas não era tão simples assim… Tinha a questão das crianças.
Molly sempre quis adotar formalmente os filhos de Jason - até para poder proporcionar pra eles a cidadania americana. Molly e Jason conversaram sobre isso várias vezes ao longo dos anos… mas nunca foi pra frente.
O irmão mais velho do Jason, o John Corbett, falou que essa história da adoção sempre foi uma fonte constante de tensão no relacionamento do Jason e da Molly. Era um assunto delicado, que já tinha causado atrito no relacionamento do casal.
Jason tinha medo de que perder as crianças ou de que, se alguma coisa acontecesse com ele, as crianças não conseguirem retornar pra Irlanda – onde elas tinham nascido e onde a família do Jason morava.
Até por conta disso, Jason tinha pedido a residência americana pros filhos por meio do vínculo de trabalho que ele tinha nos EUA — não por meio do casamento com a Molly.
Além disso, o testamento de Jason, de 2007, nomeava a irmã dele, Tracey, como a tutora dos filhos caso ele morresse. Ou seja, se ele morresse, Molly não ficaria com as crianças.
TRACEY, IRMÃ DE JASON:
E Jason estava certo em se preocupar… Porque documentos mostram que, em 2013, dois anos antes de Jason morrer, Molly já tinha procurado, sem o conhecimento dele, um aconselhamento jurídico sobre os direitos que ela teria de ficar com a guarda das crianças em caso de divórcio. E, em 2014, ela procurou um advogado pra conversar sobre isso mais a fundo.
Bem, no final das contas, mesmo sem ser a mãe biológica das crianças e sem ter adotado elas oficialmente, se alguma coisa acontecesse, a Molly teria, sim, o direito de entrar com um processo pela guarda das crianças.
Ou seja, bem antes da morte do Jason, Molly já estava se movimentando. Ela queria o Jack e a Sarah sendo filhos dela. E parece que Molly já estava traçando um caminho pra isso acontecer.
Enfim… vamos voltar pra cronologia do caso:
Depois da morte do Jason, em 2015, e do início das investigações, a Molly entrou com um pedido pela guarda do Jack, que na época tinha 10 anos, e da Sarah, de 8 anos — crianças que ela vinha criando como mãe desde que tinha se mudado pra Irlanda.
Mas, como eu disse, os tutores legais das crianças, segundo o testamento do Jason, eram a irmã dele, Tracey, e o marido dela.
Assim que souberam da morte do Jason, a Tracey e o marido viajaram da Irlanda pros Estados Unidos correndo. E, quando chegaram, entraram com uma ação judicial pedindo a custódia dos sobrinhos.
Em 20 de agosto de 2015, a justiça rejeitou o pedido da Molly. E o Jack e a Sarah foram oficialmente entregues pra Tracey, que embarcou com elas de volta pra Irlanda em um voo comercial. Ou seja, a Tracey não esperou: pegou a guarda das crianças e já levou elas de volta pra Irlanda.
Poucos dias depois disso, em 26 de agosto, Jason foi sepultado ao lado da primeira esposa, a Mags, no Cemitério de Castlemungret, em Limerick, na Irlanda.
Então, por vários meses depois disso, a Molly ficou nos EUA, postando fotos das crianças no Facebook. Às vezes ela até incluía um número de telefone e um e-mail, numa tentativa de que as crianças fizessem contato. E talvez ela postasse essas fotos também para mostrar pras crianças que, mesmo longe, a “mãe” ainda estava presente e que amava elas.
Mas, legalmente, Jack e Sarah não podia ter contato com ela. Até porque a família do Jason, especialmente a Tracey, acreditava que o Jason tinha, na verdade, sido assassinado. Então, a família não queria que as crianças tivessem vínculo com a Molly…
Em 5 de janeiro de 2016, Molly e o pai, Tom, foram acusados de homicídio e começaram a responder pelo caso em liberdade.
Mas aí, veio uma reviravolta: assim que chegou na Irlanda, o Jack, já longe da influência da Molly, revelou pra justiça que ele tinha mentido. Aqueles depoimentos iniciais em que ele dizia que o pai agredia a Molly… não eram verdadeiros. Ele não tinha visto o pai agredir física ou verbalmente a Molly e admitiu que tinha mentido! Ainda disse que Molly que fez ele mentir…
Com isso, o juiz decidiu que esses depoimentos do Jack e da Sarah, feitos logo depois da morte do Jason, não poderiam ser usadas como prova no julgamento da Molly e do Tom.
Então, em 17 de julho de 2017, o julgamento começou! Molly e Tom, claro, se declararam inocentes, falando que tinham agido legítima defesa.
Só que a acusação tinha outra narrativa: de que o Jason planejava deixar Molly e voltar pra Irlanda com as crianças. E isso teria desencadeado uma tensão enorme dentro de casa. Afinal, Molly, que criou Jack e Sarah como se fossem seus, não tinha adotado eles formalmente. E perder as crianças que Molly considerava suas… era algo que ela simplesmente não aceitaria.
Essa tensão, segundo a promotoria, pode ter sido o estopim pra discussão que levou ao assassinato.
Durante o julgamento, uma declaração escrita pelo Jack, que na época já tinha 13 anos, foi lida no tribunal. Ele dizia que perder o pai foi devastador, ainda mais que Jack já tinha perdido a mãe, Mags, poucos anos antes.
Jack ainda disse que o pai sempre foi presente na infância dele… mas que agora nunca veria ele crescer.
E Jack temrinou afirmando que Molly não fazia parte — e nunca faria parte — da família Corbett. E que ela seria sempre lembrada como a mulher que matou seu pai…
Enquanto o texto era lido no tribunal, Molly chorou, visivelmente abalada.
No fim das contas, o júri foi unânime: Molly, de 33 anos, e Tom, de 67 anos, foram considerados culpados pela morte de Jason. E foram condenados a um mínimo de 20 anos e um maximo de 25 anos de prisão.
Eles foram presos… Mas a história ainda estava longe de acabar:
A defesa de Molly entrou com recursos, alegando que o julgamento tinha sido injusto — especialmente porque o depoimento das crianças, gravado logo após a morte de Jason, não foi permitido como prova. E aí veio outra reviravolta: como essas declarações das crianças foram descartadas se a defesa tinha descoberto um prontuário médico do Jason, em que o Jason relatava pro médico, pouco tempo antes de sua morte, estar se sentindo estressado e irritado sem motivo aparente?
Esse documento sugeria que o Jason podia estar sendo agressivo, sim — e poderia corroborar aquela versão antiga das crianças de que o pai tinha um comportamento agressivo.
Além disso, Molly apresentou à justiça várias gravações de áudio que ela teria feito, escondida, em casa. Nessas gravações, o Jason aparecia sendo agressivo verbalmente com ela…
E a defesa não parou por aí:
Os advogados de Molly levantaram uma hipótese ainda mais controversa e polêmica: sugeriram que a primeira esposa de Jason, Mags, que morreu em 2006, poderia não ter morrido de causas naturais. Eles insinuaram que Jason poderia ter tido algum envolvimento na morte dela também.
Essa teoria não foi comprovada! Mas ela enfraquecia a imagem pública de Jason… e reacendeu o debate: afinal, quem era Jason Corbett? Ele era a vítima de um assassinato ou um brutamontes e abusador?
Com todo esse material, a defesa conseguiu que o veredito anterior fosse anulado. Ou seja, a condenação de que eles eram culpados foi anulada e ia começar tudo de novo: a justiça decidiu que Molly e Tom teriam direito a um novo julgamento.
Jack, já com 19 anos, e Sarah, com 17 anos, compareceram pessoalmente ao tribunal para dar seus depoimentos:
A Sarah relatou que precisou de anos de terapia para lidar com o fato de que as declarações que ela fez quando criança haviam sido distorcidas e usadas para ajudar Molly e Tom a se livrarem de uma punição mais dura.
Ela ainda disse que Molly destruiu a família Corbett e que, nos dias que se seguiram à morte de Jason, Molly não mostrou remorso: tirou a aliança e mandou Sarah parar de chorar, dizendo que era hora de ela superar.
No final de 2023, Molly e Tom fizeram um acordo com a justiça: os dois se declararam culpados por matar Jason, mas sem intenção de matar. E aí, em troca, todas as acusações seriam retiradas…
Com esse acordo, em 8 de novembro de 2023, eles foram condenados a penas que variavam entre 51 e 74 meses de prisão.
Mas, como eles já tinham cumprido boa parte desse tempo antes quando foram presos antes, Molly e Tom, na verdade, só passariam mais 7 meses na cadeia antes de conseguirem liberdade condicional.
Eles foram presos de novo… E, em julho de 2024, deixaram a prisão — mas com restrições. Eles não podem entrar contato com o Jack e a Sarah, por exemplo..
No fim de tudo, a pergunta continua pairando: quem foi a vítima? E quem, de fato, foi o agressor?
Hoje, a Molly está em liberdade e quer contar a sua versão de tudo o que rolou na época — como já demonstrou em uma recente aparição em um documentário para um streaming famoso, que foi uma das nossas fontes para construir este episódio aqui.
Uma reportagem do The Times, publicada em junho de 2024, revelou que Molly, então com 40 anos, se mudou para a casa de um de seus irmãos na Carolina do Norte. É lá que ela deve permanecer até o fim do seu período de condicional, que parece estar previsto para terminar em junho de 2025.
Eu estou gravando esse episódio em maio de 2025, então mês que vem, dez anos depois da morte de Jason, a Molly pode estar 100% livre de novo…
Quando questionada se ainda se considerava mãe de Jack e Sarah, Molly refletiu que, na visão deles, ela é vista como uma figura cruel. Alguém que teria destruído a família — e, por isso, ela sabe que não pode mais ocupar esse lugar de mãe.
Mas a Molly ainda dise que, durante anos, ela foi, sim, a mãe do Jack e da Sarah – mas isso foi num passado que, agora, parece muito distante.
FONTES:
- https://time.com/7284114/a-deadly-american-marriage-netflix-true-story/
- https://www.cosmopolitan.com/entertainment/tv/a64748031/molly-martens-now/
- https://en.wikipedia.org/wiki/Killing_of_Jason_Corbett
- https://www.netflix.com/search?q=deadl&jbv=81588273
- https://people.com/where-are-jason-corbett-killers-molly-thomas-martens-now-11730846
- https://www.independent.ie/life/tracey-corbett-lynch-you-begin-to-process-the-loss-and-then-a-retrial-comes-up-and-its-like-ripping-open-a-wound-and-you-have-to-start-over/42042607.html













