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Imagina perder seu filho… e nunca saber o que aconteceu. Nenhuma pista, nenhuma resposta, só um silêncio que dura dias, depois meses… e, no caso de John Walsh, décadas.

Adam tinha seis anos. Ele era tímido, sorridente, e tinha aquele jeitinho de criança que acredita que o mundo é um lugar seguro. No dia em que ele desapareceu, a mãe dele só virou as costas por alguns minutos. E esses minutos foram o suficiente pra mudar tudo.

O que começou como uma ida rápida a uma loja virou uma das histórias mais tristes — e mais conhecidas — dos Estados Unidos. Uma história que fez o país inteiro repensar como lida com o desaparecimento de crianças… e transformou um pai comum, John Walsh, em um dos maiores caçadores de criminosos da televisão americana.

Mas antes de tudo isso… antes de programas de TV, de leis e homenagens… existia uma pergunta que ninguém conseguia responder: o que aconteceu com Adam Walsh?

CASO

Adam John Walsh nasceu em 14 de novembro de 1974 e era filho de Revé e John Walsh. Eles viviam nos Estados Unidos e eram uma daquelas famílias que, à primeira vista, parece que saiu de um comercial de TV, sabe?! Casa grande com jardim, carro na garagem, finais de semana no parque, jogos de baseball e o filho correndo alegre pelo quintal. 

Uma coisa bem americana mesmo (rsrs).

ADAM JOHN WALSH:

Fonte: https://people.com/who-killed-adam-walsh-11777914 

A família morava em Hollywood. Só que não é a Hollywood dos filmes, não, tá?! Essa fica na Califórnia (KKKK). Eles moravam na Hollywood que fica na Flórida… Uma cidade que, na época, tinha 120 mil habitantes.

Era por volta de meio-dia e quinze do dia 27 de julho de 1981:

E, como descreveu o Crime Junkie, um podcast que eu adoro, nesse dia, a Revé foi até uma Sears (que era uma loja de departamento muito famosa) junto com filho, Adam, de 6 anos, pra comprar umas lâmpadas específicas que o marido dela, o John, estava precisando.

E, assim que os dois entraram na loja, eles deram de cara com uma seção que, para qualquer criança, era um paraíso: a seção de videogames! Com um Atari 2600 novinho pros clientes jogarem.

Gente, nessa época, no início dos anos 80, os videogames eram uma coisa relativamente nova, então o Adam ficou ALUCINADO! Afinal, que menino de 6 anos quer ficar vendo lâmpadas, né?! (rsrsrs).

O Adam implorou para a mãe deixar ele ficar jogando um pouquinho, junto com um grupo de garotos de 12 e 13 anos que estava lá.

Como a Revé só ia na seção de lâmpadas rapidinho, a poucos corredores de distância, ela deixou. Revé falou que voltava rapidinho e o garoto disse: “está bem, mamãe, eu sei onde fica essa seção de lâmpadas”.

Aí, ela deixou Adam lá, jogando, e foi cuidar do que precisava fazer: olhou as caixas, comparou os preços… Coisa de cinco ou dez minutos só. Mas, no fim das contas, a loja nem tinha a lâmpada que ela precisava. Ou seja, a ida até a Sears não serviu pra muita coisa.

Como ela não tinha achado a lâmpada, Revé voltou para buscar o Adam. Só que, quando ela chegou lá, o lugar estava… vazio! Não tinha ninguém lá. Nenhuma criança. Nem o Adam.

Na hora, a Revé estranhou.

E o primeiro pensamento que passou na cabeça dela deve ter sido o mais lógico, sabe? Que o Adam devia ter saído pra procurar por ela… e aí eles se desencontraram entre os corredores. Tipo… enquanto a mãe tinha ido pros videogames, Adam tinha ido pra sessão de lâmpadas. Acontece.

Aí, sabe quando você está procurando alguém no mercado? E você passa olhando de corredor em corredor? A Revé começou a procurar pelo garoto desse jeito – ela passou olhando um corredor, e outro e mais outro… Vendo as prateleiras cheias de produtos, a loja cheia de gente fazendo compras… Mas nada de achar o Adam.

O coração deve gelar em momentos assim, né?! 

Eventualmente, Revé pediu ajuda pra um funcionário da loja: ela pediu pra ele chamar Adam nos alto-falantes, avisando que a mãe ia esperar ele na seção de videogames.

E, quando Revé voltou pra lá, ela viu alguém que ela conhecia: gente, deve ter sido um alívio… Era a sogra dela, a avó do garoto. E ela devia estar com Adam!

Elas não tinham vindo juntos pra Sears, e nem sabiam que a outra ia estar ali… Mas, na cabeça da Revé, só podia ser isso: o Adam devia ter esbarrado na avó no meio da loja e ficou com ela. Era a explicação mais lógica.

Só que… não. O Adam não estava com a avó. 

As duas ficaram na seção de videogames, esperando. Vai que Adam tinha ouvido o chamado nos alto-falantes e estava voltando pra lá?

Elas esperaram, e esperaram. O que deve ter parecido uma eternidade. Só que o Adam não apareceu.

Foi aí que começou a cair a ficha de que algo ruim poderia ter acontecido. E eu imagino que ela deve ter sentido um calafrio na espinha… 

Preocupada, Revé ligou pro marido, John. E, logo depois, eles chamaram os policiais. Os agentes chegaram por volta das 1h55 da tarde.

Nas primeiras horas, a polícia interrogou todos os funcionários. Um por um. Mas ninguém tinha visto o Adam. Ninguém.

Até que uma das gerentes da loja contou um detalhe que poderia ajudar a encontrar o menino: ela relatou que, mais cedo, na seção de videogames, tinha rolado uma confusão… O grupinho de meninos, que estava jogando, tinha começado a brigar por algum motivo qualquer. Talvez pra ver quem seria o próximo a jogar, ou para ver quem ia ficar com o controle… Alguma coisa assim.

Só que essa confusão foi crescendo, o tom subiu… Até que uma segurança precisou intervir. E ela acabou expulsando o grupo todo da loja, colocando todas as crianças pra fora. 

E talvez Adam tivesse sido expulso junto com eles.

Bem… isso fazia muito sentido. Se Adam tivesse sido expulso com os outros garotos, os pais realmente não iam achar ele dentro da loja. E ele também não teria como ouvir o nome sendo chamado nos alto-falantes.

Só que, apesar disso ser uma pista importante, não era uma boa notícia:

A segurança tinha expulsado as crianças pela saída oeste da Sears — uma porta diferente daquela que que Revé e Adam tinham entrado mais cedo. Ou seja, o menino estaria em um lugar que ele não conhecia.

E tem mais: o Adam era um menino muito tímido! De acordo com a família, ele nunca teria falado nada pra segurança. Não teria explicado que a mãe estava dentro da loja, nem que ele não estava com o grupo de garotos… 

Ele teria ficado quietinho. Assustado. Do lado de fora da Sears, sozinho, sem saber o que fazer… E a gente está falando de um menino de 6 anos! Ele não saberia voltar pra casa. Nem se virar pra encontrar a mãe.

A polícia, então, foi falar com a segurança da loja, que, inclusive, era nova no trabalho. Eles mostraram uma foto do Adam para ela… Só que a mulher não lembrou de ter visto Adam. Ela não reconheceu o Adam como um dos meninos que ela tinha expulsado da loja.

Sem outras pistas, os investigadores procuraram por todos os lugares: por toda a seção de jogos. Toda a Sears. Todo o shopping. Todo o lado de fora da loja... 

Nas primeiras horas, eram 15 voluntários e 22 policiais fazendo buscas (até com helicópteros!). E, a cada minuto que passava, a angústia da família só aumentava. Eles tinham medo de que algo de pior pudesse ter acontecido. E rezavam para que um dos detetives encontrasse o Adam sentadinho em algum lugar. Ou, então, que um dos helicópteros iluminasse a rua certa na hora certa e avistasse Adam ao longe.

Só que esse dia de buscas se transformou em dois, três, quatro… Em vários dias sem nenhum vestígio do Adam. 

Imagina a dor dessa família, gente… 

Mesmo assim, o John não deixou a situação abater ele. E demonstrou uma força incrível: ele apareceu em todos os jornais que podia, foi pra frente de todas as câmeras de TV, deu várias entrevistas… Ele queria espalhar a foto do Adam o máximo possível. Para ver se alguém… qualquer pessoa… tinha alguma notícia do filho.

Enquanto isso, as investigações continuavam:

Logo no começo da investigação, até os pais do Adam precisaram provar que não tinham nada a ver com o crime. A polícia pediu que eles fizessem testes de detector de mentiras. E eles passaram, tá? Eles não tinham culpa de nada. 

O John, por exemplo, tinha até um álibi: no dia em que tudo aconteceu, ele estava trabalhando. Na época, ele era desenvolvedor de hotéis — que é o profissional responsável por tocar todo o processo de criação de um hotel, desde o projeto até a inauguração.

Além disso, ninguém da família Walsh — ou próximo do John e da Revé — tinha motivação pra fazer alguma coisa com o Adam. Ou, pelo menos… era o que parecia, a princípio.

Porque, durante a investigação, quando um dos detetives estava fazendo perguntas pra alguns familiares, ele descobriu um detalhe que ele achou que podia ser a chave pra desvendar o caso:

Como eu disse antes, a família Walsh parecia perfeita. Mas, por trás dessa imagem, as coisas não eram tão simples assim… 

A verdade é que Revé estava traindo o John. E não com qualquer pessoa…  com um dos melhores amigos dele — um cara chamado Jim Campbell.

Segundo as fontes, o que aconteceu é que John trabalhava demais e vivia viajando a trabalho. Ele quase sempre estava fora de casa. E parece que a Revé começou a se sentir sozinha… 

Nessa época, o Jim chegou até a ficar hospedado na casa dos Walsh por um tempo. Foi aí que o caso da Revé com o Jim começou. 

E o Adam até acabou se aproximando dele, criando até uma relação meio paterna com o Jim, parece.

E claro que, quando o John descobriu tudo, ele não gostou nem um pouco disso! Segundo o Crime Junkie, talvez  o John não quisesse Jim assumindo seu papel de marido, nem de pai. 

No fim das contas, ele pediu para o Jim sair de casa. E, nesse meio tempo, a Revé acabou terminando a relação extraconjugal.

Gente, isso tudo estava acontecendo mais ou menos uma semana antes do desaparecimento do Adam, tá?

Bem… Um homem com o coração partido, que tinha perdido a mulher que ele supostamente gostava, o melhor amigo e também uma figura que ele talvez considerasse um filho? Era aí que a polícia ia começar a investigar: o Jim Campbell.

Os detetives acreditavam que Jim podia ter feito alguma coisa com Adam para se vingar ou então pra tentar destruir o casamento de John e Revé.

Só que o Jim sempre negou qualquer envolvimento com o caso. Na época, ele chegou a fazer um teste de detector de mentiras. E passou… Além disso, os policiais não conseguiram juntar nenhuma prova contra ele. 

No final das contas, Jim não tinha nada a ver com o caso! E ele foi liberado pela polícia.

Então, as semanas foram passando…

Em duas semanas de investigações, mesmo com todo o esforço da polícia e da família, eles não tinham nada. Nenhum suspeito. Nenhuma pista. 

Até que, no dia 10 de agosto de 1981, duas semanas depois do sumiço, as respostas começaram a aparecer:

Naquela noite do dia 10, dois pescadores estavam trabalhando num canal de água a cerca de 160 quilômetros de Hollywood (o que dá cerca de duas horas de carro). Eles estavam ali, pegando peixes e tudo parecia tranquilo – o balançar do barco, o céu estrelado…  

Até que… eles viram alguma coisa flutuando no canal. Eu imagino que eles devem ter pensado: será que era um tronco? Ou um peixe grande morto, boiando? Eles não sabiam… 

Os dois chegaram perto, e mais perto… E, então, viram uma coisa terrível:

Era a cabeça de uma criança. 

A cabeça estava em um estado de decomposição muito avançado, o que dificultou a identificação. Por conta disso, os detetives precisaram chamar um colega da família Walsh pra ajudar. 

Ele chegou, olhou… e soube de cara: infelizmente, era o Adam.

Na época, os médicos legistas disseram que Adam tinha sido morto cerca de dez dias antes. E, apesar de os detetives vasculharem todo o canal e as proximidades com o máximo de cuidado, eles não acharam mais nenhum resto mortal, nem qualquer outra pista.

John e Revé ficaram destruídos com a notícia, claro… E, agora, eles tinham ainda mais perguntas do que respostas: quem tinha sequestrado Adam? E por quê? Como a cabeça do filho tinha ido parar em um canal de água, a horas da cidade? E onde estava o resto do corpo?

Gente, por três meses, nada avançou no caso… até novembro.

Em novembro de 1981, a polícia prendeu um cara chamado Edward James por ter raptado um menino, em um caso não relacionado ao do Adam. Só que, enquanto estava preso, o Edward teria supostamente contado pra um colega de cela sobre esse sequestro… e também sobre um outro sequestro que ele teria cometido: o de um menino, numa loja de departamentos em Hollywood, na Flórida.

O colega de cela contou tudo pra polícia: ele relatou que o Edward tinha aberto a boca e confessado que tinha atraído o menino para fora da loja de departamentos. Em seguida, ele teria levado a criança pra uma loja de sorvetes e, depois, pra um carro.

Dentro do carro, Edward teria dirigido com o garoto por um tempo. Só que, por algum motivo, ele teria ficado com raiva. Com muita raiva! Então, teria parado o carro… tirado a criança do veículo… e cortado a cabeça.

A polícia foi investigar esse cara, claro:

Bem… realmente, o Edward era suspeito: ele batia com o perfil de criminoso que os investigadores estavam procurando e, além disso, alguns vizinhos tinham afirmado que, na época que o Adam desapareceu, ele não passou no apartamento dele por 2 semanas. Ou seja, Edward não deu as caras no próprio apartamento por duas semanas… 

E tem mais: em agosto, Edward teria comprado um estofado novinho para o banco do carro dele. O que era… esquisito. Por que Edward faria isso? Ele estava tentando esconder alguma mancha de sangue, ou coisa assim?

Os policiais foram atrás do Edward, sentaram com ele… e, quando a polícia o confrontou, ele negou ter matado Adam:

Primeiro, ele tinha um álibi… Edward provou que estava no trabalho no dia em que tudo aconteceu. E, além disso, vários exames foram feitos no carro dele e não detectaram nenhuma evidência de que o Adam esteve ali.

No final das contas, Edward não era o culpado. E as investigações voltaram à estaca zero. 

E elas ficaram paradas. Por dois anos!

Até que… em outubro de 1983, os investigadores receberam uma ligação:

Eu imagino o telefone tocando, e tocando… Até que um policial atendeu. Do outro lado da linha, tinha um detetive. E o detetive falou que tinha acabado de prender um cara que tinha informações sobre um caso de assassinato não resolvido. 

Esse preso se chamava Ottis Toole. 

Ottis tinha sido preso por causar incêndios criminosos. E, dentro da cadeia, ele começou a falar sobre outros crimes que ele teria cometido. Tipo:

Ele começou a falar que – de todas as pessoas que ele tinha machucado na vida e de todas as coisas ruins que ele tinha feito – tinha um crime que ele se arrependia. Por conta da idade da vítima. Era um menino. Um garoto que Ottis tinha sequestrado de uma loja de departamentos. 

OTTIS TOOLE:

Fonte:  https://www.cbsnews.com/miami/news/adam-walsh-case-40-years-later/ 

Ottis afirmou que, em 27 de julho de 1981, ele estava dirigindo pela cidade em um Cadillac branco, 1971. Ele tinha passado a manhã fazendo compras, até que… em determinado momento, algo chamou a atenção dele.

Do lado de fora de uma loja Sears, perto de um ponto de ônibus, tinha um garotinho. Sozinho. Parado. Vulnerável.

E, por algum motivo, o Ottis ficou vidrado nele. As fontes dizem que, na hora que ele bateu os olhos na criança, Ottis pensou que queria o menino pra si. Pra criar como se fosse um filho.

Então, o Ottis chegou perto, puxou conversa e disse que tinha brinquedos e balas no carro. E perguntou se o garoto não queria ir até lá com ele… 

Ottis estendeu a mão. E o garotinho… pegou. 

Eles andaram juntos até o carro. Quando chegaram, é claro que não tinha nenhum brinquedo nem bala. Então, Ottis mudou a desculpa: disse que, na verdade, as guloseimas estavam na casa dele. E que eles precisavam dar um pulinho lá para buscar.

O garoto acreditou, e entrou no carro. Aí, o Ottis deu partida – se afastando da Sears. Indo para longe da segurança do shopping. Para longe da Revé, que estava procurando pelo Adam lá dentro.

Mas, quanto mais o carro seguia pra longe, mais o menino ficava inquieto: eu imagino que ele devia ficar perguntando se faltava muito para chegar, falando que queria voltar pro shopping, que queria ver a mãe… 

Eventualmente, Ottis começou a perceber que o sequestro não daria certo. O menino ia ficar chorando, perguntando da mãe… E aquilo foi tirando Ottis do sério. A cada pergunta, a cada soluço, a raiva dele aumentava. 

Até que… ele perdeu o controle. 

De repente, Ottis bateu no rosto do menino! Depois, parou o carro.

Então, ele abusou sexualmente do garoto, colocou o cinto de segurança ao redor do pescoço dele e apertou com muita força. Aí, por fim, pegou uma ferramenta no porta-malas e, com ela… cortou a cabeça da criança.

Que horror, gente… 

Parece que, num primeiro momento, ele queria ficar com a cabeça. Então, Ottis colocou ela no chão do carro. Mas, logo depois, entendeu que, se ele queria se safar desse crime, manter a cabeça era uma péssima ideia. Aí, ele jogou a cabeça fora, num canal de água.

E o pior: o local descrito pelo Ottis batia exatamente com o local em que a cabeça do Adam tinha sido encontrada.

Muita coisa nessa história do Ottis batia! O que significava que os policiais tinham, finalmente, encontrado o culpado, né?! Caso resolvido. 

Bem… não. A história dele também tinha muitos furos.

Primeiro, a descrição que ele deu do garoto não batia com o Adam:

O Ottis descreveu que tinha sequestrado uma criança entre 7 e 10 anos, de cabelos encaracolados e loiros, usando jeans, tênis e uma camisa azul. Só que Adam, na verdade, tinha 6 anos, cabelos castanhos e estava usando uma camisa listrada vermelha e branca, calça verde e sandália amarela.

Além disso, Ottis começou a mudar a história dele várias vezes:

Em certos momentos, ele dizia que tinha cometido o crime sozinho. Depois, ele falava que tinha cometido o assassinato com Henry Lee Lucas, amigo e amante do Ottis. Eles tinham um relacionamento amoroso.

Gente, só um parênteses: esse cara, Henry Lee Lucas, era um serial killer. Ele passou um tempo viajando os EUA, fazendo vítimas, e, em certos casos, ele gostava de ter relações com corpos de pessoas mortas.

Só que não fazia sentido Henry Lee Lucas ter participado do caso do Adam, porque, no dia que ele desapareceu, Henry estava preso! 

Além disso, sobre a ferramenta que Ottis teria usado… Primeiro, ele afirmou que tinha usado uma baioneta. Depois, uma machete.  

E o que o Ottis tinha feito com o restante do corpo? Em certo momento, ele disse que tinha enterrado perto do canal. Mas, depois, ele falou que tinha levado pra casa da mãe dele, em Jacksonville, cidade que fica a uns 500 quilômetros de Hollywood – o que dá umas 5 ou 6 horas de carro.

Ou seja, o Ottis mudava os detalhes da história o tempo todo! Além disso, ele confessava e depois de um tempo voltava atrás, falava que não tinha cometido nada a ver com o crime. 

Na época, ele ainda chegou a admitir diversos outros assassinatos. Muitos deles, segundo o Ottis, cometidos supostamente com Henry Lee Lucas.

Mas as investigações mostravam que a grande maioria dessas confissões era falsa. Ottis e Henry pareciam se alimentar da atenção que recebiam — e misturavam realidade com fantasia, o que confundiu a polícia por vários anos.

No final das contas, ninguém sabia o que era verdade e o que era mentira.

Só que, apesar dessas inconsistências nos detalhes, a essência do que ele contava não mudava: Ottis tinha levado o menino, tirado a vida dele… e se livrado da cabeça num canal de água. Assim, por mais contraditórios que um ou outro detalhe fossem, os policiais acreditavam que Ottis podia, sim, ser o responsável pelo crime. Só não dava pra provar… ainda.

O que os policiais precisavam eram provas! Só que eles não encontravam nada. Nenhuma! Mesmo com todos os relatos, eles não conseguiam ligar o Ottis diretamente ao caso.

Os investigadores chegaram a pegar o Cadillac que Ottis Toole afirmou ter dirigido no dia em que teria sequestrado o Adam. Dentro do carro, a polícia encontrou manchas de sangue, tanto na parte da frente, quanto no banco de trás. Eles chegaram a arrancar o carpete pra investigar melhor.

A polícia ainda encontrou um facão, que Ottis provavelmente teria usado, e os testes revelaram vestígios de sangue.

Mas tinha um problema: na época, em 1983, os testes de DNA até existiam, mas não estavam disponíveis com a mesma facilidade de hoje em dia. Ou seja, não conseguiram fazer testes e descobrir se o sangue era mesmo do Adam. 

Além disso, por algum motivo, a polícia também não conseguiu identificar o tipo sanguíneo das manchas encontradas. Dava tudo inconclusivo. 

Com o tempo, a polícia até tentou avançar as investigações:

Por exemplo, em 1995, doze anos depois, com o avanço da tecnologia e os testes de DNA se tornando rotina em investigações criminais, os detetives decidiram revisitar o caso contra o Ottis. A ideia era simples: testar de novo os carpetes ensanguentados do Cadillac. 

Mas aí veio a surpresa — e a frustração. Os carpetes tinham desaparecido, e o carro já tinha sido vendido como sucata. 

O facão ainda existia, só que os vestígios de sangue tinham sumido. O que eu vi nas fontes é que, muito provavelmente, os vestígios se degradaram por causa dos testes feitos anteriormente.

Ou seja, mesmo depois de uma década, a polícia ainda não tinha provas concretas contra o Ottis! 

Durante esse tempo, claro que o Ottis não foi o único suspeito. Os policiais chegaram até a investigar, por exemplo, um nome que arrepia só de ouvir: Jeffrey Dahmer.

Sim… O famoso serial killer, que todo mundo já ouviu falar e que tirou a vida de 17 pessoas entre 1978 e 1991. 

Na época do desaparecimento, ele morava na Flórida. E duas testemunhas disseram ter visto alguém muito parecido com ele no shopping no dia em que Adam foi sequestrado: uma pessoa contou que um homem estranho tinha entrado no setor de brinquedos da Sears, e outra pessoa contou que tinha visto um homem loiro e com o queixo marcante (descrição que batia com o Jeffrey Dahmer), empurrando uma criança para dentro de uma van azul — e fugindo em alta velocidade.

Além disso, alguns crimes do Dahmer envolviam decapitar as vítimas. 

Então, fazia bastante sentido! Talvez, o Adam tivesse sido realmente vítima do Jeffrey Dahmer… 

Só que, quando ele foi interrogado sobre o caso, em 1992, ele negou várias vezes envolvimento no caso do Adam… Dahmer falou que não era pedófilo e que, portanto, não tinha nada a ver com o crime.

Além disso, Adam não batia com o perfil de vítimas dele, que tinham entre 14 e 32 anos. Como a gente sabe, Adam era bem mais novo. 

E, por fim, os policiais não tinham mais nenhuma pista que envolvesse ele no caso. Então, a polícia meio que descartou Dahmer como suspeito.

Isso já era década de 90, tá?! Mais de dez anos depois da morte de Adam.

Durante todos esses anos, a vida da família Walsh mudou completamente — e, de certa forma, eles também transformaram todo o país!

John transformou a dor em missão, e começou a lutar para que nenhuma outra criança passasse pelo que o filho passou:

Ele se tornou um dos maiores ativistas pelos direitos das vítimas de crimes como o do Adam. E John criou, em 1988, um dos programas mais famosos da televisão americana – o America’s Most Wanted

O programa colocava o rosto dos fugitivos mais perigosos do país em rede nacional. E ainda tinha uma linha de telefone… então, as pessoas em casa, que estavam assistindo, podiam ligar e dar pistas sobre os casos.

JOHN E ADAM WALSH:

Fonte: https://crimejunkiepodcast.com/precedent-adam-walsh/ 

O resultado? Segundo o FBI, o America’s Most Wanted ajudou a capturar 17 criminosos que estavam na lista de mais procurados. E, segundo o próprio John, mais de 1200 suspeitos foram presos graças a denúncias feitas pelos espectadores.

Além disso, junto à família Walsh, ele fundou, em 1984, o National Center for Missing and Exploited Children – uma instituição que já ajudou a encontrar mais de 196 mil crianças desaparecidas no mundo inteiro.

E graças à influência desse centro, o congresso americano aprovou várias leis que transformaram a forma que o país lida com o desaparecimento de crianças:

Uma dessas leis, por exemplo, foi a chamada Adam Walsh Child Protection and Safety Act – essa lei criou um banco de dados nacional de criminosos sexuais, intensificou as penas para crimes contra crianças e investiu muito em treinamentos para que as agências de polícia pudessem combater de forma mais eficiente casos de abuso e exploração pela Internet.

Pra completar, em 1994, o Walmart criou o Código Adam, em homenagem ao garoto. Esse código é um protocolo de emergência, usado quando uma criança some dentro de uma loja de departamentos.

Funciona assim: se alguém percebe que uma criança sumiu, o local entra imediatamente em alerta. As portas são trancadas, os funcionários param o que estão fazendo, e todos passam a procurar pela criança.

Ninguém entra. Ninguém sai.

A ideia é agir rápido — nos primeiros minutos, que são importantíssimos — pra aumentar as chances de encontrar a criança em segurança.

Com o tempo, o Código Adam acabou se espalhando: hoje, é adotado por lojas, shoppings, museus, parques de diversão, mercados… Praticamente em qualquer lugar público.

Para vocês verem o quanto esse caso marcou os Estados Unidos… E como, de alguma forma, ele acabou mudando o país pra sempre. 

A história do Adam foi tão impactante, tão triste, que fez muita gente parar pra pensar em como proteger melhor crianças. 

E o John fez uma carreira muito boa, pra ajudar as pessoas, por conta da tragédia que ele viveu.

Porém, mesmo o John ajudando tanta gente a ser devolvida pra casa e a colocar criminosos atrás das grades, tinha um caso que ele não conseguia desvendar de jeito nenhum: a morte do próprio filho.

E demorou 27 anos pra verdade do que aconteceu com o Adam aparecer…  Mas ela apareceu:

Em fevereiro de 2006, a família Walsh chamou Joe Matthews, um detetive aposentado, para dar uma nova olhada no caso. Eles queriam alguém que chegasse com o olhar fresco e que ajudasse eles a fechar o caso de uma vez por todas.

Pra fazer isso, Joe revisitou milhares de documentos… E descobriu que, nos anos 80, os policiais tinham conduzido o caso de forma muito descuidada, cheia de falhas:

Ele descobriu, por exemplo, que o detetive chefe do caso na década de 80 passou anos acreditando cegamente que o culpado era Jim Campbell – o amante da Revé. Por conta disso, passou mais tempo tentando descartar outros suspeitos do que, de fato, tentando ligar eles ao crime.

E também tinham coisas que tinham passado meio batido, sabe?

Por exemplo, Ottis Toole, certa vez, disse que tinha levado o resto do corpo do Adam para a casa da mãe dele, em Jacksonville. Na época, uma busca foi feita na casa… E os policiais encontraram uma calça verde de criança e sandálias amarelas – iguais às que o Adam estava usando no dia em que ele desapareceu.

Essas evidências tinham sido coletadas… Só que, por algum motivo, foram arquivadas. Elas nunca foram mostradas à família para identificação!

Doideira isso, né, gente?! 

Enfim… Ele não não deixou isso abalar ele e continuou trabalhando no caso:

Investigando mais a fundo, Joe acreditava que, se tinha algo que provaria a culpa do Ottis, essa coisa estaria no Cadillac. Só que o veículo tinha sido vendido há muito tempo… Será que ainda existia uma pista depois de mais de duas décadas?

Vasculhando os arquivos do caso, agora, nos anos 2000, ele sabia que, nos anos 80, os policiais tinham tirado fotos do carro. E ele podia analisar elas… Só que ninguém sabia onde essas fotos tinham ido parar – pelo que conta o Crime Junkie.

E parece que o Joe procurou em tudo quanto é lugar: ele deve ter revirado de cima a baixo nos arquivos da polícia, questionado várias pessoas… Mas não achava as fotos em lugar nenhum.

Até que… o Joe descobriu uma coisa que deixou ele chocado. Na realidade, não existia foto nenhuma. 

Como assim? Gente, as fotos nunca tinham sido reveladas…. O que existia mesmo eram os filmes das fotos. Sabe os rolinhos de câmera antiga, com os negativos? Pois é… 

Com os negativos em mãos, Joe revelou as fotos… E o que ele viu o deixou sem palavras:

O que tinha nas fotos? Bem… quando os policiais dos anos 80 vasculharam o Cadillac, eles tinham jogado luminol pra detectar sangue. Então, as fotos mostravam manchas de sangue, pelo que eu entendi do caso.

Em uma das fotos, por exemplo, dá para ver duas digitais com sangue.

Em outra, o Joe notou uma coisa: na parte de trás do carro, mais ou menos onde Ottis afirmou, no passado, que tinha deixado a cabeça do Adam por um tempo, a imagem mostrava uma mancha de sangue que parecia… um rosto. Infelizmente, o rosto de uma criança.

Gente, eu olhei a imagem e acho que não dá para ver muita coisa (rsrs). E, com essa imagem, realmente não dá para provar 100% que é o Adam. Mas Revé, a mãe dele, disse que, quando viu a foto, ela teve certeza… era Adam.

Parece que ela sentiu que realmente era o Adam, sabe?

IMAGEM DA POLÍCIA:

Fonte: https://justiceforadam.com/images/before.jpg 

Além disso tudo que eu contei, Ottis também tinha um histórico tenebroso. Eu vou contar um pouquinho do passado dele pra vocês:

Ottis Elwood Toole nasceu em 1947, em Jacksonville, na Flórida.

O pai dele abandonou a família cedo. Então, o Ottis foi criado só pela mãe — uma mulher descrita como cruel e fanática. Tanto ela quanto a avó dele eram bem rígidas e seguiam crenças religiosas extremas… Algumas fontes chegam até a citar envolvimento com rituais de satanismo, mas não sei o quanto isso é verdade.

A infância do Ottis foi marcada pela violência: quando pequeno, ele sofreu vários abusos sexuais de pessoas próximas, inclusive de dentro da própria família.

Além disso, o Ottis tinha dificuldades cognitivas (dizem que ele tinha um QI bem baixo) e crises de epilepsia, o que deixava ele ainda mais vulnerável. 

Ottis vivia fugindo de casa e dormindo em lugares abandonados.

Desde cedo, ele começou a se meter em pequenos crimes e a desenvolver uma obsessão perigosa: o fogo. Ele gostava de incendiar coisas.

Aos 14 anos, o comportamento violento do Ottis piorou. E foi então que ele começou a matar:

Certo dia, um vendedor ambulante se aproximou dele e fez uma proposta sexual. O Ottis topou… Ele entrou no carro desse vendedor, e os dois foram dirigindo até uma área mais isolada.

Quando eles chegaram numa região de mata, tudo mudou. Ottis pegou o carro do vendedor, acelerou… e passou por cima dele. O cara não resistiu aos ferimentos.

Foi o primeiro assassinato do Ottis Toole.

Em 1976, quando ele tinha cerca de 29 anos, ele conheceu Henry Lee Lucas — aquele serial killer que eu comentei antes. Um homem com um passado tão sombrio quanto o do Ottis. E os dois se tornaram inseparáveis: amigos, amantes… e parceiros no crime. 

Ottis disse ter cometido 108 assassinatos com Henry!

Isso, claro, além dos crimes que Ottis cometeu sozinho: em janeiro de 1982, Ottis estava tendo uma relação sexual com um homem chamado George Sonnenberg, de 65 anos. Só que, por algum motivo, os dois começaram a discutir. Na confusão, Ottis colocou fogo na casa do George!

O incêndio se espalhou muito rápido, queimando o George dentro da casa. Ele não resistiu aos ferimentos, e morreu uma semana depois.

Em 1983, Ottis colocou fogo em diversas casas em Jacksonville. Ele acabou sendo preso e, na cadeia, confessou ter provocado cerca de 40 incêndios criminosos ao longo dos últimos 20 anos. Ottis, então, foi condenado a 20 anos de cadeia.

Atrás das grades, Ottis começou a confessar vários crimes assustadores – inclusive, o do Adam, como eu tinha falado antes. O Ottis dava descrições detalhadas dos crimes, mas também se contradizia toda hora… E, até hoje, ninguém ao certo sabe quantas pessoas ele realmente matou. Ele mesmo disse que participou de mais de cem assassinatos, como eu falei. Só que, ao longo dos anos, ele só foi acusado oficialmente de seis mortes. 

O resto… ninguém sabe o que era verdade e o que era invenção.

Então, mais de vinte anos se passaram desde que ele foi preso. E, em 2008, a polícia finalmente fez um anúncio que encerrou uma dos casos criminais mais impactantes do país: o caso Adam foi oficialmente encerrado.

Depois de o detetive Joe revisitar todo o caso, ele entendeu que os policiais já tinham evidências suficientes que deixavam claro que o responsável da morte do Adam, muito provavelmente, era mesmo o Ottis Toole.

Então, pelo que eu entendo, não teve uma prova incontestável ou um DNA que ligou 100% Ottis ao assassinato. Só que tinha uma série de evidências e circunstâncias que reforçavam o que todo mundo já suspeitava.

E a família Walsh declarou que ficou satisfeita com a identificação do Ottis como possível assassino.

Só que ele nunca pagou pelo crime!

Lá nos anos 80 e 90, ele nunca chegou a ser acusado formalmente, porque parte das evidências tinham se perdido e porque Ottis vivia retirando a sua confissão. Durante os anos, ele confessou e depois retirou a confissão mais de vinte vezes.

E, quando o caso foi revisado, nos anos 2000, o Ottis também não pôde ser acusado, nem julgado: ele morreu na prisão em setembro de 1996, aos 49 anos. 12 anos antes da revisão. Segundo os registros, o Ottis tinha cirrose e possivelmente era portador do HIV. 

Então, pelo que eu entendi, ainda tem gente que acredita que o verdadeiro criminoso pode ser outra pessoa… Mas a polícia e a família acreditam que realmente foi o Ottis Toole.

Numa entrevista à revista People, John Walsh contou que a dor de perder um filho é uma ferida que nunca cicatriza por completo. 

Ele disse que basta um aniversário ou uma fotografia… para que todas as lembranças voltem. Ele também afirmou que nenhum pai deveria enterrar um filho.

Só que, ao mesmo tempo, o John reconhece que toda essa dor (e, claro, o amor pelo Adam) deram um novo propósito à vida dele: ajudar pessoas… 

John afirmou que nunca teria conquistado tudo o que conquistou — como a criação de leis e programas de proteção a crianças — se não fosse pelo Adam, e por tudo o que John viveu depois da tragédia.

No final das contas, a morte do Adam não deixou só sofrimento… Também acabou deixando um legado… Apesar da dor, a família transformou a sua perda em mecanismos reais para ajudar milhões de outras crianças até hoje.

ROTEIRISTA:  Lucas Andries

FONTES:  

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