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Junho de 2019. Uma jovem universitária de 23 anos chegou em Salt Lake City, uma cidade dos EUA. Ela morava nessa cidade e tinha acabado de voltar do funeral da avó, que tinha acontecido em outro estado e, assim que desembarcou no aeroporto, no meio da madrugada, ela chamou um carro de aplicativo.

Ao chegar, e em vez de ir direto para casa, ela chama um carro de aplicativo com destino a um lugar incomum para aquele horário: um parque. Escuro. Isolado.

Ela estava indo em um encontro com um rapaz que ela tinha conhecido na Internet. Depois dessa noite, ela nunca mais foi vista com vida… O que aconteceu com Mackenzie Lueck naquela noite? Quem estava esperando por ela naquele parque? 

CASO

Mackenzie Speth Lueck nasceu em 8 de março de 1996 na cidade de El Segundo, nos EUA. 

El Segundo é uma cidade pequena, com apenas 16 mil habitantes. Ela fica espremida entre o oceano Pacífico (ou seja, é uma cidade que tem praia) e a cidade de Los Angeles (que é uma grande metrópole de 4 milhões de habitantes, muito famosa por Hollywood, que é onde filmes americanos são produzidos).

EL SEGUNDO:

Fonte: https://www.redfin.com/living-in/CA/El-Segundo/6/5771 

Mackenzie passou a infância e a adolescência inteira nessa cidade de El Segundo. Ela morava com a família e tinha três irmãos – um mais velho e dois mais novos. Ela era a única garota da família. O pai dela, Greg Lueck, trabalhava com logística e administração na área da saúde.

MACKENZIE LUECK:

Fonte: https://lawandcrime.com/high-profile/salt-lake-county-district-attorney-reveals-how-mackenzie-lueck-died/ 

Fonte: https://nypost.com/2020/02/06/slain-student-mackenzie-luecks-lyft-driver-recalls-strange-ride/ 

Apesar de El Segundo ficar bem perto de uma cidade muito grande como Los Angeles, essa cidade tem só duas escolas públicas de ensino médio. Então, a Mackenzie (ou Kenzie, como os amigos chamavam ela) estudou em uma dessas duas escolas, a El Segundo High School.

Lá, ela fazia parte do time de natação e também jogava polo aquático. Ela parecia gostar muito desses esportes, porque, segundo amigos dela, tinha dias que Mackenzie passava até 6 horas dentro d’água, praticando (muito tempo!).

Além disso, Mackenzie se preocupava com a saúde das pessoas: durante o ensino médio, ela e alguns amigos criaram um clube para conscientizar as pessoas sobre o câncer de mama. 

Além de essa ser uma causa muito importante, como afirmou sua amiga Barbee, a criação desse clube também dava uma valorizada no currículo delas para quando elas fossem passar ali pelo vestibular e tentar entrar numa faculdade… 

Nos Estados Unidos, além das notas do vestibular, é comum as faculdades levarem em conta também as atividades que você fez durante a escola. Então, se você fez teatro, marcenaria, algum esporte, etc, isso conta pra você conseguir uma vaga numa boa universidade. Então, esse clube que elas criaram dava um tchan no currículo delas.

Nos fins de semana, Mackenzie tinha um passeio favorito: ela gostava de pegar a bicicleta dela e pedalar com os amigos até o oceano Pacífico. Ela ia até o píer de Manhattan Beach com as colegas, parava num Starbucks e depois passavam em uma loja para comprar cupcakes.

Mackenzie também sempre amou animais. Ela tinha porquinhos-da-índia e um gato… Então, como vocês podem notar pelas coisas que eu fui citando até agora da Mackenzie, ela era uma garota normal, muito ativa, alegree cheia de amigos. 

De acordo com Barbee, uma colega de Mackenzie, desde o ensino médio todo mundo gostava da Mackenzie. Barbee afirmou que nunca conheceu alguém que não se sentisse atraído pela energia dela… 

Em 2014, depois de se formar no ensino médio, quando Mackenzie tinha 18 anos, ela passou ali na faculdade e foi estudar na Universidade de Utah - que fica em outro estado dos Estados Unidos. Ou seja, Mackenzie teve que mudar da Califórnia pra esse outro estado, Utah, que fica a cerca de 12 horas de carro de onde ela morava antes.

DISTÂNCIA – CALIFÓRNIA A UTAH:

Fonte: https://www.google.com/maps/dir/Utah,+Estados+Unidos/Calif%C3%B3rnia,+Estados+Unidos/@37.882894,-121.8524294,6z/data=!3m1!4b1!4m14!4m13!1m5!1m1!1s0x874c6bc78f13f9cd:0xbddf4aa56cd7463f!2m2!1d-111.8939487!2d40.7606608!1m5!1m1!1s0x808fb9fe5f285e3d:0x8b5109a227086f55!2m2!1d-119.4179324!2d36.778261!3e0?entry=ttu&g_ep=EgoyMDI1MDIyMy4xIKXMDSoASAFQAw%3D%3D 

Essa Universidade de Utah foi fundada em 1850, ela fica na cidade de Salt Lake City e conta com 30 mil estudantes. 

Lá, a Mackenzie estudou cinesiologia (que é uma ciência que estuda os movimentos dos corpos humanos) e fez um curso de pré-enfermagem. Então, a gente vê que ela seguiu um caminho mais voltado para a área da saúde (igual o pai dela, que também trabalhava nessa área).

Na universidade, Mackenzie entrou para fraternidade a Alpha Chi Omega

Nos EUA, é muito comum essa coisa de, quando você entra na faculdade, você entra também para uma fraternidade - que é tipo um grupo dentro desse contexto universitário em que os estudantes se juntam pra fazer amizade, fazer festas… Eles dividem casa, moram juntos e se tornam meio que “irmãos”.

E aí cada fraternidade tem a sua história, as suas tradições, etc… No caso, a Alpha Chi Omega, que a Mackenzie tinha entrado, era uma sororidade - uma dessas irmandades, mas exclusivamente para garotas.

MACKENZIE (NO MEIO) E AMIGAS DESSA SORORIDADE:

Fonte: https://nypost.com/2020/02/06/slain-student-mackenzie-luecks-lyft-driver-recalls-strange-ride/ 

Kennedy Stoner, uma amiga de Mackenzie que também fazia parte dessa sororidade, contou que a Mackenzie tinha um jeito de mãe - ela sempre cozinhava pros amigos e ficava preocupada se estavam comendo bem e se precisavam de alguma coisa.

Durante a faculdade, Mackenzie começou a expressar opiniões feministas e se aproximou de um partido político conservador de terceira via. Numa postagem no Facebook, Mackenzie certa vez comemorou o aniversário do sufrágio feminino (que foi um movimento político que, nos EUA, aconteceu mais ou menos ali no final do século 19 e início do século 20 e que lutava pelo direito das mulheres de voltarem). 

Além disso, durante a faculdade, Mackenzie começou a trabalhar em uma empresa de testes biológicos, em Salt Lake City, e planejava se formar em 2020. Ela também planejava continuar os estudos dela, se aprofundando em enfermagem ou em medicina.

Uma última informação sobre a Mackenzie Lueck é que ela cresceu numa família que seguia a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que é uma religião cristã. Só que, quando Mackenzie se mudou para Salt Lake City, ela começou a não seguir as práticas dessa religião. Ela e as irmãs da sonoridade gostavam de sair para bares e tomar drinques, algo que essa igreja não recomenda.

Em 2018, quando Mackenzie tinha 22 anos, ela tinha o costume de usar diversos apps de encontro. Algumas amigas dela contaram que, nessa época, Mackenzie usava apps de relacionamento onde ela supostamente trocava mensagens e fotos com teor sexual e combinava encontros.

Além de apps de relacionamento normal, A Mackenzie tambem usava  apps para conectar “sugar daddies” e “sugar babies”. 

Sugar daddies geralmente são homens mais velhos e bem-sucedidos em termos de dinheiro, que oferecem ajuda financeira ou então presentes e experiências luxuosas em troca da companhia ou de um relacionamento mais íntimo com mulheres mais jovens, as chamadas sugar babies.

E foi por meio de um app assim, que a Mackenzie conheceu Ayoola Ajayi, de 30 anos na época… 

AYOOLA AJAYI:

Fonte: https://www.sltrib.com/news/2020/10/07/ayoola-ajayi-pleads/ 

Vou contar um pouco da história desse cara:

Ayoola Ajayi nasceu na Nigéria, em 1988, mas se mudou para os Estados Unidos. 

Nos EUA, ele estudou na Universidade Estadual de Utah, mas foi banido do campus em 2012 por vários motivos, incluindo problemas com o visto dele e uma acusação de que Ayoola supostamente teria roubado um iPad.

Em 2015, ele conseguiu resolver a questão do visto e foi autorizado a voltar pra faculdade. Então, ele continuou a estudar ali por algum tempo (Ayoola cursava ciência da computação), mas, no final das contas, não chegou a se formar. 

Além disso, Ayoola tinha um green card, que permitia ele trabalhar nos Estados Unidos. Ele trabalhava na área de tecnologia da informação…  

Ayoola tinha histórico de ter agredido sexualmente uma mulher. Em 10 de março de 2018, ele conheceu uma jovem em um desses aplicativos de namoro (do mesmo jeito que ele conheceu Mackenzie) e convidou ela para casa dele.

Enquanto os dois assistiam TV no sofá, ele começou a beijar essa moça de forma agressiva e tentou tocar nela à força. Quando a jovem tentou se afastar, Ayoola segurou ela e a mordeu pelo menos três vezes, deixando marcas e causando dor.

Além desse caso, Ayoola também já tinha sido investigado por um estupro que ocorreu em 2014 (mas que, na época, a vítima acabou não levando a denúncia adiante).

Aparentemente, nenhum desses casos tinha ido pra frente na justiça… Até onde se sabe, ele não tinha sido condenado por esses atos nem nada.

Uma outra informação sobre o Ayoola é que ele já tinha sido casado no passado: a  ex-esposa dele, Tenisha Ajayi, disse que, certa vez, quando os dois ainda eram casados, Ayoola chegou a ameaçar ela, dizendo que ia contratar alguém para sequestrar e depois matar ela. 

Parece que Ayoola era ciumento, porque, segundo Tenisha, ele não queria que ela fizesse nada, nem falasse com ninguém. Com medo, ela cortou todo contato com ele… 

TENISHA AJAYI:

Fonte: https://kutv.com/news/local/gallery/estranged-wife-of-man-arrested-for-mackenzie-luecks-murder-says-she-feared-for-her-life?photo=1 

Tenisha também revelou que, apesar de eles terem sido casados, os dois nunca moraram no mesmo estado (ele morava em Utah e ela, em Dallas, no Texas). Eles nem se falavam mais. Mas, apesar da distância, o Ayoola enviava dinheiro para ela com alguma frequência (dinheiro que Tenisha usava para criar os filhos dela). 

Além disso, de acordo com a ex-esposa, ele costumava ficar agressivo quando não conseguia o que queria. Mesmo sabendo disso, Tenisha não acreditava que ele era capaz de machucar alguém… 

E as coisas vão ficando cada vez mais esquisitas: um empreiteiro afirmou que, em abril de 2019, Ayoola pediu para ele construir um cômodo secreto embaixo da varanda da casa dele. 

O espaço seria à prova de som, teria ganchos na parede e uma fechadura que só abriria com digital. Quando o empreiteiro perguntou para que esse cômodo serviria, Ayoola disse que queria um lugar para esconder bebidas alcoólicas da namorada. Essa desculpa não convenceu e esse empreiteiro recusou o trabalho. 

Além disso, uma faxineira que trabalhou na casa de Ayoola relatou que a casa tinha câmeras por toda parte, principalmente no quarto principal.

Então, com tudo isso que eu contei sobre o Ayoola, a gente percebe que a Mackenzie conheceu um cara, no mínimo, com algumas características esquisitas (e, talvez, perigosas)… 

Mas, aparentemente, Mackenzie não sabia dessas coisas que eu citei (de ele ter um histórico agressivo, ter tentado construir um cômodo secreto, ter atacado sexualmente uma jovem, etc). Então, ela foi conversando com ele ali pelo aplicativo… 

Até que Mackenzie e Ayoola marcaram de se encontrar em Salt Lake City (até onde se sabe, seria a primeira vez que os dois iriam se encontrar pessoalmente).

Como eu disse antes, Mackenzie morava em Salt Lake City, porque ela estudava na universidade lá. Mas, no começo de junho de 2019, ela não estava na cidade. Ela tinha ido pra Califórnia, por conta do funeral da avó dela. 

Então, só em 17 de junho de 2019, ela voltou para Salt Lake City. Mackenzie (que, na época, tinha 23 anos) desembarcou no Aeroporto Internacional da cidade entre uma e meia e duas da manhã…

MACKENZIE NO AEROPORTO:

Fonte: https://www.deseret.com/2019/6/28/20676764/mackenzie-lueck-a-timeline-of-what-we-know-about-the-utah-student-s-disappearance/ 

Fonte: https://www.deseret.com/2019/6/28/20676764/mackenzie-lueck-a-timeline-of-what-we-know-about-the-utah-student-s-disappearance/ 

Às 2 e 40 da manhã, ela chamou um carro por aplicativo . O motorista chegou, colocou a mala da Mackenzie no porta-malas e foi dirigindo até o destino que ela tinha colocado ali no aplicativo de carros: o Hatch Park, que é um parque que fica a cerca de 20 quilômetros do aeroporto e que é onde Mackenzie tinha combinado de se encontrar com o Ayoola, que na época tinha 31 anos. 

HATCH PARK: 

Fonte: https://www.nslcity.org/facilities/facility/details/Hatch-Park-3 

Mackenzie e o motorista (chamado Michael Canada) foram conversando… 

MICHAEL CANADA:

Fonte: https://nypost.com/2020/02/06/slain-student-mackenzie-luecks-lyft-driver-recalls-strange-ride/ 

Ele contou que, no começo da corrida, tudo parecia normal… Mas que, em certo momento, a conversa com Mackenzie mudou de tom. Ele se lembra de Mackenzie comentar que a situação de ela ser deixada, de madrugada, no meio de um parque era bem estranha. 

Michael realmente achou o local incomum, mas não deu muita atenção a isso. Ele só estava fazendo o trabalho dele, sem questionar muito… 

Mackenzie então explicou pro motorista que ela estava indo encontrar um amigo, que iria buscar ela de carro ali no parque. 

Enquanto essa conversa com o Michael estava acontecendo, a Mackenzie também estava trocando mensagens com Ayoola pelo celular. A última mensagem que eles trocaram foi às 2h58 da manhã.

Perto das 3 horas da manhã, o motorista  deixou a jovem no parque e foi embora. Ela, por sua vez, entrou em outro carro ali no parque. Na hora, Michael não conseguiu ver quem estava no outro carro. Mas a gente sabe que era o Ayoola.

Depois disso, Mackenzie nunca mais foi vista com vida… 

O que aconteceu com ela? 

Ayoola morava na casa 547 North 1000 West, no bairro de Fairpark, em Salt Lake City. Poucos minutos depois das 3 da manhã, os dois chegaram na casa dele.

CASA DE AYOOLA:

Fonte: https://www.zillow.com/homedetails/547-N-1000-W-Salt-Lake-City-UT-84116/12714649_zpid/

Ayoola já tinha planejado o crime que iria cometer. Antes de sair de casa, para buscar Mackenzie no parque, ele desligou as câmeras de segurança de casa, para evitar ter imagens que o incriminassem posteriormente.

A gente não tem detalhes se a Mackenzie desconfiou de alguma coisa ou se Ayoola tentou disfarçar suas reais intenções com ela ali. O que se sabe é que, em algum momento da madrugada, depois que eles chegaram em casa, ele amarrou as mãos dela para trás com uma corda, imobilizando Mackenzie.

Então, ele começou a enforcar ela com as mãos. Provavelmente, ela devia estar de barriga para cima nesse momento. Mackenzie pediu para Ayoola parar... mas ele não parou.

Mackenzie tentou reagir. Então, Ayoola pegou um cinto e amarrou ele em volta do pescoço dela. Depois, virou Mackenzie de bruços, com a barriga pra baixo, e puxou o cinto, asfixiando a garota.

Além disso, Mackenzie também sofreu um forte golpe no lado esquerdo da cabeça em algum momento. Esse golpe abriu um buraco de cerca de cinco centímetros no crânio dela. Essa pancada causou uma hemorragia cerebral que matou Mackenzie. Além disso, parte do couro cabeludo dela foi arrancada.

Depois de assassinar Mackenzie, Ayoola fez uma fogueira no quintal da casa dele, queimou o corpo dela e depois enterrou (junto com uma série de pertences da jovem) no quintal da casa dele. Outros objetos, ele jogou no rio Jordan

RIO JORDAN:

Fonte:

No dia 20 de junho, três dias depois de Mackenzie desaparecer, o pai dela, Greg Lueck, entrou em contato com a polícia de Salt Lake City. Ele estava preocupado, porque ninguém tinha notícias da filha desde que ela tinha ido da Califórnia para Utah… 

No dia 24 de junho, a polícia fez um apelo para que, se alguém tivesse visto Mackenzie, falasse alguma coisa. Isso porque os policiais não sabiam o que tinha acontecido com ela. Eles não sabiam se ela estava perdida e precisando de ajuda, por exemplo. 

Então, qualquer pista seria importante para talvez ajudar Mackenzie, que, nesse momento, ainda era dada apenas como desaparecida.

CARTAZ DE DESAPARECIDA DE MACKENZIE:

Fonte: https://www.deseret.com/2019/6/28/20676764/mackenzie-lueck-a-timeline-of-what-we-know-about-the-utah-student-s-disappearance/ 

Mas, com os dias, uma imagem clara do que tinha acontecido começou a surgir:

Os policiais refizeram os últimos passos de Mackenzie, confirmando que ela tinha mesmo chegado ao aeroporto na madrugada do dia 17 de junho e que, depois, ela tinha pegado um aplicativo de carro até o Hatch Park.

A localização do celular de Mackenzie confirmava que ela tinha estado no parque naquela madrugada. Além disso, os investigadores descobriram que ela tinha trocado mensagens com Ayoola. A última mensagem entre os dois tinha sido enviada às 2h58 do dia 17 de junho.

Rastreando o histórico de localização do celular de Mackenzie e de Ayoola, os detetives descobriram que, às 2h59, apenas um minuto depois dessa última troca de mensagens que eu citei, os celulares dos dois estavam no mesmo local, no parque. 

Ou seja, os investigadores sabiam que a Mackenzie estava indo encontrar um “amigo” ali no parque, na madrugada, e agora eles confirmaram que esse amigo era Ayoola. Confirmaram que os dois estiveram ao mesmo tempo no parque.

Nesse minuto, às 2h59 do dia 17 de junho, o celular de Mackenzie parou de transmitir dados, o que indicava que o aparelho dela tinha sido desligado.

Levando tudo isso em conta, a polícia rastreou a movimentação do celular de Ayoola. E a localização do celular indicava que, naquela noite, os dois tinham saído do parque e ido direto pra casa dele, chegando lá às 3h07, só 8 minutos depois de ter encontrado Mackenzie.

Ou seja, até onde os detetives sabiam, a última pessoa a ver Mackenzie com vida foi Ayoola Ajayi… 

No 25 de junho, sem ninguém saber, Ayoola Ajayi desenterrou o corpo de Mackenzie, que ele tinha enterrado antes no quintal dele, e levou o corpo pro Logan Canyon - que é um desfiladeiro, tipo um precipicio?um buraco que se formou por conta da erosão das rochas, que fica em uma cadeia de montanhas na região. 

Nesse local, Ayoola enterrou Mackenzie de novo, numa cova rasa, a quase 160 quilômetros ao norte de Salt Lake City.

LOGAN CANYON:

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Logan_Canyon 

No dia 26 de junho, a polícia foi até a casa de Ayoola para fazer perguntas e buscas sobre a Mackenzie. Os detetives não acharam provas concretas para prender Ayoola na hora, mas saíram da casa dele com várias caixas de evidências, que incluíam tecido humano encontrado no quintal Alguns pertences de Mackenzie também foram descobertos no quintal.

POLICIAIS FAZENDO BUSCA NA CASA DE AYOOLA: 

Fonte: https://www.deseret.com/2019/6/28/20676764/mackenzie-lueck-a-timeline-of-what-we-know-about-the-utah-student-s-disappearance/ 

Fonte: https://kutv.com/news/local/gallery/estranged-wife-of-man-arrested-for-mackenzie-luecks-murder-says-she-feared-for-her-life?photo=12 

Então, no dia 28 de junho, Ayoola foi oficialmente acusado de sequestrar e assassinar Mackenzie, além de ter profanado o cadáver dela (queimando, enterrando, desenterrando e enterrando o corpo de novo). Neste dia, 28 de junho, Ayoola foi preso… 

AYOOLA SENDO PRESO:

Fonte: https://www.deseret.com/2019/6/28/20676764/mackenzie-lueck-a-timeline-of-what-we-know-about-the-utah-student-s-disappearance/ 

Aquelas buscas que eu citei, que aconteceram dois dias antes de Ayoola ser preso, tinham gerado evidências suficientes para ligar Ayoola à morte de Mackenzie. 

Fotos de Mackenzie foram encontradas no telefone de Ayoola e o tecido humano que tinha sido encontrado foi identificado, por meio de testes de DNA feitos por um laboratório de Utah, como sendo de Mackenzie Lueck.

Além disso, vizinhos relataram que no dia seguinte ao desaparecimento, ou seja, no dia 18 de junho, Ayoola tinha feito uma fogueira atrás da casa dele, causando um “cheiro horrível”. Um dos vizinhos contou que chegou a ameaçar chamar os bombeiros se Ayoola não apagasse o fogo.

Depois de ser preso, Ayoola contou para seus advogados onde o corpo de Mackenzie tinha sido enterrado. No dia 3 de julho, os policiais localizaram uma cova rasa no local indicado, no Logan Canyon, e acharam o corpo carbonizado de Mackenzie.

Uma análise dos registros do celular de Ayoola mostrou que ele esteve no Logan Canyon no dia 25 de junho, entre as 14h30 e 16h30 – o mesmo local onde Mackenzie foi enterrada.

O julgamento pelo assassinato de Mackenzie foi marcado para o dia 12 de março de 2020, mas foi adiado para os promotores terem mais tempo para revisar as provas. 

No dia 7 de outubro de 2020, Ayoola se declarou culpado de homicídio qualificado e de profanação de cadáver. Segundo o promotor do caso, as evidências indicam que Ayoola matou Mackenzie simplesmente porque ele queria saber como era a sensação de tirar uma vida… 

Em troca dessa confissão que Ayoola fez, os promotores retiraram outras acusações, como a de sequestro, além de garantirem que ele não seria condenado a pena de morte.

O acordo judicial que ele fez incluiu também uma confissão de culpa em outro caso não relacionado ao de Mackenzie, aquele caso de agressão sexual que eu contei mais cedo. 

Ou seja, Ayoola também se declarou culpado de, em março de 2018, se forçar sexualmente contra uma mulher que ele tinha conhecido por um aplicativo de namoro. Quando ela tentou ir embora, Ayoola mordeu três vezes essa mulher… 

Além disso, durante as investigações do caso da Mackenzie, os detetives encontraram pornografia infantil no computador de Ayoola. Assim, ele foi acusado de 19 crimes relacionadas à exploração sexual de menores… mas essas acusações foram retiradas no acordo de confissão.

No dia 23 de outubro, o juiz Vernice Trease sentenciou Ayoola à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Além disso, ele recebeu uma pena de cinco anos por profanação de cadáver. 

Atualmente, em 2025, Ayoola Ajayi está preso… 

A morte de Mackenzie chocou amigos e familiares. Os pais de Mackenzie deram declarações emocionadas. Seu pai, Greg, disse (abre aspas): “minha filha era uma jovem doce e incrível, com um futuro brilhante. Ela era uma pessoa bondosa, que se importava com os outros. Agora, nunca poderei vê-la crescer na vida…”

Fonte: https://web.archive.org/web/20201027021658/https://www.startribune.com/family-of-slain-utah-college-student-confronts-her-killer/572846952/ 

Uma prima de Mackenzie completou (abre aspas): “isso é um pesadelo do qual não dá para acordar. Nunca poderei perdoar o que aconteceu com ela… Nunca perdoarei o monstro que tirou sua vida. Nos últimos 16 meses, senti uma raiva que nunca havia sentido antes. Agora, sei o quão real o mal pode ser neste mundo.”

Fonte: https://web.archive.org/web/20201027021658/https://www.startribune.com/family-of-slain-utah-college-student-confronts-her-killer/572846952/ 

Um caso muito pesado, né, gente… Esse Ayoola muito provavelmente é um psicopata e talvez ele se tornasse um serial killer se continuasse solto. Ele até tinha um modus operandi, que era conhecer as mulheres ali nos apps de encontro e depois atacar elas na casa dele (que era um lugar que Ayoola provavelmente considerava seguro, que ele podia ter controle)… 

Apesar disso, Ayoola pediu desculpa à família, falando que sabia que isso não ia trazer Mackenzie de volta e que ele merecia a vida que ia ter dali pra frente, na prisão.

Em agosto de 2018, dois meses depois de assassinar Mackenzie, Ayoola publicou um livro chamado Forge Identity, que trazia personagens sendo assassinados e queimados. O protagonista, Ezekiel, precisava decidir entre se tornar um criminoso ou escapar da vida de violência ao seu redor. Na época, o livro ficou disponível na Amazon para ser comprado, mas, posteriormente, ele foi retirado do site

Gente, esse caso da Mackenzie serve como um alerta muito importante! O caso mostra como é essencial ter cuidado com quem a gente conhece na Internet. Porque a gente nunca sabe quem está do outro lado de verdade… 

Então, se você for encontrar alguém que conheceu online, avisa um amigo ou um familiar… Se for a primeira vez que vocês estão saindo, marca em um lugar público… E presta atenção em qualquer sinal estranho. Se algo parecer errado, confia na sua intuição e sai de perto!

A Internet facilita muita coisa, mas também pode ser perigosa… Se cuide! 

FONTES: 

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