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ROTEIRISTA:  Lucas Andries

Karina Holmer tinha apenas 20 anos quando embarcou em uma jornada que deveria ser inesquecível. Saiu da pequena vila onde nasceu, no interior da Suécia, e atravessou o oceano rumo aos Estados Unidos — cheia de planos, curiosidade e vontade de explorar o mundo. Ela queria aprender inglês, conhecer novas culturas, fazer amigos, sair, dançar… viver tudo o que uma jovem da sua idade tinha o direito de viver.

E foi exatamente isso que ela fez.

Naquele verão de 1996, Karina estava morando em Massachusetts como au pair e, nos fins de semana, costumava ir até Boston pra aproveitar a vida noturna da cidade. Na sexta-feira, 21 de junho, ela se arrumou, encontrou amigos e saiu pra celebrar o Midsommar (o solstício de verão, um dos feriados mais importantes da cultura sueca).

Mas, algumas horas depois, Karina simplesmente… sumiu. Ela foi vista por diferentes pessoas em pontos diferentes da cidade. Algumas versões dizem que ela saiu sozinha. Outras, que foi acompanhada. 

Karina nunca mais foi vista com vida. E o que aconteceu com ela, naquela madrugada, transformou um sonho em um pesadelo. Hoje, a gente volta para o centro de Boston, em 1996, pra tentar montar as peças de um dos casos mais misteriosos.

Segundo os relatos, Karina era uma boa aluna, dedicada… e desde cedo já mostrava curiosidade em conhecer o  mundo. Com 8 anos, ela chegou a entrar para uma organização de escoteiros na Suécia. E, nessa época, começou a demonstrar um fascínio por animais e já dizia que, um dia, queria viajar e conhecer outros lugares.

Ja na juventude, Karina adorava curtir com os amigos, ir a festas, conhecer gente nova! E foi nesse contexto que, certo dia, a sorte bateu na porta da Karina: com seus 19 anos, ela ganhou cerca de 1.500 dólares na loteria da Suécia. Com esse dinheiro, Karina decidiu viver uma aventura:

Parece que Karina queria sair da rotina, sabe?! Ver de perto como é a vida em cidades grandes, curtir baladas, conhecer lugares e pessoas novas… A jovem estava pronta pra viver tudo isso. Então, ela decidiu embarcar rumo aos Estados Unidos.

Ela decidiu fazer isso como au pair! 

Pra quem não sabe — ou não ouviu os outros episódios aqui do podcast sobre casos parecidos — ser au pair é participar de um programa de intercâmbio cultural que permite que jovens morem temporariamente no exterior, geralmente na casa de uma família anfitriã.

A principal função da au pair é cuidar das crianças da casa e ajudar em algumas tarefas domésticas leves. Em troca, ela recebe moradia, alimentação e uma ajuda de custo mensal. É uma troca: você mergulha na cultura local, aprende o idioma no dia a dia, conhece novos costumes… e, ao mesmo tempo, compartilha um pouco da sua própria cultura com a família.

Esse programa costuma ser voltado pra jovens entre 18 e 30 anos (dependendo do pais), principalmente mulheres, e é bastante popular em países como Estados Unidos, Alemanha, França, entre outros. Então, ser au pair é uma oportunidade legal, mas é importante pesquisar direitinho, escolher uma boa agência e conhecer bem os seus direitos… 

No caso da Karina, tudo indica que ela chegou a procurar sim uma agência especializada em colocar au pairs nos Estados Unidos. E, através dessa agência, ela teria feito todo o processo de forma oficial — com visto, documentação e tudo certinho.

Ou seja, ao que tudo indica, ela foi colocada formalmente com uma família anfitriã, dentro de um programa de intercâmbio regulamentado. Até hoje, não existem evidências confiáveis de que ela tenha ido pros EUA por conta própria ou por vias informais.

Nos Estados Unidos, Karina começou a trabalhar para um casal de artistas que vivia em Dover, no estado de Massachusetts. O nome dele era Frank Rapp, um fotógrafo, e a esposa era a Susan, uma pintora. A título de curiosidade, algumas jovens que também trabalhavam como babás na região já conheciam Frank e achavam ele estranho.

Frank tinha uma boa condição financeira: o que as fontes dão a entender é que ele não era rico, mas a família vivia com tranquilidade. E eles tinham dinheiro suficiente pra manter um segundo imóvel, parece que um estúdio de fotografia, em Boston.

Para situar um pouco: Boston é uma cidade do estado de Massachusetts, nos EUA. Hoje em dia, ela tem cerca de 5 milhões de habitantes e é uma das cidades mais antigas do país — com quase 400 anos de história. Vale lembrar que Boston, nos anos 90, era bem diferente do que é hoje — especialmente quando o assunto era segurança. A cidade ainda enfrentava altos índices de criminalidade, presença de gangues e muita tensão em algumas regiões. 

Então, a família morava em Dover e o Frank tinha um estúdio em Boston. A distância entre essas duas cidades é de 24 quilômetros, o que dá mais ou menos uns 30 minutos de carro. 

Durante a semana, Karina cuidava das crianças da família e ajudava nas tarefas da casa. Mas, nos fins de semana, a Karina era livre pra fazer o que quisesse. E Karina costumava ir para Boston curtir a noite, dançar, beber… E ela dormia no estúdio do Frank. Passava o final de semana ali na região.

Então, as sextas e os sábados eram os dias que Karina mais aproveitava: ficava fora até altas horas, se divertindo nos bares e baladas da cidade! E aí começa uma parte que levanta algumas dúvidas…

Algumas fontes dizem que Karina tinha acesso ao estúdio do Frank porque queria ter o próprio espaço, um tempo só dela — o que faz sentido, já que au pairs moram com famílias e é comum sentirem essa necessidade por privacidade.

Mas também tem algumas fontes que acham meio estranho o fato dela passar os finais de semana no imóvel de um homem mais velho, casado, e que era “chefe” dela (entre aspas). Será que eles tinham algum tipo de envolvimento além do profissional?

Isso nunca foi confirmado… Não existem provas, nem testemunhas. Só que tem gente que chegou a especular isso.  O que é certo é que Karina tinha liberdade para passar os fins de semana de folga em Boston e usava essa liberdade pra sair e se divertir… 

Em junho de 1996, Karina já estava há cerca de quatro meses trabalhando como au pair nos Estados Unidos. Os amigos e a família dela lá na Suécia achavam que ela estava vivendo uma verdadeira aventura — que estava aproveitando cada momento. 

E, de fato, ela estava curtindo… A Karina tinha até tido relacionamentos em Boston: como, por exemplo, com um rapaz do sul da cidade e até com um policial. Só que nenhum desses namoros durou muito tempo e nenhum foi realmente sério.

Mas o que chamou a atenção da família e amigos suecos foi um anúncio que a Karina fez, aparentemente, do nada: ela avisou que ia encurtar sua aventura americana e voltar para casa mais cedo!

Na época, eles achavam que ela devia estar cansada de todo o trabalho doméstico. Numa carta pra uma amiga da Suécia, a Karina comentou que tinha muito trabalho de limpeza e que isso a estressava. Esse tipo de atividade não devia ser o que ela esperava da experiência de morar nos EUA… 

Mas essa amiga da carta sabia que tinha algo mais preocupante por trás da decisão de voltar pra Suécia: em maio, Karina escreveu uma carta enigmática pra essa amiga, dizendo que algo terrível tinha acontecido, mas que só contaria quando estivesse de volta à Suécia.

O que poderia ter acontecido de tão terrível pra Karina querer encurtar a viagem? A carta não dava mais nenhum detalhe… 

A gente não sabe exatamente porque Karina não contou nenhum detalhe pelas cartas… Mas existem muitas histórias bizarras por aí de au pairs que, em alguns casos, as famílias vigiam as correspondências ou o histórico na Internet delas. Como não existem detalhes sobre como era a relação dela com a família Rapp, então fica em aberto se o que ela escrevia nas cartas não estava sendo monitorado… Enfim, é somente uma especulação do por que a Karina não entrou em detalhes no assunto com a amiga se era algo tão importante.

De toda forma, parece que amiga não achou que fosse alguma coisa tão grave, porque não se tem informações de ela avisando os pais da Karina sobre essa mensagem ou alguma coisa assim… 

Na sexta-feira, 21 de junho de 1996, como de costume, a Karina foi curtir a noite de Boston. Aquela noite tinha um significado especial: era o Solstício de Verão, o maior feriado da Suécia e também o dia mais longo do ano.

Karina começou a noite num get together com alguns colegas — um tipo de encontro para esquentar antes de saírem juntos… Não se sabe ao certo onde foi esse get together: pode ter sido no estúdio do Frank ou no loft de algum amigo. 

Além disso, o que as fontes dão a entender é que as colegas eram outras babás que a Karina conhecia ali da região. Depois, todo mundo foi pra um clube bastante popular em Boylston Place, chamado Zanzibar.

Zanzibar era um dos lugares mais badalados pra jovens estrangeiros com identidades falsas curtirem a noite… E eu especulo que esse local era esse ponto de encontro super badalado exatamente porque o pessoal do clube ali devia fazer vista grossa com as identidades falsas. A própria Karina não tinha idade legal para beber nos EUA, que é de 21 anos. A Karina tinha 20… 

Parece que naquela noite a Karina estava usando uma camiseta preta ou cinza e uma calça prata, bem justa. E ela não passava despercebida. Mas tb eram os anos 90, entao não era um look tao chamativo pra época… Ao longo da noite, ela foi vista pelos amigos ali no Zanzibar, bebendo . E Karina ficou na balada até por volta das 2 ou 3 da manhã.

Em algum momento nesse intervalo, ela saiu desse bar  — mas não se sabe exatamente como, nem com quem. As versões variam: 

Uma pessoa afirmou que, pouco antes da balada  fechar, a Karina chegou a passar mal no banheiro e foi escoltada para fora por um segurança depois que o bar parou de servir bebidas. Outra testemunha disse que ela saiu com um homem mais velho. Já outra pessoa contou que Karina saiu sozinha do Zanzibar.

As versões variam, mas todo mundo concorda numa coisa: Karina estava alterada e vulnerável. 

Há relatos de que, depois de sair do Zanzibar, ela até tentou entrar de novo no clube pra encontrar os amigos, mas um segurança não permitiu. O bar já tinha fechado… As pessoas que ainda estavam lá dentro iam saindo aos poucos — mas ninguém mais podia entrar. Depois disso, ninguém sabe exatamente o que aconteceu com Karina…

E, com o passar da madrugada, a maioria dos colegas dela parece que foi indo embora sem se preocupar se a Karina tinha saído em segurança ali do clube ou se ela tinha chegado bem no estúdio de Frank. Se os colegas se preocuparam, não devem ter encontrado Karina depois que ela saiu do local.

Então, como ela não entrou de novo ali no Zanzibar, Karina meio que ficou sozinha na rua, de madrugada. O que é perigoso… 

Naquela época, a região ao redor do Zanzibar era até bem movimentada à noite: tinha vários bares, boates, gente indo e vindo. Só que, depois das 2 ou 3 da manhã, o clima mudava… Parecia aquele tipo de lugar em que, se você estivesse sóbrio e sozinho, começaria a prestar atenção em cada passo atrás de você. Onde o que era diversão até pouco tempo atrás virava tensão. 

As horas seguintes se transformaram em um quebra-cabeça de possíveis avistamentos da Karina: em um beco próximo ao Zanzibar, a Karina conversou com um homem em situação de rua. E ela até dançou com ele, sorrindo.

Além disso, uma pessoa viu ela conversando com um homem que estava caminhando pelas ruas ali da região com um cachorro grande e branco. Tanto o cara quanto o cachorro estavam vestindo camisetas combinando do Super-homem.

Uma amiga contou que teria visto Karina perto de um carro, conversando com um grupo de homens. Parece que eles estavam tentando convencer Karina a entrar no carro e ir pra outra festa. Mas não se sabe se ela entrou ou não nesse carro. Outra pessoa disse que a própria Karina comentou que ia para uma festa particular em algum outro lugar.

E, por volta das quatro da manhã, uma testemunha disse ter visto a Karina numa loja de conveniência, a cerca de um quilômetro e meio de distância do Zanzibar. 

Nenhum desses avistamentos é 100% certo… Mas parece que Karina ainda estava circulando pela cidade até umas 4 da manhã. Só que, a partir daí, as possíveis aparições da Karina simplesmente param… E, por cerca de 30 horas, ninguém mais viu ela.

Pelo que as fontes dão a entender, ninguém estranhou muito o sumiço da Karina logo de cara… A própria família Rapp, onde Karina trabalhava como au pair, devia achar que estava tudo certo com Karina. Afinal, era comum Karina passar o fim de semana fora e só voltar depois, tipo no domingo à noite ou até mesmo na segunda. 

Então, parece que ninguém deu muita falta dela de cara… Mas aí chegou o domingo de manhã:

Um sem-teto estava vasculhando uma caçamba de lixo atrás do número 1901 da Boylston Street, que fica próximo ao parque Fenway. Ele estava procurando latinhas e garrafas recicláveis, quando tocou em um saco de lixo ali na caçamba.

Ele puxou o saco… E, na hora, ele percebeu que tinha alguma coisa errada. Dentro do saco, tinha o corpo de uma pessoa. Ou melhor dizendo: metade de um corpo… Ele achou o tronco da Karina. Só a parte de cima. A parte de baixo ele não encontrou.

O corpo dela estava embrulhado em sacos de lixo e tinha sido serrado ao meio, acima do quadril.

Esse lugar onde o corpo foi encontrado não era perto do estúdio do Frank, onde ela costumava dormir nos fins de semana. E também não era exatamente colado no Zanzibar, o clube onde ela tinha passado a noite. Fica a mais ou menos uns 15, 20 minutos de caminhada de lá.

LATA DE LIXO ONDE O CORPO FOI ENCONTRADO:

Fonte: https://cryptidantiquarian.wordpress.com/2017/04/13/the-unsolved-murder-of-karina-holmer/ 

A polícia foi acionada imediatamente. O corpo de Karina tinha sido limpo… Até a maquiagem tinha sido removida — o que levanta as suspeitas de que isso pode ter sido uma tentativa de apagar vestígios ou provas.

Algumas fontes sugerem, inclusive, que ela estava nua. No pescoço, os peritos identificaram sinais de estrangulamento. E o mais perturbador: como eu disse, o corpo foi serrado ao meio… Com precisão — provavelmente com uma serra circular ou algo parecido.

O corte era reto e limpo… Era um tipo de corte que teria sido “fácil” — entre aspas — de fazer, porque, naquela altura do corpo, o assassino precisaria cortar só um osso: a coluna vertebral.

A única evidência deixada pelo autor do crime foi uma impressão digital, achada dentro de um dos sacos de lixo. Só que essa digital nunca deu em nada. Nenhuma correspondência foi encontrada… Ou seja, nenhum possível suspeito foi indicado por conta dessa digital.

Além disso, os policiais notaram que tinha pouco sangue na caçamba. O que indicava que a Karina não tinha sido morta ali. E nem desmembrada naquele local.

Ou seja, a caçamba não era o local onde o crime tinha acontecido. Era só onde o corpo tinha sido descartado. Era uma cena do crime secundária — o que dificultava ainda mais o trabalho dos investigadores, pois não tinha pistas claras ali sobre onde ou como o assassinato realmente aconteceu.

A metade inferior do corpo da Karina Holmer nunca foi encontrada… E, por conta disso, os policiais começaram a considerar algumas possibilidades perturbadoras: será que essa parte do corpo foi destruída para esconder sinais de violência sexual? Ou talvez uma possível gravidez?

Nada disso jamais foi confirmado. Mas o mistério só aumentava!

A bolsa da Karina também nunca foi localizada. Nem o celular dela — um aparelho da marca Nokia. Eu vou deixar na tela agora um mapa do caso pra facilitar: um esqueminha de onde ficava o Zanzibar, onde era o estúdio do Frank, onde Karina possivelmente foi vista naquela noite… Confere aí:

MAPA DO CASO:

Fonte: https://cryptidantiquarian.wordpress.com/2017/04/13/the-unsolved-murder-of-karina-holmer/ 

E vou deixar também imagens do beco onde o corpo dela foi encontrado, pra vocês visualizarem melhor o caso:

LOCAL ONDE O CORPO FOI ENCONTRADO: 

https://www.google.com/maps/@42.3473614,-71.0895037,3a,75y,86.45h,92.96t/data=!3m7!1e1!3m5!1sbiqjiDHecUopE7c9wj_QAA!2e0!6shttps:%2F%2Fstreetviewpixels-pa.googleapis.com%2Fv1%2Fthumbnail%3Fcb_client%3Dmaps_sv.tactile%26w%3D900%26h%3D600%26pitch%3D-2.9645180046753836%26panoid%3DbiqjiDHecUopE7c9wj_QAA%26yaw%3D86.44919782848103!7i16384!8i8192?entry=ttu&g_ep=EgoyMDI1MDYzMC4wIKXMDSoASAFQAw%3D%3D 

A família Rapp procurou as autoridades assim que viu as primeiras notícias na imprensa sobre o corpo de uma jovem — bonita, não identificada — encontrado numa lixeira em Boston. Mesmo com tão pouca informação divulgada, eles imediatamente suspeitaram que podia ser a Karina, a au pair que trabalhava com eles.

O que chama atenção é justamente isso: como eles ligaram tão rápido uma notícia tão vaga à possibilidade de que fosse ela? Será que já estavam preocupados com o sumiço da Karina? Será que sabiam de algo que não contaram à polícia?

Durante as investigações, a polícia começou a correr atrás de todo mundo que poderia ter visto ou estado com Karina naquela noite. Fizeram buscas em apartamentos na região; checaram regiões com lagos, rios ou canais, onde a parte de baixo do corpo dela pudesse ter sido jogado; passaram dias em reuniões com agentes do FBI mestres em perfis comportamentais, tentando montar o perfil psicológico do assassino; e entrevistaram várias pessoas.

Por exemplo, os policiais rapidamente localizaram o homem em situação de rua que tinha dançado com Karina na madrugada de sexta. Mas, logo descartaram qualquer envolvimento dele, porque a polícia não tinha nada que ligasse ele ao crime.

Os policiais também foram atrás daquele cara que estava passeando com o cachorro — e os dois estavam com roupas do Superman. O nome desse homem era Herb Whitten.

Herb disse pra polícia que gostava da atenção que recebia das mulheres enquanto passeava com o cachorro por Boston. Porém negou que tivesse qualquer envolvimento com o caso e disse que não sabia de nada sobre a Karina.

Mas tinha algo esquisito com esse cara: Herb morava em Andover — uma cidade que fica a mais ou menos 30 minutos ao norte de Boston.

Por que Herb sairia de casa durante a madrugada, pegaria o carro dele e dirigiria até Boston pra passear com o cachorro? E por que o Herb Whitten ainda ficava dando atenção pra gente bêbada no meio da rua?

Era, no mínimo, esquisito… Só que, apesar do comportamento estranho, ele tinha um álibi: 

Na noite em que Karina desapareceu, Herb tinha sido parado pela polícia por excesso de velocidade (parece que ele recebeu uma multa) enquanto voltava pra casa na noite.

E isso descartou a possibilidade de que ele tivesse tido tempo pra cometer o crime, esquartejar o corpo da Karina, dar um jeito de se livrar dele perto do Fenway Park e ainda voltar para casa. A linha do tempo não batia… 

A polícia chegou a investigar mais a fundo? Verificaram o carro dele? Não temos essas informações. O que se sabe é que, por conta desse álibi, Herb foi descartado como suspeito. 

Um ano depois, ele tirou a própria vida… 

O que talvez não tenha nada a ver com o assassinato da Karina…  Talvez tenha sido só uma coincidência. Para a polícia, não há evidência que o ligue diretamente à morte de Karina. 

O certo é que ele foi descartado como suspeito na época. Os investigadores também olharam para a família Rapp:

Tanto o Frank quanto a esposa, a Susan, não apresentaram um álibi que a polícia conseguisse verificar sobre onde eles estavam no tempo em que a Karina foi assassinada. Pior: os dois estavam cada vez menos cooperativos com a polícia.

Mas, o que deixou tudo ainda mais suspeito aconteceu na segunda-feira seguinte ao crime — ou seja, um dia depois do corpo de Karina Holmer ser encontrado. Na segunda, a polícia de Dover foi chamada para ir até a casa onde Frank morava. O motivo? Um incêndio na lixeira da propriedade. Sim, uma lixeira em chamas… no terreno compartilhado entre Frank e alguns vizinhos.

Coincidência? Ou será que alguém ali estava tentando esconder alguma coisa? Destruir provas? Se livrar da outra metade do corpo da Karina?

Os policiais de Boston chegaram a trabalhar em conjunto com os agentes de Dover. Eles recolheram amostras do lixo queimado… Mas nenhuma das amostras testou positivo para sangue ou restos humanos. Talvez tenha sido só mais uma das várias coincidências estranhas desse caso… O certo é que Frank e Susan foram descartados como suspeitos.

De acordo com o Podcast Crime Junkie, o ex-namorado policial da Karina também foi rapidamente descartado como suspeito. Só que o que chama atenção é que não existem muitos detalhes sobre como foi essa investigação em torno dele.

O Crime Junkie chega a levantar uma especulação: a de que a polícia de Boston, nos anos 90, era bastante corrupta. E que, talvez, o ex-namorado não tenha sido investigado a fundo. Ou, pior ainda, que talvez ele tenha sido protegido por ser um policial também.

O fato é que, com o tempo, o caso foi esfriando… 

A polícia não descobriu onde a Karina foi morta. Os suspeitos foram sendo descartados. Não apareceu nenhuma confissão, nem pistas concretas…  A ausência de uma cena do crime, por exemplo, foi um dos obstáculos da investigação. Porque, normalmente, é ali que estão os vestígios: digitais, DNA, objetos, sangue, alguma coisa… 

Hoje em dia, se uma mulher desaparece no centro da cidade, as chances de descobrir o que aconteceu são bem maiores… A gente tem câmeras de segurança por toda parte, mensagens de texto, GPS, selfies com amigos, registros no celular, registros de computador…

Mas, nos anos 90, não tinha muito essas coisas. E foi justamente essa falta de rastros que transformou o caso da Karina um grande mistério

Gente, e aquela coisa terrível que Karina tinha falado na carta pra amiga? Nunca saberemos o que era. Infelizmente, parece que ela não tinha falado o que era pra ninguém. E esse segredo morreu com Karina… 

Já se passaram quase 30 anos desde que Karina foi assassinada, e o caso segue completamente sem solução. Nem a metade inferior do corpo dela, nem o assassino foram encontrados até hoje.

O pai da Karina contou em 2004 que as autoridades nunca informaram a ele ou à família sobre nenhum avanço recente no caso. Pra ele, nada seria mais satisfatório do que a sensação de que a justiça foi feita, que o caso tivesse algum tipo de resolução.

A polícia mantém várias caixas de arquivos com evidências relacionadas à Karina que já foram analisadas várias vezes ao longo dos anos… Policiais continuam revisitando os arquivos de vez em quando, na esperança de encontrar algo que tenham deixado passar.

Em 1992, a Karina chegou a escrever um poema chamado Vida, no qual ela dizia que o presente mais precioso que alguém pode ter é a própria vida — e que não se deve desperdiçá-la, mas sim valorizá-la com todas as forças.

Karina era uma jovem cheia de sonhos, que amava viver intensamente. No funeral dela, na Suécia, amigos e familiares usaram roupas coloridas para celebrar seu jeito alegre e sua personalidade vibrante. 

Gente, antes de encerrar, eu queria deixar um recado importante  que vale pra todo mundo, mas especialmente pra quem gosta de sair, viajar, curtir com os amigos.

Amizade de verdade não deixa ninguém pra trás.
Se você vai junto, volta junto.
Não importa se é festa, bar, viagem… se uma amiga bebeu demais, tá vulnerável ou não tá bem, o certo é ficar por perto. Cuidar. Garantir que ela chegue em segurança.

E isso vale não só pros seus amigos.
Se você tá num lugar e vê alguém claramente alterado, sozinho, e percebe que outra pessoa pode estar se aproveitando disso — tenta ajudar.
Às vezes, uma pergunta simples, um “tá tudo bem?”, já pode fazer toda a diferença.

FONTES:  

UM PODCAST COM MISSÃO

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