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No domingo, 23 de maio de 2010, a advogada Mércia Nakashima passou o dia com a família em Guarulhos. Almoço, conversa, risadas… tudo normal. 

À noitinha, ela saiu da casa da avó dizendo que ia resolver algumas coisas — voltar pra casa, arrumar o cabelo, descansar um pouco. E saiu, sorrindo. Só que… depois disso, ninguém NUNCA mais viu a Mércia.

Por que ela sumiu de repente? Quem esteve com ela naquela noite, depois que ela saiu da avó? Horas viraram dias de buscas — sem nenhuma pista, nenhuma resposta do que tinha acontecido.

Até que, de repente, uma informação inesperada, vinda de um pescador, virou as investigações de cabeça pra baixo. Mas… o que ele tinha visto?

CASO

Mércia Mikie Nakashima nasceu em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, no dia 6 de outubro de 1981. Ela era filha de Janete e de Makoto Nakashima, e tinha ascendência japonesa.

Em 2010, a Mércia tinha 28 anos e trabalhava como advogada. Segundo as fontes, ela era muito alegre (estava sempre com um sorriso no rosto!), era compenetrada no trabalho, focada em seus objetivos e sonhava em virar juíza.

Mércia tinha uma família tranquila e amável. Todo mundo gostava dela!

MÉRCIA MIKIE NAKASHIMA:

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Assassinato_de_M%C3%A9rcia_Nakashima 

No dia 23 de maio de 2010 (um domingo), Mércia passou a tarde inteira na casa da avó, em Guarulhos. E a família toda estava lá – era aquele almoço típico de casa de vó, sabe? A mesa cheia de parentes, as panelas no fogo, cheiro de comida caseira… 

E, durante o dia, ela recebeu uma ligação. Quem estava ligando era Mizael. 

Mas… quem era esse cara?

Mizael Bispo de Souza nasceu no dia 5 de março de 1970. Ele tinha 40 anos, era policial militar e, alguns anos antes, ele tinha decidido fazer faculdade de Direito, então Mizael também era advogado.

MIZAEL BISPO DE SOUZA:

Fonte: https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/06/voce-nao-merece-mais-o-meu-amor-escreve-ex-para-mercia-em-e-mail.html 

De acordo com o G1, Mizael estudou na Universidade de Guarulhos, mesma faculdade em que a irmã da Mércia, Cláudia, estudou. Ele e Cláudia quase não se falavam na faculdade, só que, certo dia, quando os dois já estavam trabalhando como advogados, o Mizael apareceu no escritório da Cláudia pra conversar sobre um processo. E a Mércia estava lá.

Gente, eu imagino que, assim que o Mizael bateu os olhos na Mércia, ele já deve ter se apaixonado. Ele logo estendeu a mão para cumprimentar ela e se apresentar.

Então, a Cláudia (que não tinha uma boa impressão do Mizael) apresentou os dois por educação.

E parece que foi assim que Mizael e Mércia se conheceram, em 2005. 

Mas eu também achei uma fonte (uma entrevista com pessoas envolvidas no caso) afirmando que eles se conheceram de uma forma um pouquinho diferente: 

Essa fonte relatou que, depois que Mizael se formou, ele teria montado um escritório de advocacia. Só que, em algum momento, o sócio dele precisou largar o escritório e, assim, o Mizael acabou sem ninguém para trabalhar e dividir os processos com ele.

Por conta disso, Mizael teria supostamente perguntado pra Cláudia (já que os dois tinham estudado juntos…) se ela conhecia alguém para ajudar ele com os casos. Aí, Cláudia teria apresentado Mércia, que tinha acabado de se formar.

Gente, eu não sei exatamente qual é a versão mais verdadeira.

O certo é que, em 2005, Mércia e Mizael se conheceram e, com o tempo, os dois viraram sócios. Além disso, também se apaixonaram e começaram a namorar! Mizael foi o primeiro namorado da Mércia. 

Ele era 11 anos mais velho do que ela.

MÉRCIA E MIZAEL:

Fonte: https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/justica/205329-mizael-bispo-e-desligado-da-pm-apos-quase-12-anos-da-condenacao 

Só que o namoro deles não era muito bacana, não:

As fontes dão a entender que a Mércia tratava o namorado com desprezo, era muito dura e seca no jeito de falar com Mizael e tinha até vergonha de namorar com ele (talvez por conta da diferença de idade). 

Além disso, parece que a relação deles era muito mais profissional do que amorosa. Segundo o delegado do caso, o Dr. Olim, Mércia usava Mizael pra conseguir trabalhos no escritório, ao que tudo indica.

Por outro lado, de acordo com a família da Mércia, com o passar dos anos, ela foi mudando muito de comportamento por conta do Mizael. Ela não era mais a mesma.

O irmão dela conta, por exemplo, que, em uma festa, Mércia seria a pessoa mais extrovertida do lugar, conversando e brincando com todo mundo. Só que, era só Mizael também chegar na festa, que Mércia sentava perto dele e não levantava mais. Ela ficava quietinha… e só conversava com as outras pessoas quando alguém puxava assunto primeiro. 

Além disso, Mizael era muito ciumento e, supostamente, gostava de passar a impressão de que era mais importante do que realmente era.

Enfim… o relacionamento deles era conturbado e, no final das contas, não deu certo. Em algum momento, a Mércia não quis mais continuar e os dois terminaram, depois de cerca de 4 anos juntos. 

Só que, mesmo sem namorar, eles continuaram saindo, sem compromisso fixo:

Numa sexta-feira de maio de 2010, por exemplo, eles foram ao cinema. No dia seguinte, foram comer uma pizza juntos… Só que, como a Mércia tinha vergonha do Mizael e eles já tinham terminado o namoro, ninguém podia saber que eles estavam saindo assim.

Era como se ele fosse amante da ex-namorada.

E isso tudo que eu disse para vocês do relacionamento deixou Mizael muito magoado. Imagino que com ego ferido, sabe? Ele tinha sentimentos MUITO fortes pela Mércia. Inclusive, em mensagens que trocavam, parece que ele até pretendia pedir ela em casamento.

Em 2010, ele trabalhava como advogado, fazia alguns bicos de segurança e estava tentando se eleger como vereador, em Guarulhos. Ou seja, Mizael tinha alguma influência na cidade. 

E, no domingo, dia 23 de maio, estava rolando aquele almoço na casa da avó da Mércia. Como eu disse antes, o Mizael ligou pra ela, mas Mércia não atendeu.

Depois disso, a família Nakashima continuou a aproveitar normalmente a tarde juntos. E as horas foram passando… 

Quando deu seis e meia da noite, a Mércia falou que ia volta para a casa dela — que ficava a uns 5 ou 10 minutos dali. Ela queria cuidar do cabelo e resolver algumas coisas antes do domingo acabar.

A mãe da Mércia, a Janete Nakashima, foi andando com a filha até a porta do carro: as duas conversaram sobre o que elas fariam no dia seguinte, se abraçaram e Mércia foi embora, sorrindo.

Só que, depois disso… Mércia desapareceu.

No dia seguinte, ela não apareceu: faltou a compromissos, não respondeu mensagens, não foi trabalhar… Os familiares ligaram VÁRIAS vezes pra ela, mas nada da Mércia responder. E, a cada hora que passava, eles ficavam mais e mais preocupados.

O que tinha acontecido com a Mércia? Será que ela tinha passado mal em casa, sozinha? Ou sofrido um acidente no caminho de casa? Ela tinha sido roubada? Decidiu fugir de casa? Foi vítima de sequestro relâmpago? 

Ninguém sabia. 

Então, suspeitando de um possível sequestro, a família acionou os policiais, que prontamente começaram a investigar a situação:

Gente, como é padrão, os detetives ouviram várias pessoas para entender o que podia ter acontecido com a Mércia. E uma das pessoas que a polícia quis escutar era o Mizael, claro — por ser ex-namorado dela.

No dia 27 de maio, ele foi até a polícia. Só que saiu rapidamente do prédio, sem falar direito com os detetives. Segundo fontes, ele parecia que estava com pressa e nervoso… Ele até teria esquecido o documento de identidade dele no lugar, supostamente.

Quatro dias depois, no dia 31 de maio, ele voltou lá e prestou depoimento:

Nessa entrevista, ele teria falado que não sabia de nada que tinha rolado com a Mércia. E ainda teria contado que, no dia 23, quando ela sumiu, ele tentou ligar pra ela, mas Mércia não atendeu. 

E, realmente, a família inteira dela tinha visto a Mércia ignorar a ligação do Mizael. Então, isso fazia sentido.

Só que tinham algumas coisas que Mizael falava que pareciam não bater. Tipo:

Mizael tinha várias linhas de celular. Eram cinco (provavelmente uma linha pessoal e as outras para trabalho). E os detetives sabiam — acho que pelo rastreamento desses celulares — que, no dia em que Mércia sumiu, Mizael esteve perto da casa da avó dela. 

Mas… por quê? 

O Mizael contou que morava na região, então era natural que ele estivesse ali por perto. E, até aí, tudo bem.

Mas o que ele estava fazendo naquela noite? 

Ele, então, teria contado que tinha saído com uma garota de programa. Só que, quando perguntaram mais detalhes sobre ela, Mizael teria começado a se embolar.

As fontes dão a entender que ele teria se embolado pra falar o nome dela, a aparência… E a garota de programa também nunca apareceu para dar uma versão dela dos fatos ou confirmar a história do Mizael.

Além disso, o Mizael ainda teria afirmado pros detetives que a Mércia vinha sendo ameaçada por um ex-cliente, um cara chamado Messias. Ela teria prestado serviços em ações de divórcio e direito trabalhista pra esse cara e, de acordo com o Mizael, ele não teria ficado satisfeito com o resultado dos processos. 

Talvez, Messias tivesse alguma coisa a ver com o desaparecimento… 

Só que a família da Mércia tinha a pasta com todos os processos que ela estava cuidando. Eles acharam os processos desse cliente e, segundo eles, Messias não teria motivos para fazer ameaças. Ou seja, não fazia sentido. 

Messias não tinha nada a ver com o caso.

Em paralelo a isso, nessa época, os investigadores conseguiram acesso a várias mensagens que o Mizael trocava com a Mércia e puderam entender um pouco melhor como era a relação deles.

A polícia descobriu que os dois continuavam se encontrando, mesmo sem namorar, e que Mizael supostamente não estava nada satisfeito com essa situação.

Como eu disse, ele estava magoado com a Mércia: ele não tinha aceitado bem o término do namoro e não gostava de sair com ela sem que fossem namorados.

Em uma das mensagens, por exemplo, ele escreveu (abre aspas): 

“Até concordo que gostava muito de você, mas tudo tem limites. (...) Não lhe dei motivos para tanto descaso (...). Ou você está namorando comigo ou não está, pois essa vida para mim não dá mais. Chega. Preciso de uma namorada para compartilhar os bons e os maus momentos. (...) Não tenho paz de espírito. (...) Acho melhor nos mantermos distantes um do outro, pois eu já cansei de ser tirado como idiota. (...) Você não merece mais o meu amor”. Fecha aspas.

E ele ainda escreveu que  (abre aspas): “Deus está no céu e tá vendo tudo que faz e fez comigo. Certamente você acertará as contas com ele”. 

Fecha aspas.

MENSAGENS:

Fonte:  https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/06/voce-nao-merece-mais-o-meu-amor-escreve-ex-para-mercia-em-e-mail.html 

Gente, como eu disse, tinha alguma coisa esquisita com essa história toda do Mizael. E a polícia começou a suspeitar dele… 

Em paralelo às investigações oficiais, os familiares da Mércia começaram a procurar MUITO por Mércia por conta própria: eles espalharam cartazes e até abriram uma central de denúncias informal na casa da avó. Todos os dias, eles recebiam ligações e mensagens de pessoas dizendo que tinham visto alguma coisa ou que tinham alguma pista… 

E o volume era gigantesco: teve dia em que eles receberam mais de 4 mil ligações! E, gente, eles iam investigar e conferir TODAS as pistas – muitas vezes por conta própria, em paralelo às buscas da polícia. É claro que eles compartilhavam as informações com os policiais, mas faziam as próprias buscas também.

O irmão da Mércia, por exemplo, chegou a viajar para diversas cidades — principalmente no interior de São Paulo — para verificar cada informação que chegava lá, na esperança de que alguma delas levasse a algum sinal do paradeiro da Mércia.

A família inteira estava nessa busca incansável. Mas nada se confirmava. Nenhuma pista avançava de verdade.

Até que… surgiu uma que viraria a investigação de cabeça para baixo:

Em uma entrevista, o delegado do caso relatou que, por volta do dia 10 de junho de 2010, um pescador foi cortar o cabelo. E ele teria comentado com o barbeiro que tinha visto uma coisa bem esquisita no dia em que Mércia desapareceu.

Ele estava pescando numa represa, em Nazaré Paulista – que é uma outra cidade, que fica a mais ou menos 1 hora de carro de Guarulhos. E, então, no silêncio da noite, ele ouviu três berros.

Como a represa é um mais lugar isolado, eu imagino que o barulho deve ter ecoado por toda a região. Aí, quando ele se virou para ver o que era, o pescador viu ao longe, a uns 100 metros, na outra margem da represa, um carro estacionado. 

E um homem alto, com roupas escuras, desceu do carro. 

O pescador tinha uma visão excelente, mas ele não conseguiu identificar o rosto do homem.

Aí, depois que o homem saiu do carro, ele começou a empurrar o veículo pra dentro da represa, jogando o carro dentro da água. Os faróis estavam acesos e, conforme o carro afundava, a luz ia entrando debaixo da água e sumindo aos poucos. Até desaparecer por completo.

O carro era um Honda Fit prata. Era o mesmo modelo do carro da Mércia. 

Segundo algumas fontes, esse pescador teria comentado o que viu com o barbeiro, que por coincidência também cortava o cabelo do pai da Mércia, o Makoto. Então, quando o Makoto apareceu lá um dia, o barbeiro acabou repassando a história. Mas eu também achei fontes afirmando outra coisa: que o pescador teria ligado de forma anônima pra família e contado o que presenciou.

De toda forma, eles descobriram essa informação do carro.

Sem avisar a polícia, os familiares da Mércia foram investigar essa história por conta própria: eles chamaram os bombeiros da região e pediram para que eles fizessem buscas na represa.

Os bombeiros mergulharam: a água era escura, fria e turva… E procuraram por mais de 3 horas. Mas não encontraram nada.

Desesperada, a família pediu pra que eles procurassem de novo – só mais uma vez, pra terem certeza de que, debaixo d’água, não tinha nada.

E um dos bombeiros ficou com pena. Normalmente, ele não procuraria de novo… mas ele resolveu ajudar. E voltou a mergulhar na água.

Então, se passaram cinco minutos, dez, quinze… e NADA, exatamente como o bombeiro tinha imaginado. Até que… quando ele foi dar impulso pra subir e sair da água, ele bateu a mão em alguma coisa. Algo metálico. 

Era um carro. O carro da Mércia.

Ele estava a seis metros de profundidade. E, em seguida, os policiais foram acionados.

Quando içaram o veículo para fora da represa, ele estava sujo na frente. O vidro do motorista estava aberto e, no chão, segundo a família da Mércia, estavam alguns pertences dela.

Mas nenhuma pista de onde a jovem poderia estar… 

Eu vou deixar na tela agora uma foto do veículo sendo retirado da represa, pra vocês conferirem:

CARRO DA MÉRCIA SENDO PUXADO PARA FORA DA ÁGUA:

Fonte: https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/06/pescador-que-viu-carro-de-advogada-entrar-em-represa-presta-depoimento.html 

Então, infelizmente, no dia seguinte, 11 de junho de 2010… o corpo de Mércia apareceu boiando. Ela tinha sido morta.

Como o corpo tinha ficado debaixo da água por 18 dias, tinha acontecido um processo natural chamado saponificação, que é quando a putrefação começa mas por conta do local (no caso, toda aquela água) gorduras do corpo vão, aos poucos, se transformando numa substância parecida com sabão.

Então, o corpo estava muito inchado e branco. O rosto estava desfigurado – quase sem cabelos, olhos, nariz ou boca… Parecia um boneco de cera.

Na hora, o pai e o irmão da Mércia reconheceram o corpo. E o irmão dela, o Márcio, desabou… ele ajoelhou no chão e só conseguiu chorar. 

Investigando, os policiais descobriram que a Mércia tinha sido baleada. Ela levou vários tiros: ela foi atingida no queixo, o que machucou a mandíbula dela, no braço esquerdo e na mão direita.

Mas esses tiros não mataram a Mércia. Ela deve ter gritado (tanto é que o pescador contou que ouviu berros) e, depois, ela desmaiou. Desacordada, mas ainda viva e dentro do carro, o veículo foi jogado na represa. E Mércia morreu afogada. Ela não sabia nadar.

Mércia foi enterrada no dia 12 de junho, em Guarulhos. 

O caso ganhou um destaque gigante na imprensa! De repente, ele estava em todos os jornais e programas de televisão… Todo mundo falava sobre isso.

Agora, os policiais sabiam o que tinha acontecido com Mércia. Mas… quem tinha feito aquilo com ela?

Segundo fontes, quando os policiais analisaram as ligações dos celulares de Mizael, eles viram que, no dia do crime, ele teria feito várias ligações pra uma certa pessoa: um tal de Evandro.

Mas quem era esse cara?

Evandro Bezerra da Silva nasceu em Alagoas, em 1971, e tinha 40 anos. Ele era vigia e, segundo o delegado Olim, ele trabalhava como segurança do Mizael. 

Além disso, logo depois que Mércia foi encontrada, esse Evandro começou a faltar ao trabalho e ainda decidiu, do nada, viajar pro Sergipe. 

Estava tudo esquisito demais… 

EVANDRO BEZERRA DA SILVA:

Fonte: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2022/01/14/justica-autoriza-comparsa-de-mizael-na-morte-de-mercia-nakashima-a-deixa-a-prisao.ghtml 

Suspeitando do Evandro, no dia 25 de junho de 2010, policiais decretaram a prisão preventiva dele e pegaram Evandro lá no Sergipe. Preso, ele prestou depoimento e contou várias coisas:

Segundo Evandro, o Mizael tinha o hábito de seguir a Mércia — literalmente ficava vigiando os passos dela. E ele também contou que, nos dias (ou até meses) antes do crime, o Mizael já falava que poderia fazer alguma coisa contra a vida dela. Ou seja, Evandro já teria incriminado o Mizael aí… 

Ele ainda relatou que Mizael teria marcado de encontrar a Mércia naquela noite, 23 de maio de 2010 (ao que tudo indica, pra ficarem juntos, longe de todo mundo, e namorar). E que o combinado era que Evandro buscasse o Mizael, mais tarde, na represa de Nazaré Paulista.

Com o tempo, Evandro deu mais de um depoimento e acabou mudando a versão dele algumas vezes: Evandro voltava atrás, falava que não era bem assim, só que depois ele voltava atrás de novo e falava que essa história aí era verdade.

Independente disso, veio a pista que mudaria tudo: 

O delegado do caso, o Dr. Olim, comentou que tem a mania de reparar nos sapatos das pessoas. E que, durante as investigações, uma coisa chamou a atenção dele: Mizael sempre usava o mesmo par de sapato. Ele mudava os ternos, as camisas, as gravatas… mas ele sempre estava com o mesmo sapato marrom.

E, no decorrer das investigações, parece que os policiais chegaram a fazer buscas na casa do Mizael, atrás de possíveis evidências. Não encontraram nada, mas levaram algumas roupas dele: umas jaquetas, camisetas… e os sapatos.

Então, veio a resposta que mudaria tudo:

Analisando as roupas, os policiais acharam na sola do sapato uma alga. E essa alga seria a chave pra fechar o caso: era uma alga muito específica, que só crescia na represa de Nazaré Paulista.

Ou seja: segundo a polícia, Mizael esteve na represa. No dia 23 de maio, ele não esteve perto da casa da avó da Mércia porque ele “morava na região”, como tinha dito. Para os investigadores, era porque Mizael teria perseguido a Mércia, stalkeado ela durante o dia. E, além disso, o Mizael também não esteve com uma garota de programa coisa nenhuma. À noite, Mizael teria encontrado com a Mércia.

Era a prova que eles precisavam para colocar Mizael na cena do crime. 

Além disso, encontraram nas roupas dele vestígios de osso, provavelmente de quando teria atirado em Mércia.

No final das contas, a polícia chegou a uma conclusão sobre o que podia ter acontecido. Segundo a reconstrução dos investigadores:

Tudo indicava que a Mércia marcou de se encontrar com o Mizael naquela noite, sem contar pra ninguém… e sem nem imaginar o que iria acontecer.

Primeiro, os dois se encontraram no Hospital Geral de Guarulhos. Lá, Mizael teria deixado o carro dele estacionado e entrado no carro da Mércia.

Aí, eles seguiram juntos até a represa – um lugar isolado –, provavelmente pra namorar, de acordo com algumas fontes.

O banco do carro estava ajustado pro tamanho da Mércia, não do Mizael, o que levou os detetives a pensar que foi a própria Mércia quem dirigiu até o local. E, pelo contexto, é possível que ela não tenha sido forçada a fazer isso.

Na represa, Mércia perdeu a vida.

Como o carro foi empurrado para dentro d’água, a polícia entendeu que o Mizael, na hora de fazer isso, deve ter pisado um pouco na água também, no chão molhado — e, por isso, as algas acabaram grudando nos sapatos dele. 

Mesmo depois de lavar o calçado, os vestígios continuaram lá. 

Por fim, Evandro teria buscado Mizael no local, ajudando na fuga.

A motivação, de acordo com as fontes, teria sido o fim do relacionamento — algo que o Mizael não aceitava, e que a Mércia não queria retomar.

Na época, Mizael e Evandro ficaram um tempo respondendo em liberdade, mas, com o avanço do processo, em dezembro, os detetives decretaram a prisão preventiva deles. 

Só que onde eles estavam? Ninguém sabia! Gente, eles sumiram e viraram foragidos!

Mas isso não durou muito… Em fevereiro de 2012, Evandro se entregou para a polícia. Mizael fez o mesmo em junho de 2012. 

E, nove meses depois, em março de 2013, começou o julgamento – que foi histórico! Foi o primeiro julgamento de homicídio televisionado, ao vivo, do país.

Mizael saiu condenado a 20 anos de prisão em regime fechado. Só que os advogados da família Nakashima acharam essa sentença branda demais e recorreram. No final das contas, a pena de Mizael foi aumentada para 22 anos e 8 meses.

Ele foi condenado por homicídio doloso com três agravantes:

  • Motivo torpe: no caso, a motivação teria sido o fim do namoro deles;
  • Emprego de meio cruel: pois o Mizael atirou em partes vitais do corpo da Mércia;
  • E impossibilidade de defesa da vítima;

Ele foi levado pro presídio Romão Gomes, que é uma cadeia exclusiva para policiais militares.

Em 2014, o SBT fez uma entrevista com ele: de camisa laranja e calça bege, o Mizael estava preso a cerca de um ano e contou que a prisão era muito sofrimento para ele, principalmente por conta da distância da família.

Uma reportagem do G1 de 2022, afirmava que Mizael e Evandro cumpriam pena em Tremembé. Então, acredito que, em algum momento dos últimos anos, eles foram transferidos para lá.

Em 2022, o Mizael foi expulso da polícia e teve o porte de arma cassado. Em 2023, foi expulso da OAB e perdeu o direito de atuar como advogado.

No mesmo ano, em 2023, ele conseguiu a liberdade: 

Ele progrediu a pena dele para o regime aberto. Ou seja, agora, ele cumpre pena fora da cadeia e, à noite, tem que dormir em um lugar específico da Justiça. Mas, no estado de São Paulo, parece que não existe esse tal lugar específico; não tem nenhuma unidade. Então, na prática, Mizael voltou pra casa. 

Ele está solto. Só tem que respeitar algumas regras: que normalmente são cumprir as horas combinadas com a Justiça de entrar e sair no trabalho, não sair de casa nas folgas dele, não sair da cidade e sempre informar e justificar suas atividades.

Já Evandro, por sua vez, foi condenado a 18 anos de cadeia por homicídio doloso. Em 2018, cinco anos depois, ele conseguiu o semiaberto, podendo trabalhar fora da prisão e tendo saídas temporárias em dias festivos. 

Já em 2022, ele também progrediu pro regime aberto.

A família da Mércia sofre até hoje. O irmão dela, o Márcio, acabou entrando para a política — hoje ele é deputado estadual por São Paulo. E ele afirma que, desde a morte da Mércia, houve no país um avanço muito importante nos instrumentos de proteção às mulheres. Ele mesmo é autor de leis que fortalecem essa rede no estado de São Paulo.

Em entrevistas, ele também fez algumas acusações contra Mizael… Eu não sei se elas são verdade, só que Márcio tem afirmado que, atualmente, em 2025, Mizael estaria solto, exercendo ilegalmente a advocacia. 

Ainda afirmou que Mizael teria começado a se relacionar com uma mulher casada, convencido ela a se separar do marido, e ameaçado o (agora ex) marido para pressionar ele pela venda de um imóvel deles.

Mizael e Evandro negam qualquer envolvimento no assassinato da Mércia, e o Mizael também negas essas acusações feitas atualmente pelo Márcio — tanto que ele processou o Márcio por danos morais. O processo está em andamento na Justiça.

ROTEIRISTA:  Lucas Andries

FONTES:  

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