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Trabalhar em um arranha-céu na maior cidade do país deve ser muito legal, né? O problema é ir para um dia normal de trabalho e, por causa de um único ar condicionado, nunca mais voltar pra casa…

No Casos Reais de hoje vamos falar do segundo maior incêndio em arranha-céu com vítimas fatais que já tivemos na história da humanidade: o do Edifício Joelma, em São Paulo, que deixou cento e oitenta e sete mortos e mais de trezentos feridos.

Joelma antes do incêndio

O ano era mil novecentos e setenta e um e a Construtora Joelma S/A, que iniciou as obras do Edifício Joelma, inaugurou mais um arranha-céus nas ruas paulistas.

Na Avenida Nove de Julho, no número duzentos e vinte e cinco, o prédio estava localizado no Vale do Anhangabaú, que é uma região central da cidade de São Paulo. É uma região valorizada e bem movimentada onde geralmente ocorrem eventos, manifestações, apresentações, comícios e espetáculos.

O Edifício Joelma tinha 25 andares e, naquela época, era chamado de arranha-céu. Só pra você ter uma ideia, o Empire State Building, que é o maior arranha-céu de Nova York, tem cento e dois andares. As Torres Gêmeas tinham cento e dez andares CADA, e foram inauguradas apenas dois anos após o Joelma. Daí a gente já vê que, para São Paulo, vinte e cinco andares realmente eram MUITOS andares.

Desses, dez eram garagem e, nos demais, ele era basicamente ocupado pelos escritórios do Banco Crefisul de Investimentos, que praticamente alugou todas as salas para as suas operações. Algo que, mais uma vez, é bem comum nos Estados Unidos. O Bank of America, por exemplo, tem um edifício de cinquenta e quatro andares e cinquenta e três elevadores, também em Nova York.

O Crefisul, que locou o Joelma, não existe mais. Em dois mil e dois o banco de investimentos teve sua falência decretada pela Comissão de Valores Monetários do Brasil. Em dois mil e dezoito os donos do já finado Crefisul foram condenados por crimes contra o sistema financeiro. Mas, antes de tudo isso, o banco era grande e respeitado, inclusive por seus funcionários, que deveriam estar ansiosos para começar a frequentar o prédio.

Na época da inauguração do edifício, a construtora destacou que o prédio estava ocupado com o que se tinha de melhor em termos de tecnologia de prevenção de incêndio da época.

Mas o destino não demorou a trazer a realidade à tona… Apenas três anos após a inauguração, um incêndio ocorreu no Edifício Joelma e deixou um total assustador de cento e oitenta e sete pessoas mortas e trezentas feridas.

Esse foi, até dois mil e um, ano em que as torres gêmeas do World Trade Center foram atacadas, o maior caso de crime com vítimas em edifícios, pois tinha o maior número de mortos até então. Como as torres gêmeas foram um ponto fora da curva, fruto de um ataque terrorista, com mais de duas mil vidas perdidas, podemos considerar que, em termos de acidentes elétricos, o Joelma ainda tem o péssimo título de maior do mundo. 

Agora, vamos rebobinar a fita e entender o que aconteceu no dia e durante o incêndio e porque ABSOLUTAMENTE TUDO contribuiu para que fossem tantas vítimas do incêndio.

O incêndio aconteceu no dia primeiro de fevereiro de mil novecentos e setenta e quatro, do décimo primeiro para o décimo segundo andar do prédio, ou seja, mais ou menos no meio do prédio. E o que a gente precisa ter em mente aqui é que os 10 primeiros andares do prédio eram todos garagem, ou seja, locais em que, se haviam pessoas, eram poucas. O incêndio começou exatamente nos andares em que existiam os escritórios, com centenas de pessoas trabalhando.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 8h55 da manhã, por funcionários do Hotel Cambridge e os registros indicam que o incêndio começou por volta de 8h45. O que já deixa claro que o incêndio começou pouco depois do horário de início tradicional de expediente das pessoas, ou seja, grande movimento e muita gente no prédio.

O fogo começou nos aparelhos de ar-condicionado do décimo primeiro andar e logo se espalhou pelos andares e subiu, pegando mais e mais andares com uma velocidade assustadora. As primeiras viaturas dos Bombeiros chegaram no local por volta de 9h10 da manhã, e nessa altura já tinham pessoas se atirando ou caindo do prédio em chamas. Isso traz para a gente uma noção da velocidade que as chamas tomaram o prédio e com que levaram as pessoas ao desespero.

O caos imperava já nesses primeiros minutos e, para piorar a situação, a verdade é que na hora do incêndio ainda houveram vários e vários dificultadores dos trabalhos de resgate. Apesar de ter mais de mil e quinhentos profissionais envolvidos e mobilizados na operação de resgate, as dificuldades começaram já na chegada do Corpo de Bombeiros: primeiro, os hidrantes das redondezas estavam todos defeituosos e não tinham a pressão necessária para bombear a água para o prédio. Por isso, foi preciso deslocar mais de trinta caminhões pipa para agir no combate ao fogo.

Como se isso não fosse o suficiente, outro problema logo surgiu: as escadas que eram utilizadas, mesmo acopladas a outras escadas,, só alcançaram até o 16º andar. E claro, o edifício que anunciaram como ótimo em recursos de tecnologia, não tinha escadas de incêndio. Ou seja, do 17º para cima, não havia como chegar nas pessoas.

Ficou claro que seria necessário suporte aéreo para que fosse feito o resgate das pessoas que estavam nos andares mais altos do prédio. Mas, é claro que não seria fácil, não é qualquer aeronave que consegue realizar um voo baixo e tem capacidade para atuar no resgate. Além disso, pasmem, um edifício daquele porte, não tinha heliporto, logo, não havia como ele pousar para efetuar o resgate.

Nesse processo todo para o resgate, levou mais de uma hora e meia para que o primeiro helicóptero conseguisse, de fato, voar próximo o suficiente para deixar um oficial e efetuar o resgate. O primeiro oficial a chegar no topo do prédio e que até hoje é lembrado como um dos heróis do dia, Sargento Augusto Carlos Cassaniga, saltou de uma altura de cerca de três metros para o topo do Edifício Joelma. Outro detalhe que a gente precisa destacar aqui é que não havia heliporto e tampouco um terraço no topo do prédio, era uma área do telhado, que não favorecia em nada o resgate ou mesmo a segurança das pessoas que estavam escapando para cima.

Nos dias de hoje é fácil que nos lembremos de que fugir para cima não é a melhor saída, mas na hora do desespero, do fogo que começou no meio do prédio, se espalhou assustadoramente rápido, além do pânico e do medo, as pessoas correram na direção oposta ao fogo. Naquele dia, a saída parecia ser exatamente essa, para cima.

Além disso, precisamos lembrar que estamos no ano de mil novecentos e setenta e quatro, não existia GATE, o Grupo de Ações Táticas Especiais. Por isso, não havia preparo da força policial e dos bombeiros para um incêndio daquela magnitude.

O sargento Augusto traz em seus relatos que:

tive de utilizar a psicologia de massa, gritando mais alto que eles e gesticulando, fazendo com que eles (as vítimas) agrupassem no centro do telhado. Aos poucos conseguimos que eles ficassem no centro do telhado (…) Formamos uma guarnição no topo do Joelma e começamos a carregar as vítimas. Houve pânico, pois os que estavam em melhores condições queriam embarcar no helicóptero primeiro, mas a prioridade era dos feridos e em piores condições (…)

Durante as horas que se seguiram, do lado de fora as câmeras da tevê registravam tudo, uma multidão do lado de fora exibia cartazes para as vítimas não se desesperarem e não se jogarem do prédio. Uma das cenas mais impactantes do ocorrido foi transmitida pela TV Globo na época: um homem caiu do último andar do prédio em meio ao pânico, desnorteamento e desespero para fugir das chamas.

Apesar de ficar evidente que algumas pessoas se atiravam, frente ao desespero, algumas também estavam caindo. Isso mesmo, caindo por estarem fracas, machucadas, desidratadas, desesperadas e em pânico. Dá para imaginar o que é esse caos, o que é estar repleto de chamas e como a morte certa por todos os lados?

Os trabalhos de resgate se mantiveram por horas a fio e as últimas vítimas com vida foram resgatadas por volta de duas e dez da tarde, do vigésimo primeiro andar do prédio. Não dá para deixar de imaginar o que é passar mais de cinco horas presa em um prédio em chamas. Pouco depois desse resgate, por volta das quinze da tarde, com o incêndio já sob controle, as buscas por sobreviventes são encerradas.

Era hora de recolher os corpos.

Depois desse horário, um padre esteve no topo do telhado para administrar a extrema-unção às vítimas e a limpeza da área foi iniciada. No telhado, os bombeiros retiraram dezessete corpos, e, embaixo do telhado, foram encontradas outras cento e cinco pessoas. E quando as cenas de terror pareciam ter chegado ao fim junto das chamas, o relato de um dos bombeiros se torna o retrato do incêndio do Edifício Joelma:

Ao entrar no prédio, para fazer o resgate dos corpos, perceberam que treze pessoas conseguiram entrar em um dos elevadores durante o incêndio, que estava funcionando. O problema foi que, com o fogo, o elevador não chegou a cair, mas ficou dependurado e prendeu as pessoas lá dentro. Muitas delas já estavam em colapso por causa da desidratação e terem inalado muita fumaça.

A esperança dessas pessoas em chegar aos andares mais baixos virou cinzas e, quando perceberam que não tinham mais como sair dali, elas ABRAÇARAM UMAS ÀS OUTRAS EM UM ÚLTIMO ATO DE ACOLHIMENTO. A cena, forte, como você deve ter sentido, tornou impossível o reconhecimento dos corpos, alguns já haviam se fundido às paredes de metal do elevador. Por essa razão, os corpos dessas treze vítimas foram enterrados em conjunto, em túmulos que estão no recém inaugurado na época, Cemitério de São Pedro. E então é fácil se perguntar, o que fica depois de tanta dor, vidas perdidas e, principalmente, por quê?

É claro que um incêndio dessa magnitude seria investigado e, quanto mais se procura saber, mais absurdos e descaso aparecem de todos os lados. Apesar da propaganda maravilhosa que a Construtora Joelma S/A fez da segurança do seu prédio, na década de SETENTA ainda estava em vigor o Código de Obras do Município de São Paulo de 1934. Isso mesmo. Vamos combinar, uma defasagem de cinquenta anos para uma metrópole que crescia exponencialmente. Haviam pouquíssimas normas que precisavam ser atendidas pelas construções e que estavam longe de ser o ideal frente à magnitude dos edifícios.

No caso do Edifício Joelma, no dia seguinte ao incêndio, foi concedida uma autorização especial para que o Instituto de Engenharia fizesse uma avaliação do local. Quando terminaram, o laudo foi publicado e divulgado amplamente pela mídia. O horror é que ele pode ser resumido em uma única frase:

Tudo favorecia o desastre, bastava jogar um fósforo

As inconformidades eram tantas que o prédio tinha fiações e instalações elétricas em péssimo estado: fios desencapados, desgastados, não embutidos nas paredes), ausência de portas corta-fogo, materiais inflamáveis por todos os lados. Aqui entra o fato de que os escritórios eram, em sua maioria, delimitados por divisórias que continham material inflamável, o forro dos andares também era, além de carpetes, cortinas, móveis de madeira, e até mesmo botijões de gás das copas das empresas que explodiram como bombas e lançaram blocos inteiros de parede para baixo e contribuíram para as chamas se espalharem mais rápido.

Para você ter uma ideia, um dos sobreviventes do incêndio conta que ele e um de seus colegas conseguiram pegar uma mangueira de incêndio, porém, quando abriram o registro, NÃO HAVIA ÁGUA.

É importante a gente lembrar que, dois anos antes do Edifício Joelma pegar fogo, outro incêndio ocorreu na região, do Edifício Andraus. O incêndio aconteceu no dia vinte e quatro de fevereiro de mil novecentos e setenta e dois, deixou trezentos e cinte feridos e matou dezesseis pessoas. O motivo? Também houve um curto-circuito, que ocorreu nos cartazes elétricos de propaganda que ficavam na marquise do prédio.

Até o Edifício Joelma, esse tinha sido o maior incêndio da história do estado de São Paulo. Ainda assim, apesar de terem sido realizadas várias mudanças e reformas no prédio Andraus, a repercussão terminou no próprio prédio. As mudanças viriam apenas depois da morte das cento e oitenta e sete pessoas no Edifício Joelma.

Seis dias depois do incêndio no Joelma, o prefeito da época, Miguel Colasuonno publicou o decreto dez mil oitocentos e setenta e oito com abre aspas normas especiais para a segurança dos edifícios, a serem observadas na elaboração dos projetos e na execução, bem como no equipamento e no funcionamento, e dispõe ainda sobre sua aplicação em caráter prioritário fecha aspas.

Esse primeiro passo em direção à mudança foi reforçado apenas um ano depois, sob a gestão do prefeito Egydio Setúbal, que promulgou a Lei oito mil duzentos e sessenta e seis. Ela é a responsável por criar o novo Código de Edificações do Município de São Paulo.

Ainda assim, sabemos que as mudanças são preventivas e reguladoras. Você com certeza está se perguntando sobre os responsáveis por todas as falhas do Edifício Joelma. Afinal, quem foi? Por que tudo estava em condições tão precárias em um prédio tão novo?

Cinco meses depois, em julho de mil novecentos e setenta e quatro, começou a investigação criminal do incêndio e, um ano depois, o julgamento da terceira vara criminal da justiça considerou as instalações de ar condicionado precárias e culpou os responsáveis por omissão, negligência e imperícia.

Ou seja, o incêndio do Edifício Joelma foi criminoso, mas para que você entenda melhor, isso não significa que os envolvidos queriam que o local pegasse fogo, tampouco que riscaram o fósforo. O que acontece nesses casos é que os profissionais e empresas que são os responsáveis pela segurança, ao fazerem um trabalho insuficiente ou ruim é o mesmo que eles assumirem o risco de acontecer uma fatalidade como essa. No resultado do julgamento, podemos destacar aqui algumas figuras chave que foram penalizadas:

Kiril Petrov, ele era o gerente administrativo da Crefisul. Lembra que esse é o Banco de Investimentos que ocupava a maior parte do Edifício Joelma. Kiril recebeu pena de três anos de prisão. Além dele, dois eletricistas, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, também ligados ao Banco, receberam dois anos.

Walfrid Georg, que era o proprietário da Termoclima, recebeu pena de dois anos de reclusão, assim como Gilberto Araújo Nepomuceno, que estava ligado à empresa. Olhando hoje para trás, pensar nessa condenação de dois ou três anos e no número assombroso de vítimas e de mortos, essa conta não fecha. Além do julgamento na esfera criminal, cento e setenta e duas famílias se uniram em uma ação coletiva de indenização que se arrastou por anos.

O Grupo Crefisul foi responsabilizado pela falta de segurança do prédio na ação de responsabilidade civil, que perdeu em todas as instâncias. As ações findaram apenas em mil novecentos e oitenta e sete, ou seja, treze anos após o incêndio.

O problema, porém, é também sobre os valores julgados, como afirmou Djalma Diniz Dantas, irmão de uma das vítimas, José Carlos, que não tinha nem vinte anos, abre aspas O que recebemos não deu para pagar os remédios que meus pais tiveram de tomar com a morte do meu irmão fecha aspas.

O pai de Djalma recebia na época do Crefisul trezentos cruzeiros mensais. Se a gente faz essa conversão para reais, dá para entender como o valor é irrisório: o valor não compraria um maço de cigarros na época. Eu disse antes que a conta não fecha, e é aqui que vemos como, apesar de novas legislações entrarem em vigor, pouco foi feito depois.

O Edifício Joelma ficou quatro anos fechado para reformas, com um destaque interessante: sua estrutura não foi abalada pelo fogo. Na época que foi reaberto, ele também foi rebatizado de Edifício Praça da Bandeira. E se você acha que acabou, ainda rolou muita água nessa história.

Vinte anos depois do incêndio de mil novecentos e setenta e quatro, o agora chamado Edifício Praça da Bandeira foi interditado e adivinhe só: as regulamentações de segurança não estavam sendo cumpridas, mesmo após a tragédia e toda sua repercussão.

Os problemas encontrados nas instalações do antigo Joelma foram desde a ausência de extintores de incêndio, quadros de luz com fiação exposta e até a casa das máquinas com sobrecarga, que estava cheia de pontos de queima, já com indícios de carbonização da fiação.

Onde antes havia o telhado, que virou um forno para as pessoas que estavam lá, construíram uma base que chamaram de heliponto. O detalhe: o espaço é insuficiente para qualquer aeronave pousar. Como se tudo isso não fosse o bastante, o pára-raios que colocaram no topo do edifício não é apenas radioativo, como também proibido no Brasil desde mil novecentos e oitenta e seis. São repetidas ações de descaso com a segurança e a vida humana, que não cessaram e repercutiram na vida dessas pessoas e famílias para sempre.

Mas existe um outro fator que torna a memória dessas pessoas e do Edifício Joelma tão viva até os dias de hoje: para as pessoas que trabalham no prédio, ele é assombrado. É, você não entendeu errado. Algumas dessas histórias remontam a tempos anteriores à construção do Joelma, mas vamos primeiro falar sobre o que as pessoas relatam em tempos mais atuais.

Várias pessoas que trabalharam no prédio tempos depois do incêndio dizem que não é incomum ouvir barulhos parecidos com sussurros e gritos de dor. Além disso, nos andares em que estão os estacionamentos, é comum que os faróis dos carros fiquem piscando constantemente, sem nenhuma explicação lógica.

O detalhe é que essas histórias de assombração não estão presentes apenas no edifício, mas também no cemitério em que as treze vítimas que foram enterradas juntas estão. Você se lembra delas, certo? São os treze que foram encontrados abraçados dentro do elevador.

Em dois mil e cinco, o zelador do local, Luiz Nunez, contou que é comum ouvir barulhos de gritos vindos dos túmulos. Em um momento em que o barulho estava muito alto e assustador, ele jogou a água de seu regador sobre os túmulos e isso pareceu acalmar os sons.

Desde então, Luiz conta que manteve o hábito de deixar um copo d’água nos túmulos das vítimas. A repercussão desses fatos sempre foi tão marcante que um prefeito de São Paulo se recusou a ir no prédio a menos que ele fosse purificado antes. Por isso, levaram um monge budista ao local, porém, ele informou que não poderia fazer nada para apaziguar os fantasmas que ali habitavam.

Até os dias de hoje, histórias de assombração não param de surgir – e a grande prova de que as pessoas realmente tem MEDO do que pode ainda habitar o Joelma é que o prédio se desvalorizou muito, em termos imobiliários, apesar de estar em uma área excelente de São Paulo.

Em algumas publicações de revistas e jornais brasileiros ao longo dos anos a gente consegue ver que várias empresas se mudaram do Edifício Praça da Bandeira, antigo Joelma, porque não conseguiam que os clientes fossem até lá, por medo.

Um dos muitos motivos para o pavor da população é que, como contam os funcionários que passaram por lá depois da revitalização, muitos andares ficaram totalmente desocupados, sem ninguém para alugar, e os elevadores PARAVAM nesses andares, fazendo com que trabalhadores e visitantes ficassem olhando a escuridão do andar vazio, sem que o comando fosse esse. 

Ou seja, você até podia apertar o botão para ir direto para o térreo e, mesmo assim, do NADA, ele parava naquele décimo andar que não tinha uma empresa ocupando… bizarro, né?

Há até um relato de um adolescente que foi até o Joelma fazer um trabalho de escola e voltou de lá com queimaduras, mesmo sem encostar em nada quente… 

Essas histórias e muitas outras fizeram as pessoas buscarem mais respostas sobre a história do terreno que o Edifício Joelma foi construído. Tanto é que em dois mil e cinco o Linha Direta abordou os enigmas em torno do Edifício e trouxe à tona a história que é, de longe, a mais bizarra e a mais famosa do local, e ocorreu anos antes de o prédio ser construído: o Crime do Poço.

O crime do Poço ocorreu em uma casa, em São Paulo, que ficava exatamente no terreno em que depois seria construído o Edifício Joelma. Nessa casa moravam Paulo Ferreira de Camargo, sua mãe Benedita Camargo e duas irmãs, Maria Antonieta e Cordélia. Segundo os relatos da época, os vizinhos achavam Paulo uma pessoa com muitas atitudes estranhas, mas até aí, quem nunca né? Estranheza não é crime.

Paulo era professor assistente e recém formado em Química na USP e, em certa época, conheceu a enfermeira Isaltina dos Amaros, enquanto levava a mãe e as irmãs para fazer consultas médicas.

Quando Paulo começou a namorar com Isaltina, a mãe e as irmãs logo se mostraram contra aquele arranjo. Um dos motivos era que a mãe sabia que Isaltina não era mais virgem e, na visão dela, aquilo não era nada bom. Os desentendimentos na família se mantiveram e o relacionamento de Paulo e Isaltina também. Com o tempo, as pessoas relataram que Paulo mudou ainda mais seu comportamento, parecendo sempre deprimido e mais retraído.

Mas o detalhe que realmente despertou estranheza nas pessoas foi que Paulo começou a se interessar muito e a questionar seus professores e colegas sobre quais materiais seriam eficientes para decompor um corpo, além de fazer experimentos que a Universidade reprovava.

Paulo logo começou a construção de um poço no terreno da casa, dizendo que era para uma fábrica doméstica de adubos e que não poderia utilizar água encanada. Ele contratou dois ajudantes e logo a obra estava em andamento. E claro, quando a mãe ou as irmãs questionavam o que ele ia fazer, ele não dava resposta.

Em mil novecentos e quarenta e oito, Paulo informou aos vizinhos, amigos e familiares que a mãe e as irmãs haviam sofrido um acidente de carro em uma viagem para o Paraná. Segundo ele, o carro havia caído em um penhasco e as três haviam morrido.

A história não pareceu colar muito para Carlos, que era irmão de Paulo e percebeu que vários detalhes da sua histórias mudaram toda vez que ele contava. Carlos também achou estranho que um acidente como esse não tivesse aparecido em nenhum jornal, em nenhuma notícia. Além disso, Paulo não parecia se importar com as mortes.

Dezenove dias depois desse encontro, a Polícia, que começou a investigar o caso, foi até a casa de Camargo. Na época, ele ainda fez troça com os policiais presentes, falando:

“Vocês, cavalheiros, acreditam que sou louco, que sou perturbado o suficiente para ter matado minha mãe e minhas irmãs e enterrado no meu quintal? Minha casa é toda sua”

Antes mesmo de saberem o que havia ocorrido, Paulo se trancou no banheiro e atirou em seu próprio peito. O que descobriram depois foi que, depois que o poço ficou pronto, Paulo atirou nas duas irmãs e em sua mãe. Relatos da época indicam que os vizinhos não ouviram os barulhos de tiro porque Camargo sabia como abafar o som de uma arma, coisa que aprendera na faculdade.

Depois de matar as três a sangue frio, Paulo enrolou os corpos em mortalhas pretas, colocou capuzes nas cabeças e jogou os corpos no poço. Além das mortes da família Camargo, um dos bombeiros que participaram do resgate dos corpos morreu dias depois, pelo que chamam de infecção cadavérica. Algumas lendas contam histórias mais antigas do mesmo terreno, afirmando se tratar de um antigo pelourinho em que as pessoas negras escravizadas eram levadas para serem castigadas. 

A você, resta tirar suas próprias conclusões…

Joelma atualmente

Voltando ao caso do Edifício Joelma, para concluir, é importante lembrar que, por ter sido um incêndio na década de setenta, grande parte dos registros sobre o que aconteceu lá dentro vem dos relatos das vítimas sobreviventes e de repórteres que fizeram a cobertura da tragédia.

Ainda que a construtora tenha assegurado toda a alta tecnologia do edifício quando o inaugurou, hoje em dia realmente os prédios são muito melhor equipados para lidar com incidentes assim. Se você mora em um prédio alto, com elevador, por exemplo, com certeza sabe dizer onde está a escada que funciona como saída de emergência, pois a sinalização correta deste recurso é obrigatória em nosso país.

Além disso, espero que nunca aconteça, MAS, se um dia você estiver em uma situação de incêndio ou qualquer outro perigo em um prédio, lembre-se de descer pelas escadas, e não utilizar os elevadores. Às vezes, no choque do momento, as pessoas podem achar que sairão mais rápido se forem de elevador, mas em uma pane elétrica, que pode cortar a energia do prédio inteiro, o que acontece é um beco sem saída.

Ah, e se você presenciar ou ver de longe um incêndio acontecendo, em prédio ou casa ou qualquer tipo de construção, os números dos bombeiros são o mesmo em todo o Brasil. Pode ligar para o CENTO E DOZE ou CENTO E DEZESSETE para registrar a ocorrência.

É até difícil imaginar uma cena dessas, mas, caso você veja ou até mesmo seja uma vítima de incêndio com o corpo em chamas, NÃO JOGUE ÁGUA. É importante fazer com que a vítima role no chão até que a chama se apague e, assim que isso ocorrer, a gente verifica se a vítima está respirando e se o coração está batendo, preferencialmente apenas com observação, porque tocar na pessoa pode fazer com que a pele dela se desprenda.

Checou os sinais vitais e eles estão lá? Ligue para os bombeiros, dê espaço para a vítima respirar e em hipótese NENHUMA ofereça líquidos de qualquer natureza.

Nem todas as cidades tem um hospital com centro de referência em tratamento de QUEIMADOS, mas as capitais têm e é para esses locais que as vítimas são levadas. Em cada localização pode existir grupo de apoio às vítimas de incêndio. Se você é ou conhece alguém que é um sobrevivente de incêndio, busque por esses centros de apoio na sua cidade.

Roteiro: Lais Menini

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